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Herói Clássico e Herói Moderno: X-men

As histórias em quadrinhos são fruto de uma sociedade arrasada pelo crack da bolsa de Nova York de 1929, que busca se reconstituir a duros passos. Os quadrinhos estabelecem ícones e símbolos, que ao se recontarem, estabelecem arquétipos facilmente reconhecíveis. Transmutando em significantes, as narrativas de mitos que se adaptam à sociedade midiocrática.

A juventude queria e precisava acreditar em um futuro melhor, queria sonhar e voar para longe da crise econômica e da instabilidade social. Havia um desejo inconsciente de proteção. A garotada estava à procura de heróis.

O público alvo dos quadrinhos passa a ser o jovem e assim nasce uma ideologia que se tornará elemento de propaganda. As histórias mostram toda a “jornada mística do herói”, na qual ele vive em paz em seu ambiente natural, é arrancado deste local por forças externas perturbadoras, inicia uma jornada de ação e conhecimento, passa por grandes provações, com ajudas mitologicas e fictícias até que retorna a esse ambiente, representando uma nação.

Os super-heróis se agrupam em uma mitologia moderna, totalmente baseados nos mitos clássicos. O sucesso dos X-men foi imediato, o que acabou inspirando toda uma geração de super-heróis, que nesta fase inicial são seres perfeitos, quase divinos, distanciados dos meros mortais. Mas agora, diferentemente heróis clássicos, esses heróis modernos passam a enfrentar situações cotidianas, diárias, os X-men representam as pessoas de modo que elas possam se espelhar em elas.

Para lidar com a questão do preconceito contra as minorias, Stan Lee e Jack Kirby criaram o conceito dos "mutantes", seres humanos que, devido a uma característica genética incomum - o "fator x", mais tarde mudado para "gene x" - desenvolviam capacidades extraordinárias quando alcançavam a adolescência. "X" é uma incógnita muito usada na matemática, daí a inspiração de Lee e Kirby para nomear sua nova criação como os "X-Men". O grupo nada mais era do que uma alegoria que representava todas as minorias - negros, homossexuais, imigrantes, judeus, só para citar alguns - que sofriam de preconceito pela maioria dominante. Lee e Kirby usaram os quadrinhos até mesmo para representar as duas faces da luta pela igualdade de classes.

E é justamente com a filiação de Jean à Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier que começa oficialmente a saga dos jovens mutantes, quando 138 a edição número um de The X-Men chegava às bancas, em setembro de 1963. A revista mostrava a equipe recém formada partindo para sua primeira missão, impedir que um mutante maléfico disparasse mísseis nucleares da base militar do Cabo Cidadela, nos Estados Unidos. Para surpresa de Xavier, este terrorista mutante era seu velho amigo Erik Magnus Lehnsherr, que agora se intitulava Magneto e se valia de seus poderes magnéticos para lutar pela supremacia mutante. Apesar de imenso poderio de Erik, os X-Men o derrotam combinando suas habilidades. Indiretamente, havia algumas semelhanças entre a saga destes heróis pela aceitação e a luta dos cidadãos negros pelos direitos civis nos Estados Unidos. Até a década de 60, a segregação racial era dominante no sul dos Estados Unidos. Brancos e negros não eram tratados da mesma forma perante a lei. Nas histórias em quadrinhos, o Professor Xavier tinha com sonho viver em uma sociedade na qual humanos e mutantes pudessem conviver pacificamente, algo muito parecido com os ideais do líder negro Martin Luther King. Já Magneto, pregava que os mutantes deviam usar a sua superioridade para dominar os humanos. Seu discurso se assemelhava com a de outro notório líder do movimento negro americano, Malcom X.

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Notiz am Ohne Titel, erstellt von Luiza MVS am 14/10/2019.
Erstellt von
Luiza MVS · Okt 2019
Aktualisiert
14 Okt 2019
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