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Hipertrofia é o aumento dos constituintes estruturais e das funções celulares, o que resulta em aumento volumétrico das
células e dos órgãos afetados. Para que ocorra hipertrofia, algumas exigências devem ser atendidas: (a) o fornecimento de O2 e
de nutrientes deve suprir o aumento de exigência das células; (b) as células devem ter suas organelas e sistemas enzimáticos
íntegros; células lesadas (degeneradas) não conseguem hipertrofiar-se como as células normais; (c) as células cuja atividade
depende de estimulação nervosa só podem hipertrofiar se a inervação estiver preservada. Miocárdio desnervado, por
exemplo, não se hipertrofia ou se hipertrofia pouco.
A hipertrofia, que pode ser fisiológica ou patológica, é uma forma de adaptação de células e de órgãos frente a maior
exigência de trabalho. A hipertrofia fisiológica ocorre em certos órgãos e em determinadas fases da vida como fenômenos
programados (p. ex., hipertrofia da musculatura uterina na gravidez). A hipertrofia patológica não é programada e surge por
estímulos variados: (1) hipertrofia do miocárdio. Quando há sobrecarga do coração por obstáculo ao fluxo sanguíneo
(hipertensão arterial, estenose valvar) ou do volume de sangue (insuficiência valvar, shunt), a parede cardíaca sofre
hipertrofia (Figura 10.2); (2) hipertrofia da musculatura esquelética. Em atletas ou em trabalhadores que fazem grande esforço
físico, os músculos esqueléticos entram em hipertrofia; (3) hipertrofia da musculatura lisa da parede de órgãos ocos, a
montante de um obstáculo. É o que acontece na bexiga quando há obstrução urinária (p. ex., hiperplasia da próstata) ou com a
parede intestinal em obstruções do trato digestivo (p. ex., inflamações, neoplasias etc.); (4) hipertrofia de neurônios. Ocorre
em neurônios dos plexos mioentéricos a montante de estenose intestinal e em neurônios motores no hemisfério cerebral não
lesado em caso de hemiplegia; (5) hipertrofia de hepatócitos. Após estimulação por barbitúricos, há hipertrofia de hepatócitos
por aumento do retículo endoplasmático liso.
Tecidos e órgãos hipertróficos tornam-se aumentados de volume e de peso, por aumento volumétrico de suas células. A
arquitetura básica do órgão mantém-se inalterada, mas aumenta o fluxo de sangue e de linfa. Algumas vezes, coexiste aumento
do número de células. Como a hipertrofia constitui resposta a sobrecarga de trabalho, ao atingirem certo volume as células
tendem a dividir-se ou induzem células-tronco a originar outras células.
Em alguns casos, o estímulo que leva a hipertrofia causa também aumento do material genético, podendo haver
poliploidia (em células que não se dividem) ou multiplicação celular (em células capazes de proliferar). Na hipertrofia do
miocárdio, existe também formação de novos miocardiócitos a partir de células-tronco, além de poliploidia, que resulta da
divisão do núcleo mas sem divisão da célula.
Os estímulos que levam a hipertrofia atuam em numerosos genes, os quais codificam diversas proteínas, entre elas fatores
de crescimento, receptores de fatores de crescimento e proteínas estruturais.
A hipertrofia é também reversível; cessado o estímulo, a célula volta ao normal. Em órgão em que ocorreram hipertrofia
e hiperplasia, apoptose de células em excesso reduz a população celular aos níveis normais. Assim, após o parto o útero
readquire suas dimensões normais por apoptose de leiomiócitos proliferados e por retorno ao volume normal dos que se
hipertrofiaram. Na sobrecarga prolongada do miocárdio, as células hipertrofiadas sofrem apoptose, o que pode contribuir para
insuficiência do órgão.
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- Descrição
- Notas sobre Sem título, criado por Nathalia Veloso em 04-10-2018.
- Criado por
- Nathalia Veloso
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