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Riachuelo - RM
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Questions in this quiz (59)
1Durante o Império, a política externa brasileira dava muita importância à região do Rio da Prata. Era preciso manter os grandes rios dessa região – o Paraná, o Paraguai e o Uruguai – de livre navegação para os navios brasileiros. A via fluvial formada pelos rios Paraná e Paraguai, por exemplo, era a melhor maneira para se comunicar com a província de [blank_start]Mato[blank_end] [blank_start]Grosso[blank_end]. As intervenções militares do Brasil nos países dessa região ocorreram como consequência dessa política, e foi necessário manter uma Marinha suficientemente aprestada e frequentemente presente no Rio da [blank_start]Prata[blank_end] para efetivá-la.
- AMato
- BGrosso
- CPrata
2Com o Paraguai, persistiu por longo tempo o problema da livre navegação no Rio [blank_start]Paraguai[blank_end]. Aquele país sempre ligava essa discussão ao reconhecimento de sua reivindicação de um território ocupado pelo Brasil, ao sul da província brasileira de Mato Grosso. No período que imediatamente antecedeu ao conflito, no entanto, o problema parecia parcialmente superado, e os navios brasileiros podiam passar por território paraguaio, [blank_start]sem[blank_end] maiores percalços
- AParaguai
- Bsem
3No Uruguai, [blank_start]Venâncio[blank_end] [blank_start]Flores[blank_end] Barrios, chefe do Partido Colorado, invadiu o território uruguaio, em abril de 1863, com tropas organizadas na Argentina com o apoio do governo deste país, para derrubar o governo, então nas mãos do Partido [blank_start]Blanco[blank_end]. O governo argentino, apesar de apoiar os revoltosos, conseguiu manter uma posição oficial de [blank_start]neutralidade[blank_end] durante todo esse conflito uruguaio.
- AVenâncio
- BFlores
- CBlanco
- Dneutralidade
4Essas disputas in- ternas causavam dificuldades e prejuízos aos negócios normais e corretos de brasileiros que tinham propriedades no [blank_start]Uruguai[blank_end], e, com o aumento da violência, passaram a ocorrer ofensas graves e até brutalidades. Tendo em vista que esses brasileiros solicitaram que o governo imperial tomasse providências para que fossem respeitadas suas propriedades e indenizados os que sofreram danos, o Brasil resolveu enviar um d[blank_start]iplomata[blank_end], respaldado por uma Força Naval. Coube ao Almirante [blank_start]Tamandaré[blank_end] o comando dessa força.
- AUruguai
- Biplomata
- CTamandaré
5O Partido Blanco, porém, contava com a simpatia do governo do [blank_start]Paraguai[blank_end], o que lhe era muito importante por se contrapor ao Brasil e a Buenos Aires. O ditador paraguaio, Francisco Solano López, recebeu propostas daquele partido e também dos federales argentinos, liderados por Justo José de [blank_start]Urquiza[blank_end], governador da província de Entre Rios, para estabelecer uma aliança defensiva e ofensiva entre o Paraguai, o Uruguai e Entre Rios. Urquiza se opunha à política centralizadora de Buenos Aires, liderada pelo presidente da Argentina, Bartolomé [blank_start]Mitre[blank_end], e por isso procurava o apoio do Paraguai. López manteve, inicialmente, uma posição cautelosa, evitando com- promissos excessivos, mas a aliança lhe convinha, pois garantiria ao seu país uma saída para o mar, muitas vezes dificultada, no passado, por [blank_start]Buenos[blank_end] [blank_start]Aires[blank_end].
- AParaguai
- BUrquiza
- CMitre
- DBuenos
- EAires
6Os representantes do Partido Blanco em Assunção mantinham López alertado contra supostas más intenções do [blank_start]Brasil[blank_end] e da Argentina contra o Paraguai, aproveitando a desconfiança que ele tinha em re- lação a esses países, principalmente quanto às questões de limites [blank_start]não[blank_end] solucionadas.
- ABrasil
- Bnão
7Como falhou a ação diplomática brasileira no Uruguai, coube a
[blank_start]Tamandaré[blank_end], principal autoridade militar presente, iniciar represálias para exigir reparações do governo (blanco) uruguaio. López, porém, enviou um ultimatum ao governo brasileiro, alertando-o de que uma intervenção militar no Uruguai seria considerada pelo Paraguai como uma declaração de [blank_start]guerra[blank_end] a seu país.- ATamandaré
- Bguerra
8A ameaça de López foi ignorada, e houve a invasão do [blank_start]Uruguai[blank_end] por tropas [blank_start]brasileiras[blank_end] no final de 1864. Isso fez com que o Paraguai iniciasse as hostilidades contra o Brasil, apresasse o Navio [blank_start]Marquês[blank_end] de [blank_start]Olinda[blank_end], que passava por seu território a caminho de [blank_start]Mato[blank_end] [blank_start]Grosso[blank_end], e enviasse, em seguida, tropas para ocupar a região do sul do atual Estado de [blank_start]Mato[blank_end] [blank_start]Grosso[blank_end] do [blank_start]Sul[blank_end], que reivindicava
- AUruguai
- Bbrasileiras
- CMarquês
- DOlinda
- EMato
- FGrosso
- GMato
- HGrosso
- ISul
9Solano López procurou obter permissão da [blank_start]Argentina[blank_end] para passar com suas tropas para invadir o Brasil. Enviou, em janeiro de 1865, uma nota pedindo consentimento ao governo argentino para atravessar o território da província de [blank_start]Corriente[blank_end]s a fim de atacar a província brasileira do [blank_start]Rio[blank_end] [blank_start]Grande[blank_end] do [blank_start]Sul[blank_end]. Como não obteve esta permissão, tropas paraguaias cruzaram a fronteira argentina e ocuparam a cidade de [blank_start]Corrientes[blank_end], em 13 de abril de 1865. De- pois, uma coluna avançou para o Sul, pela margem esquerda do Rio Paraná, enquanto outra invadiu o Brasil por São Borja, no Rio Grande do Sul. Essas colunas se encaminharam para o Sul, na direção de Entre Rios e na direção do Uruguai, respectivamente. É provável que López esperasse a adesão dos federales argentinos e dos [blank_start]blancos[blank_end] uruguaios, com a aproximação de suas tropas. Nessa fase inicial do conflito, os paraguaios d[blank_start]errotaram[blank_end] todas as tentativas de resistência argentinas e brasileiras, e sua vitória na guerra lhes parecia rápida e certa
- AArgentina
- BCorriente
- CRio
- DGrande
- ESul
- FCorrientes
- Gblancos
- Herrotaram
10A invasão de seu território fez com que a [blank_start]Argentina[blank_end], que tendia a manter uma posição de neutralidade, não se envolvendo militarmente, como fizera na intervenção brasileira no [blank_start]Uruguai[blank_end], aceitasse uma aliança com o Brasil contra o Paraguai.
