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DERMATOFITOSES

Lucas Figueiredo Brito Português

DERMATOFITOSES

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DERMATOFITOSES

  1. CONCEITO

    • Não corresponde à classificação taxonômica
      • Doenças causadas por um grupo de fungos que, geralmente, em vida parasitária
        • Queratina da pele, dos pelos e das unhas
          • Fungos dos gêneros
            • Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton, cujas características morfológicas, fisiológicas e antigênicas os relacionam entre si
  2. EPIDEMIOLOGIA

    • Mais de 40 espécies de dermatófitos
      • 30 são patogênicas para o homem
        • Têm distribuição universal
          • Peculiaridades
            • Trichophyton soudanense
              • África
            • Trichophyton concentricum
              • Ásia, na América Central e no Brasil
        • A prevalência é maior nas zonas tropical e subtropical, em regiões de clima quente e úmido
          • A mesma espécie pode produzir quadros clínicos bem diferentes e, inclusive, com seletividade de grupos etários
            • Trichophyton tonsurans
              • Tinea do couro cabeludo (dermatofitose capiti)
                • INFÂNCIA
                  • É quase exclusiva da criança e regride espontaneamente com a puberdade
                    • Exceção
                      • Trichophyton schoenleinii (tinea favosa)
                        • Pode persistir por toda a vida
              • Tinea corporal (Dermatofitose corporis)
                • ADULTO
            • onicomicoses (UNHAS)
              • Típicas dos idosos
                • Devido ao crescimento lento das unhas
            • Trichophyton rubrum
              • O agente etiológico mais frequente
  3. ETIOPATOGENIA

    • ETIOLOGIA
      • Fase assexuada
        • Microsporum
          • Devem ser consideradas
            • M. audouinii
              • Preferencial no couro cabeludo
            • M. canis
              • Couro cabeludo e pele glabra
            • M. ferrugineum e o M. gypseum
              • Couro cabeludo e tronco
            • Raramente, acometer a unha
              • Maior frequência em pacientes imunodeprimidos
              • Pacientes imunocompetentes por meio do contágio de gatos domésticos doentes
        • Trichophyton
          • T. rubrum
            • Podendo produzir praticamente quase todos os quadros clínicos de dermatofitose
              • Característica principal certa resistência aos tratamentos
          • T. schoenleinii
            • Poupando apenas as dobras naturais os pés e as mãos
          • T. tonsurans
            • Poupando a área da barba e das pregas dos pés e das mãos
          • T. yaounedi
            • Comprometendo exclusivamente o couro cabeludo
          • T. soudanense, T. megninii e T. mentagrophytes
            • Apresenta duas variedades: interdigitale (antropofílico) e mentagrophytes (zoofílico)
        • Epidermophyton
          • E. floccosum
            • Preferência pelas dobras e pelos pés, podendo atingir também tronco e unhas
              • Não acomete o couro cabeludo e a barba
      • Fase sexuada (saprofitismo no meio ambiente)
        • Nannizzia (corresponde ao Microsporum)
        • Arthroderma (corresponde ao Trichophyton)
    • PATOGENIA
      • Exuberância das manifestações clínicas depende do grau de hipersensibilidade celular (linfócito T)
        • Além do hospedeiro, esse aspecto é inerente à virulência e às espécies que, por conseguinte, têm também habitat natural próprio
          • 3 GRUPOS
            • Antropofílicos, Zoofílicos e Geofílicos
                • ANTROPOFÍLICOS
                  • Adaptados ao homem, produzem, em geral, pouca ou nenhuma reação de hipersensibilidade
                    • Mais resistentes ao tratamento, exigindo uma dose por vezes maior de antifúngico, ou um tratamento mais prolongado; recidivas são frequentes
                      • São a principal etiologia das infecções crônicas
                • ZOOFÍLICOS
                • GEOFÍLICOS
                  • Provocam no homem quadros mais inflamatórios e exuberantes, inclusive com tendência à cura espontânea
      • O grande substrato dos dermatófitos é a queratina
        • Cabelo, pelos, unhas e a camada superficial da pele
          • Proteína de elevado peso molecular que diferem na sua composição entre as espécies para outra ou até na mesma espécie
            • Exemplos
              • Cabelo
                • Rico em cisteína
              • Pele
                • Rico em metionina
              • Essa diferença é uma das coisas que explicam a predileção de certos dermatófitos por certos locais do corpo ou substratos
        • Os dermatofitoses tem uma enzima chamda de QUERATINASE que é capaz de degradar a queratina
          • Fator de virulência
          • Usa a queratina degradada como substrato como fonte de crescimento
            • Ficam na superfície da epiderme (extrato córneo) e não conseguem crescer de forma profunda
              • Não suportam o processo inflamatório
                • fatores naturais fungistáticos séricos, como a α2-macroglobulina e a transferrina insaturada, que impediriam a sua penetração no organismo
  4. MANIFESTAÇÕES CLINICAS

