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Gilmar Alecksandro Costa Português 1 página

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ANÁLISE HISTÓRICA E GEOPOLÍTICA DOS IMIGRANTES NA ERA CONTEMPORÂNEA

Para começarmos a entender o contexto que emerge nos tempos atuais sobre a questão dos imigrantes é necessário entender antes suas origens históricas sob o prisma geopolítico e geoestratégico que elencaram os principais conflitos, tendo como ponto de partida a decadência e posterior dissipação do Império Otomano, o surgimento de uma nova modalidade de pensamento para as relações sócio-econômicas, defendida pela Escola Neoclássica, a Era dos Monopólios, destaque para a "Gilded Age" nos EUA, o advento e protagonismo da Organização Sionista Mundial nas finanças internacionais até a fundação do Estado do Israel, o nascimento do unipolarismo (EUA) após os Acordos de Bretton Woods que precederam o fim da 2º GM e posteriores acordos, pactos e tratados que seguirão até os tempos atuais. Apesar de parecer uma tarefa hercúlea e consideravelmente impossível de resumir todo o processo histórico em algumas linhas, tentarei concluí-las o mais brevemente possível através de alguns tópicos propondo os eventos desde a primeira metade do século XIX até os dias atuais como reflexo da decadência e dissipação do Império Otomano, portanto sendo o centro de gravidade de uma questão indissolúvel, tendo em vista que os demais conflitos (premeditados e derivados de forma latente, direta ou indiretamente) da disputa pelo preenchimento do vácuo de poder deixado após a sua balcanização.

1. A QUEDA DE UM IMPÉRIO - A GRANDE CRISE ORIENTAL

A expansão econômica da Revolução Industrial e o protagonismo do Império Britânico, o crescimento de influência para as decisões mais importantes da política europeia por parte dos primeiros financistas internacionais (Mayer Amschel Rothschild sendo considerado seu principal contribuinte), a expropriação e concentração de riquezas naturais e minerais preciosos através espoliação truculenta das Américas e da África, que mais tarde teriam grande contribuição para a criação de Companhias monopolizadoras. Soma-se esta série de fatores e o enforcamento da economia através da crescente e ininterrupta contração da dívida pública, acabaram reforçando a bancarrota do Império Otomano que, outrora havia sido sinônimo da convivência pacífica entre diversos povos (muçulmanos, judeus, turcos, eslavos, anglo-saxões, etc) nas chamadas millets, mas, por conseguinte o espectro de terror e medo de países europeus que ainda não haviam sido subjugados por seus exércitos.

O início de seu declínio se explica com o êxito da Guerra de Independência da Grécia, primeira metade do século XIX, da qual foi fortemente apoiada pelos britânicos, franceses, germânicos e russos. A razão de seu descontentamento se deu com o aumento de impostos para os não-muçulmanos e não-turcos e isenção para outros impostos essenciais para fazendeiros muçulmanos e turcos (que eram maioria, na época, em parte, em todo o Império), sendo válidos em todas as millets de área rural e urbana. Não é surpresa que estas insurgências se espalharam pelo Império, tendo foco nos Balcãs e tampouco seria surpresa dizer que elas foram veementemente apoiadas pelos mesmos países que apoiaram a Revolução Grega, principalmente o Império Russo que buscava uma saída para a bacia Mediterrânica e, posteriormente cumprir a missão da antiga Tsarina Catarina, a Grande e ressuscitar a glória do Império Bizantino com a retomada de Istambul (antiga Constantinopla).

Com a repressão dos Balcãs pelos turcos (Revoltas na Hezergovina e Bulgária entre 1875-76) e o aumento das mortes de eslavos na segunda metade do século XIX, o Tsar Alexandre II reforçou o sentimento pan-eslavista e ameaçou o Império Otomano de iniciar uma guerra. A Conferência de Constantinopla foi convocada em 1877 e uma série de propostas de reformas políticas foram propostas, como a desanexação da Bulgária e dos Balcãs à pedido da Alemanha, apesar da Reforma Constitucional inclinada para vias democráticas que o Sultão Abdul Hamid havia feito na Sharia (Lei Islâmica). Com a inflexibilidade dos turcos nas negociações, o Império Russo declarou guerra em abril de 1877 e o resultado entre os países beligerantes foi o desembarque das tropas russas em Constantinopla para a negociação do Tratado Preliminar de Santo Estevão (apesar da intervenção da Marinha do Império Britânico na capital otomana). Contudo, estava fora do que fora negociado com o Império Germânico (Acordo de Reichstadt, 1876, Convenção de Budapeste, 1877) e foi solicitado o Congresso de Berlim que resultou na extinção do antigo Tratado que previa uma "Bulgária Maior", a qual teria grande território nos Balcãs maior zona influência dos russos. Evitando, ademais, maior crescimento em uma área estratégica para os germânicos de um novo Império de proporções continentais. Mas o desfecho principal do Tratado de Berlim foi a ocupação da Bósnia e Herzegovina pelo Império Austro-Húngaro, apesar do Império Otomano manter "controle formal" sobre essa área, a independência de Montenegro, Sérvia, Romênia e a divisão da Bulgária em Rumélia Oriental, o Principado da Bulgária (que mais tarde, ambos se reuniriam novamente) e Macedônia (devolvida aos otomanos).