- AArgentina
- BUruguai
11O Brasil, a Argentina e a República Oriental do Uruguai assinaram, em 1o de maio, o Tratado da [blank_start]Tríplice[blank_end] Aliança contra o governo do Paraguai. Esse tratado teve por finalidade explícita obter, ao término da guerra, o fim da ditadura de Solano López, a resolução definitiva dos litígios de fronteira do Paraguai com o Brasil e a Argentina e o estabelecimento da [blank_start]livre[blank_end] navegação nos rios da região. Nele se afirmava não ser a guerra contra o povo paraguaio e sim contra seu governo. Respeitar-se-ia a independência, a soberania e a integridade territorial da República do Paraguai, e o povo paraguaio poderia escolher o governo e as instituições que lhe aprouvessem, não podendo se incorporar a nenhum dos a[blank_start]liados[blank_end] e nem pedir seu p[blank_start]rotetorado[blank_end] como consequência da guerra.
- ATríplice
- Blivre
- Cliados
- Drotetorado
12Resolvido o conflito no Uruguai, Tamandaré passou a tomar providências para que houvesse um apoio logístico adequado, com suprimento de carvão, mantimentos e munição e capacidade de reparação de seus navios. Efetivou o bloqueio naval, dividindo sua Força Naval em três divisões. Uma era composta de navios cujos calados impediam que operassem no Médio Paraná, tendo como capitânia a Corveta [blank_start]Niterói[blank_end], que, sob seu comando direto, permaneceu no Rio da Prata, com base em [blank_start]Montevidéu[blank_end]. As outras duas subiram o Rio Paraná, com o propósito de também apoiar as tropas alia- das, que tentavam reagir contra o avanço paraguaio em território argentino. Coube inicialmente ao Capitão de Mar e Guerra Segundino Gomensoro comandar a Força Naval Brasileira no Paraná e apoiar o avanço das tropas aliadas rio acima.
- ANiterói
- BMontevidéu
13Apesar de a guerra com o Paraguai não ser considerada como um conflito de eleva- da probabilidade de ocorrência pelo Brasil, no Programa Naval Brasileiro apresentado pelo Ministro da Marinha em 1864 já constavam navios com [blank_start]couraça[blank_end], limitação de calado e calibre de canhões suficientes para enfrentar fortificações nas margens de rios, necessários para defender os interesses do País. Esse programa, no entanto, ainda não produzira resultados materiais. Os navios da Marinha brasileira eram navios de o[blank_start]ceano[blank_end], inadequados para operar em rios, onde o [blank_start]calado[blank_end] deve ser o menor possível, para evitar encalhes
- Acouraça
- Bceano
- Ccalado
14Logo, a Força Naval sob o comando de Gomensoro, cujo capitânia era a Corveta J[blank_start]equitinhonha[blank_end], começou a ser criticada pela imprensa de Buenos Aires, inclusive pelo jornal Nacion Argentina, porque progredia muito lentamente rio acima. Na realidade, havia dificuldades no apoio ao pequeno
corpo do Exército argentino comandado pelo General Paunero. O próprio Paunero produziu um documento, publicado pela Tribuna, de Buenos Aires, em que afirmava que a demora era causada por ele depender dessa Força Naval como base para suas operações. Como o rio estava baixo, os en- calhes de navios também eram frequentes e causadores de atrasos. De uma forma geral, essa hostilidade da imprensa argentina c[blank_start]ontra[blank_end] a Marinha brasileira se manteria durante boa parte da guerra.- Aequitinhonha
- Bontra
15Procurando obter mais agressividade da Força Naval no Rio [blank_start]Paraná[blank_end], Tamandaré determinou que seu próprio chefe de Esta- do-Maior, o Chefe de Divisão Francisco Manoel Barroso da Silva, subisse o Paraná e assumisse o [blank_start]comando[blank_end]
- AParaná
- Bcomando
16[blank_start]Barroso[blank_end] era um experiente chefe naval, que participou da sucessão de guerras e conflitos internos no período crítico da formação do Brasil, no qual se consolidou a unidade do território nacional. Era rigo- roso, um autêntico comandante de grandes veleiros do século XIX, temido por sua aparência séria – de “ator trágico”, como o descreve, pouco mais tarde, o futuro Barão de Teffé. [blank_start]Tamandaré[blank_end] confiava totalmente nele e conhecia-o muito bem. Eram amigos desde jovens, quando foram colegas em um
curso de inglês no Rio de Janeiro, e Tamandaré, certa vez, salvara a vida de Barroso quando este se afogava. Serviram juntos, no mesmo navio, diversas vezes.- ABarroso
- BTamandaré
17Ele subiu o rio na Fragata [blank_start]Amazonas[blank_end], um navio misto, a velas e de propulsão por má- quina a [blank_start]vapor[blank_end] e [blank_start]rodas[blank_end] laterais. Acompanhavam-no a Corveta Parnaíba e a Canhoneira Ivaí, também mistos, mas com hélices. Eram navios de [blank_start]madeira[blank_end] adequados para navegar no [blank_start]oceano[blank_end], como todos os navios da Força Naval brasileira nessa fase inicial da guerra, e sua navegação no Rio Paraná exigia muito cuidado para evitar que encalhassem. Encalhar, principalmente próximo às margens ocupadas pelo inimigo, poderia redundar na perda do navio e da tripulação.
