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TEORIAS DO CURRÍCULO

Cleide Sousa Pedagogia Português

Conteúdo do mapa

TEORIAS DO CURRÍCULO

  1. TEORIAS TRADICIONAIS

    • ENSINO: Em uma perspectiva conservadora, igualando o sistema educacional ao modelo organizacional e administrativo das empresas, o ensino pode ser entendido como o ato ou efeito de instruir. Nessa teoria, as capacidades intelectuais – que em sua maioria são obtidas através de práticas de memorização – estão centralizadas no/a professor/a, que as transmite de maneira expositiva, conduzindo passivamente a aquisição de conhecimento pelos seus alunos (as)
      • APRENDIZAGEM: É o processo de absorção e alcance de conhecimentos habilidades, valores e atitudes, transmitidos pelo instrutor/a. Na medida em que os resultados positivos são alcançados por meio da própria experiência dos/as alunos/as, pressupõe-se que o ato de aprendizagem foi alcançado, ainda que estes tenham sido sistematizados de maneira mecânica e repetitiva.
    • Eficiência é a capacidade de realizar tarefas ou trabalhos de modo eficaz e com o mínimo de desperdício e de inexatidão. Em uma perspectiva educativa, é voltada para fins práticos com o objetivo de garantir uma instrução com bom rendimento e com o mínimo de erros, voltada para o futuro trabalho fabril.
      • Planejamento é o ato de planejar, antever, preparar antecipadamente uma ação, na tentativa de tornar eficaz o processo intencional que o/a professor/a tem de governar a aprendizagem. Definição de um percurso a ser seguido para alcançar metas. Por meio do planejamento o/a professor/a programa as aulas e as atividades que serão aplicadas.
        • Metodologia Conjunto de procedimentos prescritos para se alcançar os objetivos estabelecidos no currículo para cada disciplina proposta. Preparação do aluno, feita pelo professor, em seguida fórmula a apresentação do conteúdo, correlacionando-o com outros assuntos e, por último, faz-se a generalização e aplicação de exercícios. É parte da pedagogia que se ocupa diretamente da organização da aprendizagem dos alunos e do seu controle.
        • Avaliação Processo sistematizado de registro e apreciação dos resultados obtidos em relação a metas educativas estabelecidas previamente. Faz-se sobre parâmetros gerais e metas estabelecidas para todos, independente das diferentes condições em que tal programa é aplicado. Maneira de verificar se o aluno conseguiu absorver o que foi ensinado em sala pelo professor, uma forma de mensurar e identificar o quanto o aluno sabe, e se ele sabe desenvolver sozinho o que foi abordado até então. Parte-se do pressuposto de que todos tiveram acesso ao conhecimento e devem ser avaliados de forma padrão, e que, portanto, o resultado é de total responsabilidade do próprio aluno.
          • Objetivos – significa a proposição de um fim com a intenção de ser atingido - uma meta a ser alcançada. Na perspectiva tradicional, os objetivos devem ser claramente definidos, estabelecidos e formulados de acordo com as habilidades desejadas a serem desenvolvidas pelos/as alunos/as.
  2. TEORIAS CRÍTICAS

