Dentre os comportamentos
observados na primeira infância que
podem ser foco da atenção clínica,
pode-se destacar a dificuldade em
dormir no próprio quarto, a
dificuldade em dividir, obedecer,
seguir regras, ou se relacionar em
grupo.
E também comportamentos marcados por agressões impulsivas para
conseguir o que deseja, birras e “cenas” em locais públicos, tais como bater,
morder, gritar, ou mesmo pelo retraimento social.
Esses comportamentos são possíveis barreiras que
dificultam o bom desenvolvimento social e emocional da
criança.
Além de problemas de mau
comportamento, geralmente associados a
transtornos externalizantes, também é
possível perceber que algumas crianças
apresentam altos níveis de ansiedade e
outros problemas emocionais.
Na infância, a ansiedade e a depressão, apesar
de serem caracterizadas como problemas
internalizantes, costumam se manifestar
também como problemas de comportamento,
tais como a recusa em fazer as atividades, a
irritação e a agressividade.
As reações exageradas a um estímulo ansiogênico
surgem mais facilmente em crianças com alguma
predisposição neurobiológica e são geralmente
mantidas, ou mesmo desenvolvidas, por fatores
ambientais, como a interação com irmãos, colegas,
professores, pais, além de outros cuidadores e
familiares.
No início da vida, as crianças começam a estruturar aspectos
importantes de seu funcionamento mental, mostrando padrões
cognitivos, emocionais e comportamentais que poderão ser observados
ao longo da vida.
A personalidade é formada pelas heranças filogeneticamente
transmitidas, na qual as características dos pais biológicos se
manifestam através do temperamento da criança. A outra parte
do que dará origem a personalidade será formada pelas
aprendizagens a partir das experiências vividas, que tratam de
modelar o caráter de cada ser humano.
Terapia cognitiva na infância
as técnicas argumentativas de investigação, conceitualização e
contestação de pensamentos disfuncionais mostram-se difíceis de
serem aplicadas em crianças muito pequenas, pois a terapia
cognitiva, desde o seu surgimento, teve maior foco no tratamento
de pacientes adultos.
A terapia cognitiva é a que obtém maior êxito no tratamento de crianças pequenas, uma vez que
estas podem se beneficiar das técnicas da terapia cognitiva devidamente adaptadas à idade e à
capacidade cognitiva.
Adaptação da terapia cognitivo comportamental para pré-escolares:
Intervenções cognitivas podem auxiliar a criança a
reinterpretar tais situações e a formular conceitos
mais saudáveis para servir de base a seus padrões
emocionais, tanto a curto quanto a longo prazo.
13- Com o auxílio das ferramentas da terapia cognitiva,
procura-se entender a situação de maneira mais adaptativa,
regular as emoções daí advindas e de outros eventos
associados, e ampliar o leque de repertório
comportamental para solução de problemas.
Estrutura do
Tratamento
Assim como na terapia cognitiva com pacientes adultos, a psicoterapia na
infância também apresenta, ainda que de modo mais flexível, uma estrutura
tanto do tratamento como das sessões.
Sessões Iniciais
é indicado que os solicitantes do atendimento sejam os primeiros a serem
atendidos. Sem a presença da criança, as informações, inicialmente, podem
ser coletadas de modo mais minucioso, dando-se mais liberdade ao
profissional e aos solicitantes para explorarem de modo mais profundo os
problemas atuais e passados.
é importante salientar que o psicólogo ou
psiquiatra é um profissional que tem muitos
brinquedos e que ele e a criança terão tempo
para conversar e também para brincar.
Avaliação
as avaliações diagnósticas iniciam com perguntas amplas e gerais, caminhando gradualmente para
uma especificidade situacional cada vez mais evidente. 18- O objetivo da avaliação, além de averiguar a
presença ou não de um diagnóstico, é determinar se a criança tem habilidades compatíveis com as
demais crianças de sua idade e com cultura na qual está inserida.
19- técnica consiste em ensinar os pais a desenvolver práticas educativas mais assertivas,
valendo-se de estratégias de contingência como reforço, punição e extinção.
Treinamento de
pais
há décadas o termo manipulação de contingências vem sendo
estudado no campo da psicologia e, com o passar dos anos, o
termo incentivou estudiosos a desenvolverem treinamentos
para pais modificarem o comportamento dos seus filhos.
A falta de preparo, algumas vezes potencializada pela
psicopatologia dos próprios pais, pode afetar
negativamente o desenvolvimento da criança,
ocasionando um déficit de habilidades
comportamentais.
Exemplo: pais ansiosos podem mimar seus filhos, tentando poupá-los de enfrentar dificuldades
cotidianas, enquanto pais com transtorno da personalidade narcisista podem ter dificuldades em
estimular seus filhos a serem cooperativos e altruístas.
O terapeuta que treine país para modificação de comportamento deve ter
como meta inicial uma avaliação completa dos comportamentos e do
funcionamento familiar.
