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2 as primeiras iniciativas de organização da profissão vinculam-se ao protagonismo de grupos sociais predominante femininos, participantes do movimento católico leigo e responsáveis pela ação social da Igreja Católica junto aos segmentos mais vulnerabilizados e empobrecidos da classe operária, especialmente crianças e mulheres.
Na época, o Serviço Social era concebido como uma “missão”, um “serviço” à sociedade, que estava na dependência de uma “vocação” específica de seus agentes, a quem competiria, segundo expressões muito utilizadas na época, “fazer o bem-feito”. Isso significava realizar um trabalho de ajuda com competência técnica, com base em princípios filosóficos e morais, que seriam transmitidos aos assistentes sociais, através da educação. A Igreja passou então a oferecer formação específica para moças de famílias tradicionais com intuito de exercer ações sociais. Criou-se então o Curso Intensivo de Formação Social para Moças.
3 O Serviço Social em seu surgimento como profissão aparece como uma das frentes mobilizadas para o soerguimento moral da família operári
4 O conservadorismo moderno é, segundo Iamamoto (2000, p. 21-22), “fruto de uma situação histórica específica: a sociedade de classes em que a burguesia emerge como protagonista do mundo capitalista. É este, segundo Mannheim, o ambiente sociológico do conservadorismo moderno, isto é, do tradicionalismo tornado consciente como um ‘contramovimento’, oponente histórico das tendências da ilustração. [...] A fonte de inspiração do pensamento conservador provém de um modo de vida do passado, que é resgatado e proposto como uma maneira de interpretar o presente e como conteúdo de um programa viável para a sociedade capitalista”. Explicita Iamamoto (idem, p. 24), que, dentre as características do pensamento conservador, está a da apreensão da sociedade como constitutiva de entidades orgânicas, funcionalmente articuladas, cujo modelo é a família e a corporação. Os pequenos grupos são tidos como fonte das relações interpessoais, da sociabilidade e da moralidade. Os elementos sagrados, irracionais [...] são valorizados, em contraposição ao primado da razão. Tradição e costumes legitimam a autoridade".a
5 o conservadorismo surge como fruto da revolução francesa e revolução industrial
7 Constatamos que o pragmatismo é responsável pelo profundo empirismo de que a profissão se nutre e por uma determinada maneira de conceber a relação teoria e prática6. Nesta abordagem, assim como no Serviço Social, há uma supervalorização da prática, identificada como pura experiência, dos hábitos e costumes que serão verdadeiros se bem-sucedidos e se servirem à solução imediata de problemas. O pragmatismo é também responsável pelo profundo desprezo que, em geral, alguns profissionais sentem por uma teoria crítica, não por qualquer saber, não pelo saber prático-instrumental, mas por aquele que efetivamente busca os fundamentos e, por isso, nem sempre se reverte em respostas imediatas.
9 No processo de ruptura com o conservadorismo, o Serviço Social passou a tratar o campo das políticas sociais, não mais no campo relacional demanda da população carente e oferta do sistema capitalista, mas acima de tudo como meio de acesso aos direitos sociais e à defesa da democracia. Dessa forma, não se trata apenas de operacionalizar as políticas sociais, embora importante, mas faz-se necessário conhecer as contradições da sociedade capitalista, da questão social e suas expressões que desafi am cotidianamente os assistentes sociais, pensar as políticas sociais como respostas a situações indignas de vida da população pobre e com isso compreender a mediação que as políticas sociais representam no processo de trabalho do profi ssional, ao deparar-se com as demandas da população.
8 A ruptura com a herança conservadora expressa-se como uma procura, uma luta por alcançar novas bases de legitimidade da ação profissional, que, conhecendo as contradições sociais presentes nas condições do exercício profissional busca colocar-se objetivamente, a serviço dos usuários, isto é, dos setores dominados da sociedade. o Serviço Social – que surge e se desenvolve, a partir da sua inserção na divisão sócio-técnica do trabalho, para implementação de políticas sociais estatais, quando toma para si a intervenção nas refrações da “questão social” – constitui uma engrenagem na reprodução das relações sociais e do sistema dominante; sua prática social resulta funcional à manutenção da ordem social e às relações capitalistas (a exploração do trabalho, o controle social, a diminuição das lutas sociais e a acumulação de capital)
10 O posicionamento crítico que passa a ser assumido nos últimos anos por uma parcela minoritária, embora crescente, de assistentes sociais emerge não apenas de iniciativas individuais, mas como resposta as exigências apresentadas pelo momento histórico. Durante muito tempo o trabalho dos assistentes sociais favorecia os interesses do capital e em os trabalhadores.
14Marilda Iamamoto destaca o profissional que trabalha no interior das instituições, sobre tudo o trabalho dos assistentes sociais em empresas como ele realizava prática com conteúdo educativo, mas voltado aos interesses dos empregadores. pág. 46 O assistente social é um mediador entre a empresa e a vida particular dos trabalhadores, na relação e no controle capital X trabalho. Dessa forma atendendo mais o empregador do que o empregado, atendendo aos interesses do capital. Fazendo com que os trabalhadores e sua família se interem a empresa por meio de programas que controlam esses trabalhadores, ou seja,esses trabalhadores têm suas vidas administradas pela empresa.
11 ) o Serviço Social, condicionado pelas estruturas sociais e pelas demandas institucionais (geralmente representantes dos interesses hegemônicos), ainda assim, pode apresentar um certo protagonismo e uma margem de manobra relativa, ao orientar sua ação profissional; na medida em que dirige seu processo de formação, não meramente para o atendimento direto das demandas institucionais, mas, formando um profissional crítico e competente, que organize o coletivo em entidades fortes e representativas e que consolide o seu código de ética claramente orientado em certos valores definidos coletivamente, o assistente social pode ver reforçada sua margem de manobra para uma prática profissional que, sem eliminar os condicionantes sistêmicos, privilegie a garantia dos direitos sociais conquistados
Informações
- Descrição
- Notas sobre Sem título, criado por Jessica Barbosa em 29-06-2017.
- Criado por
- Jessica Barbosa · jun 2017
- Atualizado
- 29 jun 2017
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