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Mindmap

Hanseníase- APS

mateus teixeira matos Portugiesisch

Mapa mental sobre hanseníase na APS: M. leprae, diagnóstico, avaliação neurológica e tratamento

Mapa mental: Hanseníase na APS

Inhalt der Mindmap

Hanseníase- APS

  1. é uma doença infecciosa de evolução crônica e curável

    • É causada pelo M. leprae, um BAAR
      • de multiplicação lenta e não cultivável in vitro
        • apesar das inúmeras tentativas realizadas desde a sua descoberta até o momento atual.
      • A principal fonte de infecção pelo bacilo são:
        • indivíduos acometidos pela hanseníase não tratados e com alta carga bacilar
          • que eliminam o M. leprae pelas vias aéreas superiores.
        • Acredita-se a VAS seja a porta de entrada do bacilo no organismo
          • a via hematogênica seja o seu principal mecanismo de disseminação para:
            • a pele, mucosas, nervos e outros tecidos.
        • A transmissão ocorre pelo contato direto pessoa a pessoa
          • é facilitada pelo convívio de doentes não tratados com indivíduos susceptíveis.
        • Não se conhece precisamente o período de incubação da doença
          • mas se estima que dure em média 5 anos
            • havendo relatos de casos em que os sintomas apareceram após 1 ano do contato suspeito
              • outros em que a incubação demorou até 20 anos ou mais
        • A doença cursa com neuropatia em graus variados
          • podendo causar incapacidades físicas e perda funcional
            • especialmente nas mãos, nos pés e nos olhos
              • que podem ser muito graves em casos com diagnóstico tardio.
          • fatores de risco para o desenvolvimento de incapacidades físicas:
            • o sexo masculino, altas cargas bacilares e a presença de reações hansênicas
          • ASPECTOS CLÍNICOS
            • sintomas e sinais:
              • manchas hipocrômicas ou avermelhadas na pele
                • perda ou diminuição da sensibilidade em mancha(s) da pele, dormência ou formigamento de mãos/pés
                  • dor ou hipersensibilidade em nervos, edema ou nódulos na face ou nos lóbulos auriculares
                    • ferimentos ou queimaduras indolores nas mãos ou pés.
            • Classificação operacional
              • Hanseníase paucibacilar (PB):
                • presença de 1 a 5 lesões cutâneas e baciloscopia obrigatoriamente -.
                  • comprometimento de um único nervo periférico
              • Hanseníase multibacilar (MB):
                • presença de >5 lesões de pele e/ou baciloscopia +.
                  • apresentam mais de um nervo periférico comprometido
            • Formas clínicas
              • Hanseníase tuberculoide
                • Ocorre em indivíduos com forte resposta da imunidade celular específica -> multiplicação bacilar limitada e não detectável
                  • apresenta comprometimento restrito da pele e nervos (lesão cutânea única e bem delimitada)
                    • resposta inflamatória é intensa
                      • com a presença de granulomas tuberculoides na derme -> comprometimento dos filetes nervosos -> hipoestesia ou anestesia nas lesões dermatológicas
                    • é comum haver comprometimento da função das glândulas sudoríparas, com hipo ou anidrose
                      • assim como dos folículos pilosos, com diminuição dos pelos nas áreas afetadas
              • Hanseníase virchowiana
                • Ocorre em indivíduos que não ativam adequadamente a imunidade celular específica -> intensa multiplicação dos bacilos
                  • O comprometimento cutâneo pode ser silencioso, com a progressiva infiltração sobretudo da face:
                    • com acentuação dos sulcos cutâneos, perda dos pelos dos cílios e supercílios (madarose)
                      • congestão nasal e aumento dos pavilhões auriculares.
                  • Ocorre infiltração difusa das mãos e pés, com perda da conformação usual dos dedos (“salsichoide”)
                    • Com a evolução da doença não tratada
                      • surgem múltiplas pápulas e nódulos cutâneos, assintomáticos e de consistência firme (hansenomas)
                  • hipoestesia ou anestesia dos pés e mãos; hipotermia e cianose das extremidades
                    • dormências, câimbras e formigamentos nas mãos e pés; hiperidrose compensatória em áreas não afetadas
              • Hanseníase dimorfa
                • apresenta características imunológicas mistas
                  • variabilidade clínica, como manchas e placas hipocrômicas
                    • Quando a principal resposta imune é celular
                      • as lesões podem assemelhar-se às da forma tuberculoide
                    • Quando a resposta humoral é predominante, as lesões surgem em grande nº
                      • podendo haver hansenomas e infiltração assimétrica dos pavilhões auriculares
                • “lesões foveolares”
