Acidentes com animais peçonhentos

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Acidentes com animais peçonhentos
  1. primeiros socorros
    1. Recomendado: lavar a região com água e sabão e procurar atendimento médico o mais rápido possível
      1. Não recomendado: sucção, garrote, incisão, colocar substâncias na lesão,
      2. características da maioria das cobras peçonhentas: presença de fosseta loreal (todas peçonhentas possuem, menos a coral), tendem a atacar mais, possuem cabeça mais achatada, escamas mais espessas e cauda tende a afinar abruptamente
        1. análise dessas características contribuem para o atendimento hospitalar em casos de não identificação do gênero da serpente
        2. principais efeitos do veneno
          1. Miotóxico
            1. lesões de fibras musculares esqueléticas (rabdomiólise)
            2. Neurotóxico
              1. estimulação vagal (laquético), inibição da acetilcolina causando boqueio neuromuscular e paralisias (crotálico), ação pós-sináptica que competem com a acetilcolina pelos receptores colinérgicos da junção neuromuscular e de ação pré-sináptica que atuam na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de Ach pelos impulsos nervosos (elapídico).
              2. Proteolítico
                1. atividade de proteases, fosfolipases e hialuronidases que provocam bolhas, edemas e necrose
                2. Hemorrágico
                  1. ação das hemorraginas que provocam lesões na membrana basal dos capilares
                  2. Coagulante
                    1. alterações no fator X, protrombina, fibrina, fibrinogênio e plaquetas, que provocam incoagubilidade sanguínea
                  3. principais gêneros das serpentes peçonhentas envolvidas em acidentes
                    1. Lachesis (surucucu)
                      1. Ação proteolítica, coagulante, hemorrágica e neurotóxica (estimulação vagal). Manifestações locais: dor e edema, vesículas e bolhas e manifestações hemorrágicas que limitam-se ao local da picada. Manifestações sistêmicas: hipotensão arterial, tonturas, escurecimento da visão, bradicardia, cólicas abdominais e diarréia (síndrome vagal). Os acidentes laquéticos são classificados como moderados e graves. Complicações/sequelas: síndrome compartimental, necrose, infecção secundária, abscesso, déficit funcional. Diagnóstico: Tempo de Coagulação (TC), hemograma, dosagens de uréia, creatinina e eletrólitos e imunodiagnóstico. O soro antilaquético (SAL), ou antibotrópico-laquético (SABL) deve ser utilizado por via intravenosa.
                      2. Micrurus (coral)
                        1. 0,4% dos acidentes. O efeito é neurotóxico e pode ser de ação pós-sináptica (competem com a acetilcolina (Ach) pelos receptores colinérgicos da junção neuromuscular) e de ação pré-sináptica (atuam na junção neuromuscular, bloqueando a liberação de Ach pelos impulsos nervosos). Manifestações locais: dor local discreta e parestesia. Manifestações sistêmicas: fraqueza muscular progressiva, ptose palpebral, oftalmoplegia e a presença de fácies miastênica ou “neurotóxica”. Não há exames específicos para o diagnóstico.
                        2. Bothrops (jararaca)
                          1. É o gênero com mais casos, seu veneno possui ação proteolítica, coagulante, hemorrágica. Manifestações locais: - Dor e edema endurado no local, equimoses e sangramentos, infartamento ganglionar e bolhas podem aparecer na evolução, acompanhados ou não de necrose.Manifestações sistêmicas: sangramentos em ferimentos cutâneos preexistentes, hemorragias à distância como gengivorragias, epistaxes, hematêmese e hematúria. Tratamento geral manter elevado e estendido o segmento picado, emprego de analgésicos para alívio da dor, hidratação, antibioticoterapia quando houver evidência de infecção.
                          2. Crotalus (cascavel)
                            1. É responsável por cerca de 7,7% dos acidentes ofídicos registrados e apresenta o maior coeficiente de letalidade devido à freqüência com que evolui para insuficiência renal aguda (IRA). A disseminação do veneneo é cranio caudal e possui três as ações principais: neurotóxica (neurotoxina de ação pré-sináptica que atua nas terminações nervosas inibindo a liberação de acetilcolina), miotóxica (lesões de fibras musculares esqueléticas sem plaquetopenia) e coagulante (consumo de fibrinogênio pode levar à incoagulabilidade sangüínea). Manifestações locais: dor ausente ou pouco intensa, pode haver parestesia local ou regional. Manifestações sistêmicas gerais: mal-estar, prostração, sudorese, náuseas, vômitos, sonolência ou inquietação e secura da boca. Neurológicas: fácies miastênica, ptose palpebral uni ou bilateral, flacidez da musculatura da face, alteração do diâmetro pupilar, oftalmoplegia. Musculares: dores musculares generalizadas e mioglobinúria.