    • Dermatofitose do corpo (tinea corporis)
      • Quadro clássico
        • Lesões eritematoescamosas
          • Circinadas
          • Isoladas ou confluentes
          • Uma ou várias com crescimento centrífugo
            • Parte externa é mais ativa
          • Por vezes pode ter aspecto concêntrico
      • Outros quadros
        • Há casos com predominância de vesícula
        • Pústula
        • O prurido está sempre presente
      • São localizações usuais os braços, a face e o pescoço
    • Dermatofitose marginada (tinea cruris)
      • Caracteriza-se por lesão eritematoescamosa, a partir da prega inguinal
        • Avançando sobre a coxa, com nitidez de borda (daí o nome marginada)
        • A lesão pode invadir o períneo e propagar-se para as nádegas
          • A região pubiana e, até mesmo, o baixo-ventre
      • É muito pruriginosa
        • Liquenificação é frequente
      • Não acometimento da pele da bolsa escrotal
        • Demonstra a especificidade da ceratinofilia dos dermatófitos
          • Ajuda no diagnóstico diferencial com a candidíase
    • Dermatofitose dos pés (tinea pedis)
      • Três formas
        • Crônica
          • Causada pelo T. rubrum
            • Lesões descamativas pouco pruriginosas, acometendo praticamente toda a região plantar
              • Peculiar e rara a apresentação em “mocassim e/ou em luva”
                • Não necessariamente simétrica
            • Pode acometer crianças mais frequentemente do que se suspeita
        • Intertriginosa
          • Causada
            • T. mentagrophytes var. interdigitale
              • Localização nos espaços interpododáctilos (predominantemente)
                • Caracterizada por fissuras e maceração
        • Aguda
          • Eczematoide, representada por vesículas em geral plantares e digitais
            • Causada
              • T. mentagrophytes var. mentagrophytes
                • Manifesta-se com vesículas, sendo bastante pruriginosa
      • Geralmente se apresenta sob a forma intertriginosa e tem como diagnóstico diferencial eczema atópico, eczema de contato e psoríase plantar
    • Dermatofitose imbricada (tinea imbricata)
      • Agente etiológico é o T. concentricum
        • Lesões escamosas em círculos concêntricos ou que formam arabescos, atingindo grandes áreas do corpo e muito pruriginosas
          • É típica de determinadas regiões, como a Polinésia (“tokelau”); no Brasil (Mato Grosso e Amazônia) tem o nome de “chimberê”
            • Parece ter um caráter genético
    • Dermatofitose ungueal (tinea unguium) ou onicomicose
      • Caracteriza-se por lesões destrutivas e esfarinhentas das unhas, iniciando-se pela borda livre, de cor branco-amarelada, como o marfim velho; geralmente, há ceratose do leito ungueal
        • É doença eminentemente crônica, comprometendo uma ou várias unhas dos pés (preferentemente as do hálux) ou, com frequência bem menor, das mãos
          • O acometimento ungueal é, em geral, secundário ao plantar
    • Dermatofitose do couro cabeludo (tinea capitis)
      • Caracteriza-se pelo comprometimento dos cabelos, que são invadidos e lesados
        • Os cabelos são fraturados próximo à pele
          • Típicas áreas de tonsura
            • Caracterizadas por pequenos cotos de cabelos ainda implantados
              • Tinea tricofítica
                • T. tonsurans
                  • As áreas de deglabração são pequenas
              • Tinea microspóricas
                • M. canis
                  • Área em geral é única e grande
              • Os cabelos voltam ao normal com o tratamento ou com a involução espontânea, na época da puberdade
                • A explicação para essa regressão
                  • Início da produção de ácidos graxos com propriedades fungistáticas
              • Tinea favosa
                • T. schoenleinii
                  • Ocorre atrofia com alopecia definitiva ou cicatricial
                    • Aspecto morfológico muito característico
