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HIPOTIREOIDISMO

Mariana Guimarães Portugués

HIPOTIREOIDISMO

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HIPOTIREOIDISMO

  1. Fisiologia da tireoide

    • hormônios tireoidianos são derivados do aminoácido tirosina e possui 60-65% do oligoelemento iodo em sua composição
    • hipotálamo inicia a cadeia através da produção do TRH
      • o TRH atua sobre a hipófise induzindo à produção de TSH
        • TSH cai na circulação sanguínea de forma pulsátil e segue até os folículos tireoidianos, onde estimula a produção e a secreção de T3 e T4
          • T3 e T4 atuam como inibidores de TRH e TSH (feedback negativo)
            • T3 e T4 são armazenados na tireoglobulina iodada, que se acumula nos "colóides"
            • T3 e T4 são liberados através da proteólise da tireoglobulina
            • quase todo o hormônio tireoidiano circulante está ligado a proteínas -- à TBG e à TBPA
              • A ligação com o T4 é mais forte
                • por isso que a suplementação ocorre com o T4 - meia vida maior que a do T3
          • T3 atua controlando o metabolismo geral do corpo (hormônio ativo)
          • T4 é um pró-hormônio para T3.
            • T4 penetra nas células dos órgãos-alvo e logo é convertido em T3 por intermédio da desiodase tipo 1 ou tipo 2
    • reações bioquímicas de síntese hormonal ocorrem em torno da membrana apical, onde se encontra a enzima TPO
      • T3 e T4 são formados pela iodação de resíduos de tirosina da tireoglobulina
        • O iodo, sob a forma de íon, é captado pela célula tireoide através do carreador Na/I da membrana basal
          • Dos 500 µg/dia de iodeto normalmente absorvidos pelo trato gastrointestinal, cerca de 1/4 é captado pela tireoide
            • a organificação do iodo depende da proteína Pendrina
            • Caso seja ingerido menos de 50 micrograma/dia, começam a ser sentidos os sintomas de falta dos hormônios
      • a TPO atua catalisando:
        • Oxidação do iodo
        • Iodação dos resíduos de tirosina da tireoglobulina, formando as Iodotirosinas
        • Acoplamento das iodotirosinas, formando os hormônios tireoidianos
    • o TRAB é um autoanticorpo que atua no receptor FSH
    • Atuação
      • desenvolvimento fetal
      • melhorando a contratilidade miocárdica
      • aumentam a motilidade gastrintestinal
      • função cerebral
      • degradação do colesterol
  2. Anatomia da tireoide

    • maior glândula endócrina do corpo humano
    • responsável pela produção dos hormônios tireoidianos (T3 e T4)
    • formato semelhante a um escudo
  3. DEFINIÇÃO

    • é uma síndrome clínica ocasionada por síntese/secreção insuficiente ou ação inadequada dos hormônios tireoidianos nos tecidos, resultando em lentificação generalizada do metabolismo.
    • Classifica-se em primário (falência tireoidiana), secundário (falência hipofisária – deficiência de TSH) ou terciário (deficiência hipotalâmica de TRH)
      • Também existe o hipotireoidismo subclínico
      • a secundária e a terciária são chamadas também de HipotT Central, pois o laboratório é parecido
  4. EPIDEMILOGIA

    • No Brasil, é o problema mais comum de tireóide
      • Em pessoas acima de 60 anos, a prevalência aumenta
      • Prevalência de 2%
    • Muito mais prevalente em mulheres 8:1
    • deficiência de iodo é a causa mais comum em países em desenvolvimento.
      • Em países desenvolvidos a principal causa é autoimune
    • O hipotireoidismo PRIMÁRIO representa > 90% dos casos
      • Tem prevalência de 2-4% em indivíduos > 65 anos, e em torno de 0,5-1% da população geral
    • A prevalência do tipo Subclínico vai ter a prevalência de 4%
  5. FATORES DE RISCO

    • idade (> 65 anos)
    • sexo feminino
    • puerpério
    • história familiar
    • doenças autoimunes
    • drogas como amiodarona, lítio, tionamidas e INF-alfa
    • irradiação prévia de cabeça e pescoço
    • síndromes de Down e Turner
    • dieta pobre em iodo
    • infecção crônica pelo HCV
    • Em crianças, hemangiomas e fibromas pode causar HipoT
    • Presença de nódulos
  6. DIAGNÓSTICO

