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HERMENÊUTICA

Márcio Pinto Santa Helena Teologia Portugués

Contenido del mapa

HERMENÊUTICA

  1. 1. Aspectos Elementares Introdutórios

    • Definições e Objetivos da Hermenêutica
    • Atribuição de Sentido e Extração de Significado
    • Dupla Natureza da Bíblia
    • A Necessidade de Interpretação
  2. 2. Panorama Histórico da Hermenêutica Bíblica

    • Hermenêutica no Período Bíblico
      • Antigo Testamento
        • escrita de um texto, atribuindo sentido a este, a partir da extração de sentido de um outro texto de origem
          • um texto sempre é interpretado a partir do contexto de quem o interpreta
          • a interpretação de um texto envolve vários textos com parentesco temático
          • a interpretação não é repetição do sentido do texto interpretado, podendo ser uma ampliação, reformulação, correção, ou nova aplicação
        • Exegese Judaica Antiga
          • literal
            • referido como peshat, evidentemente servia de base para outros tipos de interpretações
          • midrástica
            • continuidade da tendência no sentido de uma exposição mais fantasiosa. Isto resultou numa exegese que dava significado a textos, frases e palavras sem levar em conta o contexto no qual se intencionava fossem aplicados; combinava textos que continham palavras ou frases semelhantes, sem considerar se tais textos referiam-se à mesma ideia;
          • pesher
            • existia particularmente entre as comunidades de Qumran. Esta forma emprestou extensivamente das práticas midrásticas, mas incluía um significativo enfoque escatológico. A comunidade acreditava que tudo quanto os antigos profetas escreveram tinha significado profético velado que devia ser iminentemente cumprido por intermédio de sua comunidade do pacto
          • alegórica
            • A exegese alegórica baseava-se na ideia de que o verdadeiro sentido jaz sob o significado literal da Escritura. Historicamente, o alegorismo foi desenvolvido pelos gregos para reduzir a tensão entre sua tradição de mito religioso e sua herança filosófica. Filão (judeu c. 20 a.C. – c. 50 d.C.), acreditava que o significado literal da Escritura representava um nível imaturo de compreensão; o significado alegórico era para os maduros
      • Novo Testamento
        • os escritos foram produzidos com o apoio de técnicas de interpretação baseadas nos escritos do Antigo Testamento - JESUS CRISTO, a chave hermenêutica.
          • alusão
            • não há uma cópia literal do texto
          • citação
            • parte do texto veterotestamentário é literalmente copiada
          • conflitividade
            • Textos sagrados recebem interpretações conflitantes nas diferentes comunidades de seguidores desses textos
          • associação
            • associação de textos das diferentes seções do cânon hebraico. As três seções do cânon hebraico (Lei, Escritos e Profetas) são as três testemunhas que confirmam a validade do texto
          • a hermenêutica de JESUS
            • Ele foi uniforme no tratar as narrativas his­tóricas. As alusões a Abel, Noé, Abraão, Isaque, Jacó, e Davi, por exemplo, parecem todas intencionais e foram entendidas como referências a pessoas de carne e osso e a eventos históricos.
            • Quando Jesus fazia aplicação do registro histórico, ele o extraía do significado normal do texto, contrário ao sentido ale­górico. Ele não demonstrou tendência alguma para dividir a ver­dade escrita em níveis — um nível superficial baseado no significado literal do texto e uma verdade mais profunda baseada em algum nível místico.
            • Jesus denunciou o modo como os dirigentes religiosos haviam desenvolvido métodos casuísticos que punham à parte a própria Palavra de Deus que eles alegavam estar interpretando, e no lugar dela colocavam suas próprias tradições
            • Os escribas e fariseus, por mais que quisessem acusar a Cristo de erro, nunca o acusaram de usar qualquer Escritura de modo antinatural ou ilegítimo. Mesmo quando Jesus repudiava diretamente os acréscimos e as interpretações errôneas dos fariseus com relação ao Antigo Testamento.
