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Ian Carlos Portugiesisch 1 Seite

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Na pintura "We Rose Up Slowly", de Roy Lichtenstein, visualizamos dois amantes beijando-se em uma atmosfera onírica e idealizada das relações afetivas. Entretanto, a realidade é totalmente díspar, afinal, essas interações apresentam uma crescente desconstrução nas sociedades contemporâneas, o que fica evidenciado na sua impossibilidade de duração. Dentre os fatores que contribuem para essa circunstância temos dois principais: a aplicação da lógica do consumo nas relações humanas e o desenvolvimento de uma independência financeira da mulher.

A priori, uma das causas da inalcançabilidade de duração nas relações afetivas contemporâneas é a inserção da lógica do consumo na “sociedade líquida”. Esse termo, atribuído à Zygmunt Bauman, se refere ao mundo globalizado e capitalista, que agora define um indivíduo conforme seu estilo de vida, ou seja, por tudo aquilo que consome. Ademais, Bauman afirma que nesse estágio o ser humano tende a trocar tudo aquilo que não desempenha um papel satisfatório; essa mentalidade volátil, inserindo-se nas relações afetivas, garante a sua efemeridade, ao passo que oportuniza a ocorrência de um divórcio quando um determinado parceiro não atende mais às expectativas.

Faz-se mister, ainda, relacionar a independência financeira da mulher com a impossibilidade de duração das relações afetivas nas sociedades contemporâneas. A figura feminina, no Brasil, tem conquistado relativa mobilidade social a partir da inauguração de diversas universidades, sobretudo no regime militar, e da democratização dos vestibulares. Essa recente possibilidade de inserção no mercado de trabalho, e a competitividade necessária para tal feito, introduz a mulher ao Capitalismo neoliberal, o qual hierarquiza a sociedade baseada nos méritos de cada indivíduo. Dessarte, a figura feminina desloca-se de seu atribuído eixo familiar e passa a independer desse. Em uma união matrimonial, portanto, essa “nova mulher” detêm autonomia suficiente para divorciar-se com consequências não tão problemáticas; o que impossibilita duradouras relações afetivas.

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Notiz am Ohne Titel, erstellt von Ian Carlos am 24/03/2019.
Erstellt von
Ian Carlos · Mär 2019
Aktualisiert
25 Mär 2019
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