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Sin título

Eliel Marins Portugués 1 página

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O filme retrata a imposição do rico sobre o pobre, do“forte” sobre o “fraco”, do burguês sobre o proletariado, da dona de casa sobre a empregada doméstica. A História fez que essa naturalidade ganhasse seu espaço, o rico em espaço largo e o pobre no mínimo e “necessário” para “viver”. A empregada, Val, está ciente do que pode ou não fazer na casa de seus patrões. Sua filha, Jéssica, não aceita a posição da mãe no trabalho e a questiona, “não sei onde você aprendeu essas coisas, não pode isso, não pode aquilo, estava escrito em livro? Quem te ensinou? Você chegou aqui e ficaram te ensinando essas coisas?”. Em outra cena, Jéssica novamente interpela a mãe: “sinceramente Val, não sei como tu aguenta... Ser tratada desse jeito, como uma cidadã de segunda classe”. A posição firme, questionadora, reflexiva e segura de Jéssica ocasiona um desconforto e incômodo a D. Bárbara e ao seu filho, Fabinho, provavelmente pela insegurança que ambos possuem e interpretam de forma errada a situação de Jéssica, pois ela sabe que a única saída é por meio dos estudos, já que sua família não possui bens e muito menos heranças para garantir um futuro digno, ou ao menos as condições necessárias para uma ótima formação. Fabinho e Jéssica fizeram vestibular, é possível imaginar no decorrer do filme o resultado do vestibular, mesmo que existam outras possibilidades de finalizá-lo, mas a reação de D. Bárbara e Fabinho é a realidade concreta que vivenciamos dia após dia na relação do rico com o pobre. Fabinho, ao saber que foi reprovado, não tem outra reação além de desamparo, de derrotado, e busca no colo de Val o consolo negado, o carinho da mãe. Mas ao saber que Jéssica foi aprovada com uma pontuação boa, sua feição muda e mostra sua origem de berço burguês.A atitude burguesa ao saber da aprovação de Jéssica é a esperada, primeiro pelas palavras de D. Bárbara, “É, nem eu tô acreditando... Oh Val, mas aqui, não fica muito animada, essa foi a primeira fase, vai ter outra prova, a segunda fase é muito mais difícil, tem que passar na outra fase, se não passar não adianta”. Segundo, tanto Fabinho como D. Bárbara veem em Jéssica a pessoa que está tomando o lugar de um burguês na universidade, ou seja, como pode uma menina pobre, que passou por dificuldades, que não teve uma boa formação escolar e, mesmo assim, conseguir ser aprovada em um vestibular de universidade pública, ainda mais em um dos cursos tidos como divisor de classe social...

Val então decidiu pedir demissão. Na última cena, já na singela casinha da periferia, mas digna de ser melhor que muitas mansões – “Essa casa é muito melhor do que aquela” – Jéssica não esconde a felicidade de ver sua mãe tomar uma decisão em relação à sua vida e pergunta: “E agora, já pensou o que vai fazer?”. Val responde como muitos outros pobres responderiam: “Vou dar o meu jeito”. Provavelmente, a última fala de Val seja tão chocante para a burguesia quanto a Jéssica ter sido aprovada no vestibular: “Vá buscar Jorge, traga meu neto, eu pago a passagem de avião!”.

Nesta última frase, o filme finaliza afirmando a mudança de um país, a vitória de uma mãe em poder dar o mínimo de estudo à sua filha e de poder pagar uma passagem de avião ao seu neto. Para a classe dominante, são coisas irrisórias ou até mesmo insignificantes, pois sabem que isso nunca irá faltar aos seus filhos. Mas para os pobres, Val mostrou que é possível, não sozinha, mas com o seu país. E este país em ascensão é o país que a classe dominante teme, simplesmente porque os direitos dos pobres serão os mesmos dos ricos, em alguns dos espaços frequentados não haverá distinção de classe, sentarão no mesmo ambiente, uma filha de empregada e o filho de um doutor. Este é o espaço social que alguns vêm trabalhando para romper.

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Apunte sobre Sin título, creado por Eliel Marins el 27/08/2017.
Creado por
Eliel Marins · ago 2017
Actualizado
17 feb 2018
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