    • Ideologia: Reunião das ideias características de um grupo, de um período, e que marcam um momento histórico. A ideologia na teoria crítica é a crença que nos leva a aceitar as estruturas sociais do capitalismo como algo que é ideal, bom e desejável. Forma de pensamento ou uma ideia que norteia a forma de agir de um individuo. Criticando o currículo tradicional, a teoria crítica afirma que ele defende a ideologia dominante transmite seus princípios, valores, forças, interesses e necessidades, exigindo a reprodução de suas práticas sustentados na lógica da falsa consciência.
      • Currículo Oculto Conjunto de atitudes, valores e comportamentos que não fazem parte explícita do currículo, mas que são implicitamente “ensinados” através das relações sociais, dos rituais, das práticas e da configuração espacial e temporal da escola. Práticas do cotidiano de atitudes, ações, comportamentos e valores que são transmitidos implicitamente
        • Resistência Mecanismo social utilizado para buscar a emancipação da classe subordinada. Relativo a opor-se e ir contra os mecanismos de reprodução social. Oposição ao determinismo proposto pelas teorias da reprodução e, também, ao olhar de passividade empregado pelas atitudes humanas e sociais. Os ideais de resistência, procuram se relacionar com as ideias de contradição e de luta observadas no interior das instituições educacionais com uma reflexão sobre os mecanismos de dominação ideológica, a fim de vislumbrar uma prática pedagógica crítica voltada para a emancipação.
          • Conscientização Reconhecimento da situação de opressão em que os grupos subordinados estão envolvidos. Faz parte das condições necessárias para a transformação das estruturas de dominação. Abrange a consciência de classe, como o processo pelo qual as classes desfavorecidas se reconhecem enquanto classe e também reconhecem na realidade as relações que as oprimem e as exploram. É assim que a Educação, sem a qual a transformação não se faz, quando voltada diretivamente para uma prática da liberdade inclui neste processo necessariamente o desenvolvimento de uma consciência crítica em relação à realidade que condiciona os seres humanos socialmente
            • Emancipação e libertação Ato de tornar livre ou independente. Emancipar-se e libertar-se é saber daquilo que está sendo submetido e saber como agir para ser livre das situações opressoras. É a transformação das estruturas de dominação, valores, crenças e culturas, a partir da educação e de rupturas políticas e sociais. Conscientização do sujeito. Rejeição à racionalidade técnica da escola, " pedagogia da possibilidade".
              • Relações Sociais de Produção Formas como os seres humanos desenvolvem suas relações de trabalho e distribuição no processo de produção e reprodução da vida material. Sob esse aspecto a estrutura escolar é compreendida como uma reprodutora desse modelo, na medida em que seu currículo gera trabalhadores “adequados” ao mercado capitalista.
                • CAPITALISMO Forma de organização histórica, econômica e social baseada na propriedade privada dos meios de produção, na organização da produção visando o lucro e empregando trabalho assalariado. Constitui, na crítica educacional marxista, a dinâmica central em torno da qual são analisados os processos educacionais.
                  • Classe Social Estratificação social decorrente da posse desigual dos meios de produção. O que desencadeia não apenas diferenças econômicas, mas também culturais e sociais uma vez que o acesso a todos os bens da sociedade se faz de maneira desigual perante as condições impostas pelo sistema político-econômico-social. Na teorização crítica, a educação está centralmente implicada na reprodução da divisão da sociedade em classes. A escola e a educação em si são ferramentas de reprodução e legitimação das desigualdades sociais construídas na sociedade capitalista, reafirmando a diferença entre classes sociais
                    • Reprodução Cultural e Social: Processo pelo qual as relações de subordinação das culturas dominadas à cultura dominante se perpetuam ao longo do tempo. Para a teorização educacional crítica, que centraliza esse conceito, a escola, ao tomar a cultura dominante como um pressuposto, tem um importante papel neste processo. Já a reprodução social, trata-se do processo pelo qual são perpetuadas, ao longo do tempo, as relações de dominação entre os vários grupos sociais.
  3. TEORIAS PÓS CRITICAS