- AAmazonas
- Bvapor
- Crodas
- Dmadeira
- Eoceano
18Logo após assumir o comando da Força Naval, Barroso subiu o rio, a fim de apoiar um ataque, com desembarque de tropas aliadas, para recuperar a cidade de [blank_start]Corrientes[blank_end]. Os navios encalharam diversas vezes, e ele chegou a ter dúvidas se a [blank_start]Amazonas[blank_end], que era o maior deles, deveria prosseguir
- ACorrientes
- BAmazonas
19A logística também o preocupava muito, principalmente a comida e a falta de [blank_start]carvão[blank_end] causada pela perda do estoque existente em Corrientes para os paraguaios. Por sua correspondência com [blank_start]Tamandaré[blank_end], existente no Arquivo da Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, pode-se avaliar bem as dificuldades que encontrou.
- Acarvão
- BTamandaré
20No ataque a Corrientes, em 25 de maio, houve inicialmente bom êxito, mas os paraguaios reagiram e, no dia seguinte, foi preciso reembarcar as tropas aliadas. No começo da guerra, o Paraguai, que havia mobilizado suas tropas no início de 1864, conseguia vencer em quase [blank_start]todos[blank_end] os confrontos
- Atodos
21A Força Naval brasileira permaneceu, no entanto, fundeada no Rio [blank_start]Paraná[blank_end], nas imediações de [blank_start]Corrientes[blank_end], portanto bem dentro de território ocupado pelo inimigo e com todas as dificuldades logísticas disso decorrentes, principalmente quanto ao suprimento de carvão e carne, que tinham que ser transportados rio acima, passando por margens ocupadas por paraguaios. Assim estava a Força Naval brasileira na manhã de 11 de junho de [blank_start]1865[blank_end], quando foi atacada por uma Força Naval paraguaia e se iniciou a Batalha Naval do Riachuelo.
- AParaná
- BCorrientes
- C1865
22A recuperação de Corrientes pelos aliados, embora f[blank_start]rustrada[blank_end], mostrou ao alto comando paraguaio que a presença dos navios brasileiros no Rio Paraná era uma séria ameaça para suas tropas que avançavam para o sul pela margem esquerda – a margem direita é o [blank_start]Chaco,[blank_end] com terreno alagadiço e inóspito. Esses navios davam mobilidade às tropas da Tríplice Aliança e ameaçavam permanentemente o flanco direito paraguaio, tornando-o vulnerável a novos ataques. Era preciso, portanto, eliminar a presença do poder naval inimigo
- Arustrada
- BChaco
23Os preparativos para o ataque aos navios brasileiros foram realizados sob a orientação direta do próprio López. O plano consistia em surpreendê-los fundeados, abordá-los e, após a vitória, rebocá-los para [blank_start]Humaitá[blank_end]. Por isso os navios paraguaios estavam superlotados com tropas. Tirando o máximo proveito do terreno ao longo do Rio Paraná, ele mandou também assentar canhões nas barrancas da Ponta de Santa Catalina, que fica imediatamente antes da foz do [blank_start]Riachuelo[blank_end], um pequeno [blank_start]afluente[blank_end] do Paraná, que dista uns 17 quilômetros da cidade de [blank_start]Corrientes[blank_end], e reforçar com tropas de infantaria o Rincão de Lagraña – local assim chamado porque era uma estância do governador de Corrientes de nome Lagraña–, que lhe fica a jusante. Da extremidade sul do Rincão de Lagraña, que tem uma bar- ranca mais elevada, os paraguaios podiam atirar sobre os conveses dos navios brasileiros que escapassem, descendo o Paraná. O local era perfeito para uma armadilha, pois o canal navegável era estreito e tortuoso, com risco de encalhe em bancos submersos, e forçava as embarcações a passarem próximo à margem esquerda.
- AHumaitá
- BRiachuelo
- Cafluente
- DCorrientes
24Existem também diversas i[blank_start]lhas[blank_end] nesse trecho do rio. As principais são as Palomeras, baixas e cobertas com vegetação. Elas ficam entre o canal que era utilizado nessa época e a margem direita, que é ocupada pelo Chaco. O rio modificou, com o tempo, essas ilhas, que são muito baixas, com árvores e mato. O canal que se usa atualmente é do outro lado das Palomeras, entre elas e a margem direita do Paraná
- Alhas
25 margem esquerda não está muito diferente do que era há aproximadamente 150 anos. A ponta de Santa Catalina pertence ao governo argentino e lá existem quartéis do Exército. O mato ainda domina a região, com árvores espalhadas, que se concentram principalmente perto da margem. O Rincão de Lagraña ainda é uma estância, com criação de gado e plantação. Na parte mais elevada, sobre a barranca, ao sul, existe, desde os dias seguintes à Batalha, um cemitério de soldados paraguaios mor- tos nos combates e, talvez, de marinheiros brasileiros que desapareceram no rio, em 11 de junho de [blank_start]1865[blank_end].
- A1865
26O [blank_start]Riachuelo[blank_end], nome que se traduz por “pequeno riacho” em português, é largo na cheia e muito raso. Não é navegável e [blank_start]não[blank_end] houve combate em suas águas. O croqui da região, desenhado pelo Barão de Teffé na época, o mostra com duas bocas na vazante.