                              1. Diagnóstico: Sangue: resultado da miólise, CK, LDH, AST e ALT e aldolase. Urina: normal quando não há IRA. Presença de mioglobina e pode haver proteinúria discreta, com ausência de hematúria. Abordagem Terapêutica especÌfico: soro anticrotálico (SAC) ou (SABC), quantidade a ser ministrada à criança é a mesma do adulto.
                          3. Outros animais peçonhentos
                            1. Escorpião
                              1. T. serrulatus (escorpião-amarelo); T. bahiensis (escorpião-marrom); T. stigmurus (escorpião-amarelo do Nordeste); T. obscurus (escorpião-preto da Amazônia). Ação neurotóxica: dor local e manifestações clínicas de efeitos simpáticos ou parassimpáticos e ação miotóxica: rabdomiólise. Manifestação local: dor de intensidade variável, incomum a observação da marca do ferrão. Manifestação sistêmica: agitação sudorese profusa, hipertensão e taquicardia, náuseas e vômitos, cólicas abdominais, diarreia, hipotensão, bradicardia. Tratamento sintomático: dipirona e paracetamol. Tratamento específico: soro antiescorpiônico (Saesc) ou o soro antiaracnídico (SAA).
                              2. Aranhas
                                1. Phoneutria, Loxosceles e Latrodectus.
                                  1. Aranhas
                                2. Celenterados
                                  1. Anthozoa: anêmonas e corais. Hydrozoa: hidras, caravelas. Scyphozoa: águas-vivas. O veneno são vários polipeptídeos que podem provocar inflamação extensa e até necrose. Neurotoxicidade que provoca efeitos sistêmicos, desorganiza a atividade condutora cardíaca levando a arritmias sérias, altera o tônus vascular e pode levar à insuficiência respiratória por congestão pulmonar. Ardência e dor intensa e em casos mais graves cefaléia, mal-estar, náuseas, vômitos, espasmos musculares, febre, arritmias cardíacas. Fase 1: repouso do segmento afetado, Fase 2: retirada de tentáculos aderidos, Fase 3: inativação do veneno: o uso, Fase 4: retirada de nematocistos remanescentes e Fase 5: bolsa de gelo ou compressas de água do mar fria e corticóides tópicos. A dor deve ser tratada com analgésicos.
                                  2. Abelhas
                                    1. Possuem enzimas degradativas (fosfolipase A e B, ácido hialurônico e esterease) que causa hemólise intravascular., apamina que se comporta como neurotoxina de ação motora e MCD, fator degranulador de mastócitos, é um dos responsáveis pela liberação de histamina e serotonina no organismo dos animais picados. O quadro pode ser alérgico (dor, prurido, edema, enduração local e sintomas clássicos de anafilaxia nos casos graves) ou tóxico (síndrome de envenenamento por alta quantidade de veneno inoculada e além dos sintomas acima, há hemólise intravascular e rabdomiólise. Torpor e coma, hipotensão arterial, oligúria/anúria e insuficiência renal aguda podem ocorrer.
                                  3. Importância do SINAN e CEATOX
                                    1. SINAN: notificação com evidências clínicas de envenenamento, específicas para cada tipo de animal, independentemente do animal causador do acidente ter sido identificado ou não. Visa identificar os seguintes pontos: prevenção endêmica dos animais peçonhentos, magnitude (frequência dos ataques), potencial disseminação,letalidade, vulnerabilidade, compromissos internacionais, surtos e epidemias. Além disso, a notificação é utilizada para distribuir os soros de acordo com a taxa de prevalência daquela região.
                                      1. CEATOX: têm como objetivo fornecer informações toxicológicas, assim como o diagnóstico, o tratamento e o registro dos casos de intoxicação e envenenamento, tendo como atividades essenciais a produção e disseminação de informações, orientação à rede assistencial, suporte clínico a profissionais, notificação de eventos, prevenção de doenças e agravos e promoção da saúde.
                                      2. Valência dos soros: monovalente (ex: SAB), bivalente (ex: antibotrópico-laquético-SABL e antibotrópico-crotálico-SABC) e polivalente (utilizado quando não se sabe a serpente que picou o paciente)
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