            • Quando Jesus, vez por outra, usou um texto de um modo que nos parece antinatural, geralmente se tratava de legítima ex­pressão idiomática hebraica ou aramaica, ou padrão de pensa­mento que não se traduz diretamente para nossa cultura e nosso tempo.
    • Hermenêutica na igreja antes da reforma (100-1500 d.c.)
      • Hermenêutica no período da Patrística (100-590 d.C.)
        • O trabalho destes líderes e teólogos é marcado pela ênfase na formação do dogma e no apelo aos fiéis para a formação doutrinária. Os dogmas eram basicamente as doutrinas oficiais da Igreja Cristã, que até então havia apenas uma. Além disso, nota-se em seus discursos um forte tom evangelístico e apologético — diálogo e debate com religiões e filosofias concorrentes.
        • (1) 100 a 150 d.C., período introdutório
          • a hermenêutica deve ser entendida à luz de uma dupla tarefa: formar doutrinas, com o objetivo de instruir os cristãos nas igrejas, e dialogar apologeticamente em defesa da fé com os de fora, especialmente os judeus que se opunham a eles
            • Tipologia
              • suposição de que há um padrão na obra de Deus através da história da salvação. Deus prefigurou sua obra redentora no Antigo Testamento, e cumpriu-a no Novo; o Antigo Testamento contém sombras de coisas que seriam reveladas de modo mais pleno no Novo
              • “demonstravam aos crentes daquela época a necessidade de expiação por seus pecados: essas cerimônias apontavam para o futuro, para a expiação perfeita a realizar-se em Cristo”.
              • a prefiguração é chamada tipo; o cumprimento chama-se antítipo”. Conforme Brent (in PORTER, 2007, p.254), “por trás do sentido literal desenvolvia-se uma história eterna, na qual o tipo dava lugar ao antítipo, e o presente seria cumprido no futuro”.
            • Alegoria
              • Ao contrário da tipologia, a alegoria é uma interpretação simbólica de detalhes no texto ou na narrativa. Busca-se um significado espiritual por trás dos detalhes
              • destaca que na época pensava-se da seguinte maneira: “os textos bíblicos serão mal-entendidos se acreditarmos que são literais e históricos, ou que são produtos exortativos, poéticos e proféticos endereçados a uma situação histórica específica: ao contrário, são alegorias
              • Esta alegorização derivou-se de um propósito digno - o desejo de entender o Antigo Testamento como documento cristão. Contudo, o método alegórico segundo praticado pelos país da igreja muitas vezes negligenciou por completo o entendimento de um texto e desenvolveu especulações que o próprio autor nunca teria reconhecido. Uma vez abandonado o sentido que o autor linha em mente, conforme expresso por suas próprias palavras e sintaxe, não permaneceu nenhum princípio regulador que governasse a exegese
            • interpretação tradicional ou oficial da igreja
              • Ainda sobre este período introdutório chama à atenção o crescimento de grupos considerados heréticos. Os gnósticos, por exemplo, entendiam a hermenêutica de uma forma nada convencional para a época. Como resposta, nasceu um novo princípio hermenêutico que ficou conhecido como interpretação tradicional ou oficial da igreja, cujo discurso era de uma única correta. O perigo, explica Klein (2017, p.100), “é que na prática a tradição da igreja pode alcançar um status quase igual ao da Escritura como a autoridade final para a doutrina”. Além disso, argumenta o autor, os líderes da igreja tornaram-se “árbitros oficiais da tradição apostólica”
        • 150 a 400 d.C., escola alexandrina
          • O segundo subperíodo data dos anos de 150 a 400 d.C. e é marcado pela escola catequética de Alexandria que, em linhas gerais, abordava as Escrituras à luz de uma perspectiva teológica comum, a saber: a pessoa de Cristo. Se a pessoa de Cristo era a chave hermenêutica e, assim, o ponto de partida para a compreensão dos textos, o método adotado continuava sendo o alegórico. Orígenes, por exemplo, acreditava que toda a Escritura é uma vasta alegoria na qual cada detalhe é simbólico e representa um valor espiritual maior.