    • MULTICULTURALISMO - Movimento que, fundamentalmente, argumenta em favor de um currículo que seja culturalmente inclusivo, incorporando as tradições culturais dos diferentes grupos culturais e sociais. Pode ser visto como o resultado de uma reivindicação de grupos tradicionalmente silenciados — como as mulheres, as pessoas negras e as homossexuais, por exemplo — para que os conhecimentos integrantes de suas tradições culturais sejam incluídos nos currículos escolares e universitários. “O multiculturalismo mostra que o gradiente da desigualdade em matéria de educação e currículo é função de outras dinâmicas, como as de gênero, raça e sexualidade, por exemplo, que não podem ser reduzidas à dinâmica de classe”". (SILVA, 2003, p.90). SILVA, Tomaz Tadeu da Silva. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.
      • Representação provém da forma latina ‘repraesentare’ – fazer presente ou apresentar de novo. Fazer presente alguém ou alguma coisa ausente, inclusive uma idéia, por intermédio da presença de um objeto. A etimologia da palavra representação diz que as relações entre as coisas se dão por similitude e assim foi até o nascimento das Ciências, com Descartes. A partir daí, as coisas passam a não mais ser olhadas e reconhecidas tal como o que o mundo empírico podia dizer através do tato, olhar. O mundo passou a não ser só o que os olhos viam e se despontou para o fato de que a nossa noção de realidade é enganosa, é ficção. O objeto não precisa mais estar presente. A representação pode também ser interpretada como o produto do resultado de uma prática. A representação é uma referência e temos que nos aproximar dela, para nos aproximarmos do fato. A representação do real, ou o imaginário é, em si, elemento de transformação do real e de atribuição de sentido ao mundo.
        • Gênero, raça, etnia e sexualidade - para as teorias pós-críticas esses pontos, gênero, raça, etnia e sexualidade, por exemplo, devem ser abordados em um currículo escolar como forma de trabalhar o multiculturalismo social. As teorias pós-críticas, reconhecem a presença das categorias destacadas, como elementos a serem considerados na seleção dos saberes que devem compor os currículos. As abordagens pós-críticas questionam a desvalorização do desenvolvimento cultural e histórico de alguns grupos étnicos e os conceitos da modernidade, como razão e ciência. A teoria Pós-Critica vai além da crítica as classes sociais, o foco é o sujeito, portanto é preciso compreender também os estigmas étnicos e culturais, tais como a racialidade, o gênero, a orientação sexual e todos os elementos próprios das diferenças entre as pessoas.
    • IDENTIDADE - No contexto das discussões sobre multiculturalismo e sobre a chamada “política de identidade”, podemos considerar identidade como o conjunto de características que distinguem os diferentes grupos sociais e culturais entre si. De acordo com a teorização pós-estruturalista, a identidade cultural só pode ser compreendida em sua conexão com a produção da diferença, concebida como um processo social discursivo. As diferenças dizem respeito aos significados que as coisas ganham, de modo que não ocorre naturalmente e nem é absoluta, mas é sempre produzida em meio ao conflito – como por exemplo os debates, as discussões, e etc – e dizem respeito a determinado aspecto, em especial aqui, ao aspecto cultural. As identidades são móveis e fluidas, não permanecendo as mesmas através do tempo.
      • DIFERENÇAS - Segundo Foucault, as diferenças partem de um processo social vinculado à significação, entende-se que as diferenças são produzidas em meio aos debates e discussões, ou seja, por relações de conflito. Por isso, não ocorrem de forma natural, nem absoluta, dizem respeito a algum aspecto como, por exemplo: o cultural. Para os Estudos Culturais a afirmação do princípio da diferença é de fundamental importância para a construção das identidades, uma vez que as diferenças culturais entre os diversos grupos sociais podem ser silenciadas através das relações de poder presentes em discursos e linguagens, assim negando aquilo que fuja da “normalidade” definida nestes jogos de poder.
        • ALTERIDADE: A existência do eu-individual só é permitida mediante um contato com o outro (que em uma visão expandida se a própria sociedade diferente do indivíduo). Dessa forma eu apenas existo a partir da diferença, da visão do outro, o que me permite também compreender o mundo a partir de um olhar diferenciado, partindo tanto do diferente quanto de mim mesmo, sensibilizado pela experiência do contato. A capacidade de se colocar no lugar de outrem - alteridade - permite a empatia para com posicionamentos diferentes dos nossos, para que todas as vozes sejam ouvidas.
    • Saber - Poder - Expressão cunhada por Michel Foucault, no livro Vigiar e punir, para enfatizar sua compreensão de que saber e poder não constituem elementos opostos, como, por exemplo, certas perspectivas marxistas os colocam. Para as teorias pós-críticas, estas dimensões se implicam mutuamente: “O poder produz saber (...), não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder”. (FOUCAULT, 2010, p.30) FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.
    • A cultura é a imposição daquilo que a classe dominante afirma como cultural diante da produção das demais culturas. Trata-se de uma definição baseada no gosto por certas estéticas, comumente, produzidas pelas elites, que estabelece a cultura como única. Para os Estudos Culturais, a cultura é concebida como campo de luta entre os diferentes grupos sociais em torno da afirmação de um significado. Neste sentido a escola tem um papel importante na reprodução desta relação de dominação cultural. A educação e o currículo são vistos como campos de conflito e constante disputa em torno de duas dimensões centrais da cultura: o conhecimento e a identidade. Ao se falar de cultura podemos abordar diversos aspectos como: crenças, regras, arte e costumes.

Informações

Descrição
Pedagogia Mapa Mental sobre TEORIAS DO CURRÍCULO, criado por Cleide Sousa em 15-05-2017.
Criado por
Cleide Sousa
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