- Anão
- BRiachuelo
27A BATALHA NAVAL DO RIACHUELO
Na noite de 10 para 11, a Força Naval brasileira comandada por Barroso, constituída pela Fragata [blank_start]Amazonas[blank_end], pelas Corvetas J[blank_start]equitinhonha[blank_end], B[blank_start]eberibe[blank_end], P[blank_start]arnaíba[blank_end] e Bel[blank_start]monte[blank_end] e pelas Canhoneiras M[blank_start]earim[blank_end], A[blank_start]raguar[blank_end]i, I[blank_start]guatemi[blank_end] e I[blank_start]piranga[blank_end], continuava fundeada ao sul da cidade de [blank_start]Corrientes[blank_end], próxima à margem direita. De lá avistaram, pouco depois das 8 horas da manhã, a Força paraguaia comandada pelo Capitão de Fragata Pedro Inácio M[blank_start]ezza[blank_end], com os navios Taquari, Paraguari, Igurei, Iporá, Jejuí, Salto Oriental, Marquês de Olinda e Pirabebe. Rebocavam seis chatas artilhadas. Seu poder de fogo, apesar do reforço das chatas, era [blank_start]menor[blank_end] do que o dos brasileiros.- AAmazonas
- Bequitinhonha
- Ceberibe
- Darnaíba
- Emonte
- Fearim
- Graguar
- Hguatemi
- Ipiranga
- JCorrientes
- Kezza
- Lmenor
28A chata paraguaia, [blank_start]sem[blank_end] propulsão própria, armada com um canhão de alma [blank_start]lisa[blank_end] e de grande calibre, era uma ameaça respeitável, difícil de ser destruída, por ser um alvo pouco vulnerável, devido à pequena borda [blank_start]livre[blank_end] Os navios paraguaios tinham [blank_start]menor[blank_end] calado do que os da Força Naval brasileira, portanto eram mais apropriados para navegar em rios e corriam menores riscos de encalhar. Mas apenas um deles, o T[blank_start]aquari[blank_end], fora construído para ser um navio de guerra; os outros eram navios mercantes armados.
- Asem
- Blisa
- Clivre
- Dmenor
- Eaquari
29Todos os navios brasileiros tinham h[blank_start]élice[blank_end] para sua propulsão, exceto a [blank_start]Amazonas[blank_end], que possuía rodas laterais. Os paraguaios, exceto o Pirabebe e o Salto Oriental, eram movi- mentados por rodas laterais. As rodas tinham algumas vantagens quando navegando em rios, porque permitiam maior capacidade de manobrar em espaços r[blank_start]estritos[blank_end] e eram uma boa solução para instalar propulsores em navios com calado muito reduzido. As desvantagens eram a vulnerabilidade a a[blank_start]varias[blank_end] em combate, por tiros ou colisões e o espaço lateral que ocupavam, reduzindo o número de [blank_start]canhões[blank_end] que poderiam ser instalados em [blank_start]bateria[blank_end], ou seja, nos bordos.
- Aélice
- BAmazonas
- Cvarias
- Destritos
- Ecanhões
- Fbateria
30Mezza se a[blank_start]trasara[blank_end] devido a problemas na propulsão de um de seus navios, o Iberá, que acabou sendo deixado para trás. O r[blank_start]eboque[blank_end] das chatas também atrapalhou, pois sua pequena bor- da-livre permitia que entrasse [blank_start]água[blank_end] quando os navios que as rebocavam aumentavam a velocidade para compensar o tempo perdido (segundo depoimento manuscrito do Comandante Remigio Cabral, que sucedeu Mezza no comando após o combate). Ele decidiu [blank_start]não[blank_end] largar as chatas, pois sua presença na batalha era uma determinação de López, e, chegando tarde, d[blank_start]esistiu[blank_end] de iniciar o combate com a abordagem. Julgava que não havia surpreendido os brasileiros e é acusado de ter, assim, perdido sua melhor chance de vitória. O ataque à Força Naval ainda i[blank_start]mobiliz[blank_end]ada era a tática que teria maiores probabilidades de bom êxito.
- Atrasara
- Beboque
- Cágua
- Dnão
- Eesistiu
- Fmobiliz
31A s[blank_start]urpresa[blank_end], na realidade, foi maior até do que se poderia supor. Era uma manhã de domingo, parte das guarnições estava em terra para buscar lenha, com o propósito de poupar [blank_start]carvão[blank_end], e é sempre difícil manter um estado prolongado de alerta quando as ameaças não se fazem frequentemente sensíveis, como naquela situação em que se encontravam
- Acarvão
- Burpresa
32O navio brasileiro que avistou os paraguaios foi a Canhoneira [blank_start]Mearim[blank_end]. Seu comandante, o Primeiro-Tenente Elisiário José Barbosa, relatou: “Pouco depois das 8 horas da manhã de 11, tendo a vigia do mastro de proa desta canhoneira avistado navios do lado da Ilha Mera, mandei içar o sinal de inimigo à vista. [...]”. A [blank_start]Mearim[blank_end] não era o primeiro navio, mas, como não estavam muito distantes e era preciso perceber a silhueta dos navios inimigos contrastando com as ilhas, é aceitável que o vigia que estava no mastro da Mearim avistasse primeiro e desse o alarme. Apesar de o comandante da [blank_start]Mearim[blank_end] ter registrado que avistou o inimigo pouco depois das 8 horas, os outros comandantes registraram horas um pouco diferentes. Conclui-se que o inimigo foi avistado em algum instante depois das 8 e antes das 9 horas da manhã
- AMearim
- BMearim
- CMearim
33Alertada, a Força Naval brasileira se preparou para o combate iminente, as tripulações assumindo seus postos, despertando o fogo das fornalhas das caldeiras com carvão e largando as amarras. Às 9h25, dispararam-se os primeiros tiros de artilharia. “Choviam de parte a parte balas e metralha. Era uma chuva de respeito”, segundo Barroso. Passou, logo em seguida, a força paraguaia, em coluna, pelo través da brasileira ainda imobilizada, indo logo depois rio abaixo para as proximidades da margem esquerda, logo após o local onde estavam as baterias de terra. Fechou-se, assim, uma armadilha em uma extensão de uns seis quilômetros, ao longo do trecho do Paraná junto à foz do [blank_start]Riachuelo[blank_end]. Coube a iniciativa desse primeiro combate aos [blank_start]paraguaios[blank_end], mas um de seus navios foi seria- mente danificado por um tiro brasileiro, que atingiu sua caldeira, que, por sua origem de navio mercante, ficava exposta, no convés.
