práticas sociais de linguagem; conceitos de comunicação e linguagem; leitura e compreensão de
texto; intertextualidade; coesão e coerência textual; gêneros textuais da esfera jornalística e
acadêmica.
Competências e habilidades:
desenvolver práticas de leitura significativa, levando os leitores a refletir criticamente sobre diversos
tipos de texto; aplicar o aprendizado da língua portuguesa como forma de conscientização do
indivíduo dentro das estruturas de poder; coordenar os conhecimentos sobre as diferentes
modalidades da língua portuguesa e aplicá-los em situações pontuais; perceber as diferentes
intenções dos diferentes tipos de textos; compreender as relações lógicas que tornam o texto coeso;
redigir textos utilizando conhecimentos específicos de norma padrão da língua portuguesa; realizar
apresentações orais.
Conversa Inicial
A disciplina de Linguagem e produção de texto foi elaborada com o intuito de auxiliar na sua
preparação para interação com textos orais e escritos ao longo do seu curso de graduação. Nesta
primeira aula, refletiremos sobre a importância da comunicação para a interação dos seres humanos e
também sobre o quanto o domínio das práticas de leitura e escrita pode ser uma ferramenta valiosa
na formação de cidadãos críticos e participativos, capazes de atuar como agentes de transformação
social no contexto no qual estão inseridos.
1: Comunicação e Linguagem
Ao falarmos em comunicação, é importante destacar a importância das relações que se estabelecem
por meio desse processo. Segundo Bessa (2006), as relações ocorrem entre pessoas, que se relacionam
umas com as outras e também com instituições sociais que, por sua vez, podem se relacionar com uma
pessoa, com determinado grupo, ou até mesmo com multidões de pessoas ao mesmo tempo. E para
que mencionadas relações se concretizem, faz-se necessário o uso do processo comunicativo. Por isso,
desenvolver o domínio sobre as práticas de leitura e escrita é essencial para que se obtenha o
conhecimento necessário às escolhas certas para diferentes situações comunicativas. É válido ainda
ressaltar que a comunicação se efetiva em todos os momentos de interação, não apenas por meio dos
textos escritos ou orais, mas sempre que há interlocutores envolvidos na troca de informações, seja
por meio de textos verbais ou não verbais.
Comunicar: fazer saber, transmitir (mensagem, comunicação, ordem)
A comunicação só acontece quando interagimos com outras pessoas usando a linguagem
Linguagem: Processo comunicativo pelo qual as pessoas
interagem entre si
Pode ser efetivada por meio de signos convencionais, sonoros, gráficos, gestuais etc
Linguagem Verbal e Não Verbal
Texto verbal: escrito ou falado
Texto não verbal: gestos, sinais, imagens etc.
02: Linguagem formal e não formal
Adequar a linguagem a cada situação não quer dizer que o falante tem que ter diferentes
personalidades, mas que deve ter conhecimento da linguagem a ponto de adequá-la às situações
formais ou informais, sempre que necessário. Refletindo sobre o uso da língua portuguesa no
ambiente acadêmico e, consequentemente, na atuação profissional, é possível prever situações que
exigirão o domínio da norma padrão para a efetivação da comunicação. Assim como podemos pensar
em situações em que se faz necessário o uso da linguagem coloquial para aproximação com diferentes
interlocutores. Por isso, a importância de refletirmos sobre a riqueza da diversidade de variações da
língua portuguesa que podem ser identificadas em nosso país; e como podemos nos adaptar para
interação em diferentes contextos em que a comunicação se efetiva.
Variação Linguística
Fatores determinantes:
Históricos
Sociais
Regionais
Culturais
“Licença Dona Dirma! A gente num intendi muito das coisa da
lei mais intendi das nossa necessidade! (...) I nóis percisa das
mata, dos rio, dos pexe... I tá todo mundo achando qui isso vai
sê mexido pra prior! A sinhora podi ajudá pra iso num
acontecê?”
“Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. Não
faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. (...) Os janotas, mesmo sendo rapagões,
faziam-lhes pé de alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio.”
Variante Padrão
A variante padrão está de acordo com as normas gramaticais e auxilia na padronização da linguagem
para situações comunicativas formais
03: Gêneros textuais
Com base nos conceitos que aprendemos a respeito do processo comunicativo, devemos considerar
que qualquer forma de interação verbal só pode ser concretizada por meio de textos, sejam eles orais
ou escritos. Com a infinidade de textos que temos contato em nosso cotidiano, a classificação dos
gêneros textuais auxilia no agrupamento dos textos por semelhanças em sua estrutura, conteúdo ou
objetivos. Desta forma, entender o que são gêneros textuais é importante para nos dedicarmos à
compreensão e ao domínio daqueles que são necessários à nossa formação acadêmica e atuação
profissional. Sabendo-se que, no dia a dia, temos contato com uma diversidade quase infinita de
gêneros textuais, a reflexão proposta neste tema nos permitirá uma dedicação ao aprimoramento
das práticas comunicativas que são mais relevantes para o contexto no qual estamos inseridos.
