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Química do Dente

Pedro Isaac Ferreira Lima Portugués

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Química do Dente

  1. Em 1890, um cientista americano chamado W.D. Miller. A experiência que mostrou o elo entre bactérias e cáries foi a seguinte: Miller colocou um dente extraído em um tubo, adicionou um pouco de saliva e um pedaço de pão. Com o passar do tempo observou que o dente se corroía. Quando ele aquecia a saliva, causando, portanto, a morte das bactérias, o dente não se corroía. A partir destas e de outras observações, Miller formulou a hipótese de que a cárie resultava da produção de ácidos orgânicos pelas bactérias orais a partir de um alimento fermentável, como, por exemplo, o pão. Hoje sabe-se que as bactérias vão lentamente formando um biofilme que se deposita sobre a superfície do dente. Alimentando-se do açúcar contido nos alimentos, as bactérias vão se multiplicando rapidamente, dando origem ao que se denomina placa bacteriana. O açúcar, ao ser metabolizado pelas bactérias, é transformado em ácidos orgânicos. Um deles é o ácido lático

  2. A principal função do dentifrício é auxiliar na limpeza de superfícies acessíveis dos dentes, retirando manchas e detritos e dificultando a formação da placa bacteriana. A composição básica de dentifrício em pasta geralmente envolve substâncias que desempenham as funções de abrasivo ou agente de polimento, corante, espumante, umectante, aglutinante, edulcorante, solvente e agente terapêutico. Além das substâncias com essas funções, outras podem ser adicionadas: flavorizantes, espessantes, conservantes e aromatizantes. Do ponto de vista da função do dentifrício, os abrasivos são os ingredientes mais importantes, por serem essenciais para a limpeza adequada. Os abrasivos são pós insolúveis em água, geralmente sintetizados em laboratório para manter a uniformidade e tamanho das partículas. Os abrasivos mais comumente usados são: monoidrogenofosfato de cálcio, carbonato de cálcio, pirofosfato de cálcio, dióxido de silício, óxido de magnésio, metafosfato de sódioe óxido de alumínio.

  3. Daquela época até os dias de hoje, muito se avançou na compreensão do efeito dos compostos fluorados sobre a prevenção da cárie. O princípio ativo nesse processo é o íon fluoreto, F– . Este íon interfere no equilíbrio mineralização/ desmineralização visto anteriormente: Ca5 (PO4 ) 3 OH(s) + H2 O(l) 5Ca2+(aq) + 3PO4 3–(aq) + OH– (aq) Na presença dos íons F– , um outro equilíbrio se estabelece, a saber: 5Ca2+(aq) + 3PO4 3–(aq) + F– (aq) Ca5 (PO4 ) 3 F(s). Nesse processo uma nova substância é formada, a fluorapatita - Ca5 (PO4 ) 3 F. O esmalte passa a ser, então, um material modificado. Os íons fluoreto não substituem todos os íons OH– . Uma pequena incorporação de íons F– é suficiente para alterar as propriedades do esmalte, tornando-o menos suscetível ao ataque por ácidos. Esse novo material, contendo uma mistura de hidroxiapatita - Ca5 (PO4 ) 3 OH e fluorapatita - Ca5 (PO4 )3 F, é denominado fluorohidroxiapatita.

  4. Os compostos de flúor mais usados são o fluoreto de sódio (NaF), o fluoreto de estanho II (SnF2 ) e o monofluorfostato de sódio (Na4 PO4 F). A presença deste último composto nos rótulos dos dentifrícios é identificada pela sigla MFP (do inglês, meta fluor phosphate). A quantidade de flúor presente nas pastas é geralmente indicada em partes por milhão (ppm). Assim, 1500 ppm de flúor significam 1,500 mg de composto fluorado por grama de pasta (1,500 mg/g). Os dentifrícios, agindo em colaboração com a escova, auxiliam na limpeza dos dentes e possibilitam a incorporação de íons fluoreto ao esmalte. Essas duas ações têm contribuído fortemente para a prevenção das cáries.

  5. Uma vez formada a cárie, nosso organismo não é capaz de restaurar o tecido lesado. Assim sendo, os dentistas têm que retirar o tecido lesado, preparar e desinfetar bem a cavidade e, então, tapá-la com um material que tenha propriedades tais como: boa resistência física a atritos, boa resistência química a ácidos, pouca expansibilidade, cor próxima da cor natural dos dentes, bom acabamento, preço acessível, etc. As restaurações de dentes são feitas hoje em dia usando basicamente dois tipos de materiais: os amálgamas e as resinas poliméricas. Define-se como amálgama toda combinação do mercúrio metálico com metais e/ou com ligas metálicas. Os amálgamas possuem excelentes propriedades físicas e químicas (resistência ao atrito, pouca expansibilidade, reatividade lenta com ácidos); quanto à cor, eles deixam muito a desejar, por essa ser muito diferente da cor natural dos dentes.