- ARiachuelo
- Bparaguaios
34Passou-se um bom intervalo de tempo para que os navios brasileiros pudessem se movimentar, inclusive porque era necessário alimentar as fornalhas com [blank_start]carvão[blank_end] para elevar a pressão das caldeiras. Somente às 10h50, aproximadamente, moveu-se a força brasileira, em coluna, descendo o Paraná em direção ao [blank_start]Riachuelo[blank_end], que dista uns dez quilômetros do local de fundeio.
- Acarvão
- BRiachuelo
35Pouco tempo depois, a coluna brasileira, com a Corveta B[blank_start]elmonte[blank_end] à frente, avistou as barrancas de Santa [blank_start]Catalina[blank_end]. Somente mais adiante, já com as barrancas pelo través, era possível ter a visão completa da curva do Rincão de Lagraña, a jusante da foz do Riachuelo, onde estavam parados os navios e as chatas da força paraguaia. Era, provavelmente, difícil distinguir os canhões paraguaios instalados nas barrancas de Santa Catalina, devido à vegetação da margem
- Aelmonte
- BCatalina
36Quando avistou os navios inimigos parados próximo à margem esquerda, Barroso resolveu d[blank_start]eter[blank_end] a Amazonas para impedir que os paraguaios pudessem escapar subindo o rio. Em sua parte oficial, ele destacou: “Ou devia ficar estacionário ou descer com a Esquadra sobre os vapores paraguaios; mas essa descida podia malograr-se, porque eles podiam subir, dando volta por detrás de duas ou três ilhas entre as quais há um canal de água escassa.” Sua manobra, porém, foi mal entendida por alguns dos comandantes brasileiros que guinaram para acompanhá-lo. Barroso, na mesma parte, reclamou que teve de “vencer as dificuldades do nosso confuso regimento de si- nais”. O [blank_start]Jequitinhonha[blank_end] acabou encalhando próximo às baterias paraguaias de terra e a [blank_start]Belmonte[blank_end] investiu na passagem sozinha, concentrando em si todo o fogo do inimigo. O comandante da Jequitinhonha, Capitão- Tenente Joaquim José Pinto, relatou que iam descendo o rio em direção dos navios inimigos, mas, “[...] por ordem do Sr. Chefe Gomensoro, tornamos águas acima, estando o Vapor Amazonas e alguns navios nessa posição”. Continuou em seguida seu relato: “O navio chefe [Amazonas] fez para a Jequitinhonha o sinal de bater o inimigo mais próximo possível [Atacar e destruir o inimigo o mais perto que puder]; indo-se executar esta ordem, teve-se de virar águas abaixo; nessa manobra encalhou a Jequitinhonha no banco de areia, que divide os dois canais estreitos em frente à bateria de terra do inimigo, e por mais esforços que se fizeram não foi possível safá-lo. Fez-se sinal de estarmos encalhados. Começou então sobre nós um fogo vivíssimo de terra [...].”
- Aeter
- BJequitinhonha
- CBelmonte
37Para reorganizar sua Força Naval, Bar- roso avançou com a Amazonas, assumiu a liderança dos navios que estavam a ré da Belmonte e, seguido por eles, completou a passagem, sob o fogo dos canhões paraguaios e da fuzilaria de terra. A parte de combate do comandante da Canhoneira Araguari, Primeiro-Tenente Antônio Luís von Hoonholtz, relata essa passagem: “[...] tratei imediatamente de ocupar o meu lugar na linha e seguir a toda força na popa da Mearim, debaixo de um fogo vivíssimo de artilharia e fuzilaria e respondendo com a mesma vivacidade, graças à exercitada guarnição de três rodízios e das peças de 32 e de campanha [...]. Tendo porém suspendido a Esquadra inimiga e subindo justamente na ocasião em que chegamos ao lugar mais estreito entre o banco e a bateria, vimo-nos de repente cercados por três dos seus vapores, que pretendiam abordar-nos, aproximando-se o da frente, que disse o prático ser o Taquari, a 8 ou 10 braças do costado de bombordo (BB) dessa canhoneira; mas felizmente os três rodízios carregados com bala e metralha sendo dis- parados sobre ele à queima-roupa, fizeram- no arribar incontinenti para o seu estibor- do (EB), e assim transpusemos, sob um chuveiro de balas, o lugar mais apertado [...].” Depois de completar a passagem pela região da foz do [blank_start]Riachuelo[blank_end], às 12h10 Barroso afastou-se, descendo o Rio Paraná com apenas [blank_start]seis[blank_end] dos seus [blank_start]nove[blank_end] navios.
- ARiachuelo
- B6
- C9
38Nessa primeira fase da Batalha Naval do Riachuelo, o resultado era altamente insatisfatório para o Brasil. A [blank_start]Belmonte[blank_end], que foi o primeiro navio brasileiro que passou, foi tão castigada pelo fogo inimigo que, fazendo água além da capacidade de esgoto de suas bombas, dirigiu-se, depois, para encalhar propositadamente em um banco da ilha mais ao sul da região do combate, ficando, a partir de então, fora de ação. Dois navios brasileiros não completaram a passagem: a [blank_start]Jequitinhonha[blank_end], que, encalhada para sempre perto da Ponta de Santa Catalina, lutava para repelir tentativas de abordagem; e a Corveta [blank_start]Parnaíba[blank_end], que sofria abordagens de três navios paraguaios.
