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O SETOR EXTERNO

FERNANDA LOPES Português

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O SETOR EXTERNO

  1. 12.1 Introdução:

    • O mundo apresenta-se crescentemente interligado seja por fluxos comerciais, seja por fluxos financeiros.
      • ECONOMIA INTERNACIONAL:
        • Aspectos Microeconômicos- A teoria do comércio internacional, que procura justificar os benefícios para cada país advindos desse comércio.
        • Aspecto Macroeconômicos- Relativos à taxa de câmbio e ao balanço de pagamentos.
  2. 12.2 Fundamentos do comércio internacional: a teoria das vantagens comparativas-

    • O que leva os países a comercializarem entre si pode ser a diversidade de condições de produção, a possibilidade de redução de custos na produção de determinado bem vendido para um mercado global, entre outras possibilidades.
      • Princípio das vantagens comparativas: Sugere que cada país deva se especializar na produção da mercadoria em que é relativamente mais eficiente(ou menor custo). Essa vai ser a mercadoria exportada. Esse mesmo país deverá importar bens cuja produção implica um custo relativamente maior.
        • Desse modo, explica-se a especialização dos países na produção de bens diferentes, a partir da qual concretiza-se o processo de troca entre eles.
        • Essa teoria foi formulada por David Ricardo em 1817.
        • Os países exportarão e se especializarão na produção dos bens cujo custo for comparativamente menor em relação àqueles existentes, para os mesmos bens, nos demais países exportadores.
        • Uma limitação dessa teoria é que é relativamente estática, não levando em consideração a evolução das estruturas da oferta e da demanda, bem como das relações de preços entre produtos negociados no mercado internacional.
          • À medida que as economias se desenvolvem e seu nível de renda cresce.
  3. 12.3 Determinação da taca de câmbio:

    • Conceito:
      • Quando dois países mantêm relações econômicas entre si, entram necessariamente em jogo duas moedas, exigindo que se fixe a relação de troca entre ambas.
      • TAXA DE CÂMBIO: Medida de conversão da moeda nacional em moeda de outros países.
        • Definida como preço da moeda estrangeira em termos da moeda nacional.
          • Exemplo: 24/11/20
            • Dólar: 1 dólar vale R$5,39.
            • Libra: 1 libra vale R$7,19
            • Euro: 1 euro vale R$6,40
        • Taxa de câmbio determinada de dois modos :
          • Institucionalmente: pela decisão das autoridades econômicas com a fixação periódica das taxas. TAXAS FIXAS DE CÂMBIO.
          • Mercado: Se da pelo funcionamento do mercado, no qual as taxas flutuam automaticamente em decorrência das pressões de oferta e demanda de divisas estrangeiras. TAXAS FLUTUANTES OU FLEXÍVEIS.
        • DEMANDA DE DIVISAS: Constituída pelos importadores, que precisam delas para pagar suas compras no exterior, uma vez que a moeda nacional não é aceita fora do país.
          • Também pela saída de capitais financeiros, pagamentos de juros, remessas de lucros, saída de turistas.
        • OFERTA DE DIVISAS: Realizada tanto pelos exportadores, que recebem moeda estrangeira em contrapartida a suas vendas, como pela entrada de capitais financeiros internacionais, turistas etc.
          • A divisa não pode ser utilizada internamente, precisa ser convertida em moeda nacional.
        • DESVALORIZAÇÃO CAMBIAL: Indica que houve um aumento da taxa de câmbio.
          • O preço da divisa estrangeira está alto, ou que a moeda nacional está desvalorizada.
        • VALORIZAÇÃO CAMBIAL: A moeda nacional está mais forte, isto é, pagam-se menos reais por dólar, por exemplo, e tem-se, em consequência, uma queda na taxa de câmbio.
          • Neste caso, a moeda nacional foi valorizada e o dólar desvalorizado.
        • Está relacionada com os preços dos produtos exportados e importados, e consequentemente, com o resultado da balança comercial do país.
          • Se a taxa de câmbio se encontrar elevadas, estimulará as exportações, pois os exportadores passarão a receber mais reais pela mesma quantidade de divisas derivadas da exportação, em consequência, haverá maior oferta de divisas.
            • Do lado das importações, a situação se inverte, pois se os preços dos produtos importados se elevam, em moeda nacional(os importadores pagarão mais reais pelos mesmos dólares pagos antes nas importações), haverá um desestímulo às importações, e consequentemente, uma queda na demanda por divisas.
              • Uma taxa de câmbio sobrevalorizada (moeda nacional valorizada) surte efeito contrário tanto nas exportações como nas importações, há um desestímulo às exportações e um estímulo às importações.
    • Taxa de Câmbio e inflação:
      • Valorização Cambial e Inflação: Com a valorização cambial, a moeda nacional fica mais forte relativamente às moedas estrangeiras.
        • Os brasileiros passam a importar mais e aumenta a competição do produto importado com os produtos nacionais . Os empresários brasileiros são desestimulados a elevar o preço de seus produtos e obrigados a manter os preços em níveis competitivos.
          • Assim a valorização cambial permite ''ancorar'' os preços internos e reduzir a taxa de inflação.
      • A política de valorização cambial pode apresentar algumas desvantagens.
        • Os setores nacionais que estiverem despreparados para a competição externa podem sofrer grande queda em suas vendas, coo o consequente aumento do desemprego nesses setores.
      • Desvalorização Cambial e Inflação: Os produtos importados ficam mais caros, em termos de reais. Assim diminuirão as importações de muitos produtos.
        • Porém os produtos essenciais, como petróleo, trigo, que o Brasil importa muito, terão seus preços aumentados(em reais), provocando aumento dos custos de produção, que serão repassados aos preços dos produtos finais, gerando INFLAÇÃO DE CUSTOS.
        • Pass-through- É o efeito da desvalorização cambial sobre a taxa de inflação.
      • Efeito da Elevação da Inflação Interna sobre a Taxa de Câmbio:
        • Pode levar a um círculo vicioso, entre preços internos e peços externos.
          • Encarece os produtos nacionais relativamente aos estrangeiros, piorando o saldo comercial do país com o resto do mundo.
            • Para recuperar as exportações e inibir as importações, o governo desvaloriza o câmbio nominal.
      • Valorização Real e Valorização Nominal do Câmbio:
        • A valorização real é igual à valorização nominal. menos a taxa de inflação do período.
          • Assim se a taxa de câmbio variar % ao mês, mas a inflação alcançar também %, teremos apenas uma desvalorização nominal( de %) não a desvalorização real.
            • Só haverá desvalorização real se a desvalorização nominal superar a taxa de inflação.
  4. 12.4 Política externas:

    • POLÍTICA CAMBIAL: Diz respeito a alterações na taxa de câmbio.
      • Depende do tipo de regime cambial adotado pelo país.
      • Regime de Taxas Fixas de Câmbio:
        • O Banco Central fixa antecipadamente a taxa de câmbio com a qual o mercado deve operar.
          • Pelas regras fixadas pelo sistema financeiro internacional, se um país fixa sua taxa de câmbio, ele se obriga a disponibilizar as reservas para o mercado quando requisitadas(seja exportadores, turistas ou saída de capital financeiro).
        • Adotado pelo Brasil nos anos 1980 e 1990, por sua elevada taxa de inflação.
          • Uma vez fixado o valor da moeda estrangeira, em termos da moeda no país, o preço dos produtos importados não se eleva com as variações cambiais.
            • Os produtos estrangeiros podem se elevar no exterior, o que certamente impactará nos preços dos países importadores, mas isso não está relacionado com o regime cambial desses países.
        • A principal desvantagem do regime de câmbio fixo é que:
          • O país que adota esse regime é obrigado, pelas regras internacionais, a disponibilizar suas reservas cambiais, essas ficam mais vulneráveis a elevação na demanda por moeda estrangeira.
            • Pode ser ocasionada por ataques especulativos, pagamentos elevados de dívidas externas(públicas e privadas).
        • SISTEMA DE BANDAS CAMBIAIS: O Banco Central fixa os limites superior e inferior( uma banda) dentro dos quais a taxa de câmbio pode flutuar.
      • Regime de Taxas Flutuantes ou Flexíveis de Câmbio:
        • Diferente do câmbio fixo, o Banco Central não é obrigado a disponibilizar suas reservas cambiais.
          • A grande vantagem do regime de câmbio flutuante é justamente a defesa das reservas cambiais:
            • O mercado fixa a taxa de câmbio que desejar, pelo movimento da oferta e da demanda de divisas, e o Banco Central não se obriga a mexer em suas reservas.
          • O principal problema é que a taxa de câmbio pode se tornar muito volátil, sujeita às alterações do mercado financeiro nacional e internacional, inclusive especulativas.
        • Flutuação suja ou Dirty Floating- Regime cambial adotado pela maioria dos países.
          • Quando o Banco Central interfere indiretamente na determinação da taxa de câmbio, por meio da compra e venda de divisas no mercado, mantendo-a dentro de níveis que julga adequado, dependendo dos objetivos gerais de política econômica.
    • POLÍTICA COMERCIAL: Constitui-se de mecanismos que interferem no fluxo de mercadorias e serviços.
      • Alterações das tarifas sobre importações:
        • Se a política adotada visar proteger a produção interna.
      • Regulamentação do comércio exterior:
        • Entraves burocráticos que dificultam as transações com o exterior.
      • São sujeitas ás normas estabelecidas pela Organização Mundial do Comércio(OMC).
        • A função desse órgão é tentar coibir políticas protecionistas e prática de dumping, que é quando um país vende a preços de mercado inferior a seus custos de produção.
  5. 12.5 Fatores determinantes do comportamento das exportações e importações:

    • EXPORTAÇÕES:
      • PREÇO EXTERNO EM DÓLARES: Se os preços do produtos brasileiros se elevarem no exterior, aas exportações nacionais deverão elevar.
      • PREÇOS INTERNOS EM REAIS: Uma elevação dos preços internos de produtos exportáveis pode desestimular as exportações e incentivar a venda no mercado interno.
      • TAXA DE CÂMBIO (REAIS OU DÓLARES): Um aumento na taxa de câmbio deve estimular as exportações.
      • RENDA MUNDIAL: Um aumento da renda mundial certamente estimulará o comércio internacional, e em consequência, as exportações brasileiras.
      • SUBSÍDIOS E INCENTIVOS ÀS EXPORTAÇÕES: Sejam de ordem fiscal(isenções de impostos), sejam de ordem financeira(taxa de juros subsidiadas), sempre representam um fator de estímulo às exportações.
    • IMPORTAÇÕES:
      • PREÇOS EXTERNOS EM DÓLARES: Se os preços dos produtos importados se elevarem no exterior em dólares, haverá uma retratação das importações brasileiras.
      • PREÇOS INTERNOS EM REAIS: Um aumento dos preços dos produtos produzidos internamente incentivará a compra dos similares no mercado externo, elevando as importações.
      • TAXA DE CÂMBIO (REAIS POR DÓLARES): Uma elevação da taxa de câmbio acarretará maior despesa aos importadores.
      • RENDA E PRODURO NACIONAL: Um aumento da produção e da renda nacional significa que o país está crescendo e que demandará mais produto importados.
      • TARRIFAS E BARREIRAS ÀS IMPORTAÇÕES: A imposição de barreiras quantitativas( elevação das tarifas) ou qualitativas(proibição da importação de certos produtos, ocasiona uma inibição nas compras de produtos importados.
  6. 12.6 A estrutura do balanço de pagamento:

    • O balanço de pagamento é um registro estatístico -contábil de todas as transações econômicas realizadas entre os residentes de um país com os residentes dos demais países.
      • Ficam registrados todas as transações com mercadorias, serviços e capitais físicos e financeiros entre o país e o resto do mundo.
        • (HOE) Haveres e Obrigações: Mesmo processo da contabilidade privada: se há entrada de dinheiro na empresa debita-se na conta Caixa. Porém na contabilização do balanço de pagamento debita-se na HOE e quando há saída credita-se na HOE.
          • HOE apresenta três tipos de transações:
            • DIVISAS( moedas estrangeiras).
            • OURO monetário( no comércio internacional, é aceito como meio de pagamento).
            • DIREITOS ESPECIAIS DE SAQUE(DES) (uma espécie de ''cheque-especial'' que os países têm no FMI cujo limite varia inversamente com a renda per capita e a participação no comércio internacional).
      • Referem-se apenas ao fluxo em dado ano, e não indicam o total de endividamento externo e de reservas intermediárias do país.
      • Balanço de pagamento subdivide-se em:
        • BALANÇA COMERCIAL: Comércio de Mercadorias. Se as exportações FOB(isentas de fretes e seguros) excedem as importações FOB, tem-se superávit no balanço de comércio; caso contrário, há um déficit.
        • BALANÇO DE SERVIÇOS E RENDAS: Registram-se todos os serviços e rendas pagos e/ou recebidos pelo Brasil.
        • TRANSFERÊNCIAS UNILATERAIS CORRENTES: São as contas de donativos, registram as doações interpaíses. Donativos em mercadorias ou divisas.
        • BALANÇO DE TRANSAÇÕES CORRENTES: O somatório dos balanços comercial, de serviços e de transferências unilaterais resulta no saldo em conta corrente e/ou balanço de transações correntes.
        • CONTA CAPITAL E FINANCEIRA: Aparecem as transações que produzem variações no ativo e no passivo externo do país e que, modificam sua posição devedora ou credora perante o resto do mundo.
      • ERROS E OMISSÕES: É a diferença entre o saldo do balanço de pagamento e o financiamento do resultado, que surge quando se tenta compatibilizar transações físicas e financeiras e as várias fontes de informações.
  7. 12.7 O balanço de pagamento no Brasil:

    • Um déficit em conta corrente significa que o país absorveu poupanças externas no valor equivalente, a esse déficit.
      • Esse ingresso líquido de recursos reais permite ao país investir internamente, em termos reais, mais do que lhe seria possível se não fosse esse déficit.
        • Reciprocamente, um superávit quer dizer que o país investiu liquidamente no exterior, durante o período, quantia equivalente de recursos.
          • O déficit em conta corrente é a maneira que o países em desenvolvimento têm de captar poupança externa para manter seu nível interno de crescimento.
    • Ate 2002 a economia brasileira apresentava historicamente uma balança comercial superavitária, mas um balanço de serviços e rendas deficitário, tornou o balanço de transações correntes negativo.
      • A partir de 2003 houve uma profunda alteração do comportamento do balanço de pagamentos brasileiro.
        • Decorrência tanto do grande aumento das exportações, como na entrada de capitais financeiros, derivados do aumento do comércio e da movimentação financeira mundial;
          • A partir de então, os saldos positivos da Balança Comercial e Transferências Unilaterais Correntes passaram a superar o saldo negativo da Conta de Serviços e Renda, tornando o saldo em conta corrente positivo.
  8. 12.8 Organismos Internacionais:

    • O período das duas grandes guerras mundiais, assim como os anos da Grande Depressão, que culminaram a crise político-financeira dos anos 1930, provocaram enormes perturbações na economia de praticamente todos os países.
      • Já ao final da Segunda Guerra Mundial evidenciava-se a necessidade de mudanças no sistema de pagamentos internacionais.
        • Na conferência de Bretton Woods, em 1944, surgiram propostas de remodelar o Sistema Monetário Internacional, dentre elas, a do economista John Keynes.
          • Dessa conferência nasceu um novo Sistema Monetário Internacional, que foi importantíssimo para o reflorescimento do comércio mundial e sobre p qual se baseou o crescimento econômico do pós-guerra.
            • O objetivo de criar um Sistema Monetário Internacional foi o de viabilizar as transações entre países, estabelecendo regras e convenções que regulassem as relações monetárias e financeiras e não gerassem entraves ao desenvolvimento mundial.
              • Desse contexto foi criado organismos econômicos internacionais do pós-guerra:
                • O Fundo Monetário Internacional( FMI)
                • O Banco Mundial
                • A Organização Mundial do Comércio (OMC)
    • FUNDO MONETÁRIO INTERNACIONAL (FMI): Administra o Sistema Monetário Internacional.
      • Tem como objetivo:
        • Evitar possíveis instabilidades cambiais e garantir a estabilidade financeira.
          • Eliminando práticas driscriminatórias e restritivas aos pagamentos multilaterais.
        • Socorrer os países a eles associados quando da ocorrência de desequilíbrio transitório em seus balanços de pagamento.
          • Se ocorrerem, o FMI pode financiá-los com os chamados empréstimos compensatórios.
    • BANCO MUNDIAL: Conhecido também como Bird( Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento).
      • Criado para auxiliar a reconstrução dos países devastados pela guerra e para promover o crescimento dos países em via de desenvolvimento.
      • Tem seu capital subscrito pelos países credores na proporção de sua importância econômica.
        • A partir desse capital, ele empresta a taxas reduzidas de juros a países menos desenvolvidos, com o intuito de promover projetos economicamente viáveis e relevante para o desenvolvimento desses países.
    • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO(OMC): Criação do GATT(General Agreement on Tariffs and Trade- Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio).
      • Com o objetivo de buscar as reduções das restrições ao comércio internacional e a liberalização do comércio multilateral.
        • Com o GATT, estruturou-se um conjunto de regras e instituições que regulassem o comércio internacional e encaminhassem a resolução de conflitos entre os países.
          • Com o acordo de Marrakesh, em abril de 1994, o GATT transformou-se na Organização Mundial do Comércio (OMC)

Informações

Descrição
Mapa Mental sobre O SETOR EXTERNO, criado por FERNANDA LOPES em 22-11-2020.
Criado por
FERNANDA LOPES
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