        • 400 a 590 d.C., concílios da igreja
          • sob as rédeas do imperador Constantino, a igreja era desafiada a combater, de forma ainda mais veemente, qualquer movimento de disputa doutrinária, já que o imperador pressionava os líderes religiosos pelo fim de qualquer diferença ameaçadora à igreja e, consequente, ao seu status quo; e pela padronização de todas as doutrinas.
          • aos princípios hermenêuticos presentes na própria Bíblia se acrescentou um princípio determinante que era a de que a interpretação do texto deveria corresponder ao conjunto da doutrina cristã.
            • Para alguns estudiosos, até hoje a interpretação da Bíblia nas Igrejas segue esse princípio patrístico. Ou seja, a interpretação é pré-condicionada pela doutrina já estabelecida pelas tradições teológicas das igrejas. Além disso, o sentido dos textos bíblicos sempre valida as doutrinas de cada denominação cristã e, assim, de alguma forma, acaba invalidando as doutrinas (ou interpretações) das demais denominações
      • Hermenêutica no período Medieval (590-1500 d.C.)
        • a interpretação, da Bíblia precisava adaptar-se às tradições e doutrinas da igreja
        • surgiu a definição de uma quádrupla descrição do sentido dos textos bíblicos
          • literal ou histórico
            • servia de base para os demais, especialmente para o alegórico, de modo que este não se tornasse excessivamente subjetivo
              • A Letra (sentido literal) mostra-nos o que Deus fez
          • alegórico ou tipológico (com ênfase na cristologia)
            • A alegoria mostra-nos onde está oculta a nossa fé
          • moral ou tropológico
            • O significado moral dá-nos as regras da vida diária
          • anagógico ou místico.
            • correspondia grosso modo à doutrina cristã, servia de critério para os demais na medida em que nenhuma interpretação da Bíblia poderia contradizer o ensino oficial da Igreja
              • A anagogia mostra-nos onde terminamos nossa luta
    • Hermenêutica Bíblica na Reforma (1500 - 1750 d.c.)
      • nova atitude perante a Escritura
        • Sola Scriptura
          • polêmica, na medida em que contradizia a doutrina católico-romana da continuidade da revelação divina na tradição eclesiástica e, com isso, contradizia a legitimidade das doutrinas que os reformadores consideravam não-bíblicas;
          • positiva, na medida em que fazia com que a Escritura voltasse a ocupar lugar de destaque na vida da Igreja e na vida cristã
          • os Reformadores criticavam o costume de ler trechos isolados da Escritura, bem como o uso de traduções sem a consulta aos textos originais
          • Também criticavam o uso exagerado das alegorizações e da vinculação do texto bíblico ao controle do dogma oficial. Embora não negassem plenamente o valor da interpretação medieval, com sua teoria dos quatro sentidos, os Reformadores consideravam perigoso o método, pois ficava muito exposto à subjetividade dos intérpretes, sem controles adequados para a interpretação do texto
            • A teoria dos quatro sentidos permitia que a decisão do intérprete estivesse acima da direção oferecida pelo próprio texto bíblico, tornando, assim, a Escritura sujeita ao arbítrio do indivíduo e da direção eclesiástica. O princípio da sola Scriptura não poderia ser eficaz sob tais condições, de modo que o método medieval foi abandonado
        • Martinho Lutero prestou um grande serviço ao povo alemão quando traduziu a Bíblia das línguas originais para o alemão. As regras hermenêuticas de Lutero eram melhores do que sua prática, pois ele insistia no sentido literal como sendo a única base adequada para a exegese. Em frases características, Lutero difamou o sentido alegórico das Escrituras dizendo que “as alegorias de Orígenes não valem mais do que pó”, pois “as alegorias são especulações vazias... a escória das Escrituras Sagradas”
        • João Calvino tinha uma opinião igualmente forte sobre essas questões. Em seu comentário sobre Gálatas 4.21-26 ele reclamou que introduzir diversos significados nas Escrituras é “ceder a Satanás”. E na introdução ao seu comentário sobre Romanos ele advertiu: “É uma audácia próxima ao sacrilégio usar as Escrituras como nos apraz e brincar com elas como se fossem uma bola de tênis, como muitos já fizeram anteriormente... a primeira tarefa de um intérprete é deixar que o autor diga aquilo que expressa de fato, em vez de atribuirmos a ele aquilo que achamos que ele que dizer”.