O desfecho da perca territorial do Império Otomano foi um duro golpe para a integridade do Império (que já estava manchada com as políticas austeras de sua Teocracia (e Debitocracia)), mas no início do século XX o Kaiser da Alemanha, Wilhem II, passou a estreitar relações comerciais com o Sultão Abdul Hamid. Entre os acordos bilaterais estavam a projeção de uma ferrovia transcontinental que ia de Berlim até Bagdá, ou seja, próximo da zona de influência britânica e à contra gosto do Rei Edward VII. As relações comerciais se tornaram mais próximas com a visita do Kaiser em território turco e se autoproclamando como defensor dos povos árabes, resultando em desgosto e preocupação entre muitos europeus, i. é, fora do Império Alemão, Austro-Húngaro e demais zonas de influência.

As guerras balcânicas retornaram ao seu ponto de ebulição mais alto e no fim da Segunda Guerra Balcânica o clima estava inóspito e fértil para uma guerra sangrenta entre as principais nações por conta da expansão econômica do capitalismo industrial em sua nova fase descrita por Lenin como "ápice", i. é: o imperialismo. Resultado do forte controle de grandes monopólios na política econômica nacional de cada país, não houve mecanismos internacionais suficientes para frear o "vigor germânico" após o atentado em Sarajevo que resultou na morte do herdeiro do trono austríaco, o Arquiduque Francisco Ferdinando. A "Mão Negra", um grupo sérvio e p an-eslavista treinado militarmente e com fortes relações com serviços de espionagem britânico e francês, reivindicaram o controverso atentado que expressava a indignação da anexação da Bósnia e Herzegovina pelos austro-húngaros. Os eventos resultaram na invasão da Sérvia em 1914 com o Império Alemão, Império Otomano e o Reino da Bulgária como aliados das Potências Centrais contra Tríplice Entente (Reino Unido, Império Russo e França) e demais aliados.

A conflagração entre os países beligerantes da 1ª GM só encontrou seu fim em 1918 com o armistício dos germânicos e demais aliados. Mas o mundo não era mais o mesmo: muitas coroas caíram, como previra Engels. A Revolução de Outubro pôs fim ao domínio secular e humilhante dos Romanov, mas o sacrifício foi uma "paz vergonhosa", como diria Lenin, através da perca territorial da Finlândia, Ucrânia, Bielorússia, Polônia e os Países Bálticos, na Conferência de Paz de Paris é assinado o vergonhoso Tratado de Versalhes que declara o fim do Império Austro-Húngaro e sua fragmentação, o fim do Império Alemão, perca da Alsácia-Lorena para a França e de territórios da Prússia em países do Leste Europeu, o Tratado de Sèvres previu o fim do Império Otomano e sua balcanização através Mandatos concedidos à França, Inglaterra, Itália e Império Britânico, todavia uma série de conspirações e conflitos de interesses se desenvolveram antes do fim da guerra. Os Acordos de Sykes-Pikot e a Declaração de Balfour ao 2º Barão Lionel Walter Rothschild são documentos que já apresentavam problemas posteriores.

Muitos fatores giram em torno das razões que levaram os países à uma conflagração em escala global. Entre eles há o artigo publicado por Halford John Mackinder, "O Pivô Geográfico da História", que concebeu a Teoria do Heartland e inspirou inúmeras teorias novas como a Teoria do Lebensraum de Friedrich Ratzel que nortearia a geopolítica do III Reich na 2ª GM. Contudo, nenhum processo histórico abrupto ou de longa transição explica melhor a origem dos eternos conflitos no sudoeste asiático do que a queda do Império Otomano. O rompimento do tecido social, de sua coesão política, apesar de teocrática e decadente, é a melhor explicação para os eventos que refletem o declínio de um Império que mordeu mais do que podia mastigar e sustentar.

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Notas sobre Sem título, criado por Gilmar Alecksandro Costa em 08-03-2020.
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