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Apuntes

Santidade por Joel Beeke

Alexandre Almeida Santidade Teoria e Prática Teologia Livre Portugués 1 página

Contenido del apunte (1)

Página 1

Santidade

por

Dr. Joel R. Beeke

Há uma palavra simples, todavia profunda, que ocorre novecentas vezes na Bíblia. Você

a encontra primeiramente em Gênesis, quando somos informados como Deus criou o

céu e a terra. Você a encontra pela última vez no capítulo final da Bíblia, onde nos é dito

sobre a criação de um novo céu e de uma nova terra por Deus. Um livro inteiro,

Levítico, é devotado ao assunto desta palavra.

Apesar disso, esta palavra é estranhamente negligenciada hoje. Embora ela descreva a

exclusividade de Deus e o chamado de todos os Seus filhos, ela é amplamente ignorada.

Esta pequena, todavia maravilhosa, palavra é santo. Entre outras palavras, santo,

santificar e santificação são obtidas de sua raiz.

O que significa santo, santidade? Qual é o chamado bíblico à santidade? Como se deve

praticar a santidade? Por que as igrejas necessitam tão desesperadamente da santidade

em nossos dias?

Dividamos nosso assunto em cinco seções: (1) O que Santidade é: Eliminando as

Concepções Erradas. (2) Santidade na Escritura: Ser separado. (3) Santidade na

Teologia: Santificação. (4) Santidade na História: O Entendimento da Igreja. (5)

Santidade na Prática Hoje: A Maior Necessidade da Igreja e Nossa.

O QUE SANTIDADE É: ELIMINANDO CONCEPÇÕES ERRADAS

Santo e santidade são termos que levam a uma considerável concepção errada. Para

alguns, a palavra santo parece arcaica; imaginam algo antiquado e retrógrado. Para

outros, santidade cheira a legalismo moralista; isto é, santidade demanda uma longa

lista de proibições. De pessoa para pessoa, de grupo para grupo, esta lista variará, mas

uma lista sempre existirá onde quer que a santidade esteja. Ainda para outros, a

santidade é associada com uma repugnante atitude de “sou mais santo que você”. Eles

a vêem como uma ferramenta desprezível com a qual se implementa a superioridade

arrogante. Finalmente, para alguns, santidade denota uma perfeição inatingível. Eles

vêem a santidade como uma doutrina desalentadora que não prega nada senão o

pecado e exige uma perfeição radical.

Embora haja fragmentos de verdade em certos aspectos destas concepções, todas estas

idéias falham em expressar o verdadeiro conceito de santidade. De acordo com o uso

original da palavra, santidade em todas suas formas (isto é, quando aplicada a qualquer

pessoa, lugar, ocasião ou objeto) implica o ser separado do uso comum secular para o

propósito de ser devotado a Deus.

Santidade significa ser separado. Mas o que significa o ser separado? Duas coisas. O

sentido negativo de ser separado é o chamado da santidade para nos separarmos do

pecado. O sentido positivo de ser separado é o chamado da santidade para nos

consagrarmos a Deus. Estes dois conceitos – separação do pecado e consagração (ou

separação) a Deus – compreendem a palavra santidade. Quando combinados, estes dois

conceitos fazem a santidade muito compreensiva. De fato, a santidade cobre o todo da

vida. Todas coisas, nos diz Paulo, devem ser santificadas: “Porque toda a criatura de

Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque pela

palavra de Deus e pela oração é santificada” (1 Timóteo 4:4,5).

O chamado para santidade é um chamado absoluto, exclusivo. Deus nunca nos chama

para Lhe dar um pedaço de nossos corações. O chamado para santidade é um chamado

para todo o nosso coração: “Filho meu, dá-me o teu coração” (Provérbios 23:26).