        • afirmação da perspicuidade (clareza) das Escrituras
          • Este segundo princípio completava o primeiro, na medida em que afirmava que qualquer cristão seria capaz de compreender a Bíblia. Como um princípio hermenêutico, a perspicuidade da escritura afirma que tudo o que é necessário e possível conhecer sobre a Escritura está no sentido natural do texto. Ou seja, no sentido que pode ser apreendido (extraído) no que se chamava, então, de sentido literal — o primeiro dos quatro sentidos da tradição medieval
            • Jesus Cristo é a própria chave hermenêutica da Bíblia. Toda a Bíblia dá testemunho de Cristo e esse testemunho é claro, compreensível, e serve como fundamento da igreja. Como princípio epistemológico, ou seja, relativo às condições do conhecimento, a perspicuidade implica em que qualquer pessoa que conhecer a linguagem — não a língua original — e o contexto — do texto, não o histórico — dos textos bíblicos será capaz de entendê-los.
        • afirma que a Bíblia é a melhor intérprete de si mesma
          • Por um lado, este princípio polemiza com a necessidade da autoridade eclesiástica para interpretar adequadamente a Bíblia. Por outro lado, o princípio afirma que não se deve interpretar textos bíblicos isoladamente, mas sempre a partir do conjunto da própria Escritura
      • Uma nova metodologia de interpretação
        • a) Valorização do texto enquanto fonte e critério da sua própria interpretação. Seguindo a tradição humanística e renascentista de sua época, os Reformadores insistiam no uso das línguas originais no estudo da Bíblia — lembremos que não havia traduções suficientemente confiáveis em seu tempo —, a fim de apreciar com maior qualidade e precisão a estrutura, o vocabulário, o estilo e o modo de funcionamento do texto bíblico;
        • b) Identificação do sentido do texto com a intenção do seu autor. Embora tal princípio fosse entendido primariamente como a percepção da intenção explícita do autor no próprio texto, não se tratava de uma busca psicológica dessa intenção independentemente do texto bíblico;
        • c) Atenção aos detalhes do texto juntamente com a utilização de outros textos bíblicos como auxiliares indispensáveis na compreensão de cada texto estudado, especialmente em dois sentidos: (1) para situar o texto estudado em seu contexto histórico; e (2) para permitir que o conjunto da Escritura funcionasse como chave hermenêutica da leitura de textos particulares
        • d) A finalidade da interpretação era a edificação da pessoa e da Igreja, de modo que não distinguiam entre uma leitura “histórica” e outra leitura “aplicativa”. Todo texto era lido sempre em função do significado que ofereceria para a vida da Igreja e das pessoas na época da leitura.
    • Tipos de Leitura Bíblica na Atualidade (1750 até o presente)
      • Hermenêuticas não-Acadêmicas
        • Leitura fundamentalista
        • Leitura Doutrinária
        • Leitura devocional
        • Leitura Intuitiva
        • Leitura Ingênua
        • Leitura Popular
      • Hermenêuticas Acadêmicas
        • Leituras Históricas
          • método histórico-gramatical
          • modelo histórico-crítico
        • Hermenêutica Contextual
      • a hermenêutica moderna desenvolveu-se tentando enfatizar o paradigma de um sujeito racional, e não a igreja, que interpreta metodicamente a atribuição de sentido do texto. Dessa forma, o sentido não era mais dado mais pela doutrina oficial, mas conforme a intenção de seu autor.