- ABelmonte
- BJequitinhonha
- CParnaíba
39Barroso alcançou, rio abaixo, um local onde podia fazer a volta no canal navegável, com seus seis navios restantes, e regressou para a região da foz do Riachuelo. Em continuação, a parte de combate do comandante da Araguari relata que: “[...] transpusemos, sob um chuveiro de balas, o lugar mais apertado, dando volta apenas quando houve lazeira, e seguindo outra vez a popa do navio-chefe a fim de batermos novamente o inimigo e socorrer a Parnaíba [...].” Cerca de uma hora depois, Barroso estava novamente em frente à ponta sul do Rincão de Lagraña, em coluna, na seguinte ordem: Amazonas, Beberibe, Mearim, Araguari, Iguatemi e Ipiranga. A situação era crítica. A Jequitinhonha conseguira repelir todas as tentativas de abordagem, mas continuava sob o bombardeio dos canhões da margem do rio. No convés da Parnaíba, ocorriam lutas corpo a corpo terríveis, re- sultando em mortes heróicas de brasileiros e paraguaios. Seu convés chegou a ser do- minado pelo inimigo. A parte de combate do comandante da Parnaíba, Capitão-Te- nente Aurélio Garcindo Fernandes de Sá, relata: “[...] ficamos na cauda da linha e pela proa da Jequitinhonha, que a fechava. O inimigo, percebendo que este último havia encalhado, atacou a nossa linha, cortando-a na altura da Parnaíba. Avançaram sobre nós três vapores paraguaios, que mais tarde reconheci serem o Taquari, o Paraguari e o Salto. Sendo inevitável a abordagem, ordenei que funcionasse a máquina com toda a pressão do vapor e dirigi-me sobre o Paraguari, tendo a felicidade de metê-lo a pique [na realidade fez-lhe um rombo no costado, inutilizando-o, e o Paraguari, de água aberta, acabara encalhando para não afundar]. O Taquari abordou-nos por BB, e o Salto, por EB. Nesta luta heroica em que cada oficial, marinheiro e soldado cumpriu com o dever de verdadeiro brasileiro, mui- tas vidas preciosas foram sacrificadas no altar da Pátria. O capitão do 9o Batalhão de Infantaria, Pedro Afonso Ferreira, e o Guar- da-Marinha João Guilherme Greenhalgh sucumbiram defendendo o Pavilhão Nacional, que chegou a ser arriado por um oficial do Taquari, conseguindo depois apoderar- se do leme, tendo sido acutilada nessa ocasião quase toda a guarnição do quarto rodízio [de ré], que heroicamente lutou contra as hordas de nossos inimigos, que, superiores em número, apossaram-se da tolda. Sendo a luta desesperada, e cada vez mais crítica a nossa situação, por haver-nos abordado pela popa o Marquês de Olinda, e durante talvez já uma hora o combate de mosquetaria e ferro frio, fizemos todos um esforço supremo de patriotismo, aplaudindo com entusiasmo a ordem transmitida pelo oficial imediato, o Primeiro-Tenente Felipe Firmino Rodrigues Chaves, de combinação comigo, para que se lançasse fogo ao paiol de pólvora, ordem esta que ia ser imediatamente executada pelo corajoso escrivão de 2a classe, José Correia da Silva, quando felizmente ouviram-se os gritos de ‘viva a Nação Brasileira, o Imperador, o Almirante Tamandaré, o Chefe Barroso e a guarnição da Parnaíba’. Eram vozes de nossos marinheiros e soldados, acometendo resolutamente os paraguaios, que se escapa- vam por haver percebido que a Amazonas e a Belmonte [não era a Belmonte, que estava encalhada, o navio que viram era a Bebe- ribe] vinham em nosso auxílio, e também a Mearim.” Mais adiante cita outros heróis que perderam a vida nesse combate – o [blank_start]Marinheiro[blank_end] Marcílio Dias, “a praça mais distinta da Parnaíba”, e Feliciano J. de Andrade Maia, tenente do 9o Batalhão de Infantaria, e também inclui outros nomes que, por sua atuação no combate, mereciam ser citados. Marcílio Dias, que já se distinguira na tomada de [blank_start]Paissandu[blank_end] defendendo seu canhão, lutou contra quatro paraguaios, matou dois e acabou sendo morto.
- AMarinheiro
- BPaissandu
40Quando os navios que o abordavam desatracaram da Parnaíba, desistindo devido à aproximação da Amazonas, liderando a coluna dos brasileiros, alguns marinheiros e soldados paraguaios saltaram n’água, fugindo. Ficaram no convés, porém, cerca de 30 paraguaios mortos, inclusive o bravo tenente do Taquari, que chegou a arriar a bandeira brasileira. Quanto às baixas brasileiras, Barroso depois relatou: “Na [blank_start]Parnaíba[blank_end] tivemos 33 mortos, 28 feridos e uns 20 extraviados, que se supõe terem caído ao rio
- AParnaíba
41Tirando vantagem do porte da Amazonas e contando com a perícia do [blank_start]prático[blank_end] natural tinha a bordo, Barroso usou seu navio para abalroar os paraguaios e vencer a batalha. Foi um improviso – seu navio não tinha [blank_start]esporão[blank_end], nem a proa propositadamente re- forçada para ser empregada como aríete. A parte de combate de Barroso, datada de 12 de junho, foi manuscrita após as fainas de salvamento da noite e ainda sob a emoção e a fadiga da batalha. Depois, essa parte de combate, mais espontânea, teve uma versão oficial para ser publicada, com algumas palavras substituídas e correções de ortografia
- Aprático
- Besporão
42Transcreve-se a seguir o trecho dessa parte oficial que descreve a ação da Força Naval brasileira ao retornar para a “armadilha de Riachuelo”: “Subi, com a resolução firme de acabar de uma vez com a Esquadra para- guaia, o que eu teria conseguido se quatro de seus vapores que estavam mais acima
não tivessem fugido. [...] Assim, pus a proa sobre o primeiro (o Jejuí) que mais próximo me ficava e com tal ímpeto que o inutilizei completamente, ficando de água aberta e indo pouco depois ao fundo. [...] Segui a mesma manobra contra o segundo, que era o Marquês de Olinda, e contra o terceiro, que era o Salto, e a todos eles inutilizei. O quarto vapor contra o qual me arremessei, o Paraguari, recebeu tal rombo no costado e nas caldeiras que foi encalhar em uma ilha em frente, para a qual fugiu a sua gente, abandonando-o [mais adiante, no mesmo relato, Barroso acrescenta que foi a Parnaíba que primeiro inutilizou o Paraguari aproando sobre ele e disparando-lhe um de seus rodízios, quando ele tentara abordá-la]. Em seguimento, aproei a uma das baterias flutuantes [chatas], que foi logo a pique com o choque e um tiro. Todas estas manobras foram feitas pela [blank_start]Amazonas[blank_end] debaixo do mais vivo fogo, quer dos navios e chatas, quer das baterias e da mosquetaria de terra. A minha intenção era destruir por esta forma toda a Esquadra paraguaia antes que encalhásse-
mos em movimentos de subida e descida. Mas os quatro restantes, vendo a minha manobra e a resolução de aproá-los a todos, trataram de fugir rio acima. Concluída esta faina pelas 4 horas da tarde, tratei de to- mar as chatas, as quais eram logo abandonadas assim que eu delas me aproximava, saltando suas guarnições ao rio e fugindo a nado para ter- ra, que estava próxima.”
