Texto dramático
Folien in diesem Satz (21)
-
Texto dramático / "Auto da Barca do Inferno"
-
- A origem desta arte, com mais de 2500 anos, surge associada aos rituais religiosos e às festas. É aos poucos que se transforma num espetáculo de representação autónomo, que existe para o público e por causa do público.
- Quando falamos de teatro, devemos distinguir:
- O teatro como o local onde se assiste a uma representação, que evoluiu desde os anfiteatros gregos, ao ar livre, até às salas dos dias de hoje;
- o teatro representado - irrepetível e único, o teatro- espetáculo existe apenas no momento em que é representado. A mistura de sons, imagens, palavras, movimentos e emoções existe apenas no presente e não pode ser captada por nenhum suporte – as fotografias ou os filmes são apenas a memória desse momento e nem mesmo os textos de teatro conseguem prever ou reproduzir o que acontece numa representação.
- o teatro escrito / texto dramático – documento que fixa as falas das personagens e as indicações cénicas. É importante saber que nem sempre as representações teatrais se basearam num texto escrito e nem todos os textos dramáticos são representados.

-
- O texto dramático é, então, um modo de fazer literatura, que apresenta as falas das personagens em discurso direto (diálogo, monólogo e aparte) e fornece, em muitos casos, informações que complementam a leitura e servem de suporte a uma possível representação.
- O texto dramático é escrito pelo dramaturgo e destina-se a ser representado por atores. A representação cénica no palco constitui a realização do texto dramático, vivido assim num momento presente.
- O género dramático exige a presença física das personagens no palco, para poder atuar diretamente sobre os espetadores. Requer, ainda, para a sua realização, um conjunto de técnicos: os atores, que encarnam as personagens, e os encenadores, que imaginam e realizam a encenação.
- O género dramático não tem narrador e predomina o diálogo.

-
CATEGORIAS DO TEXTO DRAMÁTICO:
- 1. Personagens:
- Principal – desempenha o papel de maior relevo na ação.
- Secundária – o seu papel continua a ser importante, mas de menor relevo.
- Figurante – desempenha um papel de apoio. Encontra-se em cena e é igualmente importante para o desenrolar da ação, mas não lhe são atribuídas falas.
- A caracterização das personagens, no texto dramático, pode ser feita diretamente (a caracterização é feita pelas outras personagens ou pela própria personagem) ou indiretamente ( através dos gestos, do tom de voz, do comportamento, do modo como a personagem fala, o espetador deduz a caracterização da personagem).
- 2. Espaço:
- da ação – é aquele que corresponde ao lugar onde se desenrola a história.
- da representação – corresponde ao edifício onde a peça é posta em palco.
- 3. Tempo:
- da ação – é o correspondente ao tempo, durante o qual, a história se desenvolve.
- da representação – corresponde ao tempo durante o qual o espetador assiste ao espetáculo (uma representação que dura, normalmente, uma hora, pode corresponder a um tempo de ação de um ano, ou até de dez minutos).
-
- 4. Ação
- Ao nível da estrutura externa, pode ser dividida em:
- Ato: quantidade de texto que, em palco, corresponde ao fechar do pano e à mudança de cenários.
- Cena: quantidade de texto que se distingue pela mudança de personagens.
- Ao nível da estrutura interna, organiza-se, normalmente, em três momentos:
- Exposição (situação inicial que faz uma espécie de apresentação das personagens ao público, através da sua aparição em cena; esta situação oferece à ação uma noção de equilíbrio).
- Conflito (situação em que a ação se desenvolve, partindo de um episódio que introduz o desequilíbrio na história e se vai desenrolando, constituindo as peripécias da história)
- Desenlace (momento em que se resolvem os conflitos – ou não – e se conclui a ação.
-
- 5. O texto principal, corresponde ao discurso dramático, ou seja, à fala das personagens que fazem desenvolver a ação.
- Pode aparecer sob a forma de diálogo (as personagens falam entre si), monólogo (a personagem fala sozinha) ou aparte (a personagem fala para o público, para que as outras personagens não ouçam).
- 6. Texto secundário: é o texto de apoio ao texto principal, indispensável à encenação de um texto dramático e é chamado didascália. Na verdade, é ele que nos dá informações relativas à movimentação das personagens, ao tom de voz (onde se inclui o aparte), ao cenário, à luz, ao som, ou seja, a todas as indicações cénicas necessárias à produção de um espetáculo. A didascália acaba por substituir o narrador e a descrição próprios do texto narrativo.
-
- Tragédia – peça teatral muito usada entre os gregos, geralmente em verso e com desfecho fatal. Este conflito gera-se entre o indivíduo e o seu destino, gerando paixões contraditórias e conduzindo as personagens à destruição.
- Comédia – peça teatral em que se põe em ação, de um modo jocoso, os costumes ou factos da vida social. Essencialmente recreativa, não é raro encontrar nela intuitos moralizantes. As personagens são de variada condição social.
- Drama – peça teatral de assunto sério, centrando-se num conflito que ocorre entre os projetos das personagens e as normas da sociedade em que se insere. Situa-se no quotidiano das personagens.
-
PALAVRAS E EXPRESSÕES DO TEATRO
- Ato : cada uma das partes principais de uma peça de teatro.
- Ator / atriz: aquele ou aquela que representa uma personagem.
- Adereços: objetos que fazem parte do cenário ou são usados pelas personagens.
- Apartes: expressão, em voz alta, do pensamento da personagem, que é ouvido apenas pelo público.
- Cena: parte da peça teatral em que estão presentes as mesmas personagens; pode significar o mesmo que palco, ou seja, o local onde decorre a representação (entrar em cena, sair de cena). Sempre que há entrada ou saída de personagens, há mudança de cena.
- Cenário: elementos que decoram e delimitam o espaço cénico.
- Dramaturgo: escritor de um texto dramático.
- Encenador: pessoa que dirige a representação teatral.
- Figurinista: responsável pelo guarda-roupa usado pelas personagens.
- Luminotécnico: pessoa encarregue da iluminação do espetáculo.
- Sonoplasta: responsável pelos sons que acompanham o espetáculo.