  3. 3. O Leitor e as Formas de Abordagem da Bíblia

    • O lugar do leitor na hermenêutica
      • Atitude (condições/postura do leitor na abordagem) e Método (critérios de abordagem),
      • ler é interpretar e todo ato de leitura/interpretação pressupõe conclusões sobre: (1) a atribuição de sentido dada ao texto por seu autor; e (2) a extração de significado, ou seja, implicações do texto para a realidade do leitor (aplicação).
      • ao ir à Bíblia “todo leitor leva consigo um conjunto de ‘pré-conhecimentos’, isto é, crenças e ideias que compõem a herança de seus antecedentes [sua formação, em todas as dimensões] e da comunidade que lhe serve de paradigma”
        • não existe leitura/interpretação neutra da Bíblia, assim como não existe leitura/interpretação neutra de qualquer tipo de texto
      • urgente fazer uma distinção entre (1) a necessidade do leitor/intérprete em levar suas condições ao texto; e (2) o desejo do leitor/intérprete de impor suas condições ao texto.
      • Quando abordamos o texto bíblico, deixamos que ele nos conduza ou, ao contrário, impomos a ele um direcionamento?
      • Lente Teológica
      • Lente Doutrinária
      • Lente da Tradição
      • Lente da Experiência Pessoal
      • Lente Sacerdotal
    • As lentes de leitura de Jesus
      • A vida
        • a favor do ser-humano, do bem e da vida
    • Formas de abordagem de um texto
      • Como afirma Mosconi (2014, p. 106), “que se vá ao texto bíblico de maneira desarmada, aberta, buscando dar sentido autêntico à própria existência, à história, à vida e os relacionamentos”
      • nossa leitura bíblica, além de um exercício de interpretação de um texto, é também a interpretação da vida, com a ajuda da Bíblia
      • Reavaliando a relação Bíblia-leitor
        • lemos a Bíblia para responder à ação de Deus através da nossa ação, como membros do povo de Deus, visando ao crescimento espiritual, à edificação da igreja, à realização da missão, à transformação das pessoas, grupos sociais e da própria sociedade” (ZABATIERO, 2007, p. 23)
      • Como ir à Bíblia
        • Ir ao texto carregando a nossa vida
          • (1) história, que indica o passado e as situações pelas quais fomos formados, determinando a forma pela qual enxergamos o mundo e nos posicionamos nele;
          • (2) sentimentos, que apontam para como funcionamos no presente e mostram uma combinação de “perguntas, anseios, desafios, desejos, fragilidades, ambiguidades”
          • (3) desafios, que também no presente indicam nossas inclinações existenciais e situações sociais;
          • (4) aspirações para o futuro, que levam em consideração nossos sonhos e que pedem por um tipo de esperança que não deveria apenas esperar, mas construir a partir daquilo que se espera.
        • Ir ao texto carregando a vida dos outros
          • a leitura da Bíblia e a leitura da realidade devem andar de mãos dadas
          • A proposta de ir ao texto carregando, não apenas a nossa vida, mas a vida dos outros pede por esta compreensão. “Somos pessoas que se relacionam. Vivemos em relação com o mundo, como pessoas e grupos. Nossa realização plena e nossa frustração dependem da maneira como nos relacionamos”
        • Ir ao texto buscando luzes
          • Todos vamos à Bíblia buscando luzes, “porque percebemos os limites e contradições de nossas opções. [...] Somos seres limitados e contraditórios. Precisamos de motivações profundas, capazes de dar razão à nossa esperança” (1Pe 3:15). Buscamos luzes “capazes de orientar nossa caminhada nas encruzilhadas, nos momentos de conflito, de dúvida, de tensão”. Por fim, vale enfatizar que a “nossa ida é profundamente existencial. O que está em jogo é a nossa existência e a dos outros. Queremos dar um sentido pleno à nossa existência.
