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Toponímia e história: a construção da memória social nas terras da Bahia.

Woshiton Almeida Letras Portugués

Toponímia e história: a construção da memória social nas terras da Bahia.

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Toponímia e história: a construção da memória social nas terras da Bahia.

  1. 1- promove uma viagem na história para identificar as camadas do tapete onomástico que recobre o território baiano, resultantes do contato entre as línguas dos grupos étnicos predominantes durante o período de colonização do Brasil: o estrato português, o estrato indígena e o estrato africano.

  2. 2 - Apresenta-se a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, editada pelo IBGE entre 1957 e 1964, destacando os 169 topônimos estudados. Nos volumes XX e XXI, referentes aos municípios baianos, são indicados dados relativos a aspectos geográficos – localização, altitude, área, acidentes geográficos, clima, riquezas naturais, atividade econômica e política, meios de transporte e comunicações –, além de uma série de informações sobre a história de cada município e de sua população.

  3. 3 - Fala sobre a segmentação da Bahia proposta pelo Governo do Estado em vinte e sete Territórios de Identidade, a partir da especificidade de cada região e com base no sentimento de pertencimento, destacando-se o repertório lexical, relacionado à dimensão sociocultural, como fator de identificação territorial.

  4. 1 - OS CONTATOS ETNO-CULTURAIS

    • "Considerando que o ato de nomear é essencialmente humano, as relações entre o homem e o espaço geográfico expressas nos designativos toponímicos revelam muito de uma determinada população e/ou área geográfica" (CORREIA, p. 35), ou seja, impossivel pensar a Toponímia desvinculada de outras ciências.
    • "A toponímia brasileira é identificada por três principais estratos linguísticos na sua formação - "o estrato português, do colonizador europeu, o estrato indígena, dos primitivos habitantes das terras brasileiras, e o estrato africano, da mão de obra traficada de várias partes do continente durante a diáspora negra" (Ibidem, p. 35).
    • Do contato entre as línguas faladas por essas três diferentes etnias, resultou a variante brasileira da língua portuguesa, e as marcas dessa realidade linguística estão presentes na toponímia, ainda que em proporções diferentes.
    • Período inicial da formação brasileira: designativos de lugar + contato entre diferentes povos = povo e cultura brasileira
  5. 2 - O PORTUGUÊS: O EUROPEU COLONIZADOR

