Módulo 4 de 6 · Multimedia
MEMÓRIA DECLARATIVA E NÃO DECLARATIVA
MEMÓRIA DECLARATIVA E NÃO DECLARATIVA
Como visto, a memória pode ser classificada em relação ao tempo de retenção da informação, mas muitos autores ainda trazem o binômio da consciência e inconsciência em relação a divisão da memória de longo prazo: (a) memória declarativa (também conhecida como memória explícita), que corresponde às memórias que estão prontamente acessíveis à nossa consciência e que podem ser evocadas através de palavras; (b) memória não declarativa (também conhecida como memória implícita), que correspondem às memórias que estão em nível subconsciente, não podendo ser evocadas por palavras, mas sim por ações.
MEMÓRIA DECLARATIVA OU EXPLÍCITA
A memória declarativa também pode ser designada por explícita ou memoria com registo, e implica a consciência do passado sobre acontecimentos, fatos, pessoas ou qualquer tipo de fragmento dos conhecimentos adquiridos no decorrer da vida. Este tipo de memória reúne o conjunto de informações que podem ser evocadas/declararadas por meio de palavras (daí o termo declarativa), podendo apresentar duas categorias: a memória episódica e a memória semântica.
(a) memória episódica, propost por Endel Tulving em 1972, que diz respeito a experiências passadas, como um cenário autobiográfico do indivíduo. São os "episódios" das vidas, como viagens, momentos felizes ou tristes, as amizades importantes etc. Ou seja, a memória episódica guarda informações relacionadas a um determinado momento no tempo, e com isso é a forma mais profunda de memória. A memória semântica é, portanto, uma memória pessoal na qual que se manifesta uma relação íntima ente quem recorda e o que se recorda.
Podemos dizer que essa memória é capaz de conduzir as pessoas a reexperimentar o passado, em uma simbólica "viagem no tempo". Além disso, na recuperação desse consciente de acontecimentos e eventos, somos capazes de fazer projeções para a antecipadação de eventos futuros.
Um aspecto interessante da memória declarativa é que o conhecimento por ela armazenado interfere fortemente em nossa maneira de perceber o mundo e em nossas decisões. Passar por uma situação extremamente desagradável em determinado lugar nos leva a perceber de maneira negativa este mesmo lugar. E, provavelmente, quando formos escolher um local para ir, decidiremos visitar algum lugar diferente. Essa característica tem um importante papel adaptativo, pois pode nos livrar de situações de perigo semelhantes a alguma experiência anterior. Quando uma memória é adquirida em situação de estresse, ansiedade ou medo, sua evocação será mais rápida e precisa em situações em que o sujeito apresente-se novamente estressado, ansioso ou amedrontado;
(b) memória semântica, abrange a memória do significado das coisas e fatos do mundo e diz respeito a conhecimentos não relacionados a tempo e espaço específicos, como fórmulas, regras, palavras, do funcionamento de algo, de símbolos etc.). Em resumo, a memória semântica não está associada a nenhum conhecimento, ação ou fato especifico do passado. Por exemplo, o que é o sal de cozinha? Cloreto de Sódio, ou mesmo NaCl. Isso é um conhecimento da memória semântica. Mas se eu associar esse raciocício ao meu professor de química do ensino médio, este dado passa a estar em coopeeração com a memória episódica. Vale destacar que na memória semântica existe o significado de uma palavra que possibilita às pessoas manterem conversas com o mesmo significado, e isso não envolve questões temporais. Já notaram o quanto é complexto conversar sobre política, futebol e religião? Por que?
Como mostrado no último módulo, os avanços da neurociência cognitiva tem mostrado que de fato essa subdivisão da memória declarativa tem importantes correspondentes em diferentes áreas cerebrais, podendo ser afetadas de maneira distinta em diversas doenças que acometem o cérebro. Portanto, é possível que uma pessoa possa apresentar comprometimento em recordar eventos em sua vida, mas ainda reconheça perfeitamente o mundo à sua volta.
