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Notizen

Símbolos e personagens - Felizmente Há Luar! - Luís de Sttau Monteiro

inescouto12 Lingua Portuguesa 2015 Portugiesisch 1 Seite

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Felizmente Há Luar! - Luís

de Sttau Monteiro

Símbolos e as personagens

Símbolos

Titulo – Felizmente há luar !

- É

uma expressão que faz parte de um documento escrito por D. Miguel e enviado ao

intendente da polícia, no dia da execução do general.

-No

texto de Sttau Monteiro, é uma expressão proferida por duas personagens de “ mundos “ diferentes, no final do ato II:

D. Miguel, símbolo do poder , e Matilde , símbolo da resistência .

-

Tendo

em conta esta dualidade, o luar é interpretado de forma diferente por cada uma

das personagens. Para D. Miguel, o luar permitirá que o clarão da fogueira seja

visto por todos, atemorizados aqueles que ousem lutar pela liberdade, sendo por

isso um efeito dissuasor. Para Matilde, o luar sublinha a intensidade do fogo,

incitando à ousadia daqueles que acreditam na mudança e na caminhada para a “

luz da liberdade”(prenúncio da revolução liberal), constituindo-se, por isso,

como um estimulo para que o povo se revolte.

-Intencionalmente,

Sttau Monteiro escolhe esta expressão para título da sua obra e reforça o seu objetivo: a

esperança no restabelecimento da justiça.

Lua

- Por estar privada de luz própria, na dependência do Sol e por atravessar fases,

mudando de forma, a Lua representa dependência, periodicidade.

-

A luz da lua, devido aos ciclos lunares, também se associa à renovação. A luz é

a força extraordinária que permite o conhecimento e a lua poderá simbolizar a

passagem

da

vida para a morte e vice-versa, o que , aliás, se relaciona com a crença na vida

para além da morte.

Luar

duas

conotações: para os opressores, mais pessoas ficarão avisadas e para os

oprimidos, mais pessoas poderão um dia seguir essa luz e lutar pela

liberdade Luar

A Luz

-

como metáfora do conhecimento dos valores do futuro (igualdade,

fraternidade e liberdade), que possibilita o progresso do mundo,

vencendo a escuridão da noite (opressão, falta de liberdade e de

esclarecimento), advém quer da fogueira quer do luar. Ambas são a

certeza de que o bem e a justiça triunfarão, não obstante todo o

sofrimento inerente a eles. Se a luz se encontra associada à vida, à

saúde e à felicidade, a noite e as trevas relacionam-se com o mal, a

infelicidade, o castigo, a perdição e a morte. A luz representa a

esperança num momento trágico.

Noite

- mal, castigo, morte, símbolo do obscurantismo

Saia verde

- Encontra-se associada a momentos de

felicidade vividos pelo casal.

- O verde da saia simboliza a

esperança de que um dia se reponha a justiça.

-É

sinal de um amor verdadeiro e transformador, pois Matilde, vencendo

aparentemente a dor e a revolta iniciais, comunica aos outros esperança através

desta simples peça de vestuário.

- O verde é a cor predominante na

natureza e dos campos na Primavera, associando-se à força, à

fertilidade e à esperança.

Fogueira

-Para

D. Miguel Forjaz, a fogueira constituirá um ensinamento para o povo; para

Matilde, a chama da fogueira manter-se-á viva e a liberdade triunfará.

-

Se no presente a fogueira se relaciona com a tristeza e a escuridão, no futuro

relacionar-se-á com a esperança e a liberdade.

O Fogo

- é

um elemento destruidor e ao mesmo tempo purificador e regenerador,

sendo a purificação pela água complementada pela do fogo. Se no presente

a fogueira se relaciona com a tristeza e escuridão, no futuro

relacionar-se-á com esperança e liberdade.

Moeda de cinco réis

-

Funciona como símbolo do desrespeito que os mais poderosos mantinham para com o

próximo, o que contraria os mandamentos de Deus

As Personagens

As

personagens do poder –

“Três conscienciosos governadores do Reino”:

-

o poder político representado por D.

Miguel;

-

o poder religioso na figura do principal

Sousa;

-

o poder militar representado por Beresford.

Os

delatores

-

Andrade Corvo e Morais Sarmento, “ dois denunciantes que honraram a classe”

-Vicente,

“um provocador em vias de promoção”.

As

personagens do antipoder

-

General Gomes Freire de Andrade, a presença ausente;

-

Matilde de Melo, “ a companheira de todas as horas”;

-

Sousa Falcão, “o inseparável amigo”;

-

Frei Diogo.

O

Povo

-

Manuel, “ o mais consciente dos populares”.

-

Rita, “ a mulher do Manuel”

Caracterização das personagens- As personagens do poder

D.

Miguel

- Pequeno

tirano, inseguro e prepotente, revela-se um homem contrário ao progresso e

insensível à justiça a à miséria.

