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OBJETIVOS:
1. Estudar anatomia, histologia e fisiologia do estômago.
• Anatomia:
O estômago atua como misturador e reservatório do alimento: sua principal função é a digestão enzimática. Um estômago tem grande capacidade de expansão e pode armazenar de 1,5 a 2,5 litros de alimento.
Anatomicamente dividido em quatro partes:
- Cárdia (óstio e incisura cárdica);
- Fundo;
- Corpo (incisura angular, curvatura maior e curvatura menor);
- Piloro (antro, canal e esfíncter).
É coberto pelo peritônio e relaciona-se com os omentos maior e menor (forma a parede anterior da bolsa omental), diafragma, lobo esquerdo do fígado, pâncreas, baço, rim e suprarrenal, mesocolo e colo transverso e parede abdominal anterior.
Vascularização:
- Artéria gástrica esquerda: origina-se diretamente do tronco celíaco e segue ao longo da curvatura menor para anastomosar-se com a artéria gástrica direita.
- Artéria gástrica direita: origina-se da artéria hepática comum, desvia-se para a esquerda ao longo da curvatura menor e anastomosa-se com a artéria gástrica esquerda.
- Artéria gastromental direita: origina-se de um dos ramos terminais da artéria gastroduodenal. Corre para a esquerda ao longo da curvatura maior e anastomosa-se com a artéria gastromental esquerda.
- Artéria gastromental esquerda: origina-se da artéria esplênica e segue ao longo da curvatura maior para anastomosar-se com a artéria gastromental direita.
- Artérias gástricas curtas: são quatro ou cinco. Originam-se da extremidade distal da artéria esplênica e passam para o fundo do estômago.
- Veias gástricas: são paralelas às artérias em posição e trajeto. Drenam para a veia porta do fígado.
- Veias gástricas curtas e a veia gastromental esquerda: drenam para a veia esplênica, que se une à veia mesentérica superior para formar a veia porta do fígado.
- Veia gastromental direita: esvazia-se na veia mesentérica superior.
Os vasos linfáticos gástricos acompanham as artérias ao longo das curvaturas. Drenam a linfa proveniente das faces anterior e posterior do estômago para as curvaturas, onde ficam os linfonodos gástricos e gastromentais.
Numa situação de impedimento de fluxo portal, cirrose, por exemplo, que o sangue não consegue passar adequadamente pelo fígado, há um aumento de pressão dentro do sistema porta e o sangue é desviado para veias tributárias. A veia ázigo se comunica com a veia gástrica esquerda e serve de “ladrão”, nesses casos. No entanto, essas veias são muito finas e com aumento de pressão, a luz fica tortuosa, formando as chamadas varizes de esôfago.
Inervação:
Parassimpática:
O suprimento nervoso parassimpático do estômago provém dos troncos vagais anterior e posterior e seus ramos.
O tronco vagal anterior, derivado principalmente do nervo vago esquerdo, entra no abdômen como um único ramo. Corre em direção à curvatura menor, onde emite ramos hepáticos e duodenais. O resto do tronco vagal anterior continua ao longo da curvatura menor, dando origem aos ramos gástricos anteriores.
O tronco vagal posterior, o maior, derivado principalmente do nervo vago direito, passa em direção à curvatura menor do estômago também. Fornece ramos para as faces anterior e posterior do estômago. Emite um ramo celíaco que corre para o plexo celíaco e depois continua ao longo da curvatura menor.
Simpática:
Provém dos segmentos T6 até T9 da medula espinal e passa para o plexo celíaco através do nervo esplâncnico maior e é distribuído através dos plexos em torno das artérias gástricas e gastromentais.
• Histologia:
Mucosa:
- Revestida por um epitélio colunar simples que sofre invaginações em direção à lâmina própria, formando as fossetas gástricas.
- A lâmina própria do estômago é composta por um tecido conjuntivo frouxo contendo células musculares lisas e células linfoides.
