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Notas

A Busca da Santidade por John Stott

Alexandre Almeida Santidade Teoria e Prática Teologia Livre Português 1 página

Conteúdo das notas (1)

Página 1

A Busca da Santidade

por

John Stott

Muitos dos segredos da santidade nos são revelados nas páginas da Bíblia.

De fato, um dos objetivos principais da Escritura é mostrar ao povo de

Deus como levar uma vida que lhe seja digna e que lhe agrade. Porém um

dos aspectos mais negligenciados na busca da santidade é a parte que

compete à mente, conquanto o próprio Jesus tenha posto o assunto fora de

qualquer dúvida quando prometeu: “conhecereis a verdade, e a verdade

vos libertará”. É mediante a sua verdade que Cristo nos liberta da

escravidão do pecado. De que forma? Onde se encontra o poder libertador

da verdade?

Para começarmos, precisamos ter um quadro bem claro do tipo de pessoa

que Deus pretende que sejamos. Temos de conhecer a lei moral de Deus e

os mandamentos. Como o expressou John Owen: “o bem que a mente não

é capaz de descobrir, a vontade não pode escolher, nem as afeições podem

se apegar”.. Portanto, “na Escritura o engano da mente comumente se

apresenta como o princípio de todo pecado”.

O melhor exemplo disso pode-se encontrar na vida terrena do nosso

Salvador. Por três vezes o diabo aproximou-se dele e o tentou no deserto

da Judéia. Nas três vezes Ele reconheceu se má a sugestão que lhe fizera

Satanás e contrária à vontade de Deus. Três vezes Ele se opôs à tentação

com a palavra gegraptai: “está escrito”. Jesus não deu margem a qualquer

discussão ou argumentação. A questão já estava decidida, logo de partida,

em sua mente. Pois a Escritura estabelecera o que é certo. Este claro

conhecimento bíblico da vontade de Deus é o segredo básico de uma vida

reta.

Não basta sabermos o que deveríamos ser, entretanto. Temos de ir mais

além, resolvendo, em nossas mentes, a alcançá-la. A batalha é quase

sempre ganha na mente. É pela renovação de nossa mente que nosso

caráter e comportamento se transformam. Assim é que, seguidamente, a

Escritura nos exorta a uma disciplina mental nesse sentido. “Tudo o que é

verdadeiro”, diz ela, “tudo o que respeitável, tudo o que é justo, tudo o

que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja

isso o que ocupe o vosso pensamento”.

De novo: Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá

do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá

do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida

está oculta juntamente com Cristo, em Deus.

De novo ainda: “Os que se inclinam para a carne cogitam das coisas da

carne; mas os que se inclinam para o Espírito, das coisas do Espírito.

Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e

paz”.

O autocontrole é, antes de tudo, o controle da mente. O que semeamos

em nossas mentes, colhemos em nossas ações. “Ler É Viver” foi o lema de

uma recente campanha publicitária. É um testemunho do fato de que a

vida não consiste apenas em trabalhar, comer, dormir. A mente tem de ser

também alimentada. E o tipo de comida que nossas mentes receberem

determinará que tipo de pessoa seremos. Mentes sadias têm um apetite

sadio. Temos de satisfazê-las com alimento saudável, e não com drogas e

venenos intelectuais perigosos.

Há, entretanto, uma outra espécie de disciplina mental a que somos

convocados no Novo Testamento. Temos que considerar não somente o que

deveríamos ser, mas também o que, pela graça de Deus, já somos.

Devemos constantemente nos lembrar do que Deus já fez por nós, e dizer a

nós mesmos: “Deus uniu-me com Cristo em sua morte e ressurreição, e

assim acabou com a minha velha vida e me deu uma vida completamente

nova em Cristo. Adotou-me em sua família e me fez seu filho. Pôs em mim

seu Espírito Santo, fazendo de meu corpo seu templo. Também tornou-se

seu herdeiro e prometeu-me um destino eterno, consigo, no céu. Isto é o

que Ele fez para mim e em mim. Isto é o que sou em Cristo”.

Paulo não se cansa de nos incitar a que deixemos nossas mentes pensar

nessas coisas. “Quero que saibais”, ele escreve. “Porque não quero,

irmãos, que ignoreis...”E cerca de dez vezes em suas cartas aos Romanos e

Coríntios ele profere esta pergunta incrédula: “Não sabeis...” “Não sabeis

que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus , fomos batizados na sua

morte?” Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis como servos para

obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos...? “Não sabeis que

sois santuários de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” “Não

sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo?

A intenção do apóstolo nesta enxurrada de perguntas não é apenas fazernos

sentir envergonhados por nossa ignorância. É antes fazer com que nos

dizem respeito, as quais de fato nos são bem conhecidas; e que falemos

entre nós sobre elas até o ponto em que se apoderem de nossas mentes e

moldem o nosso caráter. Não se trata do otimismo de autoconfiança de

Norman Vicent Peale, cujo método procura conseguir que façamos de

conta que somos algo que não somos. O método de Paulo é nos lembrar do

que realmente somos, porque assim nos fez Deus em Cristo.

Fonte: Crer é também pensar, John Stott.

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Informações

Descrição
texto produzido por John Stott e traduzido por Felipe Sabino de Araújo Neto e disponibilizado por http://www.monergismo.com/
Criado por
Alexandre Almeida · jan 2019
Atualizado
8 jan 2019
Visualizações
38
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