                      • Escútulas fávicas (godet)
                        • Crosta constituída por micélio, esporos, células, sebo e exsudato
                  • Outros agentes
                    • Zoofílica
                      • T. violaceum
                    • Geofílica
                      • M. gypseum
                    • Também são capazes de causá-la por reação inflamatória intensa com posterior fibrose e atrofia folicular
      • Há também lesões eritematoescamosas do couro cabeludo
    • Dermatofitose inflamatória
      • Três tipos principais
        • Kerion
          • Localizado no couro cabeludo ou na barba
            • Placa de foliculite aguda ou subaguda
            • Eminentemente hiperérgica
            • Intensa supuração e cura espontânea
            • Às vezes com alopecia cicatricial
        • Sicose tricofítica
          • Pústulas centralizadas por pelos na região da barba e do bigode
            • Às vezes são isoladas e, outras vezes, formam conglomerados
              • A evolução é, em geral, crônica
        • Folliculitis capitis abscedens et suffodiens
          • Caracterizada por lesões de foliculite com túneis intercomunicando abscessos, no couro cabeludo
            • Etiologia em geral é estafilocócica, porém, quando micótica, o agente mais frequente é o T. tonsurans
              • Denomina-se perifoliculite abscedante de Hoffmann
    • Dermatofitoses granulomatosas
      • São representadas por manifestações clínicas variadas, mas com características comuns, como dermatófito na derme com reação granulomatosa, com ou sem hipersensibilidade à tricofitina
        • Podem ser localizadas ou generalizadas
          • LOCALIZADAS
            • Tipo Majocchi
              • Ocorrem naturalmente em situações de oclusão ou por uso indiscriminado de corticosteroides
                • Levando à quebra da barreira cutânea
                  • Nódulos com tendência à fistulização
                    • Descritas na face (queixo) ou nos punhos
                      • Frequentemente diagnosticadas por exame histopatológico da lesão
                        • Demonstrando hifas no interior de folículos distendidos e infiltrado inflamatório granulomatoso
            • Tipo Wilson-Cremer
              • Nódulos eritematosos, com tendência à ulceração nos membros inferiores
                • Em geral de mulheres, provavelmente por trauma decorrente da raspagem de pelos
                  • Variante corresponde ao granuloma tricofítico de Majocchi
          • GENERALIZADAS
            • Tipo Azulay
              • Erupção generalizada, eritematoescamosa, com pápulas, tubérculos e comprometimento ungueal
            • Tipo Artom
              • Quadro eritrodérmico com lesões tumorais e adenopatia generalizada
            • Tipo Pelevine-Tchermogouboff
              • Erupção generalizada, com lesões eritematoescamosas, placas de infiltrações, nódulos, alguns dos quais ulcerados, adenopatia e comprometimento ósseo
    • Tinea incógnita
      • O uso de corticoide tópico, ou mesmo sistêmico, pode mascarar o quadro clínico em função da falta de características clínicas da lesão
        • Pruriginosa e pela história de recidivas quando da suspensão do corticoide, suspeita-se do diagnóstico, que é confirmado pelo exame micológico
    • Dermatofítides
      • Quadros hiperérgicos, agudos ou subagudos, de morfologia variada, com tendência a simetria
        • Disseminação hematogênica de produtos antigênicos de dermatófito
          • Propensão a recidivas no portador de dermatofitose
      • O aspecto disidrosiforme é o mais comum
        • Erupções liquenoides, psoriasiformes, morbiliformes, eritemas multiforme e nodoso, púrpura, eritema anular e outros
          • Três são os fundamentos para este diagnóstico
            • Lesões serem desabitadas
            • O fungo ser demonstrado em foco à distância
            • O quadro desaparecer com a cura da dermatofitose
  5. DIAGNÓSTICO

