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Os Lusíadas
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- 1Os LusíadasLongo poema do gênero épico, que aborda grandes acontecimentos históricos ou mitológicos. No caso, o tema principal de Os Lusíadas é a bravura do povo português na época das grandes navegações marítimas, no século XVI.
- 2O objetivo é cantar a pátria e a história de Portugal. Os versos celebram os “feitos da famosa gente” portuguesa (canto I) e enaltecem “o peito ilustre lusitano” (canto I). A viagem de expansão marítima se torna pretexto para que a história de Portugal seja cantada.“Há um propósito de imortalização coletiva n’Os Lusíadas”.
Helder Macedo - 3Camões evidencia a todo o momento uma preocupação em dizer a "verdade" no seu poema épico, ele frisa em diversas passagens o desejo de cantar os acontecimentos que julga verdadeiros com total transparência: “A verdade que eu conto, nua e crua,/ Vence toda a grandíloca escritura” (Canto V)Conheça os primeiros versos do poema, retirados do canto I:
- 4As armas e os Barões assinalados Que da Ocidental praia Lusitana Por mares nunca de antes navegados Passaram ainda além da Taprobana, Em perigos e guerras esforçados Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram;E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte. - 5As primeiras linhas anunciam o percurso das grandes navegações e o rumo que o poema épico irá tomar. Os versos dedicam-se a homenagear o povo português, aqueles que superaram perigos e guerras para fazer avançar o Império e a Fé.Estrutura
O poema épico é dividido em dez cantos. No total são 1.102 estrofes, cada uma com oito versos, todos decassílabos heroicos. São 5 partes que integram a obra:
Proposição; Invocação; Dedicatória;
Narração; Epílogo. - 6Estilo da narrativa A narrativa começa in medias res, iniciando no meio da viagem de Vasco da Gama. A história de Portugal é contada cronologicamente por Vasco da Gama ao rei de Melinde. A viagem à Índia é usada como representação de todas as navegações portuguesas.A construção do poema é extremamente bem feita e repetitiva. O herói guerreiro é protegido por determinados deuses e perseguido por outros até que, por conta de sua valentia, coragem e persistência, supera as armadilhas e consegue chegar à terra distante, onde funda novo reino.
- 7O principal inimigo dos portugueses é Baco, que sente ciúme e inveja, e é responsável, direta ou indiretamente, por todas as ciladas.O episódio do velho do Restelo
Embora Os Lusíadas seja um elogio às grandes navegações, há um episódio, no canto IV, que se apresenta como a contra voz no poema. - 8O velho do Restelo é aquele que questiona e em última instância discorda da partida das naus, representando aqueles que ficam para trás após a partida dos homens para a grande empreitada.A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
Cum saber só d'experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito:
- «Ó glória de mandar, ó vã cobiça
Desta vaidade a quem chamamos Fama! - 9Ó fraudulento gosto, que se atiça Cüa aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas!O episódio da Ilha dos Amores
Outra contradição é a presença da Ilha dos Amores. No canto IX, um lugar místico surge em meio à rota onde os guerreiros vão repousar, rodeados de amantes. Em um poema que louva o império da Fé é de se surpreender a presença de um trecho como este: - 10Oh, que famintos beijos na floresta, E que mimoso choro que soava! Que afagos tão suaves! Que ira honesta, Que em risinhos alegres se tornava! O que mais passam na manhã e na sesta, Que Vénus com prazeres inflamava, Milhor é exprimentá-lo que julgá-lo; Mas julgue-o quem não pode exprimentá-lo.Sobre a censura
Os versos de Os Lusíadas foram pouquíssimo censurados. Embora fizessem alusão ao amor carnal e ao culto pagão em uma época em que os Jesuítas governavam, a obra caiu na mão de um censor dominicano. - 11Frei Bartolomeu Ferreira não só não solicitou grandes cortes e alterações como elogiou o autor e o premiou. Camões passou a receber um valor anual de quinze mil réis graças ao elogio do seu censor.A 2ª edição foi publicada em 1584, já com alguma censura. No entanto, em 1840, na Espanha, já havia duas traduções fiéis ao texto na íntegra.
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- 3º ano Literatura Portuguesa Karteikarten am Os Lusíadas, erstellt von José Sandro dos Santos am 11/05/2023.
- Erstellt von
- José Sandro dos Santos
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