    • Tudo começa com Portugal que inicia suas primeiras expedições marítimas. Em conflito com outros países (Espanha, Italianos), os portugueses descobriu que o futuro não estava no comerceio terrestre, mas em outros caminhos perpassado pelos caminhos do mar.
    • Os portugueses visavam tornar-se pioneiros nas navegações, interessados pelos lucros que as novas terras descobertas pudessem gerar. Desenvolve-se várias técnicas de navegações para enfrentar os obstáculos nas grandes viagens.
    • A expansão marítima lusitana começa pela exploração da costa africana, e, posteriormente, o grande alvo do portugueses é em direção as riquezas da Índias. O caráter mercantil foi o principal estimulador das navegações portuguesa, junto com a vontade de submeter infiéis e converter gentios, "dilatando Fé, o Império, e as terras viciosas" (Ibidem, p. 37).
    • "[...] Pedro Álvares Cabral “descobriu” o Brasil em 22 de abril de 1500, embora essa data seja contestada por historiadores. A chegada do almirante português à “Terra Brasilis” em 1500 representa a posse oficial das terras pela coroa portuguesa e o início da modificação da paisagem brasileira. Segundo Ramos,, existem possibilidades de descobrimento pelos navegadores Bartolomeu Dias (1488) e Vasco da Gama (1497) que só não foi anunciado porque havia um entrave diplomático entre Espanha e Portugal (ibidem, p. 37).
    • A carta de Pero Vaz de Caminha representa o primeiro escrito relatando a descoberta da nova terra e o primeiro contato dos portugueses com os nativos em terras brasileiras.
      • O encontro de culturas é marcado por mundos completamente distintos. Os portugues eram considerados a civilização e os índios os selvagens, por isso, viam os indios como impossibilitados de enquadrar no universo europeu.
    • o inicio da colonização é marcado pela tarefa de exploração das terras brasileiras, destruindo a cultura existente dos primeiros nativos. "Com a imposição cultural europeia, o “encontro de culturas” tornou-se então um “desencontro de culturas”, um verdadeiro etnocídio, definido por Cuche (2002, p. 123) " (Ibidem, p. 38).
      • "A cultura europeia desconsiderou a ocupação política já existente no território “achado” e impôs novas fronteiras sem respeitar aquelas historicamente definidas pelos índios.(Ibidem, p. 38), marcado pela dominação do índio, a visão do colonizador e o desrespeito à diversidade nacional cultural do habitantes da terra. "[...] considerava a cultura indígena como sendo inferior, os portugueses acreditavam em sua função divina e salvadora de propagar o santo nome de Cristo e seus ensinamentos entre os povos pagãos [...] (Ibidem, p. 38-39).
    • "Os Jesuítas se desdobraram a semear a lei de Cristo: transmitiram a fé cristã, construíram magníficas igrejas e abriram escolas (MARTINS, 1998). [...] fundaram aldeias, vilas e cidades, ensinaram a língua portuguesa e também assimilaram a cultura desses povos" (Ibidem, p. 39).
      • "A missão religiosa tambem se fez presente no processo de instalação de uma nova nomenclatura geográfica, evidenciada na renomeação dos acidentes reconhecidos que foram surgindo" (Ibidem, p. 39).
    • "Assim, entre encontros e desencontros culturais, violências e conflitos entre colonizadores e nativos, em cenários de destruição, exploração e extermínio, a paisagem brasileira começou a ser modificada oficialmente em 1500, quando a primeira camada toponímica, a original, predominantemente descritiva, começou a ser sobreposta por nomes exclusivamente portugueses, como se até então “a terra fosse um grande vazio onomástico (ANTUNES; CARVALHINHOS, 2007, p. 144)" (Ibidem, p. 39).
    • 3 - O INDÍGENA: O “DONO” DA TERRA
      • 4 - O AFRICANO: A MÃO DE OBRA ESCRAVA
        • A EMB: Enciclopédia dos Municípios Brasileiros
          • Antônio Balbino de Carvalho Filho, Governador do Estado à época
          • ANÁLISE LINGUÍSTICA
            • Lexias utilizadas para caracterizar os colonizadores portugueses: heroicos navegadores, destemidos aventureiros, bravos bandeirantes, [autores de] trabalho perseverante e construtivo.
            • Lexias utilizadas para caracterizar o trabalho de catequese desenvolvido pelos padres missionários: verdadeiro estoicismo, espírito de sacrifício, influência amiga e benfazeja, [ação de] abnegados sacerdotes, nobres missionários, figuras paternais, intrépidos bandeirantes de almas.
            •  Lexias utilizadas para caracterizar os nativos: belicosos, aguerridos, selvagens, domesticados.
            • Lexias utilizadas para caracterizar os cultos indoafricanos, seus costumes e suas festas: tradições bizarras, fetichismos, superstições, lendas e crendices.
            • CACULÉ: Em 1860, Dona Rosa Prates, proprietária do antigo domínio da fazenda "Jacaré", doou ao Santíssimo Coração de Jesus um terreno, onde deveria ser erigida uma capela sob a invocação desse orago. Possuindo aquela ilustre senhora elevado número de pretos escravos, promoveu o progresso da região pela exploração ampla da agricultura e da pecuária, incentivando o povoamento (IBGE, 1958, v. XX, p. 105).
            • MARACÁS: A primeira penetração no território do município de Maracás se deu em 1659, quando bravos bandeirantes portugueses, subindo o rio Paraguaçu e tomando o rumo da Serra Geral, deram combate aos indígenas e assentaram residência na região, povoando-a (ibidem, v. XXI, p. 24).
            • Recorte do prefácio do volume XX da obra EMB
              • “O velho Teixeira Mendes, estudando a composição étnica de nossa raça, encontra as três características da mescla brasileira: a inteligência do branco, o sentimento do negro e a atividade do índio. Sem dúvida, a preponderância da segunda se manifesta no povo baiano, onde a tradição da escravatura veio fixar mais essa fantasia dolente da alma, na exteriorização do seu folclore e na forma gongórica de seus poetas (FERREIRA, 1958, v. XX, p. 10-11)”
              • A organização dos municípios da Bahia em Territórios de Identidade
                • Mapa político das Mesorregiões do estado da Bahia.
                • 417 municípios, em 27 Territórios de Identidade, carregados de elementos que constroem suas identidades e reforçam seus laços de união e ações coletivas.
                  • TI 22 - MÉDIO RIO DE CONTAS Boa Nova, Ipiaú, Jequié, Ubatã.
        • A escravidão africana tem sido considerada como um dos grandes holocaustos da humanidade, identificada por Pinsky (1988) como o “holocausto negro”.
        • Conforme Tavares (2001), a Bahia recebeu grandes levas de africanos em todos os quatro ciclos, pertencentes às mais diferentes nações (povos), sendo os Iorubá, Ewe, Jeje,Fula, Tapa, Hauça, Arda e Calabare os mais conhecidos.
        • Entretanto, fosse qual fosse a sua área geográfica de origem, sua nação, seu falar, sua cultura, o africano escravizado era considerado uma mercadoria, tendo enriquecido todos os grandes comerciantes da cidade de Salvador
      • Seja por desconsideração à cultura dos habitantes primitivos, por desconhecimento das denominações preexistentes ou por determinação da metrópole, a ação de renomear as terras recém-descobertas pelos colonizadores europeus se configura, segundo Dick (1992)
      • Seguindo os padrões determinados pela coroa portuguesa e pela ideologia religiosa que impregnava a mentalidade do homem europeu na época, a substituição dos topônimos indígenas por outros de origem portuguesa obedecia, como afirma Nascentes (1960, p. 103).
      • O contato com o colonizador e com outros grupos provocou modificações profundas na cultura dos povos indígenas. A intensa mestiçagem cultural, promovida principalmente pelo movimento das entradas e bandeiras (séc. XVII e XVIII), fez com que a língua geral fosse difundida por todo o território colonizado
  6. CLESE MARY PRUDENTE CORREIA

  7. CORREIA, Clese Mary Prudente. TOPONÍMIA E HISTÓRIA: A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA SOCIAL NAS TERRAS DA BAHIA. In. CORREIA, Clese Mary Prudente. Bahia de todos os cantos e recantos: marcas identitárias e culturais na toponímia da Bahia . Salvador, 2017, p. 35-58.

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Mapa conceitual - Resumo capítulo 3 - dissertação - Bahia de todos os cantos
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