- AAmazonas
43Antes do pôr do sol de 11 de junho, a vitória era brasileira. Os quatro navios paraguaios que escaparam, fugindo rio acima, eram o Taquari, o Igurei, o Pirabebe e o Iporá. Barroso, posteriormente, foi criticado porque os deixou f[blank_start]ugir[blank_end]. Os dois navios brasileiros que os per- seguiram, Araguari e Beberibe, regressaram, com receio de encalhar, ao cair da noite. O rio estava baixo e era pouco conhecido pelos brasileiros. Eram dois contra quatro, e o risco que corriam, se encalhassem, era muito grande
- Augir
44Em sua parte, o Capitão-Tenente Bonifácio Joaquim de Sant’Ana, comandante da Beberibe, registrou: “Vendo eu então que quatro dos vapores inimigos seguiam rio acima, procurando evitar a sorte dos outros, que já estavam destruídos ou tomados, dei-lhes caça, e, aproximando-me do maior deles com a firme tenção de abordá- lo, cheguei a partir o pau da giba em sua popa, fazendo-lhe grossa avaria não só com o rodízio como com a fuzilaria. Tinha, porém, o inimigo com ardil procurado o banco e, dando-me o prumo duas braças, evitei que o meu navio encalhasse como me assegurava o prático, guinando para o canal, porque, estando só nessa ocasião, te- ria de suportar, se encalhasse, a abordagem talvez dos quatro vapores que seguiam em pequena distância um dos outros. O inimigo conheceu que não me deixava levar por sua manobra, e que lhe fazia muito mal com a artilharia. Pôs-se, por isso, em [blank_start]fuga[blank_end] por cima do banco, seguindo a toda força e prevalecendo-se da superioridade de sua marcha. Ainda continuei por algum tempo a dar caça aos fugitivos, acompanhado então da Canhoneira Araguari, que se aproximava de mim, mas desisti desse intento por não poder alcançá-lo.”
- Afuga
45Von Hoonholtz, da A[blank_start]raguari[blank_end], relatou que subira o rio, em perseguição dos qua- tro navios que escapavam a toda força, e aproximou-se da Beberibe e a ultrapassou. Parando a Beberibe, continuou sozinho a perseguição, “fazendo com o rodízio de proa um fogo incessante, do qual resultou arrombar-se toda a popa da Taquari, a ponto de obrigar esse navio a se colocar no lugar de outro vapor, também de dois canos, que passou a cobrir-lhe a retaguarda. Às 5 horas e meia, vendo-me só, a grande distância da Beberibe e a mais de três mi- lhas de nossa força naval, tive de parar por conhecer a inconveniência e a loucura de ir batê-los de noite com tanta desproporção e sem esperança de socorro na distância que me achava dos mais navios. Esperei contudo no mesmo lugar até que, aproximando-se de novo a Beberibe, me repetiu a ordem de voltar, a qual executei descendo com ela para junto da Jequitinhonha, onde coloquei-me de modo a protegê-la com a artilharia contra as baterias de terra que, de quando em quando, ainda me faziam um fogo certeiro”.
- Araguari
46Os quatro navios que escaparam foram para H[blank_start]umaitá[blank_end]. O Comandante Mezza, da Força Naval paraguaia, estava mortalmente ferido a bordo do Taquari.
- Aumaitá
47Barroso não se preocupou em perseguir os navios paraguaios que fugiram, porque os navios brasileiros encalhados e a Parnaíba, que estava com o leme inutilizado e que, então, procurava governar precariamente utilizando suas velas, pre- cisavam ser so[blank_start]corridos[blank_end]. A região estava repleta de tropas paraguaias, e os canhões da margem continuavam atirando inces- santemente. Com a Amazonas, foi para perto da Belmonte, que estava alagada, com muita água a bordo. Sua tripulação tapava os buracos do costado com tábuas para controlar o alagamento e possibilitar que suas bombas esgotassem o suficiente para flutuar o navio. Determinou que a Mearim rebocasse a Parnaíba, para trazê-la para um local seguro, e que outros navios socorressem a Je[blank_start]quitinhonha[blank_end], que continuava sofrendo intenso bombardeio das baterias paraguaias instaladas em terra, que somente cessou com o cair da noite.
