¡GoConqr estrena diseño! Cuéntanos qué te parece.

Apuntes

Sin título

Gabriel Lima Portugués 1 página

Contenido del apunte (1)

Página 1

Língua e população Crianças na TI Roosevelt. Foto: Kim-Ir-Sen, 1981. Crianças na TI Roosevelt. Foto: Kim-Ir-Sen, 1981. A Língua Cinta Larga pertence à família Tupi Mondé, tronco Tupi, assim como as de seus vizinhos Gavião, Suruí Paiter e Zoró. Em 1969 a população Cinta Larga foi estimada em cerca de 2.000 pessoas. Em 1981 seu número não ultrapassava 500 indivíduos, numa estimativa otimista. A partir daí a população voltou a crescer, atingindo a casa dos 1.032 indivíduos em 2001 e, em 2003, estimava-se que este número fosse por volta de 1.300 indivíduos

Histórico do contato

Somente no século XX surgem informações precisas sobre os hoje chamados Cinta-Larga. Dois séculos antes, todavia, têm-se notícias do bandeirante Antônio Pires de Campos que, no ano de 1727, atravessou a chapada dos Parecis. Tendo atingido em sua viagem provavelmente o rio Juruena, fronteira oeste do que chamou “Reino dos Parecis”, deparou-se com a “Nação Cavihis” que, pela sua localização e pelos dados etnográficos que deles traz Pires Campos (1862), podem ser aproximados aos atuais Cinta-Larga.

A ocorrência mais remota que, com alguma certeza, faria referência aos Cinta Larga foi o encontro com a turma de exploração do rio Ananaz, da comissão Rondon, em maio de 1915 - atravessando, portanto, as terras do atual parque do Aripuanã. No começo da viagem a expedição avistou vários grupos Nambikwara, com os quais a comissão já estava em relações amistosas, mas depois, rio abaixo, próximo ao ribeirão dos Perdidos, seu acampamento foi atacado por índios de “nação desconhecida”, que mataram o chefe da turma, tenente Marques de Souza, e o canoeiro Tertuliano, enquanto os demais conseguiam fugir (A. B. de Magalhães 1941: 455). A comissão de Linhas Telegráficas, com a chegada dos sobreviventes a Manaus, procedeu a um inquérito, concluindo serem “Araras” os índios atacantes - denominação equívoca que, certamente, deve-se ao uso de várias penas de arara nos cocares e braçadeiras, como é costume dos Cinta Larga e outros Tupi-Mondé.

Durante o século XX diversos incidentes ocorreram marcando a história dos Cinta Larga: em 1928 um bando de seringueiros chefiados por Julio Torres, sob as ordens do peruano Dom Alejandro Lopes, o seringalista que dominava o rio Aripuanã, massacrou uma aldeia de índios então chamados “Iamé”- yamên é uma forma usual de tratamento entre os Cinta Larga. O caso foi denunciado ao inspetor do SPI, Bento Martins de Lemos (SPI- Inspetoria do Amazonas e Acre 1929: 180-183), que procedeu a um inquérito, com poucos resultados. Os Cinta Larga que tinham suas aldeias na região do Rio Branco e Guariba, ao norte do território, a atual terra indígena Aripuanã, estavam em guerra com os seringueiros desde a década de 1950, e data destes conflitos a aquisição dos primeiros instrumentos de metal. Se as ferramentas tornaram-se, desde então, o móvel principal da guerra; serão também elas, no discurso dos próprios Cinta Larga, que vão levá-los a buscar relações de reciprocidade com os Zarey, os não índios.

Nessa mesma década de 50 começam a ser registrados os conflitos dos Cinta Larga com feitorias de seringueiros, comboios de garimpeiros e povoados que cresceram nas proximidades das estações telegráficas, em particular Vilhena, José Bonifácio (antiga Três Buritis) e Pimenta Bueno. Alguns grupos de Cinta Larga, migrando para o sul do território, haviam ocupado as cabeceiras dos rios Roosevelt e Tenente Marques, desalojando os Nambikwara remanescentes.

As invasões do território Cinta Larga continuaram ao longo dos anos 50 por firmas de mineração e seringalistas, e a situação se agravou ainda mais à partir da inauguração da rodovia Cuiabá-Porto Velho (BR-364), em 1960. Hostis aos invasores, os Cinta Larga representavam um empecilho à expansão destes empreendimentos, particularmente pelos afluentes Juruena e Aripuanã. Com isto, ganharam proporções alarmantes as operações destinadas a “limpar a área”, organizadas pela firma Arruda e Junqueira e outras, que vinham explorando seringais e pesquisando ouro e diamante na região.

Entre os inúmeros assaltos às aldeias Cinta Larga - havendo registros de expedições nos anos 1958, 1959, 1960 e 1962 -, um desses crimes ganhou ampla repercussão, inclusive na imprensa internacional, o chamado “Massacre do Paralelo 11”, gerando denúncias sobre a prática de genocídio de índios no Brasil, pois um dos participantes, Atayde Pereira dos Santos, não tendo recebido o pagamento prometido, compareceu à sede da inspetoria do SPI em Cuiabá para denunciar o caso e apontar seus mandantes (A.P.dos Santos 1963).

A década de 60 continuou em sucessivos conflitos com seringueiros. Em fins dessa década, os Cinta Larga mantinham talvez mais de 30 aldeias, geralmente situadas junto a pequenos córregos, segundo testemunharam sertanistas e missionários que sobrevoaram o território banhado pelos rios Roosevelt, Aripuanã e afluentes. Poucos anos depois, em 1976, um mapa elaborado pelo fotógrafo Jesco Von Puttkamer assinala com precisão 16 aldeias Cinta Larga e dois postos da Funai. Nos anos seguintes a depopulação e a atração que os postos da Funai exerceram, concentrando a população indígena, reduziu substancialmente o número total de aldeias. Na área Aripuanã, onde a Funai só veio a fixar-se em 1984, quando o garimpo Ouro Preto foi desativado, chegaram a existir oito aldeias simultâneas, estabelecidas a distâncias que variavam de dez a cem quilômetros, sendo a população total da área de apenas 90 pessoas. Em 1987, contudo, metade já residia no posto Rio Preto, nome com que a Funai rebatizou o local do antigo garimpo, enquanto as demais se dividiam entre quatro aldeias restantes.

Información

Descripción
Apunte sobre Sin título, creado por Gabriel Lima el 16/10/2018.
Creado por
Gabriel Lima · oct 2018
Actualizado
16 oct 2018
Visitas
0
Valoración

Escríbenos

¿Sobre qué es tu mensaje?

¿Qué te parece el nuevo diseño?

¿Te gusta?