        • Ir ao texto sabendo escutar
          • A relação com o texto bíblico é uma relação de diálogo. Levamos a ele nossa vida e nos portamos diante dele com profunda atitude de escuta, para que haja diálogo e não monólogo: “para haver atenção recíproca, é preciso saber escutar a vida que está por trás do texto, fazendo perguntas a ele. É na escuta sincera e atenta que vamos confrontar experiências diferentes, aprendendo e tirando lições
        • Ir ao texto abertos à conversão
          • A Bíblia-livro cumpre sua função primária de Palavra de Deus quando seus leitores-intérpretes respondem à ela com uma postura de “escuta e conversão
        • Ir ao texto em companhia de alguém
          • o texto bíblico nasceu para responder a questões comunitárias. Ele é um texto para uma comunidade. Assim, o lugar prioritário da leitura e interpretação da Bíblia deveria ser, da mesma forma, a comunidade. A comunidade é a resposta crítica à leitura individualista, promotora de uma autossuficiência perigosa. É na comunidade que aprendemos com a percepção do outro, aquele que me auxilia em minhas limitações quanto ao sentido ou significado de um texto. Mas e as nossas diferenças? Quando há um espírito humilde, “nossas diferenças ajudam a perceber na Bíblia coisas que sozinhos não entenderíamos
        • Ir ao texto com profunda atitude de fé
          • É importante ir à Bíblia reconhecendo sua natureza: um livro de fé! Assim, a postura dos que dela se aproximam deve corresponder, em certa medida, à sua natureza, tendo uma postura de fé. Fé que reconhece o papel iluminador do Espírito Santo na leitura e interpretação do texto. Fé que alimenta a percepção do encontro com o Deus que fala e chama. Lembrando que não existe uma leitura de fé sem a percepção de um chamado à vida, à existência, à missão.
      • As consequências de uma má interpretação bíblica
        • aperfeiçoar uma boa interpretação
        • conhecer a história do povo de Deus
        • qual o papel da Palavra de Deus em nossa vida?
        • intepretar e aplicar
        • As Escrituras são 100% humanas e 100% divinas
        • metodologias científicas
          • diacrônicas
            • perspectiva histórica
          • sincrônicas
            • sociológicas ou estruturalistas
          • avaliativas
            • sistemática, libertação, ....
            • autor-leitor
        • Como lemos e compreendemos as Escrituras
          • quantidade, intensidade e qualidade da leitura
          • Métodos
            • Dicionário
            • Enciclopédia
            • Carta ou romance
            • Telenovela, série ou filme
          • Dicas para leitura mais proveitosa
            • Leitura integral
              • ambiente
              • com o corpo
              • mente aberta a críticas
              • com todo o coração
              • com todo o esforço
                • ouvir e obedecer
              • com o espírito
                • afinar o ouvido para a voz do Espírito Santo
              • com todo o nosso ser
                • leitura comunitária
              • Dicas
                • Períodos regulares e qualitativos para ler
                • Maximizar as condições físicas
                • Leia em voz alta reproduzindo a ênfase, expressões do autor
                • Faças anotações e destaque as dúvidas
                • Determine uma ação do que você vai desenvolver de sua última leitura
                • Antes durante e depois converse com Deus sobre suas expectativas
                • Troque ideias sobre sua leitura com alguém que você confie, compartilhando o que aprendeu
        • prejudicam a fé, sua e dos outros
    • Métodos de leitura da Bíblia
      • Conforme Zabatiero (2007, p.27), a eficácia de um método depende da pessoa que o utiliza. No caso da interpretação bíblica, “mais importante que o método que usamos são: os conhecimentos que temos da própria Bíblia e do mundo no qual foi escrita”. Além destes, argumenta o autor, também “os conhecimentos que temos de nosso mundo e de nós mesmos nesse mundo”.
