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Fichas

Parte 4 - Capítulo 3 (2)

Flávia Faria Fundamentos básicos das grupoterapias Portugués 24 fichas

Fichas del conjunto (24)

  1. 13. Neurose fóbica (características mais marcantes)a) No mínimo, um dos pais, geralmente a mãe, de alguma forma são, ou foram, fóbicos, e transmitiram um discurso de natureza fobígena (na base de: “cuidado, é perigoso”).
  2. 2Neurose fóbica (continuação)b) Praticamente sempre constatamos que ocorreu uma intensa relação simbiótica com a mãe, com evidente prejuízo na resolução das etapas da fase evolutiva da separação-individuação. Correlato a isso, a figura do pai quase sempre foi (comumente, a partir da mãe) desvalorizada e excluída.
  3. 3Neurose fóbica (continuação)c) Ansiedade que está presente é a que está ligada às separações e, subjacente a esta, há a tensão inerente à ansiedade de aniquilamento.
  4. 4Neurose fóbica (continuação)d) Na clínica, os estados fóbicos geralmente vêm acompanhados de manifestações paranoides e obsessivas e sempre estão encobrindo uma depressão subjacente.
    e) Tanto ou mais do que a sexualidade, sempre encontramos uma má elaboração das pulsões agressivas.
    f) Há uma acentuada tendência a manifestações de natureza psicossomática.
  5. 5Neurose fóbica (continuação)g) Basicamente o que define uma condição fóbica é o uso, por parte do paciente, de uma "técnica de evitaçào” de todas as situações que lhe pareçam perigosas. Essa sensação de perigo decorre do fato de que a situação exterior fobígena (por exemplo, um elevador, um avião, etc.) está sendo o cenário onde estão dissociados, projetados, deslocados e simbolizados as pulsões e os afetos internos, representados no ego como perigosos.
  6. 6Neurose fóbica (continuação)h) Por saber da irracionalidade de seus sintomas, o indivíduo fóbico desenvolve uma "técnica de dissimulação”, por vezes até o nível de um falso self, tal é o grau de sua culpa, vergonha e humilhação diante de seus temores ilógicos.
  7. 7Neurose fóbica (continuação)i) Outra característica marcante consiste na “regulação da distância afetiva" com as pessoas muito significativas de seu convívio mais íntimo: assim, ele não fica nem próximo demais para não correr o risco de vir a ser "engolfado” e nem tão longe que possa correr o risco de perder o vinculo e o controle sobre o outro.
  8. 8Neurose fóbica (continuação)j) Há, sempre, uma escolha de pessoas que se prestem ao papel de acompanhantes e de continuadores da fobia.
    k) Costuma ocorrer que faltem a muitas sessões ou apresentem outros tipos de resistências, sendo que não é rara a possibilidade de que façam um tratamento “descontinua- do”, ou seja, com uma alternância de muitas interrupções e outras tantas retomadas, quase sempre com o mesmo terapeuta.
  9. 94. Neurose obsessivo-compulsivaO termo “obsessão” re- fere-se aos pensamentos que, como corpos estranhos, atormentam o indivíduo e, por sua vez, o termo "compulsão" designa aos atos motores que o neurótico executa como uma forma de contra-arrestar a pressão dos referidos pensamentos.
  10. 10Particularidadesa) A manifestação caracterológica mais tipica dos indivíduos obsessivo- compulsivos consiste em uma demasiada preocupação com a ordem, limpeza, disciplina, além de outras de natureza afim.
    Em suma, o ego dessa pessoa não é livre, porquanto ele está submetido a um superego rígido e punitivo que, sob o peso de sérias ameaças, o obriga a cumprir determinados mandamentos ou proibições.
  11. 11Particularidades (continuação)b) Os mecanismos defensivos mais utilizados pelo ego para poder sobreviver à carga das ameaças são os de anulação (desfazer o que foi feito, sentido, ou pensado), de isolamento (isolar o afeto da ideia), de racionalização e intelectualização, além daqueles de formações reativas.
  12. 12Particularidades (continuação)c) Pode-se dizer que há dois tipos de estruturação obsessivo-compulsivo: uma se manifesta sob uma forma passiva (corresponde à fase anal retentiva) e a outra forma é de natureza ativa (corresponde à fase anal expulsiva).
    A primeira é própria dos indivíduos que evidenciam uma intensa submissão perante as pessoas que são submetedoras e controladoras, sendo que estas pertencem ao segundo grupo.
  13. 13Particularidades (continuação)d) Os obsessivos do tipo "passivo-submetidos” apresentam uma necessidade enorme em agradar (melhor seria dizer: não desagradar) a todas as pessoas, devido à sua intensa ansiedade em vir a perder o amor destas. Por essa razão, um traço patognomônico de tais indivíduos é o de uma ambivalência constante e o de um torturante estado de dúvida diante da tomada de qualquer tipo de decisão.
