Recomendado: lavar a região com água e sabão e procurar
atendimento médico o mais rápido possível
Não recomendado: sucção, garrote, incisão, colocar substâncias na lesão,
características da maioria das cobras peçonhentas:
presença de fosseta loreal (todas peçonhentas possuem,
menos a coral), tendem a atacar mais, possuem cabeça
mais achatada, escamas mais espessas e cauda tende a
afinar abruptamente
análise dessas características contribuem para o atendimento
hospitalar em casos de não identificação do gênero da serpente
principais efeitos do veneno
Miotóxico
lesões de fibras musculares esqueléticas (rabdomiólise)
Neurotóxico
estimulação vagal (laquético), inibição da acetilcolina causando boqueio
neuromuscular e paralisias (crotálico), ação pós-sináptica que competem
com a acetilcolina pelos receptores colinérgicos da junção neuromuscular
e de ação pré-sináptica que atuam na junção neuromuscular, bloqueando
a liberação de Ach pelos impulsos nervosos (elapídico).
Proteolítico
atividade de proteases, fosfolipases e hialuronidases
que provocam bolhas, edemas e necrose
Hemorrágico
ação das hemorraginas que provocam lesões na membrana basal dos capilares
Coagulante
alterações no fator X, protrombina, fibrina, fibrinogênio
e plaquetas, que provocam incoagubilidade sanguínea
principais gêneros das serpentes
peçonhentas envolvidas em acidentes
Lachesis (surucucu)
Ação proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurotóxica (estimulação vagal). Manifestações locais: dor
e edema, vesículas e bolhas e manifestações hemorrágicas que limitam-se ao local da picada.
Manifestações sistêmicas: hipotensão arterial, tonturas, escurecimento da visão, bradicardia, cólicas
abdominais e diarréia (síndrome vagal). Os acidentes laquéticos são classificados como moderados e
graves. Complicações/sequelas: síndrome compartimental, necrose, infecção secundária, abscesso,
déficit funcional. Diagnóstico: Tempo de Coagulação (TC), hemograma, dosagens de uréia, creatinina e
eletrólitos e imunodiagnóstico. O soro antilaquético (SAL), ou antibotrópico-laquético (SABL) deve ser
utilizado por via intravenosa.
Micrurus (coral)
0,4% dos acidentes. O efeito é neurotóxico e pode ser de ação pós-sináptica (competem com a
acetilcolina (Ach) pelos receptores colinérgicos da junção neuromuscular) e de ação pré-sináptica
(atuam na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de Ach pelos impulsos nervosos).
Manifestações locais: dor local discreta e parestesia. Manifestações sistêmicas: fraqueza muscular
progressiva, ptose palpebral, oftalmoplegia e a presença de fácies miastênica ou “neurotóxica”. Não
há exames específicos para o diagnóstico.
Bothrops (jararaca)
É o gênero com mais casos, seu veneno possui ação proteolítica, coagulante, hemorrágica.
Manifestações locais: - Dor e edema endurado no local, equimoses e sangramentos, infartamento
ganglionar e bolhas podem aparecer na evolução, acompanhados ou não de necrose.Manifestações
sistêmicas: sangramentos em ferimentos cutâneos preexistentes, hemorragias à distância como
gengivorragias, epistaxes, hematêmese e hematúria. Tratamento geral manter elevado e estendido o
segmento picado, emprego de analgésicos para alívio da dor, hidratação, antibioticoterapia quando
houver evidência de infecção.
Crotalus (cascavel)
É responsável por cerca de 7,7% dos acidentes ofídicos registrados e apresenta o maior
coeficiente de letalidade devido à freqüência com que evolui para insuficiência renal
aguda (IRA). A disseminação do veneneo é cranio caudal e possui três as ações principais:
neurotóxica (neurotoxina de ação pré-sináptica que atua nas terminações nervosas
inibindo a liberação de acetilcolina), miotóxica (lesões de fibras musculares esqueléticas
sem plaquetopenia) e coagulante (consumo de fibrinogênio pode levar à
incoagulabilidade sangüínea). Manifestações locais: dor ausente ou pouco intensa, pode
haver parestesia local ou regional. Manifestações sistêmicas gerais: mal-estar, prostração,
sudorese, náuseas, vômitos, sonolência ou inquietação e secura da boca. Neurológicas:
fácies miastênica, ptose palpebral uni ou bilateral, flacidez da musculatura da face,
alteração do diâmetro pupilar, oftalmoplegia. Musculares: dores musculares
generalizadas e mioglobinúria.
