Nas estrofes com 6 versos, o 1º e o 4º versos possuem 11
sílabas poéticas e os demais possuem 5 sílabas poéticas.
Nas outras estrofes do poema, exceto as duas últimas, o
número de sílabas poéticas é onze em todos os versos.
Nas duas últimas estrofes, o 1º e o 3º versos possuem 11
sílabas poéticas, e o 2º e o 4º possuem 5.
Esquema de rimas
O esquema de rimas é estabelecido da
seguinte maneira: nas estrofes com 6
versos, as rimas são organizadas no
formato AABCCB; na 2ª, na 4ª, na 10ª e
na 11ª estrofes, as rimas são do tipo
ABCB; e na 6ª e 8ª estrofes, as rimas
são do tipo ABAB.
Versos
5 estrofes com 6 versos (1ª, 3ª, 5ª, 7ª e 9ª estrofes) 6
estrofes com 4 versos (2ª, 4ª, 6ª, 8ª, 10ª e 11ª estrofes)
Conteúdo
Contexto da época
O poema foi escrito em 1851, época em que o romantismo
pregava um visão voltada ao indivíduo e seus conflitos internos
e externos (eu-lírico). No Brasil essa visão pende ao
nacionalismo, buscando mostrar o país e caracterizar a
literatura através do indianismo e dos elementos nacionais. Em
relação à vida do autor, era filho de uma mulher mestiça de
negro com índio e fora rejeitado pela família de sua pretendente
apenas por ser filho de uma cafuza, o que, mais tarde, pode ter
refletido no poema.
Vocabulário
Algumas palavras do Tupi Guarani foram usadas no
poema, como: Marabá, que significa mestiço de
francês com índia brasileira; Tupá, que significa
trovão, e Anajá, que significa amêndoa colada
(grudada).
Interpretação do poema
O poema narra as angústias do
eu-lírico, uma marabá, que é
rejeitada pelos homens de sua tribo.
No poema, ela é caracterizada com
uma aparência típica europeia, o que
faz o povo de sua tribo rejeitá-la.
Além disso, também há o desejo da
personagem de ter as
características indígenas, e não
europeias, pois sua aparência lhe
traz tristeza e isolamento.
Trechos do poema
"...Teus longos cabellos,
São loiros, são bellos,
Mas são annelados; tu
és Marabá: Quero
antes cabellos, bem
lisos, compridos..."
"Quero antes uns
olhos bem pretos,
luzentes, Uns olhos
fulgentes..."
Representação da
mulher indígena por
Victor Meirelles em
Moema
"Quero antes um
rosto de jambo
corado, Um rosto
crestado Do sol do
deserto..."
Contexto atual
Podemos relacionar o poema com os
casos de xenofobia existentes
atualmente. No texto há um
preconceito com a Marabá, pois, por
ser mestiça, ela não é totalmente
pertencente ao grupo dos índios
“puros” de sua tribo, algo que
podemos ver hoje no brasil e no
mundo com imigrantes que sofrem
esse tipo de preconceito.
Observações
Algumas partes do poema foram
escritas na voz do eu-lírico (Marabá) e
outras na voz dos homens da tribo. A
diferença de "vozes" é indicada por aspas
(") e travessões (-).