"A República" de Platão: A obra mais extensa de Platão
aborda diversos temas, como: a imortalidade da alma, a
racionalidade do homem, política, educação e,
principalmente, a justiça. A República idealizada pelo
filósofo, se refere a uma cidade ideal, chamada de
Kallipolis. Nela, deveria ser adotado um novo tipo de
aristocracia. Diferente da aristocracia tradicional,
baseada em bens e na tradição, a proposta do filósofo
é que esta possua como critério o conhecimento.
A Kallipolis seria dividida em classes
sociais baseadas no nível de
racionalidade de cada cidadão, sendo os
"cidadãos de ouro" as melhores pessoas,
as mais bondosas e racionais e que,
certamente, entrariam no mundo perfeito
das ideias.
Kallipolis seria governada pelo
homem perfeito, o mais racional
de todos: o Rei Filósofo, que, para
Platão, era Sócrates.
Platão foi um filósofo e matemático do
período clássico da Grécia Antiga (século V a.C.),
fundador da Academia em Atenas,
primeira instituição de ensino do
mundo ocidental.
Thomas Hobbes foi um matemático e filósofo
inglês do século XVII, com a obra "Leviatã",
procurou entender a realidade política da
sociedade inglesa da época.
O nome da obra faz referência ao monstro
bíblico mais temido de todos os tempos. O livro
tem como tema central a organização social.
Hobbes busca explicar as razões pelas quais
os homens são o que são e fazem o que
fazem e como a política interfere neste
contexto.
Segundo Hobbes, o homem nasce
egoísta e passa a vida em busca de
satisfazer suas necessidades, no
entanto, ele afirma que o mundo não
pode satisfazer todas as suas
necessidades. Nesse Estado Natural,
sempre em busca por suas
satisfações individuais, o homem
desconhece a Lei e a Justiça, pois
essas são limitadoras.
Assim sendo, o ser humano busca
satisfazer suas necessidades
através do domínio sobre o outro,
exercido pelo uso da força e da
astúcia. Essa tentativa de domínio
sobre o outro, levada a cabo por cada
indivíduo gera, segundo o autor, um
estado permanente de guerra de
todos contra todos. Uma situação
insustentável, pela busca desenfreada
de sobrevivência de todos num mundo
de recursos limitados.
Para evitar a Guerra, Hobbes afirma que é
preciso existir um Pacto Social que sobreponha
a vontade individual dos homens, onde o direito
de sobrevivência e a liberdade em busca da
satisfação de suas necessidades sejam
limitados por uma autoridade maior, visando
organizar a sociedade e distribuir os recursos
de acordo com as possiilidades. Aí é que entra
o papel do Estado, ou dos governantes num
geral, mesmo na época da monarquia.
"Utopia" é uma palavra grega que significa
"lugar nenhum" e foi utilizada como título para
a obra do escritor humanista e estadista
Thomas More (1478-1535). A obra foi publicada
em 1516, quase três décadas após o
descobrimento da América, com o objetivo de
idealizar e transcrever a sociedade ideal.
"Utopia" descreve uma república imaginária governada pela
razão e contrasta, propositalmente, com a realidade cheia
de conflitos da política europeia da época. O livro Utopia,
na verdade, remonta a uma ilha imaginária em temas
considerados atuais até hoje, como a paz, guerra,
finanças, poder, colonização e economia.
Embora a história aconteça
uma ilha imaginária, Thomas
More descreve várias
passagens reais da
negociação e usa o livro para
criticar o rei Henrique VIII. Não
escapam à crítica os demais
estados europeus, como a
França.
A ilha imaginada por More é
perfeita não só na concepção
política, com os cidadãos
usufruindo da eficiência do
Estado. A religião também
retrata o ideal de tratamento
entre os homens. Ambos os
casos diferem do que ocorre
na Europa, que ainda lança
mão da colonização para
impor a religião cristã.
More, que era um diplomata inglês, teria
escrito Utopia em maio de 1515 nos
intervalos de negociações em Flandres
para defender os interesses de
mercadores londrinos. Na ocasião, havia
uma disputa entre o reino da Inglaterra
e o príncipe de Castela, Carlos. Ela
girava em torno da proibição pelos
holandeses da importação de lã
fabricada na Inglaterra.
Como relação entre as três obras,
podemos concluir que ambas
buscam idealizar uma sociedade
perfeita, mesmo que em contextos
históricos diferentes, são livros
clássicos do pensamento político e
filosófico ocidental.
Em cada uma delas, a estruturação da sociedade
ideal se dá por diferentes conceitos: "A República"
nos mostra a criação do conceito de justiça, "Leviatã"
busca a ordem e a segurança. evitando a guerra,
enquanto "Utopia" busca a igualdade e a racionalidade
social. Todas elas propõem uma sociedade
alternativa e uma organização social diferente da que
vigorava em sua época.
A concepção da natureza do homem também é diferente para cada autor e influencia diretamente na construção
das obras. Platão afirma que o ser humano tem sua alma dividida em razão, emoção e desejo e deve ser julgado
de acordo com o princípio predominante em cada um. Hobbes via que o homem é movido por medo, desejo e
autopreservação, ele vive em guerra constante, por isso, precisa da interferência de um Estado forte. More
escreveu que os vícios humanos e suas qualidades "ruins" são frutos das más instituições sociais, não da natureza
humana por si só, a Utopia corrige esses vícios através de uma organização racional.
Como o poder seria
dividido para cada autor:
de acordo com Platão, A
Repúplica deveria ser
governada pelos sábios,
pois só eles saberiam
aplicar a verdadeira
justiça. Já Hobbes
justificava o poder
absoluto nas mãos de um
Estado forte, porque só
assim a ordem seria
mantida. Para More, o
Estado ideal teria o poder
descentralizado e os seus
representantes seriam
eleitos e haveria o
revezamento de cargos,
baseados na coletividade
e na razão.
Idealismo vs. Realismo Político: Platão e More eram mais idealistas,
pois sonhavam com um mundo melhor e uma sociedade distante da
realidade. Enquanto Hobbes tinha uma visão mais realista e, até
mesmo, pessimista do ser humano, o que o levou a propor uma
sociedade prática e funcional, não tão distante da que vigorava em
sua época.