Diagnóstico: Sangue: resultado da miólise, CK, LDH, AST e ALT e aldolase. Urina:
normal quando não há IRA. Presença de mioglobina e pode haver proteinúria discreta,
com ausência de hematúria. Abordagem Terapêutica especÌfico: soro anticrotálico
(SAC) ou (SABC), quantidade a ser ministrada à criança é a mesma do adulto.
Outros animais peçonhentos
Escorpião
T. serrulatus (escorpião-amarelo); T. bahiensis (escorpião-marrom); T. stigmurus (escorpião-amarelo do
Nordeste); T. obscurus (escorpião-preto da Amazônia). Ação neurotóxica: dor local e manifestações
clínicas de efeitos simpáticos ou parassimpáticos e ação miotóxica: rabdomiólise. Manifestação local:
dor de intensidade variável, incomum a observação da marca do ferrão. Manifestação sistêmica:
agitação sudorese profusa, hipertensão e taquicardia, náuseas e vômitos, cólicas abdominais, diarreia,
hipotensão, bradicardia. Tratamento sintomático: dipirona e paracetamol. Tratamento específico: soro
antiescorpiônico (Saesc) ou o soro antiaracnídico (SAA).
Aranhas
Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus.
Aranhas
Celenterados
Anthozoa: anêmonas e corais. Hydrozoa: hidras, caravelas. Scyphozoa: águas-vivas. O veneno são vários
polipeptídeos que podem provocar inflamação extensa e até necrose. Neurotoxicidade que provoca efeitos
sistêmicos, desorganiza a atividade condutora cardíaca levando a arritmias sérias, altera o tônus vascular e pode
levar à insuficiência respiratória por congestão pulmonar. Ardência e dor intensa e em casos mais graves
cefaléia, mal-estar, náuseas, vômitos, espasmos musculares, febre, arritmias cardíacas. Fase 1: repouso do
segmento afetado, Fase 2: retirada de tentáculos aderidos, Fase 3: inativação do veneno: o uso, Fase 4: retirada
de nematocistos remanescentes e Fase 5: bolsa de gelo ou compressas de água do mar fria e corticóides tópicos.
A dor deve ser tratada com analgésicos.
Abelhas
Possuem enzimas degradativas (fosfolipase A e B, ácido hialurônico e esterease) que causa hemólise
intravascular., apamina que se comporta como neurotoxina de ação motora e MCD, fator degranulador de
mastócitos, é um dos responsáveis pela liberação de histamina e serotonina no organismo dos animais
picados. O quadro pode ser alérgico (dor, prurido, edema, enduração local e sintomas clássicos de anafilaxia
nos casos graves) ou tóxico (síndrome de envenenamento por alta quantidade de veneno inoculada e além
dos sintomas acima, há hemólise intravascular e rabdomiólise. Torpor e coma, hipotensão arterial,
oligúria/anúria e insuficiência renal aguda podem ocorrer.
Importância do SINAN e CEATOX
SINAN: notificação com evidências clínicas de envenenamento,
específicas para cada tipo de animal, independentemente do animal
causador do acidente ter sido identificado ou não. Visa identificar os
seguintes pontos: prevenção endêmica dos animais peçonhentos,
magnitude (frequência dos ataques), potencial
disseminação,letalidade, vulnerabilidade, compromissos
internacionais, surtos e epidemias. Além disso, a notificação é
utilizada para distribuir os soros de acordo com a taxa de prevalência
daquela região.
CEATOX: têm como objetivo fornecer informações toxicológicas, assim
como o diagnóstico, o tratamento e o registro dos casos de intoxicação e
envenenamento, tendo como atividades essenciais a produção e
disseminação de informações, orientação à rede assistencial, suporte
clínico a profissionais, notificação de eventos, prevenção de doenças e
agravos e promoção da saúde.
Valência dos soros: monovalente (ex: SAB), bivalente (ex: antibotrópico-laquético-SABL e
antibotrópico-crotálico-SABC) e polivalente (utilizado quando não se sabe a serpente que picou o
paciente)