    • pode causar alterações laboratoriais inespecíficas: anemia, dislipidemia, elevação de enzimas musculares, aumento de prolactina e gonadotrofinas
    • Dosagem de TSH e T4livre
      • um TSH elevado (cujos valores de normais tipicamente variam de 0,5 a 4,5 mIU/L, e a média populacional é estimada em 1,5 mIU/L.
        • Em idosos seria 7,0 o valor.
        • Gestantes no primeiro trimestre = 2,5; Demais trimestres = 3,5
      • dosagem de T4 livre dá mais uma confirmação ao diagnóstico e caracteriza a severidade da doença
      • TSH aumentado e um T4 livre baixo: diagnóstico de hipotireoidismo primário.
      • TSH estiver aumentado, mas o T4 normal: hipotireoidismo subclínico
      • TSH estiver baixo ou normal e o T4 estiver também baixo: investigar hipotireoidismo central ou efeito de alguma droga
    • exames complementares como RM da sela túrcica para causas Centrais
    • investigação da hiperprolactinemia
    • pesquisa de Anti-TPO e Anti-TG
    • investigar o aumento do PTH, a creatinina e ácido úrico
    • redução da glicemia
    • Ultrassom para verificar o parênquima, a presença de tumores e nódulos
      • boa sensiibilidade
      • Observar a vascularização com Doppler
    • T4 total = 5-12; T3 total = 70-190; T4 livre = 0,9-2; T3 livre = 0,2-0,52
  7. TRATAMENTO

    • administração de dose única diária de levotiroxina (T4),
      • Em pacientes com mais de 60 anos de idade, a dose inicial é de 50 µg/dia
      • em pacientes com cardiopatia grave a dose inicial deve ser de 12,5-25 µg/dia, com incrementos de 12,5-25 µg a cada 2-3 semanas
    • levotiroxina tem meia-vida de sete dias, sendo
    • dose a ser administrada varia de acordo com o peso do paciente, idade e presença de comorbidades
    • objetivo é manter o TSH dentro da faixa de referência, isto é, entre 0,5 e 5,0 mU/L.
    • devemos dosar o TSH após 4-6 semanas
    • A duração do tratamento depende da etiologia
    • Efeitos adversos
      • excesso de hormônio: o paciente apresenta sinais e sintomas de tireotoxicose, como taquicardia, palpitações, arritmias, elevação da pressão arterial e osteoporose.
    • Hipotireoidismo subclínico
      • ver quadro 1 ao lado
        • reavalia entre 3-6 meses para saber se é transitório ou permanente
    • Hipotireoidismo durante a gestação
      • ver quadro 2 ao lado
    • Ingestão do comprimido junto com Vitamina C pra ampliar sua absroção
    • Uma vez atingida a dose de manutenção, a reavaliação da função tireoidiana pode ser feita a cada 6 ou 12 meses
    • Mixedema - medidas de suporte
      • Antibioticoterapia
      • Uso de corticóides
  8. ETIOLOGIA

    • Primário (problema na tireoide);
      • Hashimoto: doença autoimune assintomática nos primeiros meses ou anos de sua instalação
        • em países com carência nutricional de iodo, Hashimoto é a etiologia mais comum, seguido da inatrogênica
    • Secundário (problema na hipófise)
    • Terciário (problema no hipotálamo).
  9. RASTREIO

    • indicado que seja feito o rastreamento de HipoT em pacientes que apresentem com (ver tabela ao lado)
    • Não há um consenso: a cada 5 anos em pessoas com mais de 35 anos de idade. Outra defende que basta investigar em pacientes com mais de 19 anos e que tenha fator de risco. Outra fonte defende rastreio acima dos 60 anos
    • rastreio em mulheres se deve principalmente a condições autoimunes associadas
    • Em idosos se deve pela prevalência própria da idade e para diagnósticos diferenciais como quadros demenciais, depressão e doenças sistêmicas
    • Em outros públicos é indicado sempre na suspeita da doença ou fatores de risco importantes
    • Teste do Pezinho
  10. QUADRO CLÍNICO

    • hipoatividade generalizada - acúmulo de glicosaminoglicanos no interstício dos tecidos
    • bócio
    • mixedema sem cacifo
    • HAS secundária
      • mais da diastólica do que a sistólica
    • lentificação do fluxo linfático
    • pseudodemência
    • humor deprimido
    • madarose lateral
    • mialgia
      • aumento da CPK
    • coma mixedematosoe
    • lentificação da cicatrização
  11. FISIOPATOLOGIA

    • falta de iodo leva progressivamente a uma deficiência na produção desses hormônios
    • Nutricional
      • captação baixa ou transporte ineficiente de iodo
    • autoimunes
      • inflamação da glândula e destruição do parênquima
    • iatrogênica
      • por cirurgia
        • remoção da glândula
      • destruição do parênquima
    • tumores ou massa na hipófise
      • não estimula o TSH
        • não produz T3 e T4
  12. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL

    • Diferenciar Pseudodemência de Alzheimer e demais demências - em pacientes mais velhos
    • Diferenciar Humor deprimido de Depressão - em pacientes mais jovens

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