O chamado para a santidade é holístico. Isto é, nossa vida inteira está envolvida – corpo

e alma, tempo e eternidade. E também em cada esfera de nossa vida na qual somos

chamados a atuar: em privacidade com Deus, na confidencialidade de nossos lares, na

competição de nosso trabalho, nos prazeres da amizade social, bem como na adoração

dos domingos. O chamado à santidade é um chamado de sete dias por semana e de 365

dias por ano. Ele é radicalmente compreensivo; como tal, o chamado à santidade

pertence à essência da fé e da prática religiosa.

Assim, você pode ver quão erradas são as concepções erradas de “arcaísmo, legalismo e

superioridades” com respeito à santidade. A santidade nunca se apresenta na Escritura

como um conceito farisaico com uma lista sem fim de “fazer” e “não fazer” combinada

com uma atitude de justiça própria. Pelo contrário, a santidade é um compromisso para

toda a vida de nos separarmos para o senhorio de Jesus Cristo. A santidade não é uma

lista, mas um estilo de vida. Santidade significa viver para Deus. Santidade é a religião

por excelência. É a relação com Deus – uma relação pactual, certamente – manifestada

pela graça em fé e prática, através de todas as esferas da vida.

Isto se tornará mais cristalino à medida que examinar o conceito da Escritura de

santidade.

SANTIDADE NA ESCRITURA: SER SEPARADO

No Antigo Testamento, se fala de santidade primariamente com relação a Deus. “O

SENHOR nosso Deus é santo” (Salmos 99:9). Santidade é a própria natureza de Deus –

o próprio fundamento de Seu ser. Três vezes santo, intensamente santo é o Senhor

(Isaías 6:3). Deus é santidade. Santidade é a coroa permanente de Deus. Ela é o “brilho

de todas as Suas perfeições”, como os Puritanos costumavam dizer. Santidade é o pano

de fundo para tudo mais que a Bíblia declara sobre Deus.

O conceito de santidade divina do Antigo Testamento apresenta três verdades cardinais

sobre Deus: Primeiro, denota a separação ou a diferença de Deus de toda a Sua criação.

A palavra hebraica mais comum para santo é qadosh, a qual tem como seu significado

mais fundamental o ser separado ou apartado. Deus está acima e além de toda a Sua

criação. Nada é como Ele. “A quem, pois, fareis semelhante a Deus, ou com que o

comparareis?” (Isaías 40:18). “O SENHOR é Deus; nenhum outro há senão Ele”

(Deuteronômio 4:35,39; 1 Reis 8:60; Isaías 45:5,6,14,18,21,22; 46:9; Joel 2:27).

Em segundo lugar, denota a total “separação” de Deus de tudo que é impuro ou mal.

Deus é a perfeição moral. Sua santidade é total retidão e pureza (Isaías 5:16). Seus olhos

são muito puros para contemplar o mal (Habacuque 1:13).

Em terceiro lugar, por causa de Deus ser separado por natureza de todo pecado, Ele é

inacessível para os pecadores, aparte de um sacrifício santo (Levítico 17:11; Hebreus

9:22). Somente com um sacrifício sangrento e vivificar o Deus santo pode habitar

justamente entre os pecadores (porque o salário do pecado é a morte, Romanos 6:23) – e

isto por causa de Cristo, o Sacrifício que haveria de vir. Em e através da vinda do

Messias, o único e perfeito Deus de Israel pode viver entre o Seu povo escolhido: “Eu

sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti” (Oséias 11:9). Esta aparente contradição

– o Santo em vosso meio – é explicável somente através de Jesus Cristo, o sacrifício

apontado por Deus, porque o Santo vê somente um Cristo perfeito quando Ele olha

para o Seu povo (cf. Catecismo de Heidelberg, Q. 60).