- Todas as células secretam muco, composto por água (95%), glicoproteínas e lipídios. O bicarbonato secretado por essas células forma um gradiente de pH que varia de 1 (lúmen) à 7 (superfície celular). Assim, o muco forma uma espessa camada que protege as células da acidez do estômago.
Cárdia:
- É uma banda circular estreita com cerca de 1,5 - 3,0 cm de largura, na transição entre o esôfago e o estômago.
- Possui muitas células produtoras de muco e lisozima, mas poucas células oxínticas produtoras de HCl.
Fundo e Corpo:
- Lâmina própria preenchida por numerosas glândulas tubulares (glândulas fúndicas)
Glândulas com três regiões distintas:
- istmo: possuiu células mucosas, células-tronco (epitélio se renova a cada 4-7 dias) e células oxínticas (secretam HCl e fator intrínseco. São estimuladas pela gastrina, histamina e impulsos parassimpáticos).
- colo: contém células-tronco, mucosas do colo (secretam mucina diferente das células mucosas normais) e células oxínticas.
- base: contém principalmente células oxínticas e zimogênicas (produtora de pepsinogênio e de doses baixas de lipase).
- Células enteroendócrinas estão distribuídas pelo colo e base das glândulas.
Piloro:
- Possui fossetas mais longas e glândulas mais curtas que as da cárdia e menos numerosas que as do fúndicas.
- Células secretam muco e quantidades apreciáveis de lisozima.
- Possui muitas células G, produtoras de gastrina, que estimula a secreção de HCl.
Camada muscular:
Possui três orientações de fibra: interna oblíqua, circular média e longitudinal externa.
• Fisiologia:
Funções motores do estômago:
1. Armazenamento de grandes quantidades de alimento até que ele possa ser processado.
2. Misturar o alimento com as secreções gástricas até formar o quimo.
3. Esvaziar o quimo do estômago para o intestino delgado, a uma vazão compatível com a digestão e absorção adequadas.
Função de armazenagem do estômago:
Normalmente, quando o alimento distende o estômago, um reflexo vagovagal reduz o tônus muscular da parede muscular, distendendo o órgão e acomodando mais e mais alimento até o limite, que é de 0,8 a 1,5 litro.
Mistura e propulsão do alimento no estômago:
Ondas peristálticas fracas (de mistura) iniciam-se nas porções média a superior da parede estomacal e movem-se em direção ao antro, uma a cada 15 – 20 segundos. São desencadeadas pelo ritmo elétrico básico da parede.
À medida que as ondas constritivas progridem para o antro, ganham intensidade e formam anéis constritivos que forçam os conteúdos antrais em direção ao piloro. No entanto, o óstio pilórico é pequeno e apenas alguns mililitros são ejetados para o duodeno. O restante do conteúdo faz um movimento de “retropulsão”, um mecanismo de mistura importante no estômago.
Esvaziamento do estômago:
Quando o tônus pilórico é normal, cada onda peristáltica intensa força vários mililitros de quimo para o duodeno. Assim, as ondas peristálticas, além de causarem a mistura no estômago, também proporcionam uma ação de bombeamento denominada “bomba pilórica”.
O esfíncter pilórico é principal responsável mecânico pelo controle do esvaziamento estomacal. Seu óstio abre-se o suficiente para permitir somente a passagem de água e outros líquidos, retendo assim, partículas de alimentos mal digeridas. Age sobre efeito de reflexos nervosos e hormonais.
Fatores gástricos que promovem o esvaziamento:
- Não é o aumento da pressão no estômago que causa um esvaziamento maior, já que a pressão não varia tanto, graças à distensão gástrica. Ocorre que a dilatação do estômago desencadeia reflexos mioentéricos locais que acentuam a atividade da bomba pilórica e inibem o esfíncter.