-
- Vais, agora, pôr à prova os teus conhecimentos sobre o texto dramático, respondendo ao questionário em anexo.
- Texto dramático Quizz
-
Manifestações teatrais pré-vicentinas
- Não se conhece uma tradição teatral portuguesa verdadeiramente constituída ao longo da Idade Média, materializada em textos. As várias representações da época giravam em torno de temas religiosos ou profanos e tinham lugar na Corte, nas igrejas, nos adros, nas feiras, nos salões dos palácios e nas praças públicas.
- Manifestações teatrais pré-vicentinas
-
Características do teatro vicentino
- O teatro vicentino é representado essencialmente em salões, palácios, capelas, igrejas e mosteiros.
- Uma das características das obras de Gil Vicente é o recurso a personagens tipo. As suas personagens não são individuais, isto é, representam sempre um grupo, uma classe social, uma profissão. Desta forma, são uma síntese dos defeitos e virtudes desses grupos. Assim, Gil Vicente satirizava a sociedade, sem atacar diretamente alguma pessoa em particular.
- A expressão latina “ridendo castigat mores”, que significa “é a rir que se castigam os costumes”, foi o princípio que Gil Vicente aplicou à sua sátira – através do cómico, provocando o riso no público, o dramaturgo denuncia os erros de cada classe social.
- As suas obras são como um “espelho”, pois reflete fielmente a sociedade do séc.XVI e só são completamente percebidas quando as vemos representadas em teatro, sendo esta a componente cénica que as valoriza.

-
A sociedade portuguesa no teatro vicentino
- Gil Vicente viveu numa época dominada pelos Descobrimentos e suas consequências a nível social.
- O autor observou, compreendeu e analisou toda essa sociedade corrompida pelo luxo, pela riqueza e pela ociosidade. A ninguém poupou nas suas críticas.
- Gil Vicente soube aproveitar a sua situação na corte para fazer uma crítica atrevidíssima de diversos vícios sociais sem poupar nenhuma classe – clero, nobreza ou povo. Havia, então, que modificar muitas coisas que não estavam certas.
- Com toda a naturalidade, espontaneidade e comicidade, Gil Vicente foca os mais diversos assuntos, divertindo ao mesmo tempo que estabelece acérrima crítica aos principais vícios de todas as classes sociais do seu tempo.
- É enorme a galeria das personagens vicentinas. Descontando os diabos, os anjos, as figuras mitológicas, alegóricas e os heróis de cavalaria, são todas tipos sociais.

-
- O “Auto da Barca do Inferno” integra um conjunto mais vasto, constituído por três autos (“Auto da Barca do Inferno”, “Auto da Barca do Purgatório” e “Auto da Barca da Glória”), com estrutura semelhante, em que se apresenta o que acontece às almas depois de abandonarem os corpos, isto é, após a morte: elas chegam a um rio, onde se encontram dois batéis; um deles passa para a Glória, o outro para o Inferno e para o Purgatório. Todos pretendem e julgam merecer embarcar na barca da Glória.
- A palavra Auto aplicava-se a peças de teatro de gosto tradicional. Os autos, ao mesmo tempo que divertiam, moralizavam o público pela sátira de costumes.
- O texto “Auto da Barca do Inferno” foi representado, pela primeira vez, em 1517, na câmara da rainha D. Leonor, a qual se encontrava doente.