  14. 14Particularidades (continuação)e) Os indivíduos obsessivos de natureza “ativo-submetedoras" podem ser reconhecidos como aqueles que fazem do uso do poder o valor mais importante de suas vidas. Para tanto, eles exercem sobre os demais um domínio tirânico e sádico, através de uma absoluta intolerância às eventuais falhas, limitações e erros dos outros, aos quais sempre impõem as suas verdades.
  15. 15Particularidades (continuação)f) Em ambos os tipos de neuróticos obsessivo-compulsivos, há uma permanente presença de pulsões agressivas mal-resolvidas, de um superego rígido e, muitas vezes, cruel ante a desobediência de suas determinações: e de um ideal do ego cheio de expectativas a serem cumpridas.
    É fácil concluir que tudo isso concorre para a vigência de um constante e fustigante sentimento de culpa.
  16. 16Particularidades (continuação)g) Os pontos de fixação, o curso do desenvolvimento da personalidade, estão predominantemente arraigados na fase anal-sádica e, daí, se estruturam os traços, ou sintomas, de obstinação, teimosia, controle rígido. escrupulosidade, ambição, mania de colecionar, intolerância a sujeiras e a certos odores, conflito entre o dar e o receber, etc.
  17. 17Particularidades (continuação)h) A escolha de suas relações objetais costuma recair em pessoas que se prestem a fazer a complementação dos dois tipos antes descritos, como é, por exemplo, o de uma relação tipo dominador x dominado.
  18. 18Particularidades (continuação)i) Na situação psicoterápica, o risco é o de que o paciente obsessivo consiga fazer prevalecer o seu controle sobre si mesmo e sobre o terapeuta, através do uso de seus habituais mecanismos defensivos: o de um controle onipotente, o deslocamento (para detalhes, que se tomam enfadonhos), a anulação (com o emprego sistemático do "é isto, mas também é aquilo, ou, não é nada disto a formação reativa (sempre gentil, educado e bem comportado, o paciente não deixa irromper a sua agressão reprimida), o isolamento (pelo uso da intelectualização, ou de uma ruminação obsessiva, desprovida de emoções, etc.).
  19. 195. Neurose depressivaCaracterísticas:
    a) As manifestações clínicas mais comuns de um neurótico depressivo consistem no fato de que, em um grau maior ou menor, ele apresenta um estado de desvalia, de desânimo, uma sensação de vazio, uma fácil auto-recriminação e uma forma de resignação pela obrigação de viver (ou de sobreviver).
    Um sentimento comum a todos os deprimidos é o de uma baixa auto-estima.
    Uma neurose depressiva pode se apresentar de uma forma cronificada, ou sob a modalidade de agudizações intermitentes.
  20. 20Características (continuação)b) Muitas vezes, o estado depressivo não se manifesta claramente no plano afetivo, e nem mesmo por um humor de tristeza, sendo que os sintomas tipicos são substituídos e ficam mascarados por outros equivalentes, como, por exemplo, alguns rasgos de fuga maniaca, alguma forma de adicção, por somatizações, bem como por uma conduta de natureza masoquista, que pode atingir um nível de risco de uma autodestruição.
  21. 21Características (continuação)c) A história genético-dinâmica costuma evidenciar que a mãe desse paciente deprimido também foi uma pessoa depressiva, que não conseguiu funcionar como um adequado continente que pudesse conter as angústias e a agressão de seu filho.
  22. 22Características (continuação)d) A depressão pode se instalar no indivíduo devido a um forte abalo narcisista, isto é, quando ele não preenche as expectativas de seu ego ideal (a imagem de perfeição que ele tem de si próprio) e as do ideal do ego (as expectativas grandiosas que ele acredita que os outros, representantes dos seus pais, esperam dele).
  23. 23Características (continuação)e) Outro aspecto a considerar é que a pessoa deprimida possa estar auferindo um ganho secundário dessa gua condição, a partir de sua crença de que a dor, o sofrimento e o seu infortúnio representam um passaporte que lhe reassegure a atenção e o afeto dos outros.
  24. 24Características (continuação)f) No curso das psicoterapias, o paciente deprimido representa uma constante fonte de preocupações para o terapeuta, quer pela carga ansiogênica do afeto depressivo e niilista, quer pelos riscos masoquistas, e até suicidas, que parecem sempre iminentes.

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Fundamentos básicos das grupoterapias Fichas sobre Parte 4 - Capítulo 3 (2), creado por Flávia Faria el 27/07/2018.
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Flávia Faria
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