Deste triplo conceito de Deus como o Santo, se deduz naturalmente que tudo associado

com Deus (isto é, fenômeno divino) deve ser também santo. Por conseguinte, o

descanso instituído é “um repouso santo” (Êxodo 16:23); Sua morada é o “santo céu”

(Salmos 20:6); Ele se senta num “santo trono” (Salmos 47:8); Sião é Seu “santo monte”

(Salmos 2:6); Seu próprio Nome é santo (Êxodo 20:7). Assim, também, Sua igreja é

chamada a ser uma “santa assembléia” (Êxodo 12:16) e Seu povo do pacto um “povo

santo”: “Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu,

para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra”

(Deuteronômio 7:6).

Israel, o povo do pacto de Deus, é chamado à santidade por meio de uma santa

separação do pecado (Deuteronômio 7:6), através de uma santa consagração a Deus

(Levítico 11:44), de uma santa adoração a Deus (cf. a maior parte de Levítico), e de uma

santidade ou limpeza interior (Levítico 16:30; Salmos 24:3-4).

O Novo Testamento

O Novo Testamento ressalta todo o ensino do Antigo Testamento sobre a santidade. Ele

desenvolve uma maior ênfase, contudo, sobre os temas da santa Trindade e dos santos

consagrados. A santidade é sempre atribuída a uma Pessoa da Deidade. O Deus de

amor é o Pai Santo (João 17:11); Jesus Cristo é o Santo de Deus (Marcos 1:24; João 6:69); e

o Espírito de Deus é denominado Santo noventa e uma vezes!

Em termos de santos, o Novo Testamento destaca três temas. Primeiro, ele acentua a

dimensão ética da santidade. A ênfase recai sobre o interno em lugar da santidade

ritual. Básico para isto é o testemunho do próprio Jesus, que como o Filho do homem

viveu uma vida de completa santidade, porque Ele “não cometeu pecado, nem na sua

boca se achou engano” (1 Pedro 2:22). Ele é “santo, inocente, imaculado, separado dos

pecadores” (Hebreus 7:26). Como resultado de Sua obra redentora, os crentes nEle são

declarados justos e entram na santidade: “Na qual vontade temos sido santificados pela

oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas” (Hebreus 10:10).

Em segundo lugar, o Novo Testamento enfatiza o caráter normativo da santidade entre

os crentes. A santidade pertence a todos os verdadeiros seguidores de Cristo. Um termo

comum para todos os crentes é santo (hagioi), geralmente traduzido por “santo”.

Santos, portanto, não se refere a pessoas preeminentes na santidade, mas ao crente

típico que é santo em Cristo (1 Coríntios 1:30). Santidade é uma realidade interna para

todos os que estão unidos com Cristo. Embora um filho de Deus sinta freqüentemente

quão ímpio ele é em si mesmo e possa não ousar se chamar um “santo”, Deus vê todos

os Seus eleitos como santos e santificados em e através da perfeita obediência, ativa e

passiva, de Seu Filho amado. Por amor de Cristo, seu estado é santo diante de Deus e

sua condição é feita santa pelo Espírito que habita neles.

Em terceiro lugar, o Novo Testamento contempla a santidade como transformadora de

toda a pessoa: “E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito,

e alma, e corpo, sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso

SENHOR Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:23). Embora esta “santidade completa”

esteja além do alcance do crente nesta vida, ela sempre continua sendo seu objetivo e

oração. Ele se deleita em buscar a santidade e procura o “aperfeiçoamento da santidade

no temor de Deus” (2 Coríntios 7:1).

SANTIDADE NA TEOLOGIA: SANTIFICAÇÃO

SANTIDADE NA HISTÓRIA: O ENTENDIMENTO DA IGREJA

SANTIDADE NA PRÁTICA HOJE: A MAIOR NECESSIDADE DA IGREJA E

NOSSA

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto

Cuiabá-MT, Junho de 2004.

http://www.monergismo.com/textos/santificacao/santidade_beeke.htm

Información

Descripción
Texto produzido pelo Dr. Joel Beeke e traduzido por Felipe Sabino de Araújo Neto do site Monergismo.
Creado por
Alexandre Almeida · ene 2019
Actualizado
8 ene 2019
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39
Etiquetas
santidade
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