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Redação
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[2]“As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. O famoso verso do poeta Vinicius de Moraes é capaz de sintetizar muito bem o pensamento hegemônico vigente há alguns séculos. A Idade Contemporânea trouxe várias mudanças e inovações, dentre elas a construção e o fortalecimento de padrões estéticos, em centro urbanos, até então adotados e compreendidos majoritariamente pelas nobrezas aristocráticas. A consolidação dessa concepção pode trazer inúmeros malefícios à sociedade, tornando necessário um debate acerca de seus aspectos.
Sendo assim, é preciso pontuar, de início, que, segundo o filósofo Karl Marx, o pensamento prevalecente em uma sociedade é comumente imposto pela classe dominante. Dessa forma, é possível deduzir que, com frequência, os grupos mais prejudicados sejam os menos favorecidos financeiramente. Os padrões de beleza, idealizados pela elite, não são de fácil acesso às classes menos privilegiadas, essas normalmente [1]se sentindo lesadas por não reproduzirem um arquétipo de estética.
[3]Ademais, é grande o número de propagandas que oferecem um modo rápido e fácil para atingir o “corpo perfeito”. Os jovens são o alvo principal devido à suscetibilidade que apresentam, por estarem começando a socializar. As imposições da sociedade, que dobram a busca pela beleza, oprimem os que não se encaixam nesse padrão, tendo como consequência o aumento do número de casos de depressão, ansiedade, suicídio, entre outras mazelas.
[4]Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) deverá regular propagandas que incitem a adoção de padrões estéticos com maior rigidez, promovendo a diversidade de aparências. O Ministério da Educação, aliado as escolas da rede pública e privada, deverá realizar palestras educativas, ministradas por professores e educadores, que abordem o tema. Posto isso, será possível mitigar a busca desmedida e exacerbada pela perfeição corporal.
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Olá!
Hoje trouxe pra vocês uma redação que obteve nota 10 no vestibular 2005 da UFRJ, cujotemafoi “A valorização do corpo humano”. Achei importante trazer essetemaporque assuntos como valorização da beleza, culto do eu, e etc, são sempre pedidos, e é bom ficar de olho neles!
INFINITO ENQUANTO DURAR
No contexto atual, é muito evidente a valorização do corpo humano. Formas físicas perfeitas e descobertas na medicina são constantemente divulgadas pelos meios de comunicação, que bombardeiam a população com essas informações. Ao contrário do que gostam de afirmar aqueles que têm posicionamentos radicais, essa estima não é negativa. Pode ser muito positivo valorizar o corpo, desde que isso venha atrelado ao apreço, também, pelo intelecto e pelo espiritual, pois essas noções se complementam. O problema é que muitos tendem ao exagero, e optam por somente um dos meios, como se fossem, então, excludentes. E a adoração somente ao corpo humano pode, enfim, ser perigosa.
Vive-se a realidade ocidental da cultura de massa, na qual a mídia divulga modelos a serem seguidos de acordo com a ilusão de plenitude proposta pelo consumismo desenfreado. Considerando que o belo é, constantemente, ligado ao caráter positivo da vida e à felicidade, sendo essa idéia vendida por celebridades sempre estonteantes e bem sucedidas, o homem comum busca o mesmo. Entretanto, a valorização do corpo em direção à perfeição física acarreta constantes frustrações com modelos e ideais inatingíveis pela maioria das pessoas. O que deveria trazer felicidade, assim, traz angústia e insatisfação.
Além disso, é importante apontar como esse processo é interessante para o capitalismo. A quantidade de dinheiro gasta com exames e procedimentos cirúrgicos e estéticos é enorme, o que movimenta a economia e gera capital. É notável, no entanto, que em um mundo com profundas desigualdades sociais, somente uma minoria tem acesso a essas possibilidades. Dessa forma, perpetua-se a idéia de que a riqueza está diretamente relacionada à plenitude, pois ela pode bancar a busca e obtenção do corpo perfeito, assim como artifícios caros e valorizados, como roupas, bolsas e acessórios, para enfeitá-lo.