Reforço
é uma estratégia comportamental que visa aumentar
a frequência de comportamentos desejáveis. Pode
envolver a associação de algo como elogio ou
presente (positivo) ou a retirada de algo aversivo para
a criança como consequência de um bom
comportamento (negativo).
Punição
é uma estratégia comportamental que visa diminuir a frequência de comportamentos indesejáveis. A
punição é mais utilizada para comportamentos agressivos, que causem dano à criança, a outras
pessoas ou, ainda, danos materiais.
Extinção
é uma estratégia que visa diminuir a frequência ou a intensidade de
comportamentos indesejáveis por meio da ausência de atenção dedicada a
determinado comportamento.
Time out
é uma técnica para punir (punição negativa) o mau comportamento. É
importante que os pais evitem expressar raiva ou descontrole para evitar
que a criança entre em um jogo de provocações com eles.
Economia de fichas: essa técnica provém do condicionamento operante e visa
premiar por reforço positivo os comportamentos desejados. Utiliza sistema de
pontos que pode variar conforme idade e indivíduo, como fichas coloridas, notas
falsas, cartões com números, etc.
O atendimento à criança: a primeira sessão com a
criança deve ser uma sessão mais livre da estrutura
convencional da sessão de terapia cognitiva. Nesse caso,
o brinquedo e o jogo são utilizados para facilitar a
comunicação entre terapeuta e paciente, até que ambos
consigam desenvolver uma relação terapêutica
sustentada.
Espera-se que nas primeiras consultas sejam esclarecidos os motivos para uma criança estar
visitando um consultório psicológico ou psiquiátrico.
Da segunda sessão em diante, é possível apresentar a terapia cognitiva de uma forma lúdica. Para
isso, o terapeuta pode se valer do uso de materiais de colorir para elucidar o modelo cognitivo.
A psicoeducação do modelo cognitivo pode ser ainda mais rica se mais exemplos
forem oferecidos. Além disso, quanto mais exemplos claros e próximos à realidade
da criança forem explicitados, maior será a chance de o paciente entender e se
motivar para prestar atenção no que está sendo exposto.
Psicoeducação do problema do paciente
a Psicoeducação é uma estratégia psicoterápica da terapia cognitiva que, por si, só pode conduzir
alguns pacientes a uma melhora significativa.
É importante atentar para a linguagem e terminologia empregadas, uma vez que as informações
precisam ser terapêuticas e úteis para a compreensão do fenômeno.
O importante é que a criança entenda porque ela tem
determinados comportamentos, de tal maneira que a ajude na
compreensão, uma vez que as informações precisam fazer
sentido para ela.
Para as crianças, cada caso deve ser considerado quanto às suas diferenças e especificidades, não
havendo regras rígidas e exclusivas a serem seguidas. O importante é que a criança entenda porque ela
tem determinados comportamentos, de tal maneira que a ajude na compreensão, uma vez que as
informações precisam fazer sentido para ela.
Sessões intermediárias
Sugere-se que antes de atender a criança seja perguntado ao responsável sobre como foi a semana e
uma breve devolução sobre como as orientações passadas foram empregadas. os responsáveis
podem entrar na sessão novamente e podemos tanto atualizar sobre o que foi trabalhado na sessão,
bem como convidar o paciente a contar como foi.
Acessando as emoções
uma importante parte do trabalho do terapeuta cognitivo infantil está em
estimular seus pacientes a usarem a linguagem para descrever e vivenciar
as suas emoções.
A finalidade é que o paciente entenda que as emoções, incluindo as negativas, podem ser vivenciadas
sem necessariamente causar prejuízo. Por exemplo, posso sentir raiva se um colega me empurra
propositalmente no pátio da escola durante uma brincadeira de pega-pega, mas o “destino” que a
criança dará a essa emoção é o que deve aprender na terapia.
Resolução de
problemas
É recomendado que o terapeuta inclua cenas da vida real do paciente para dentro do consultório. Um
menino que frequentemente joga longe os brinquedos dos seus colegas, o que acaba ocasionando
brigas corporais (chutes, mordidas, tapas), é um bom exemplo: o terapeuta pode simular uma
situação em que haja como provocador, impedindo o menino de tocar no seu brinquedo.
Provocar sentimentos negativos nos pacientes é
extremamente útil se soubermos qual o objetivo: desenvolver
habilidades ensinando-os a identificar as emoções e
ajudando-os a resolver o conflito.
Sessões finais
Com o término do tratamento se aproximando, paciente e terapeuta
buscam confirmar se os objetivos traçados no início da terapia foram
realmente alcançados.
O caderno que foi utilizado durante as sessões pode ser
bastante útil para lembrar o que foi feito em cada
sessão ou em períodos do tratamento.
O último dia de sessão terapêutica deve ser um dia especial
que ressalta todas as competências e habilidades. Ele deve
valorizar o sentimento de poder e de controle do paciente
sobre si mesmo.
Ele deve orientá los sobre como praticar as técnicas de reforço, punição, extinção, time out e economia
de fichas.