- A gastrina tem efeitos potentes de secreção de suco gástrico. Ela tem ainda, efeitos estimulantes brandos a moderados nas funções motoras do estômago, intensificando a atividade da bomba pilórica.
Fatores duodenais que inibem o esvaziamento:
- Quando o quimo entra no duodeno, múltiplos reflexos nervosos tem origem na parede duodenal que passa por detrás do estômago e retardam ou mesmo interrompem o esvaziamento gástrico, se o volume de quimo no duodeno for excessivo. Isso se dá por meio da inibição da bomba pilórica e do aumento do tônus do esfíncter pilórico.
- Os reflexos inibidores enterogástricos são especialmente sensíveis à presença de irritantes (exemplo: líquidos hiper e hipotônicos) e ácidos no quimo duodenal.
- Os produtos da digestão de proteínas também provocam reflexos enterogástricos inibitórios; ao diminuir-se a taxa de esvaziamento gástrico, assegura-se tempo suficiente para a digestão adequada das proteínas no duodeno e no intestino delgado.
- Hormônios, especialmente a CCK (colecistocinina) e a secretina, podem inibir o esvaziamento gástrico quando quantidades excessivas de quimo, especialmente quimo ácido ou gorduroso, entram no duodeno.
Secreção gástrica:
Além de células secretoras de muco que revestem toda a superfície do estômago, a mucosa estomacal possui dois tipo de glândulas:
- Glândulas oxínticas, que secretam HCl, pepsinogênio, fator intrínseco e muco. Estão presentes no corpo e fundo do estômago, constituindo 80% do estômago proximal.
Possui três tipos celulares básicos: células mucosas do pescoço, células zimogênicas e células oxínticas.
- Glândulas pilóricas, que secretam principalmente muco para proteger o piloro do ácido estomacal, mas também secretam gastrina. Estão localizadas na porção antral do estômago, que corresponde aos 20% distais do estômago.
São estruturalmente semelhantes às glândulas oxínticas, mas contém poucas células zimogênicas e quase nenhuma célula oxíntica. Possui células G, secretoras de gastrina.
Estimulação da secreção de ácido pelo estômago:
- As células oxínticas são controladas por um outro tipo de célula denominada ECL, cuja função primária é secretar histamina.
- As células ECL localizam-se na submucosa, próximas às oxínticas, atuando por meio de secreção parácrina de histamina.
- As ECL são estimuladas de duas maneiras, uma pelo hormônio gastrina e outra através da acetilcolina liberada pelas terminações vagais ou outras substâncias liberadas pelo sistema neuroentérico da parede estomacal.
- Alimentos de origem protéica estimulam a secreção de gastrina pela região antral do estômago. O que estimula rapidamente as ECL e consequentemente, as células oxínticas produtoras de HCl.
Regulação da secreção de pepsinogênio:
- Dois tipos de sinais regulam as células zimogênicas, acetilcolina liberada pelo plexo neuroentérico ou pelo estímulo direto do ácido no estômago.
- A taxa de secreção de pepsinogênio é fortemente influenciada pela quantidade de ácido no estômago.
Fases de secreção gástrica:
1. Fase cefálica: resulta da visão, do odor, memória, etc. Esta fase contribui com cerca de 20% da secreção gástrica.
2. Fase gástrica: o alimento que entra no estômago excita os reflexos vagovagais, os reflexos entéricos locais e o mecanismo da gastrina. Contribui com cerca de 70% da secreção gástrica.
3. Fase intestinal: a presença de alimento na porção superior do intestino delgado, particularmente duodeno, continua a causar secreção estomacal de pequenas quantidades de suco gástrico.
2. Estudar os mecanismos de digestão das proteínas e dos carboidratos.
• Carboidratos:
Hidrólise de carboidratos:
Polissacarídeos são monossacarídeos ligados por uma reação de condensação. Isto significa que uma molécula de água foi extraída a partir de dois compostos para formar um único.
