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Devires Biográficos: a entrevista midiática
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Devires Biográficos: a entrevista midiática
Leonor Arfuch
Origem da entrevista é datada metade do séc. XIX, como forma de guardar e autenticar palavras da imprensa
- Ela se revelou como um meio de conhecer pessoas, personalidades e histórias e é pautada na palavra dita.
A celebridade, fenômeno de massas que surge em torno do final do século XIX, é uma das industrias culturais do jornalismo, a indústria do desejo.
A entrevista mantem vigentes, no entanto os traços que talvez foram a chave de seu sucesso inicial: a ilusão do pertencimento, a imediaticidade do sujeito em sua corporeidade, mesmo na distancia da palavra gráfica, a vibração de uma réplica marcada pela afetividade, o acesso à vivência mesmo quando não se fala da vida. (p. 153-154)
- Três pessoas: entrevistado, entrevistador e o público.
- Virtude: é o que torna a entrevista um terreno de constante afirmação do valor biográfico.
A vida a várias vozes
- A entrevista midiática, a interrogação é constitutiva da função social da imprensa: não só se estará autorizado, mas até obrigado a perguntar, tanto no que diz respeito ao imaginário político de visibilidade e transparência da democracia quanto em relação às mais diversas temáticas e questões. (p.161)
- A entrevista sinaliza uma hierarquia social dos entrevistados.
- Sempre há espaço para o pessoal e o subjetivo na entrevista.
- A entrevista encena a oralidade da narração, torna visível a atribuição da palavra e trabalha no alumbramento dessa história. (p.167)
Avatares da conversa
- A conversa cotidiana é talvez o lugar por excelência onde se gesta a invenção biográfica e que, nesse intercâmbio entre sujeitos, se produz, do mesmo modo a mútua refração, como substituição e identificação, podemos compreender, mais ajustadamente, o papel da conversa na entrevista, que a eleva assim à categoria midiática, e a inevitável atração que exerce no plano da recepção. (p.171)
- Há sempre cooperação e princípios a serem seguidos na entrevista.
A pragmática da narração
- Embora a entrevista constitua um dos registros da vida ao vivo e, portanto, sua dinâmica pressuponha a interrupção súbita, a lembrança, a faísca inesperada, as idas e voltas temporais e espaciais, frequentemente há uma insistência. Talvez por certo didatismo, em respeitar a estrutura narrativa tradicional, que no caso das conversas, habitualmente produzidas para sua difusão na forma de livro, é uma tendência muito marcada. Mas, permite-se a corroboração ou correção de certas circunstâncias significativas, esclarecer, ilustrar, desdizer; em última instância, passar a limpo a própria história. (p.178)
- O espaço autobiográfico é sempre plural, compartilhado, compreendendo a visão que os outros têm de nós, as marcas que deixamos em múltiplas memórias e experiências. (p.179)
- O trabalho da narração: a recuperação de algo impossível sob uma forma que lhe dá sentido e permanência, forma de estruturação da vida e, consequentemente, da identidade.
- Gestão do tempo narrativo.
- Vida e histórias/narrativas de vida.
- A experiência cotidiana da subjetividade se constrói justamente na diversidade narrativa, na medida em que não relatamos o mesmo nos diferentes registros em que nossa biografia se torna significante aos olhos dos outros: a conversa entre amigos, a história clínica, a entrevista de trabalho, o curriculum vitae, a sessão psicanalítica etc., sem esquecer que é a forma do relato que vai produzir sentido.
- A função da entrevista na configuração das vidas notáveis está imediatamente ligada à questão da identidade, pela necessidade não só de demonstrar que é quem, mas também, e as vezes obsessivamente, de atualizar quem e como continua sendo alguém. É justamente na alternância entre o reconhecível e o outro de si mesmo, nessa exposição da flutuação identitária e existencial, que a forma dialógica que nos ocupa faz seu trabalho, decantando frequentemente mais mobilidade do que a fixação. (p.186-187)
- Se a autobiografia trabalha sobre a perda, a rememoração tenta preencher a ausência, mesmo de modo efêmero e, no caso da entrevista, diante de outra presença, conjurando por sua vez, no hoje que se mostra, tanto a passividade quanto a nostalgia. O passado, mas de articulá-lo, de modo vivido, à mais imediata atualidade, à experiencia fazendo-se sob seus olhos, à maneira do teatro. (p.194)
Biografemas
- O ser comum/ a Infância/ a Vocação/ a Afetividade: tentativa de humanizar e aproximar o entrevistado de quem o lê/vê, aproximando dois dos personagens da comunicação. A exposição dos sentimentos e das possibilidades também são fundamentais para o valor biográfico.
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- História Mindmap am Devires Biográficos: a entrevista midiática, erstellt von Stella Castanharo am 27/06/2020.
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- Stella Castanharo
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