      • Método Indutivo
        • o método indutivo encoraja cada cristão a recorrer às Escrituras por conta própria, sem depender da interpretação de terceiros, incluindo comentários bíblicos especializados. Este pressuposto parte da ideia que defende que a Bíblia é a melhor intérprete de si mesma e que as Escrituras explicam melhor as próprias Escrituras.
      • Método Sociológico
        • “o método sociológico é complemento da análise histórico-crítica, pois quer perceber a sociedade como um todo”. Além disso, tem por objetivo encontrar elementos do comportamento coletivo, das relações humanas e das estruturas estabelecidas em cada contexto.
      • Métodos Sincrônicos
        • Análise Literária e Retórica
          • Crítica literária
          • Análise de gênero e forma
          • Crítica narrativa
          • Crítica retórica
          • Análise intertextual
        • Análise Linguística
          • Análise gramatical e sintática
          • Análise semântica
        • Crítica sociocientífica
          • Descrição social
          • Análise sociocientífica
      • Métodos Diacrônicos
        • focam o estudo na origem e desenvolvimento de um texto até chegar a sua forma final
        • Crítica textual
        • Crítica da forma
        • Crítica da tradição
        • Crítica da fonte
        • Crítica redacional
        • Crítica histórica
      • Métodos Existencialistas
        • Estes métodos buscam relacionar as implicações do mundo do texto para o mundo do leitor do texto como uma forma de aplicação para a vida. Procura-se as reivindicações que o texto faz para os leitores atuais, daí falar-se também em hermenêutica da fé ou consentimento.
        • Crítica canônica
        • Método teológico
        • Hermenêutica missional
        • Lectio divina
  4. 4. Leitura e Releitura de um Texto

    • 1. Análise Literária: aspectos primários
      • 1.1. Contexto literário
        • Autoria
        • Data
        • Local
        • Primeiros leitores
        • Ferramentas para estudo: Este tipo de pesquisa deve ser realizado com a ajuda de dicionários bíblicos; comentários e introduções ao Novo Testamento e ao livro bíblico estudado
      • 1.2. Perícope
        • Delimitação
          • Ferramentas para estudo: Este tipo de pesquisa deve ser realizado apenas com a observação dos detalhes presentes no texto bíblico
        • Cenas
      • 1.3. Pessoa, espaço e tempo
        • Personagens
          • Ferramentas para estudo: Este tipo de pesquisa deve ser realizado apenas com a observação do texto bíblico. Todavia, o conhecimento do contexto torna-se uma excelente ferramenta na reconstrução dos personagens.
        • Lugares
        • Tempo
    • 2. Análise Literária: figuras e gêneros
      • 2.1. Figuras de Linguagem
        • Figuras de pensamento ou de retórica
          • Antítese
          • Macarismo ou bem-aventurança
          • Lamentação (ou maldição)
          • Antropomorfismo ou personificação
          • Antropopatismo
          • Eufemismo
          • Hipérbole
          • Questão retórica
          • Ironia
          • Paralelismo
        • Figuras de construção ou de sintaxe
          • Epíteto
          • Pleonasmo
        • Figuras de palavras ou estilo
          • Comparação
          • Metáfora
      • 2.2. Gênero Literário
        • Narrativa Histórica
        • Literatura Profética
        • Legislação ou Lei
        • Sabedoria
        • Salmo
        • Carta
        • Apocalíptica
        • Ferramentas para estudo: Este tipo de pesquisa deve ser realizada com a ajuda de manuais de hermenêutica/exegese, e livros específicos sobre gêneros ou formas literárias da Bíblia que as identificam e caracterizam.
    • 3. Análise Gramatical e Contextual
      • 3.1. Análise Gramatical
      • 3.2. Análise Contextual
    • 4. Teologia e releitura do texto
      • 4.1. Síntese Teológica
      • 4.2. Releitura
        • Dimensão pessoal
        • Dimensão eclesiástica

Información

Descripción
Teologia Mapa Mental sobre HERMENÊUTICA, creado por Márcio Pinto Santa Helena el 13/07/2021.
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