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Gestalt-terapia com crianças
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Gestalt-terapia com crianças
A Gestalt-Terapia (GT) compreende o desenvolvimento humano como um processo permanente e contínuo de ajustamento criativo mediado pela capacidade inata de auto-regulação organísmica do indivíduo.
A Gestalt assentada em teorias sistêmico-holísticas (Psicologia da Gestalt, Teoria Organísmica, Teoria Holística, Teoria do Campo) não compartilha da visão reducionista e determinista do existir humano que considera que toda criança se desenvolve e cresce obedecendo a fases sucessivas e fixamente definidas.
Considerando-se ainda os pressupostos de seu campo filosófico (Humanismo, Fenomenologia, Existencialismo), a GT realça a imprevisibilidade e a singularidade das experiências, a possibilidade do novo, a incerteza do curso da vida frente às diversas situações do cotidiano e enfatiza a importância da relação como fundamento último da condição humana.
A criança em desenvolvimento, portanto, é fruto das influências ambientais (sociais, culturais), da aleatoriedade dos acontecimentos e das potencialidades inatas herdadas.
Devemos olhar a criança como uma gestalt neuropsicomotora em desenvolvimento que irá seguir uma via de diferenciação única e individual.
A criança muda, o ambiente muda; o ambiente muda, a criança muda numa relação de co-regulação diante das transformações inevitáveis.
- Não há parada no desenvolvimento, pois mesmo que o ambiente permaneça com pouca mudança, a criança está mudando em todas as suas dimensões.
Na medida em que a criança amadurece neurologicamente vai desenvolvendo a capacidade do pensamento, da linguagem, da percepção de si mesma no mundo sedimentando um processo de expansão crescente da consciência.
É notório que em cada nível do desenvolvimento a criança ganha maestrias e domínios nas diversas áreas (cognitiva, motora, corporal) que contribuem para a construção da auto-confiança.
Na falta de um modelo de desenvolvimento, o gestalt-terapeuta deve estudar teorias do desenvolvimento compatíveis com a GT para saber como evolui o processo de auto-regulação, auto-organização da criança em cada idade que é responsável pela saúde, crescimento, formação da personalidade.
Ontologicamente, somos um ser-de-relação, ser do contato e para o contato. Nascemos da interação, da comunicação, do encontro com um outro ser. Desde o útero, estabelecemos uma relação de reciprocidade em que somos afetados e afetamos; somos influenciados e influenciamos um outro. O desenvolvimento humano entrelaça diversas histórias de vida, sendo resultado de múltiplas coexistências, onde todo fenômeno psicológico emerge da co-regulação entre dois ou mais organismos, da troca emocional vivida no campo experiencial entre eu-outro.
Na linguagem gestáltica, crianças abandonadas ou ameaçadas desenvolvem a confluência como psicodinâmica representada pela necessidade de dependência, cuidado, proteção ocasionando confusão de fronteiras entre ela e o outro.
O processo do contato representa o movimento inato de auto-regulação organísmica que tem origem numa vaga sensação que se delineia como figura, levando à mobilização de energia e, em seguida, a uma ação organizada que responde a uma necessidade emergente.
O conceito de infância, como hoje o concebemos, foi histórica e socialmente construído nas relações humanas. No período da Idade Média, as crianças eram vistas como adultos em miniatura (CIRINO, 2001) e sua educação era relegada aos espaços públicos. Não existia a noção de cuidados maternais, ou seja, as crianças eram tratadas da mesma forma que os adultos, não lhes eram reconhecidas nenhuma especificidade.
- chegamos à noção de infância que hoje circula entre nós. No entanto, Aguiar (2005) conclui que há uma incoerência entre a forma da Gestalt-terapia enxergar o homem no mundo e a visão da infância como um período de fragilidade e
- instabilidade total, opondo-se à fase adulta, que por sua vez seria estável. Na Gestalt-terapia o adulto é visto em constante desenvolvimento, em um constante se fazer, de forma que nem mesmo os idosos estão cristalizados.
- chegamos à noção de infância que hoje circula entre nós. No entanto, Aguiar (2005) conclui que há uma incoerência entre a forma da Gestalt-terapia enxergar o homem no mundo e a visão da infância como um período de fragilidade e
[s.d.]). Não podemos compreender um sintoma isolado, pois ele nada mais é do que uma parte da criança que diz de sua totalidade. Como consequência, temos o princípio de que as partes sempre afetarão o todo, uma vez que esse é configurado pela relação entre elas.
Não apenas as partes da criança se encontram em relação, mas a criança também é enxergada pela Gestalt-terapia como um ser de (relação) e em constante relação com o mundo que a cerca. Nesse sentido, o ser-humano está sempre se transformando, é um incessante vir-a-ser.
“A criança em desenvolvimento, portanto, é fruto das influências ambientais (sociais, culturais), da aleatoriedade dos acontecimentos e das potencialidades inatas herdadas.” (ANTONY, 2006, p.2)
“Quanto mais nos desenvolvemos, mais aptos nos tornamos a desenvolvermo-nos. Temos que lidar com as limitações de cada um, acreditando que sempre algum desenvolvimento pode ser esperado.” (SOARES, 2005, [s.p.])
Atualmente as crianças são extremamente exigidas, “[...] devem saber dominar a informática, falar outras línguas, praticar esportes, tirarem sempre notas altas na escola, serem boazinhas e obedientes, enfim, serem „eficientes‟ naquilo que fazem” (GARCIA, 2005, [s.p.]).
“A doença significa que a criança interrompeu sua capacidade de dar respostas criativas a específicas situações conflitivas e às suas necessidades internas. Passou a perceber o outro como de uma forma petrificada, criando padrões de comportamento e interação repetitivos vinculados a uma gestalt fixada, que enriquece a formação novas figuras e interrompe o fluxo natural da percepção das necessidades.” (ANTONY, 2009, p.358).
- O sintoma na Gestalt–terapia é uma forma criativa que surge “para neutralizar angústia, sinalizando uma necessidade importante que está insatisfeita e, por conseqüência, uma gestalt que está aberta” (ANTONY, 2009, p.358).
Informationen
- Beschreibung
- Mindmap am Gestalt-terapia com crianças, erstellt von Rinele Mazaquatro am 02/12/2020.
- Erstellt von
- Rinele Mazaquatro · Dez 2020
- Aktualisiert
- 2 Dez 2020
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