Por fim, é vital perceber que a valorização do corpo humano não se liga somente à idéia de beleza. Vive-se uma era de constantes e profundos avanços em medicina e tecnologia. A busca incessante pela vida longa, e a estimada idéia da eterna juventude, acarretam cada vez mais pesquisas em torno da manutenção do corpo sempre jovem. Isso é importante, também, para que cada cidadão dê conta de viver em um mundo competitivo e atribulado, onde o mercado de trabalho é tão acirrado e falta tempo para o cumprimento de todas as atribuições. É necessário um corpo saudável para que se possa sobreviver ao dia a dia, e a busca da saúde maximiza o apreço pelo corpo humano.
Dessa forma, faz-se imprescindível uma reflexão maior sobre os benefícios e malefícios da valorização do corpo humano. Ao mesmo tempo em que é louvável a procura pelo bem estar, pois uma pessoa saudável é mais feliz, disposta, e pode trazer benefícios à sociedade, é preciso tomar cuidado com o fortalecimento da superficialidade, pois ao valorizar a perfeição do físico em detrimento do espiritual e do mental, incentiva-se a efemeridade leviana. Cabe aos meios educacionais priorizarem a conscientização em direção ao equilíbrio de valores. Não é necessário recriminar a busca da perfeição física, mas é preciso entender a transitoriedade da vida, para aproveitá-la em sua plenitude, juntando estética e saúde, bem estar físico e mental, sem exageros e em prol de um bem maior. O corpo não será imortal, posto que é matéria, mas pode ser infinito enquanto durar.
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Sugestão de título
Os efeitos de uma sociedade de padrões estéticos
Modelo de redação sobre o culto da padronização corporal no Brasil
O culto à magreza nem sempre foi o padrão de beleza. Por volta dos anos 40, por exemplo, Marilyn Monroe e Elisabeth Taylor eram consideradas ícones femininos com suas curvas acentuadas e seus cabelos encaracolados. Hoje, a mídia e a própria sociedade ditam padrões bem diferentes dos naturais daquela época. Entre silicones e bisturis, resta discutir os impactos e as consequências dessa padronização na contemporaneidade.
O estigma do corpo perfeito é imposto todos os dias. Seja em capas de revistas ou em tutoriais na internet, homens e mulheres com corpos torneados estampam o ideal de perfeição. O problema é que, no mundo real, esse padrão é quase impossível de ser atingido, resultando em uma sociedade frustrada por nunca alcançar o que lhe é imposto. O sentimento que se desenvolve é que, fora daqueles padrões, o homem não é saudável, desejado, belo e “apto para o consumo”.
Além disso, essas padronizações não respeitam biotipos. O corpo humano é multidimensional e esteticamente plural por si só. Dentre tantas misturas e formas, chega a ser cruel eleger apenas uma como legítima e digna de representar o belo. Na busca desenfreada por se assemelhar a tal padrão, muitos chegam a arriscar suas vidas com procedimentos cirúrgicos arriscados e dietas que comprometem a saúde.
Outro ponto que não se pode esquecer é que vivemos em um mundo capitalista, em que desejos e interesses são produzidos em massa. Para a indústria do consumo é mais fácil padronizar os gostos, pois, assim, promovem o consumo desenfreado. Hoje, já se ouvem vozes contrárias a esses padrões. Entretanto, a mídia ainda tem um poder muito forte nas representações sociais e, como forte aliada do sistema capitalista, contribui para que esses estereótipos sejam perpetuados.
É preciso, portanto, que se reflita sobre essa representação corporal que nos é imposta a cada dia. O primeiro passo deve ser dado pelo próprio indivíduo, sendo mais flexível consigo mesmo e libertando-se dessa visão limitada de beleza. Aceitar-se é um processo de evolução.
Porém, na esteira desse movimento, também deve estar o apoio dos agentes sociais. A escola precisa levantar esses questionamentos e debater sobre os estigmas corporais. A mídia, por sua vez, deve assumir a sua responsabilidade enquanto formadora de opinião e promover uma reflexão aprofundada sobre o assunto. Quem sabe assim, a sociedade compreenda que a singularidade da beleza está justamente no seu aspecto plural.
Gostou do que foi abordado na redação sobre o culto da padronização corporal no Brasil? Para ver outros modelos de redação, continue navegando pelo Desconversa, o blog do Descomplica.
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- Descrição
- Notas sobre Redação, criado por eduardo dias costa em 07-02-2019.
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- eduardo dias costa
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