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I. EPOPEIA
A epopeia (ou poema épico) é um extenso poema narrativo heróico que faz referência a temas históricos, mitológicos e lendários. Uma das principais características dessa forma literária, que pertence ao género épico, é a valorização dos seus heróis bem como de seus feitos.
O termo epopeia deriva do termo grego “épos” que significa narrativa em versos de factos grandiosos centrados na figura de um herói ou de um povo.
O poeta grego Homero (século IX ou VIII a.C.) foi o fundador da poesia épica a quem se atribui as obras-primas a “Ilíada” e a “Odisseia”. Além dessas obras, um grande exemplo de epopeia é a obra “Os Lusíadas” do escritor português de Luís Vaz de Camões.
A epopeia obedece a um cânone rigoroso formado por um conjunto de características que a identificam como tal:
grandeza do assunto (matéria épica) e correspondente ou grandeza e majestade da personagem principal (herói da epopeia);
narrador;
enredo: sucessão dos acontecimentos;
personagens: principais e secundárias;
tempo;
tempo;
espaço;
divisão em cantos;
estrutura fixa, dividida em cinco partes:
Proposição (ou exórdio): introdução da obra, do herói e do tema;
Invocação: segmento da epopeia em que o poeta pede inspiração às divindades;
Dedicatória: segmento em que se dedica a alguém a epopeia;
Narração: segmento em que se narram os feitos heróicos;
Epílogo: encerramento da obra.
Fonte: https://www.todamateria.com.br/epopeia/
II. 'OS LUSÍADAS' | Luís Vaz de Camões
Estrutura Externa
'Os Lusíadas' estão divididos em dez cantos, cada um deles com um número variável de estrofes, que, no total, somam 1102.
Estrutura Interna
Camões respeitou com bastante fidelidade a estrutura clássica da epopeia. N' Os Lusíadas são claramente identificáveis quatro partes:
1. Proposição: O poeta declara aquilo que se propõe fazer, indicando de forma sucinta o assunto da sua narrativa: tornar conhecidos os navegadores que tornaram possível o império português no oriente através dos Descobrimentos marítimos, os reis que promoveram a expansão da fé e do império, bem como todos aqueles dignos de admiração pelos seus feitos. O herói que vai ser cantado neste poema é, portanto, o povo português [Canto 1, est. 1-3].
2. Invocação: O poeta dirige-se às Tágides (ninfas do Tejo) para lhes pedir o estilo e eloquência necessários à execução da sua obra: um assunto tão grandioso exigia um estilo elevado, uma eloquência superior de escrita literária, daí a necessidade de solicitar o auxílio das entidades protetoras dos artistas [Canto 1, est. 4-5]
3. Dedicatória: É a parte em que o poeta oferece a sua obra ao rei D. Sebastião, exaltando a sua majestade. Menciona alguns heróis nacionais e incentiva D. Sebastião a conquistar as terras de África e os mares do Oriente. [Canto 1, est. 6-18]
4. Narração: Constitui o núcleo fundamental da epopeia. Aqui, o poeta procura concretizar aquilo que se propôs fazer na 'Proposição'. [Canto 1, est. 19 a Canto 10, est. 144]
A narração desenvolve-se em quatro planos diferentes, mas estreitamente articulados entre si:
1. Plano da Viagem: A ação central do poema é a viagem marítima de Vasco da Gama. Escrevendo mais de meio século depois, Luís de Camões tinha já o distanciamento suficiente para perceber a importância histórica desse acontecimento devido às alterações que provocou, tanto em Portugal como na Europa. Por essa razão considerou a primeira viagem marítima à Índia como o episódio mais significativo da história de Portugal. [Cantos I, II, IV, V, VI, VII e VIII]
2. Plano da História de Portugal [plano encaixado que aparece, nomeadamente, nos cantos III, IV, VIII]: Relato dos factos marcantes da História de Portugal (em Melinde, Vasco da Gama narra ao rei os acontecimentos da História de Portugal, desde Viriato até ao reinado de D. Manuel I;
em Calecut, Paulo da Gama apresenta ao Catual episódios e personagens representados nas bandeiras; em prolepse, através de profecias, é narrada a História posterior à Viagem de Vasco da Gama).
3. Plano da Mitologia [plano paralelo que ocorre sobretudo nos cantos I, II, VI, IX, X] que permite e favorece a evolução da ação (os deuses assumem-se, uns como adjuvantes, outros como oponentes dos Portugueses). A mitologia constitui, por isso, a intriga da obra. São os deuses que apoiam ou criam dificuldades à ação dos portugueses: Consílio dos Deuses no Olimpo; Consílio dos Deuses Marinhos; A Ilha dos Amores.
4. Plano do Poeta [plano ocasional que surge, especialmente, no canto III e no fim dos cantos I, V, VI, VII, VIII, IX, X] com as considerações e as opiniões do autor expressas, nomeadamente, no início e no fim dos Cantos.
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- Descrição
- Notas sobre Sem título, criado por Sónia Dias em 30-12-2018.
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