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Glosa a mote alheio - Campos bem aventurados
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Campos bem-aventurados,
Tornai-vos agora tristes,
Que os dias que me vistes
Alegre, já são passados.
Campos cheios de prazer,
Vós, que estais reverdecendo,
Já me alegrei com vos ver;
Agora venho a temer
Que entristeçais em me vendo.
E, pois a vista alegrais
Dos olhos desesperados,
Não quero que me vejais,
Pera que sempre sejais,
Campos, bem-aventurados.
Porém, se por acidente
Vos pesar de meu tormento,
Sabereis que Amor consente
Que tudo me descontente,
Senão descontentamento.
Por isso vós, arvoredos,
Que já nos meus olhos vistes
Mais alegrias que medos,
Se mos quereis fazer ledos,
Tornai-vos agora tristes.
Já me vistes ledo ser;
Mas de[s]pois que o falso Amor
Tão triste me fez viver,
Ledos folgo de vos ver,
Por que me dobreis a dor.
E se este gozo sobrejo
De minha dor sentistes,
Julgai quanto mais desejo
As horas que vos não vejo
Que os dias em que me vistes.
O tempo, que é desigual,
De secos, verdes vos tem;
Porque em vosso natural
Se muda o mal pera o bem,
Mas o meu pera mor mal.
Se perguntais, verdes prados,
Pelos tempos diferentes
Que de Amor me foram dados,
Tristes, aqui são presentes;
Alegres, já são passados.
CAMÕES, Luís de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar. 2008, p. 447-448.
Informationen
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- Redondilhas de Luís de Camões
- Erstellt von
- Giovani Oliveira · Sep 2017
- Aktualisiert
- 25 Sep 2017
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