                  • a sensibilidade e as funções autonômicas da pele discretamente comprometidas
                • dor e choque à palpação, associado à diminuição de força muscular e hipoestesia no território
                  • incapacidades físicas e às vezes causando deformidades visíveis na face, mãos e pés, com:
                    • atrofia muscular, garras nos dedos, úlceras plantares, lesões traumáticas em áreas de anestesia, alterações oculares e outras
              • Hanseníase indeterminada
                • É a forma inicial da doença, surgindo com manifestações discretas e menos perceptíveis
                  • caracterizando-se por manchas na pele, em pequeno nº
                    • mais claras que a pele ao redor (hipocrômicas), sem qualquer alteração do relevo nem da textura da pele
                      • O comprometimento sensitivo é discreto, geralmente com hipoestesia térmica apenas;
                        • mais raramente, há diminuição da sensibilidade dolorosa, enquanto a sensibilidade tátil é preservada
                        • essa forma clínica pode inicialmente manifestar-se por distúrbios da sensibilidade
                          • sem alteração da cor da pele
                • A quantidade de bacilos é muito pequena, indetectável pelos métodos usuais
                  • via de regra a baciloscopia é negativa
                    • quando a doença não é tratada nessa fase, evoluirá de acordo com a resposta imune do indivíduo infectado
                      • podendo haver cura espontânea
                        • desenvolvimento de uma das três formas clínicas
              • Hanseníase neural pura (ou neurítica primária)
                • apresentação clínica exclusivamente neural, sem lesões cutâneas e com baciloscopia negativa
                  • eletroneuromiograma, a biópsia de nervo, a sorologia e biologia molecular podem auxiliar na definição etiológica
                    • espessamento de nervo periférico, associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas no território do nervo
            • Reações hansênicas
              • exacerbação dos sinais e sintomas da doença
                • Resultam da ativação de resposta imune contra o M. leprae
                  • podem ocorrer antes, durante ou após o tratamento da infecção.
                    • podem acarretar dano neural e incapacidades físicas permanentes
              • Reação hansênica tipo 1 (reação reversa)
                • acomete especialmente pacientes com formas dimorfas da hanseníase
                  • pode surgir tanto em casos classificados como paucibacilares como nos multibacilares
                    • Ocorre abruptamente, com piora das lesões de pele preexistentes e aparecimento de novas lesões
                      • muitas vezes acompanhada por intensa inflamação de nervos periféricos
                • As lesões cutâneas tornam-se mais visíveis, com coloração eritemato-vinhosa, edemaciadas, algumas vezes dolorosas
                  • a neurite vem acompanhada por comprometimento das funções sensitivas, motoras e/ou autonômicas
                    • pode ocorrer ulceração das lesões cutâneas e formação de abscessos em nervos periféricos
                • a realização periódica das avaliações neurológicas é essencial para o controle clínico da hanseníase
                  • possibilitando detectar quadros de deterioração neurológica mais insidiosa
              • Reação hansênica tipo 2 (eritema nodoso hansênico)
                • Acomete exclusivamente pacientes multibacilares (forma virchowiana e dimorfos com altas cargas bacilares)
                  • o mecanismo etiopatogênico subjacente é a ativação da resposta imune humoral contra o bacilo
                    • Sintomas:
                      • febre, artralgias, mialgias, dor óssea, edema periférico e linfadenomegalia
                      • comprometimento inflamatório dos nervos periféricos (neurite), olhos (irite, episclerite), testículos (orquite) e rins (nefrite)
                      • a manifestação clássica: o eritema nodoso hansênico (ENH)
                        • que são nódulos subcutâneos, dolorosos, geralmente múltiplos
                          • caracterizados histopatologicamente por paniculite.
                        • eritema nodoso necrotizante
                          • Em casos severos, pode ocorrer necrose e ulceração das lesões
                • Classificação:
                  • Agudo:
                    • episódio que persiste por menos de 6 meses
                      • o tratamento é eficaz
                  • Recorrente (“subentrante”):
                    • apresentação de pelo menos um 2º episódio de ENH no período >27 dias após a interrupção do tratamento antirreacional
                  • Crônico:
                    • episódios que perduram por >6 meses
                      • durante os quais o paciente necessita de tratamento constante ou tem períodos de remissão <28 dias.
  2. Diagnótico

