Segundo Áries: o sentimento de infância não significa o mesmo que afeição pelas crianças,
corresponde à consciência da particularidade infantil, essa particularidade que distingue
essencialmente a criança do adulto, mesmo jovem ( Áries, 1978 : 99)
Segundo kramer : [...] o sentimento de infância corresponde a duas atitudes contraditórias: uma considera a criança ingênua, inocente e
graciosa e é traduzida pela paparicação dos adultos, e a outra surge simultaneamente à primeira, mas se contrapõe à ela, tornando a
criança um ser imperfeito e incompleto, que necessita da “moralização” e da educação feita pelo adulto (KRAMER, 2003:18 ).
Marita Redin (2007), afirma que: “a criança aprende no e com o mundo, mas este mundo é feito de pessoas com
diferentes idades, culturas, crenças e valores [...] E é nas relações e nas trocas que se ressignificam os
saberes/fazeres” (REDIN, p. 84).
Conforme Kuhlmann Jr.: “é preciso considerar a infância como uma condição de ser criança”
(1998, p. 15). Para ele, trata-se de empreender a construção das relações entre a história
das crianças pequenas e a estrutura social. Assim, “o fato social da escolarização se
explicaria em relação aos outros fatos sociais, envolvendo a demografia infantil, o trabalho
feminino, as transformações sociais da infância, etc.” (KUHLMANN Jr., 1998, p. 15).
[...] é preciso conhecer as representações de infância e considerar
as crianças concretas, localizá-las nas relações sociais,
reconhecê-las como produtoras da história. Torna-se difícil
afirmar que uma determinada criança teve ou não infância. Seria
melhor perguntar como é, ou como foi, sua infância (KUHLMANN,
1998, p. 31).
Na Idade Média a criança era vista como um ser em miniatura, assim que pudesse realizar algumas
tarefas, esta era inserida no mundo adulto, sem nenhuma preocupação em relação à sua formação
enquanto um ser específico, sendo exposta a todo tipo de experiência.
A duração da infância não era bem definida e o termo “infância” era empregado indiscriminadamente,
sendo utilizado, inclusive, para se referir a jovens com dezoito anos ou mais de idade ( Áries, 1989 ). Dessa
forma, a infância tinha uma longa duração, e a criança acabava por assumir funções de responsabilidade,
queimando etapas do seu desenvolvimento. Até a sua vestimenta era a cópia fiel da de um adulto.
As Meninas, Diego Velázquez
Ariès (1981) registrou que foram múltiplos os
fatores que contribuíram para o processo de
formação do sentimento de infância.
Destaca-se, entre eles, o processo de
escolarização como principal objetivo,
separando as crianças do ambiente a que eram
submetidas no convívio com os adultos. O
segundo fator é a fabricação de brinquedos
específicos para as crianças e, por fim, o mais
importante, o crescimento do sentimento de
família. No final do século XVII, com a
escolarização, a família organizou-se em volta
da criança, e então educação e afeição se
tornam primordiais. Com a modernidade, a
família passa a ter uma função moral e
espiritual, e responsabilizou-se a escola pela
função de preparar os filhos para a vida adulta,
exercendo sobre a criança um poder disciplinar.
Enfim, a criança passou a ser vista como um ser
a ser educado.
Para Rousseau, a infância não é um lugar de passagem para outros estágios mais desenvolvidos, e sim
precisa ser considerada como uma etapa de valor próprio. Para ele, da mesma forma que “a
humanidade tem lugar na ordem das coisas, a infância tem o seu na ordem da vida humana: é preciso
considerar o homem no homem e a criança na criança” (ROUSSEAU, 1994, p. 69).