  6. Os químicos desenvolveram e colocaram à disposição dos dentistas dezenas de ligas, cujos componentes principais estão indicados na Tabela 3. Nessas ligas, a prata reage com o estanho, formando o composto Ag3 Sn, segundo a reação: 3Ag(s) + Sn(s) → Ag3 Sn(s) A liga de prata-estanho (contendo o composto Ag3 Sn) é muito quebradiça. Esta propriedade é alterada adicionando-se quantidades variáveis dos metais cobre e zinco. Ao se misturar a liga prata-estanho com o mercúrio, no momento de tapar a cavidade, ocorre a seguinte reação : 8Ag3 Sn(s) + 37Hg(l) → 12Ag2 Hg3 (s) + Sn8 Hg(s) O composto Ag3 Sn é usado em excesso. Assim, o amálgama é um material complexo contendo os compostos metálicos Ag3Sn (que não reagiu por estar em excesso), Ag2 Hg3 , Sn8 Hg, além dos metais cobre e zinco.

  7. Pesquisas revelam que a contaminação proveniente de amálgamas é relativamente baixa. O amálgama propicia mais vantagens do que desvantagens, principalmente no que diz respeito ao preço e à durabilidade. Isso faz do amálgama um material de amplo uso na odontologia atualmente. O segundo tipo de material usado nas restaurações é designado pelo nome de resinas poliméricas ou simplesmente polímeros. O que são polímeros? Polímeros (do grego poli = muitos, meros = partes) são compostos de cadeias muito longas formados pela repetição de unidades moleculares pequenas, chamadas de monômeros. Um polímero muito usado em odontologia é o polimetacrilato de metila, obtido pela polimerização do metacrilato de metila e/ou de outros monômeros derivados do metacrilato

  8. A compreensão sobre o mecanismo de formação das cáries permitiu o desenvolvimento de procedimentos para evitá-las, incluindo-se aí o uso de dentifrícios como auxiliar na escovação dos dentes. A variedade de pastas de dentes é muito grande. Qual pasta devemos usar? É impossível uma única pasta atender a todas as necessidades das pessoas. No entanto, entender um pouco sobre sua composição e função pode nos auxiliar em algumas decisões. Por exemplo, certas pessoas têm dentes com exposição da dentina, que é muito mais macia e sensível que o esmalte. Para essas pessoas é recomendável o uso de dentifrícios sem abrasivos.

  9. Entretanto, é importante ressaltar que os dentifrícios não são agentes milagrosos que resolverão todos os problemas da saúde bucal. Por outro lado, o fato deles conterem determinadas substâncias com funções específicas não os torna produtos de consumo indispensáveis. De fato, para alguns dentistas o uso de dentifrícios é perfeitamente dispensável. Entendem que uma boa escovação após a ingestão de alimentos é suficiente para a prevenção das cáries. Enfim, os dentifrícios são um material complexo, contendo substâncias compatíveis (que não reagem entre si, ou que reagem muito lentamente) com a finalidade de auxiliar a higiene bucal, com conseqüente redução das cáries e também produzindo um hálito com odor agradável.

  10. O primeiro creme dental surgiu no Egito há cerca de quatro mil anos. Era um material à base de pedra-pomes pulverizada e vinagre, que era esfregado nos dentes com pequenos ramos de arbustos. No século I da nossa era, os romanos acrescentaram a essa pasta mel, sangue, carvão, olhos de caranguejos, ossos moídos da cabeça de coelhos e urina humana, todos com a finalidade de deixar os dentes mais brancos. O primeiro dentifrício comercial foi desenvolvido em 1850, nos Estados Unidos. Inicialmente na forma de um pó, foi modificado posteriormente para a forma de pasta, com o nome comercial de “Creme Dentifrício do Dr. Sheffield”. Um aumento da comercialização das pastas de dente ocorreu quando elas começaram a ser embaladas em tubos metálicos flexíveis.

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Mapa Mental sobre Química do Dente, creado por Pedro Isaac Ferreira Lima el 30/11/2021.
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