- Acorridos
- Bquitinhonha
48A Ipiranga, que tentava desencalhar a Jequitinhonha, acabou e[blank_start]ncalhando[blank_end] também, tornando-se muito vulnerável, caso persistissem os tiros da margem
- Ancalhando
49Von Hoonholtz, depois, comentou que se combateu em Riachuelo durante aproximadamente nove horas naquele dia 11. A escuridão da noite e o cansaço arrefeceram os ânimos exaltados pelos c[blank_start]ombates.[blank_end]
- Aombates
50OS DIAS SEGUINTES À BATALHA
No dia seguinte, 12 de junho, continuou o drama. Havia muitos mortos e feridos na J[blank_start]equitinhonha[blank_end]. Entre outros, o Chefe Gomensoro também estava ferido e o prático, que era argentino, havia morrido. O Jejuí e o Salto já haviam afundado, mas no Marquês de Olinda e nas ilhas havia ainda muitos paraguaios feridos necessitando de socorro. O comandante do Salto foi levado para bordo da Mearim, e o do Marquês de Olinda para a Amazonas. Ambos estavam feridos- Aequitinhonha
51A Ipiranga conseguiu desencalhar em boa hora, pois os paraguaios reiniciaram um forte bombardeio com seus canhões das margens de Santa Catalina na tarde do dia 13, fazendo com que se interrompesse o salvamento da [blank_start]Jequitinhonha[blank_end]. Este navio estava muito castigado pelos impactos recebidos e continuava firmemente encalhado. Barroso decidiu inutilizá-lo. Deu ordem também para i[blank_start]ncendiar[blank_end] os navios inimigos abandona- dos, que ainda não haviam afundado
- AJequitinhonha
- Bncendiar
52No dia 15, a Força Naval brasileira começou a descer o Rio Paraná, para regressar a [blank_start]Corrientes[blank_end] somente quando, mais tarde, os exércitos aliados
avançaram até essa cidade- ACorrientes
53Terminada a batalha e as fainas de salvamento e destruição, os navios brasileiros estavam bastante danificados. A Amazonas, por exemplo, tinha avariado bastante sua proa nas colisões (parte dela fora arranca- da), e havia um grande rombo na enferma- ria, varando o navio totalmente, e outros grandes, no compartimento da máquina e em outros lugares, produzidos por projetis de calibre 80 e 68. Três dos cinco escaleres estavam destruídos, e havia perfurações de calibres menores, metralha e fuzilaria, por toda a parte externa do navio. Os outros, em geral, [blank_start]não[blank_end] estavam em melhores condições
- Anão
54Abalroar com navio não reforçado para isso, como no caso a [blank_start]Amazonas[blank_end], foi perigoso e, portanto, exigiu audácia. Um estudo pu- blicado no The Journal of the Royal United Service Institution, de 1894, mostra que ocorreram 45 abalroamentos em combates na Guerra Civil americana (1861-1865). Lá chegou a haver navios aríetes, especialmente construídos para tal, como o CSS Manassas, por exemplo. Dos 45 navios que abalroaram nessa guerra, 13 sofreram avarias; destes, dois ficaram seriamente avariados e um afundou. Por outro lado, dos 45 abalroados, oito afundaram, dois ficaram inutilizados, quatro seriamente avariados, 15 apenas danificados e 16 não sofreram avarias
- AAmazonas
55Barroso foi o res- ponsável pelo bom êxi- to de sua força naval em Riachuelo e recebeu o título de Barão do [blank_start]Ama- zonas[blank_end], em reconheci- mento pelos serviços prestados ao País. O então Primeiro-Tenente Antônio Luís von Hoonholtz, futuro Barão de Teffé, declarou que o vira, de seu posto de co- mando na Ar[blank_start]aguari,[blank_end] em plena batalha, destemido, expondo-se sobre a roda da Amazonas, com a barba branca, que deixara crescer, ao vento, e sentira por ele grande respeito e admiração, apesar de anteriormente não simpatizar com Barroso. Von Hoonholtz chegou mais tarde ao posto de almirante, ficou mais conhecido como Barão de Teffé e foi um dos mais notáveis oficiais de Marinha do seu tempo.
- AAmazonas
- Baguari
56Riachuelo [blank_start]não[blank_end] foi a maior operação naval da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, nem a mais elaborada. O desembarque de Passo da Pátria, a passagem das fortalezas de Curupaiti e de Humaitá e o transporte das tropas para Santo Antônio, após a Manobra do Piquissiri, que ocorreram mais tarde nessa guerra, exigiram planejamento cuidadoso e envolveram meios mais adequados para aquele teatro de operações.
Riachuelo, porém, foi uma pr[blank_start]imeira[blank_end] grande vitória, que marcou uma inversão de expectativas, naqueles tempos difíceis. Logo, a guerra passou para território do Paraguai. Além de tudo isso, foi também uma batalha [blank_start]decisiva[blank_end], pois garantiu o [blank_start]bloqueio[blank_end], que era a principal estratégia da guerra, e o que restou da Marinha paraguaia não teve mais papel relevante no conflito
- Anão
- Bimeira
- Cdecisiva
- Dbloqueio
57Os navios encouraçados, que o Paraguai encomendara no exterior e que seriam importantíssimos para a continuação das operações, foram adquiridos pelo [blank_start]Brasil[blank_end] e depois empregados nos combates no Rio Paraguai, que abriram o caminho para a ocupação de A[blank_start]ssunção[blank_end]
- ABrasil
- Bssunção
58Se blancos uruguaios e federales argentinos ainda pensavam em se unir a López, passaram a adotar defi- nitivamente uma [blank_start]neutralidade[blank_end] conveniente a partir de 11 de junho de 1865
- Aneutralidade
59Tudo, então, levava à ilusão de que a Tríplice Aliança venceria a guerra em pouco tempo, mas tal não ocorreu. O que parecia fácil estagnou. O Paraguai era um país mobilizado para a guerra, o povo paraguaio era bravo e corajoso e [blank_start]Humaitá[blank_end] ainda era uma fortaleza inexpugnável enquanto ainda não estivessem disponíveis os novos meios navais que estavam em obtenção pelo Brasil – os navios [blank_start]encouraçados[blank_end]
- AHumaitá
- Bencouraçados
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- Geografia Geral 2019 - Complementos (Revista Marítima) Quiz on Riachuelo - RM, created by Levy Moreira on 21/04/2019.
- Author
- Levy Moreira
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- Português
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