    • EXAME DIRETO (micélios septados e artrosporos).
      • Retira pequenos fragmentos ou secreções do local afetado, como descamações da pele, pelos ou pedaços de unhas
        • Como as micoses se manifestam em partes superficiais, geralmente a retirada dos fragmentos é indolor.
          • Hidróxido de potássio (KOH)
          • Sulfóxido de dimetilo (DMSO)
        • PERIFERIA DA LESÃO
    • Cultura
      • O exame é rápido, indolor e muito simples
        • Consiste na raspagem de parte da região afetada para análise
          • A partir do resultado é que o médico conclui o diagnóstico e define o tratamento
            • Pode incluir medicamentos orais e tópicos, de acordo com a gravidade da lesão
    • Luz de Wood
      • Emissor de luz UV
        • Torna os cabelos fluorescentes esverdeados nas tineas favosa e microspórica (a tricofítica não fluoresce)
  6. TRATAMENTO

    • A conduta terapêutica varia com a forma clínica e espécie causado
      • Processos inflamatórios mais intensos são causados pelas espécies zoofílicas e geofílicas
        • São de fácil tratamento, podendo haver mesmo cura espontânea
      • Infecções causadas pelos fungos antropofílicos
        • Podem ser crônicas e recorrentes como a tinea pedis e as onicomicoses pelo T. rubrum
      • Tratamento tópico
        • A clássica solução alcoólica
          • Tintura de Iodo (1%), ácido salicílico (2%) e ácido benzoico (3%)
            • SUBSTÂNCIAS QUE INDUZEM A RESPOSTA INFLAMATÓRIA ( Tintura de Iodo (1%), ácido salicílico)
          • Foi por muito tempo a primeira escolha terapêutica
            • Lesões da pele glabra, dos pés e das unhas
          • Ácido salicílico (2%), ácido benzoico (3%) e resorcinol
            • AGENTES QUERATOLÍTICOS
              • Substância que tem a propriedade de provocar a queda da camada córnea da epiderme e reduzir a sua espessura
        • Outros medicamentos mais eficazes e atuais são
          • Terbinafina tópica a 1%
          • Derivados imidazólicos
            • Miconazol a 2% Oxiconazol a 1% Tioconazol a 1% Isoconazol a 1% Flutrimazol a 1%
              • ANTIFÚNGICOS
          • Outras opções
            • Tolciclato a 1%, Ciclopiroxolamina a 1% Amorolfina a 0,025%
        • São os antifúngicos em creme, pomada, spray ou loção
          • Podem ser aplicados UMA A DUAS VEZES ao dia por 15 a 30 dias, dependendo do quadro clínico e da extensão da dermatofitose
      • Tratamento sistêmico
        • É RECOMENDO FAZER
          • Tinea capitis
          • Tinea corporis extensa
          • Nicomicoses com grau de acometimento maior que 50% da superfície ungueal e/ou acometimento de matriz ungueal
          • Tinea pedis crônica
          • A GLISEOFULVINA continua sendo de grande utilidade
            • Ela é suplantada, em eficácia
              • Exceção do tratamento da tinea capitis especialmente causado pela espécie Microsporum
              • Menor toxicidade, por todos os novos antifúngicos, porém pode ser a única opção, em termos de custo
            • CRIANÇA
              • 10 a 20 mg/kg/dia
            • ADULTOS
              • 1 g/dia dividida em 2 tomadas
            • Tempo para o tratamento
              • Tinea capitis
                • Cerca de 30 a 45 dias
              • Tinea corporis
                • 20 dias
              • Tinea pedis
                • 45 dias
            • Várias cepas de T. rubrum são resistentes à griseofulvina
              • Itraconazol 100 mg/dia
              • Fluconazol 150 mg/ semana
              • Terbinafina 250 mg/dia
              • TEMPO PARA TRATAMENTO
                • Tinea corporis
                  • 2 a 4 semanas
                • Tinea capitis
                  • 4 a 6 semanas
                • Tinea unguium
                  • O itraconazol é um antifúngico de amplo espectro e tem apresentado ótimos resultados em onicomicose como pulsoterapia, ou seja, 200 mg, 2 vezes/dia durante 7 dias ao mês, por 3 a 9 meses, mas também pode ser empregado 100 mg/dia com resposta semelhante

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Descrição
Mapa Mental sobre DERMATOFITOSES, criado por Lucas Figueiredo Brito em 06-02-2022.
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