    • Avaliação Neurológica Simplificada (ANS)
      • Consiste na anamnese detalhada para identificar queixas relativas ao nariz, aos olhos, às mãos e aos pés
        • assim como no reconhecimento de limitações para a realização de atividades diárias e de fatores de risco individuais para incapacidades físicas.
          • deve ser repetida sempre que o paciente apresentar novas queixas e nos casos de reações hansênicas
            • grau de incapacidade:
              • grau de incapacidade física 2
                • Os casos que apresentam deformidades físicas visíveis ou cegueira resultantes da neuropatia hansênica
              • grau de incapacidade física 1
                • Quando a incapacidade física não é detectável pela inspeção ou pelo teste de acuidade visual
                  • mas se observa diminuição da sensibilidade protetora ou redução da força muscular nas mãos, pés e/ou nos olhos
              • grau 0
                • não apresentam os sinais citados
        • Começar a palpação pelos nervos da face: trigemeo, auricular e facial
          • Membros superiores: Radial, unar e mediano
            • Membros Inferiores: Tibial e Fibular
        • teste de sensibilidade
          • 1. Teste da sensibilidade térmica
            • Capacidade de diferenciar quente x frio
              • • Não diferencia quente de frio. • Demora para responder. • Refere “tudo igual”.
          • 2. Teste da sensibilidade tatil
            • Tocar levemente a pele com algodão, pincel fino ou monofilamentos.
              • Algodão, pincel, monofilamentos (ideal Semmes-Weinstein 10 g e 0,05 g)
                • Ausência completa de percepção ao toque. • Resposta inconsistente (sente às vezes, outras não).
          • 3. Teste da sensibilidade dolorosa
            • Aplicar estímulo com palito de madeira ou ponta romba.
              • Paciente sente toque, mas não sente dor. • Dor ausente em lesão e presente no entorno.
    • Baciloscopia direta para bacilos álcool-ácido resistentes (BAAR)
      • busca detectar a presença do M. leprae em esfregaços de raspado intradérmico
        • estimar a carga bacilar apresentada pelo paciente
          • Está indicada nos casos de dúvidas no diagnóstico da hanseníase
            • o exame tem baixa sensibilidade, resultando negativo nos casos paucibacilares
              • Resultados - em pacientes MB podem ocorrer devido a falhas na coleta, coloração e leitura ou, ainda, em casos atípicos
    • Histopatologia
      • é empregado nos casos em que o diagnóstico persiste indefinido mesmo após a avaliação clínica e baciloscópica
        • utilizado especialmente no diagnóstico diferencial da hanseníase
          • A especificidade diagnóstica do exame varia entre 70% e 72%
            • a sensibilidade é mais baixa, variando de 49% a 70% de acordo com a forma clínica
    • USG de nervos periféricos
      • contribui diretamente para a avaliação do dano neural
        • o exame permite analisar nervos em áreas anatômicas em que a palpação é mais difícil ou inacessível
          • aumenta consideravelmente a possibilidade de detectar o 2º sinal cardinal da hanseníase (o espessamento neural periférico)
            • contribuindo para o diagnóstico precoce de casos.
    • Eletroneuromiograma
      • utiliza uma série de testes neurofisiológicos para o estudo funcional do SNP
        • o exame é capaz de detectar precocemente o dano neural
          • identificando alterações iniciais que não são detectadas pela avaliação clínica
            • mesmo com o exame dos delicados monofilamentos
              • o estudo pode demonstrar a natureza e a extensão do comprometimento
                • contribuindo para o diagnóstico diferencial do dano neural.
              • Além disso, o eletroneuromiograma é útil para avaliar o prognóstico do caso
                • para mensurar a resposta terapêutica
    • Teste rápido imunocromatográfico para detecção de anticorpos IgM
      • A sorologia anti-PGL-1 tem se mostrado útil no monitoramento da eficácia terapêutica
        • auxilia na classificação operacional de pacientes para fins de tratamento
          • o teste apresenta alta sensibilidade para casos multibacilares
    • Teste de biologia molecular para detecção de M. leprae em biópsia de pele ou nervo (qPCR)
      • permite amplificar fragmentos específicos do DNA, possibilitando sua identificação em amostras biológicas
        • pode gerar resultados falso-positivos
  3. Tratamento