Enzimas específicas no suco digestivo catalisam a reintrodução dessa molécula de água no composto, dividindo em suas subunidades morfológicas naturais.
Carboidratos da dieta:
- Existem apenas três fontes principais na dieta humana normal: sacarose, lactose e amidos.
- Outros são ingeridos em menor quantidade: amilose, glicogênio, álcool, ácido lático, ácido pirúvico, etc.
- Nenhuma enzima é capaz de hidrolisar a celulose secretada no TGI humano.
Digestão na boca e no estômago:
- Quando o alimento é mastigado, mistura-se com a saliva, que contém a enzima digestiva ptialina.
- A ptialina hidrolisa o amido em maltose e em outros polímeros menores da glicose, com três a nove moléculas desse.
- Não mais do que 5% dos amidos terão sofrido hidrólise até a deglutição do alimento.
- A amilase é essencialmente inativa quando o pH cai abaixo de 4,0. Contudo, antes do alimento e a saliva estarem completamente misturados às secreções gástricas, até 30% a 40% dos amidos já terão sido hidrolisados.
Digestão no intestino delgado:
- A secreção pancreática contém grande quantidade de amilase muitas vezes mais potente. De 15 a 30 minutos depois de o quimo ser transferido para o duodeno e misturar-se com o suco pancreático, todos os carboidratos já terão sido digeridos.
- Os enterócitos que revestem as vilosidades intestinais contêm quatro enzimas principais: lactase, sacarase, maltase e dextrinase.
- Os produtos finais da digestão dos carboidratos são todos monossacarídeos hidrossolúveis que são absorvidos pelo sangue portal.
- A glicose representa mais de 80% dos produtos finais da digestão de carboidratos, enquanto galactose ou frutose raramente ultrapassam os 10%.
- A glicose é absorvida por transporte ativo, com ajuda de proteínas transmembrana associadas ao íon sódio.
- Frutose é transportada por difusão facilitada não dependente do íon sódio.
•
Proteínas:
Digestão de proteínas no estômago:
- Um dos aspectos importantes da digestão pela pepsina é a sua capacidade de digerir colágeno, uma proteína pouco afetada por outras enzimas digestivas. O colágeno é um importante constituinte do tecido conjuntivo das carnes, portanto para que outras enzimas do TGI digiram as proteínas das carnes, é preciso digeri-las primeiro.
- A pepsina apenas inicia o processo de digestão das proteínas, promovendo 10% a 20% da digestão total destas, convertendo-as a proteoses, peptonas, etc.
Digestão de proteínas por secreções pancreáticas:
- Enzimas proteolíticas pancreáticas: tripsina, quimiotripsina, carboxipolipeptidase e proelastase.
- Tripsina e quimiotripsina clivam as proteínas em pequenos peptídeos, já a carboxipolipeptidase libera aminoácidos individuais. A proelastase converte-se em elastase, que digere elastina.
- Apenas uma pequena porcentagem das proteínas é digerida completamente. A maioria é digerida a dipeptídeos ou tripeptídeos.
Digestão de peptídeos por peptidases nos enterócitos:
- Nas membranas das microvilosidades existem inúmeras peptidases, que digerem os peptídeos em aminoácidos livres.
- Duas principais: aminopolipeptidase e dipeptidase. Elas prosseguem na hidrólise dos compostos até aminoácidos livres, dipeptídeos ou tripeptídeos, mais facilmente transportados para dentro das células.
- Mais de 99% dos produtos finais da digestão de proteínas absorvidos, são aminoácidos livres. Peptídeos muito maiores podem, por vezes, causar sérios distúrbios alérgicos ou imunológicos.
- Os aminoácidos e peptídeos são absorvidos por transporte ativo com auxílio de proteína transmembrana dependente de sódio, na maior parte das vezes.
Informações
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- Notas sobre Sem título, criado por zeortenzi em 11-07-2016.
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- zeortenzi
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