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Fichas

Poesia

Leonardo Polli Poesia Treinador Interno Portugués 13 fichas

Fichas del conjunto (13)

  1. 1Desencanto - Manuel Bandeira (Teresópolis - 1917)Eu faço versos como quem chora
    De desalento... de desencanto...
    Fecha o meu livro, se por agora
    Não tens motivo nenhum de pranto.
    Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
    Tristeza esparsa... remorso vão...
    Dói-me nas veias. Amargo e quente,
    Cai, gota a gota, do coração.
    E nestes versos de angústica rouca,
    Assim dos lábios a vida corre,
    Deixando um acre sabor na boca.
    Eu faço versos como quem morre.
  2. 2Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes (Estoril, 1939)De tudo, ao meu amor serei atento
    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
    Que mesmo em face do maior encanto
    Dele se encante mais meu pensamento.
    Quero vivê-lo em cada vão momento
    E em seu louvor hei de espalhar meu canto
    E rir meu riso e derramar meu pranto
    Ao seu pesar ou seu contentamento.
    E assim, quando mais tarde me procure
    Quem sabe a morte, angústia de quem vive
    Quem sabe a solidão, fim de quem ama
    Eu possa me dizer do amor (que tive):
    Que não seja imortal, posto que é chama
    Mas que seja infinito enquanto dure.
  3. 3Alice Ruiz - Lembra (Dois em Um)Lembra o tempo
    em que você sentia
    e sentir
    era a forma
    mais sábia de saber
    E você nem sabia?
  4. 4Mario Quintana - Poeminho do ContraTodos esses que aí estão
    Atravancando meu caminho,
    Eles passarão...
    Eu passarinho!
  5. 5Pablo Neruda - Si cada día caeSi cada día cae
    dentro de cada noche,
    hay un pozo
    donde la claridad está encerrada.
    Hay que sentarse a la orilla
    del pozo de la sombra
    y pescar luz caída
    con paciencia.
  6. 6Martha Medeiros (strip tease, 1985) - poema sem títuloSe você for
    exatamente como imagino
    igualzinho aos meus sonhos
    eu vou embora
    detesto desmancha prazeres
  7. 7Incenso fosse música - Paulo Leminskiisso de querer ser
    exatamente aquilo
    que a gente é
    ainda vai
    nos levar além
  8. 8Carreto - Mário QuintanaAmar é mudar a alma de casa
  9. 9Poema de Sete Faces - Carlos Drummond de AndradePoema de Sete Faces
    Carlos Drummond de Andrade
    Quando nasci, um anjo torto
    Desses que vivem na sombra
    Disse: Vai, Carlos, ser gauche na vida
    As casas espiam os homens
    Que correm atrás de mulheres
    A tarde talvez fosse azul
    Não houvesse tantos desejos
    O bonde passa cheio de pernas
    Pernas brancas, pretas, amarelas
    Para que tanta perna, meu Deus? Pergunta meu coração
    Porém, meus olhos
    Não perguntam nada
    O homem atrás do bigode
    É sério, simples e forte
    Quase não conversa
    Tem poucos, raros amigos
    O homem atrás dos óculos e do bigode
    Meu Deus, por que me abandonaste?
    Se sabias que eu não era Deus
    Se sabias que eu era fraco
    Mundo, mundo, vasto mundo
    Se eu me chamasse Raimundo
    Seria uma rima, não seria uma solução
    Mundo, mundo, vasto mundo
    Mais vasto é meu coração
    Eu não devia te dizer
    Mas essa Lua
    Mas esse conhaque
    Botam a gente comovido como o diabo
  10. 10Quadrilha - Carlos Drummond de AndradeJoão amava Teresa que amava Raimundo
    que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
    que não amava ninguém.
    João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
    Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
    Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
    que não tinha entrado na história.
  11. 11Biografia do Orvalho (Retrato do Artista quando Coisa) - Manoel de BarrosA maior riqueza
    do homem
    é sua incompletude.
    Nesse ponto
    sou abastado.
    Palavras que me aceitam
    como sou
    — eu não aceito.
    Não aguento ser apenas
    um sujeito que abre
    portas, que puxa
    válvulas, que olha o
    relógio, que compra pão
    às 6 da tarde, que vai
    lá fora, que aponta lápis,
    que vê a uva etc. etc.
    Perdoai. Mas eu
    preciso ser Outros.
    Eu penso
    renovar o homem
    usando borboletas.
  12. 12Uma didática da invenção - Manoel de BarrosO rio que fazia uma volta atrás de nossa casa era a imagem de um vidro mole que fazia uma volta atrás de casa.
    Passou um homem depois e disse: Essa volta que o rio faz por trás de sua casa se chama enseada.
    Não era mais a imagem de uma cobra de vidro que fazia uma volta atrás da casa.
    Era uma enseada.
    Acho que o nome empobreceu a imagem
  13. 13Fernando Pessoa - AutopsicografiaO poeta é um fingidor
    Finge tão completamente
    Que chega a fingir que é dor
    A dor que deveras sente.
    E os que lêem o que escreve,
    Na dor lida sentem bem,
    Não as duas que ele teve,
    Mas só a que eles não têm.
    E assim nas calhas de roda
    Gira, a entreter a razão,
    Esse comboio de corda
    Que se chama coração.

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Poesias que gosto
Creado por
Leonardo Polli
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