A interação verbal ocorre somente por meio de textos orais ou escritos
Os gêneros textuais são as estruturas com que se compõem os textos
Práticas Sociais de Linguagem:
Essas estruturas são socialmente reconhecidas, pois apresentam características semelhantes
Os gêneros textuais se definem fundamentalmente com base em critérios sociocomunicativos e
funcionais, portanto, estão sujeitos a constantes mudanças
Gêneros Textuais no Entorno Cotidiano
Bilhete
E-mail pessoal
Receita
Conversa informal
Piada
Música
Gêneros Textuais no Entorno Profissional e Acadêmico
Artigo científico
Resenha
Ofício
Comunicado
E-mail
Dissertação
Monografia
Relatório
Resumo
Inadequação ao Gênero:
Soldado cria poema para registrar ocorrência de entrega de arma em MG:
Policial Militar criou um poema para descrever a história de um pai que tentava tirar o filho do mundo
do crime, sem entregá-lo à polícia
“Em memória daquele velho da distante Juazeiro. Que entregou tão bela arma. Sem querer glória ou
dinheiro Fiz esse relato em verso. Ao doutor delegado peço que o receba, por derradeiro”.
Caso seja constatado que ele feriu alguma norma, o soldado pode ser punido
Ainda segundo a assessoria, ele não respeitou uma norma institucional de técnica de redação de
documentos militares
04: Tipos textuais
No tema explorado anteriormente, entendemos como os textos podem ser classificados como gêneros
textuais. O tema proposto agora permite identificar a sequência discursiva que predomina em cada
texto. Como vimos anteriormente, a classificação dos gêneros textuais é infinita, mas a identificação
das sequências discursivas pode ser feita a partir de cinco nomenclaturas, a saber: sequência narrativa,
argumentativa, descritiva, expositiva ou injuntiva. Essa classificação pode ajudá-lo na estruturação dos
textos escritos e, consequentemente, à adequação a diferentes situações comunicativas bastante
utilizadas no meio acadêmico. Diante do exposto, veja com atenção como as sequências discursivas
podem ser facilmente identificadas em textos acadêmicos como resumos, resenhas, relatórios etc. Daí
a importância de atentar-se para o domínio dos conteúdos relacionados à linguagem para alcançar
bons resultados em seu desempenho acadêmico.
Narração (sequência de acontecimentos, envolve personagens, espaço e tempo)
Argumentação (sequência predominante nos textos dissertativos)
Descrição (fotografia com palavras, predominância da objetividade)
Exposição (neutralidade do autor, objetividade)
Injunção (ordens e instruções)
Sequência Discursiva que Determina a Estruturação do Texto
05: Leitura e letramento
Considerando que somos seres sujeitos à leitura a todo instante, é preciso nos prepararmos para
refletir sobre as diferentes formas em que os textos se apresentam em nosso dia a dia e,
consequentemente, sobre a influência que exercem sobre nossas escolhas e tomadas de decisões.
Será que somos receptores pacíficos, abertos a todo tipo de texto, ou nos posicionamos criticamente
diante da tempestade de informações que recaem sobre nós a todo momento? Pensar como seres
letrados é ir além da decodificação dos signos linguísticos. Ler um texto é mais do que ser
alfabetizado, é estar pronto com um rol de conhecimentos que nos permita ser coautores do texto,
agindo na formulação de sentidos, na construção e reconstrução de significados. Na exploração deste
tema você é convidado a refletir sobre formas de desempenhar uma leitura crítica e transformadora.
Leitura e escrita como instrumentos de transformação social
O que identifica um ser letrado é o uso competente e frequente que ele faz do saber ler e escrever
(SOARES, 2003)
Leitura Crítica
Quando lemos?
Por que lemos?
Como lemos?
“Não há como interagir produtivamente em sociedade – sobretudo interferindo nos processos – sem
os conhecimentos adquiridos por intermédio da leitura.” (SIMÕES, 2006, p. 5)
Referências
BESSA, D. Teorias da comunicação. Brasília: Universidade de Brasília, 2006.
GERBER, Regina Márcia; SPONHOLZ, Iria; VOLKER, Taciana B. Propósito de leitura e tipo de texto na
geração de inferências. Revista Letra Magna. Revista Eletrônica de Divulgação Científica em Língua
Portuguesa, Linguística e Literatura, Ano 3, n. 5, 2. semestre de 2006. Disponível em:
<http://www.letra magna.com/leitura.pdf>. Acesso em: 10 nov. 2012.
SIMÕES, Darcili. A produção de textos acadêmicos. In: Congresso de Pós-Graduação em Letras. Rio de
Janeiro: UERJ, 2006.
SOARES, M. Letramento: um tema em três gêneros. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
Finalizando
Ao final desta aula, depreende-se que a comunicação é a ferramenta que possibilita a interação entre os
indivíduos, portanto, estar atento às possibilidades comunicativas que estão à sua disposição e saber
escolher e utilizar a forma mais adequada para cada contexto não é uma tarefa tão simples quanto
parece. Apesar disso, o domínio da língua portuguesa e o conhecimento sobre suas variantes pode estar
ao alcance de todo o profissional que esteja aberto à capacitação e à atualização. Assim, os conteúdos
apresentados podem colaborar na formação do profissional para a prática discursiva tanto por meio da
escrita, como da oralidade. Ressalta-se ainda a importância da compreensão dos diferentes níveis de
linguagem e da equivalência entre as variantes da língua portuguesa, para que não haja risco de
atitudes preconceituosas diante das formas de expressão que se distanciam da norma padrão.