-
- No “Auto da Barca do Inferno” é apresentado um processo de julgamento: a absolvição ou a condenação depois da morte.
- O auto representa o julgamento das almas humanas na hora da morte.
- No porto estão dois arrais, um conduz à Barca da Glória e outro à Barca do Inferno, por onde vão passar diversas almas que terão que enfrentar uma espécie de tribunal, defender-se e enfrentar os argumentos do Anjo e do Diabo que surgem como advogados de acusação.
- Através da metáfora do tribunal, Gil Vicente põe a nu os vícios das diversas ordens sociais e denuncia a “podridão” da sociedade. Assim, a grande maioria das almas é condenada a entrar na Barca do Inferno. Joane fica no cais porque não é responsável pelos seus atos e o Judeu vai a reboque da barca porque, não se identificando com a religião católica, não tenta embarcar na Barca da Glória e é recusado pelo Diabo. Apenas os Quatro Cavaleiros vão embarcar diretamente na Barca da Glória, porque se entregaram, em vida, aos ideais do Cristianismo na luta contra os mouros. Ao definir este percurso para cada uma das almas, Gil Vicente tinha, por certo, o objetivo de fazer desta obra alegórica um auto de moralidade, através do qual o Bem fosse compensado e o Mal castigado.

-
- As personagens vicentinas são essencialmente personagens tipo. O tipo é uma figura que reúne as características de uma classe, grupo social ou profissão. Os traços da personagem tipo são, assim, exagerados e nítidos, funcionando como uma espécie de caricatura. Para que o espetador o pudesse identificar facilmente, apresentava-se em cena com elementos distintivos, que tanto podiam ser um objeto, um animal como até uma ou mais pessoas. Assim, o Fidalgo vem seguido de um criado, que lhe segura a cauda do manto e lhe transporta uma cadeira; o Onzeneiro traz pendente da cinta uma enorme bolsa, que ocupa quase todo o navio; o Sapateiro aparece-nos carregado de formas; o Frade surge com uma moça pela mão, cantarolando e bailando, envergando, sob o hábito, a armadura de esgrimista; a Alcoviteira vem seguida de um grupo de moças que ela explorou, entregando-se à prostituição; o Judeu aparece com um bode às costas, animal ligado a sacrifícios da religião judaica; o Corregedor, apoiado a uma vara, transporta uma resma de processos; o Procurador não abandona os seus livros jurídicos e o Enforcado pisa o estrado com um baraço ao pescoço. Os Cavaleiros da Ordem de Cristo trazem o hábito que distintamente os identifica.
- O Anjo e o Diabo são personagens alegóricas.

-
- A alegoria é um recurso estilístico que consiste na representação de uma realidade abstrata através de uma realidade concreta, por meio de analogias, metáforas, comparações, imagens. Trata-se de uma representação simbólica.
- Elementos alegóricos
-
- No “Auto da Barca do Inferno”, encontramos uma sequência de cenas paralelas, intervindo em cada uma um ou mais protagonistas.
- A estrutura interna destas cenas é quase sempre a mesma, sendo constituída por três momentos fundamentais:
- Exposição – breve apresentação da personagem em cena.
- Conflito – interrogatório duplo, feito pelo Diabo e pelo Anjo, ao condenado.
- Desenlace – sentença proferida pelo Anjo ou pelo Diabo, que condena as almas à viagem na Barca do Inferno.
- A repetição da mesma estrutura interna em cada cena determina uma movimentação cénica semelhante em todas as cenas. De facto, o percurso cénico dos réus é sempre o mesmo: Diabo – Anjo – Diabo.

-
- O teatro de Gil Vicente é profundamente marcado pela crítica aos comportamentos e mentalidades das diferentes classes sociais da sua época. O autor retrata-nos um mundo corrompido e deformado, onde nada é como devia ser, e o cómico permite-lhe, por um lado, denunciar e, por outro, suavizar a mensagem transmitida.
- “Ridendo castigat mores” é o lema do teatro vicentino: a rir castigam-se os costumes e dizem-se as verdades. Criticar, provocando o riso, era o meio mais adequado à função lúdica do teatro vicentino, representado na corte, facilitando a aceitação das críticas feitas.
- Tipos de cómico
Informationen
- Beschreibung
- 9º ano Português Folienset am Texto dramático , erstellt von Maria da Graça Vilaça am 23/06/2021.
- Erstellt von
- Maria da Graça Vilaça · Jun 2021
- Aktualisiert
- 25 Jun 2021
- Aufrufe
- 28
- Bewertung