MEMÓRIA NÃO DECLARATIVA (MND), IMPLÍCITA OU DE PROCEDIMENTOS
Você já notou que ao dirigir, jogar tênis, digitar em um teclado de computador ou mesmo tocar um instrumento de maneira hábil, não paramos para pensar a cada momento que executamos a tarefa? Seria inclusive difícil falar enquanto executa muitas dessas funções. Por exemplo, nesse momento que você está lendo o texto, sem olhar, a letra F fica quem qual posição do teclado? Qual a letra que encontra-se à esquerda da F.
As memórias não declarativas (MND) operam em nível subconsciente e não se tratam de processos intelectivos. No grupo das MND incluímos os condicionamentos, as memórias motoras e o priming.
Os condicionamentos nada mais são do que associações que fazemos entre estímulos ou então entre determinados comportamentos com sua consequência (recompensa ou punição), sua importãncia passa a ser de extrema importância, pois encontra-se diretamente relacionado ao próprio aprendizado, naquilo que pode dar ou não prazer.
As memórias motoras são memórias relacionadas a procedimentos e habilidades motoras. São difíceis de serem aprendidas, pois necessitam de muita repetição para se tornarem consolidadas. Porém, uma vez consolidadas, se tornam automáticas, inconscientes e extremamente resistentes ao esquecimento
A memória não declarativa é uma memória também associadas aos hábitos, como escovar os dentes após alimentação. Como exemplificado por Mourão junior e Faria (2015) "muitas pessoas (aquelas com um tempo considerável de prática) não estão atentas aos seus movimentos enquanto estão ao volante e dirigem perfeitamente. Acontece ainda de a pessoa fazer o mesmo trajeto para o trabalho há tanto tempo, que, não raro, chega ao seu destino sem se lembrar do percurso que tomou. Isso se dá porque realizamos tão repetidamente certas atividades que é como se nosso corpo memorizasse os movimentos e pudesse realizá-los automaticamente, sem que nós tenhamos que estar conscientes dos mesmos".
Além disso, de maneira diferente da memória declarativa, a memórica implícita em uma perspectiva mais profunda, não estão sujeitas as mesmas condições de codificação, podendo afetar o julgamento do indivíduo de maneira mais independente de sua vontade.
Um fenômeno muito interessante relacionado às memórias e que merece ser destacado é o priming (também conhecido como pré-ativação). O priming é um aperfeiçoamento da capacidade de detectar ou identificar palavras ou objetos após uma experiência recente com eles. Na realidade, um tipo de memória induzido por pistas ou dicas. Às vezes estamos tentando lembrar de uma música ou de um poema, e não conseguimos. Porém, se alguém cantarolar para nós, as primeiras oitavas da música ou recitar para nós o início dos primeiros versos do poema, quase instantaneamente nos lembramos de todo o restante, como se fora uma reação em cascata. De fato, parece que, muitas vezes, só nos lembramos de onde está um prédio quando dobramos a esquina anterior à sua localização.
Parece que o priming é mais importante do que imaginamos, pois ele faz com que tenhamos a tendência de evocar informações sobre as quais já recebemos alguma pista em algum momento de nossa vida (Kandel et al., 2013). Ocorre que tais pistas nos chegam, muitas vezes, tão rapidamente que nem tomamos consciência delas, mas elas serão decisivas para nossas decisões futuras. Um exemplo claro disso são as propagandas subliminares, nas quais o cérebro é bombardeado com pistas (e.g. uma determinada marca de refrigerante). Da próxima vez que formos comprar um refrigerante, nossa "escolha" acabará recaindo sobre a marca que nos foi apresentada no passado.
O aprendizado perceptual difere-se por ser mais gradual, no qual a habilidade passa a se desenvolver com maestria e destreza, e após várias tentativas a ocorre alta capacidade de identificação.
O emocional..
Para refletir: É bom ou ruim esquecer?