    • Tratamento farmacológico
      • PQT – Poliquimioterapia (1ª linha)
        • PB: 6 doses (6–9 meses)
          • Mensal: Rifampicina 600 mg + Dapsona 100 mg
            • Diário: Dapsona 100 mg/dia
        • MB: 12 doses (12–18 meses)
          • Mensal: Rifampicina 600 mg + Clofazimina 300 mg + Dapsona 100 mg
            • Diário: Clofazimina 50 mg/dia + Dapsona 100 mg/dia
      • Tratamento das Reações Hansênicas
        • Reação Tipo 1 (Reversa)
          • Leve (sem neurite): Observação + AINEs
            • Moderada a grave (com neurite): Corticoterapia sistêmica (Prednisona)
        • Reação Tipo 2 (ENH)
          • Leve a moderada: Talidomida (1ª linha) ou Pentoxifilina.
            • Com neurite, irite, orquite, nefrite ou ENH grave: Corticosteroide sistêmico + manutenção da PQT.
              • Casos refratários: Avaliar combinar Talidomida + Corticoide + outras medidas.
      • Tratamento de 2ª Linha
        • Usado quando há reação adversa grave a um dos medicamentos da PQT.
          • RAM grave à Rifampicina: Ofloxacino + Minociclina + Clofazimina (“esquema alternativo”).
            • RAM grave à Dapsona: Tratar como MB com esquema alternativo.
              • RAM grave à Clofazimina: Esquema sem clofazimina, com Ofloxacino/Minociclina
                • Resistência à Rifampicina: Associações com Ofloxacino, Minociclina, Clofazimina.
                • Resistência a Rifampicina + Ofloxacino: Clofazimina + Minociclina + outro.
    • Tratamento não farmacológico
      • Prevenção de Incapacidades (PI):
        • Pele e olhos: Lubrificação, proteção solar, óculos envolventes, cuidados com hipoestesia.
          • Mãos/pés: Inspeção diária; hidratação; evitar traumas; calçados adequados; palmilhas; órteses.
            • Proteção térmica: Evitar exposição a fontes quentes devido à perda de sensibilidade.
              • Educação em autocuidado: Checar feridas, hidratar pele, alongamentos, fortalecimento, evitar calçados abertos.

Informationen

Beschreibung
Mindmap am Hanseníase- APS, erstellt von mateus teixeira matos am 22/11/2025.
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