-

O seu discurso preconceituoso e profundamente demagógico constrói-se sobre

verdades e convicções falsas. Os argumentos do “ardor

patriótico”, da

construção de “um Portugal próspero e feliz, com

um povo simples, bom e confiante, que vivia lavrando e defendendo a terra, com

os olhos postos no Senhor” são

o eco fiel do discurso politico Salazarista.

-

D. Miguel revela falsidade e hipocrisia.

Beresford

-

Personagem cínica e controversa que lidera o processo de Gomes Freire, não como

um dever nacional ou militar, mas apenas motivado por interesses individuais: a

manutenção do seu posto e da sua tença anual.

-A

sua presença contribuiu para acentuar as contradições no seio do poder.

-

É um homem crítico em relação a Portugal e está sempre pronto a denegrir a sua

imagem.

-

Surge como uma voz que reprova a atuação de D. Miguel e do principal Sousa.

Principal Sousa

-Além

da hipocrisia e da falta de valores éticos, esta personagem deixa transparecer

que os interesses particulares suplantam o bem comum – “Agora

me lembro de que á anos, em Campo de Ourique, Gomes Freire prejudicou muito a

meu irmão Rodrigo! “

-Simboliza,

de igual modo, o arranjo entre a Igreja, enquanto instituição, e o poder e a

demissão da mesma em relação à denúncia das verdadeiras injustiças.

-As

didascálias que acompanham esta personagem no ato I – “ O principal Sousa surge

no palco imponentemente vestido.” (p.36) – e no ato II – “ Surge a meio do

palco (…) Está vestido de gala e sentado na cadeira em que apareceu no 1º ato”

(p. 121) – mostram tratar-se de um homem vaidoso que aprecia a riqueza e o

luxo, o que entra em conflito com os princípios da Igreja.

-

É um homem que não apresenta uma forte convicção relativamente aos

procedimentos adotados contra o general Gomes Freire : tem dúvidas e

hesitações. “Não me agrada a condenação dum

inocente…”

Caracterização das personagens- Os deletores

Os deletores

Vincente

-Elemento do povo

- Trai os seus iguais, chegando mesmo a provocá-los, apenas lhe interessando a sua própria ascensão político-social.

- A sua atuação evidencia dois momentos distintos: • Num primeiro momento, tenta denegrir junto do povo o prestígio do general, assumindo-se como um provocador e agitador

“ Vocês ainda não estão fartos de generais? (…) Tu, José:

Tens sete filhos com fome e frio e vais para casa com as mãos a abanar.

Julgas que o Gomes Freire os vai vestir? (…) E tu (…) Julgas que matas a

fome com balas? Idiotas!

(…) O que eles querem é servir-se da gente”

• Num segundo momento, assumindo o papel específico de denunciar o

general a D. Miguel a troco da nomeação como intendente da política.

-Ele é indubitavelmente todo aquele que se vende ao poder, de forma pouco escrupulosa.

“Eu, chefe de policia! Estou a ver a cara do povo… (…) o povo a vir bater-me à porta:

-Meu senhor: Nós não temos pão em casa… Dê-nos uma esmolinha (…) E lá lhes vou dando umas moedas, por caridade …”

Andrade Corvo e Morais Sarmento

- São os delatores por

excelência, aqueles a quem não repugna trair ou abdicar dos ideais, para

servir obscuros “propósitos patrióticos”.

Caracterização das personagens- As personagens do anti-poder

Sousa Falcão

-

Sousa Falcão, “o inseparável amigo”, “ o amigo de todas as horas”, é o amigo

fiel em quem se pode confiar e que está sempre pronto a exprimir a sua

solidariedade e amizade.

-

No entanto, ele próprio tem consciência de que, muitas vezes, não atuou de

forma adequada com os seus ideais, faltando-lhe coragem para passar à ação. Por

isso, para ele, o general é mais do que um amigo, é alguém que ele desejaria

ser.

-

O processo de Gomes Freire permite a Sousa Falcão uma reflexão e

consciencialização da sua própria existência- “ Há homens que obrigam todos os

outros homens a reverem-se por dentro”( Diálogo final com Matilde)

Gomes Freire de Andrade

-

Como o próprio dramaturgo afirma, “está sempre presente, embora nunca apareça”

e é a personagem central de peça.

-

Gomes Freire aparece-nos, então, como um homem instruído, letrado, “um

estrangeirado”, um militar que sempre lutou em prol da honestidade e da

justiça.

-

O povo vê nele o seu herói, o único que será capaz de o libertar do clima de

opressão e terror em que vive, depositando nele as derradeiras esperanças de

sobrevivência e de regresso a uma sociedade justa e livre do domínio dos

ingleses e da tirania da regência.

-É

o símbolo da luta pela liberdade, da defesa intransigente dos ideais e daí que

a sua presença se torne tão incómoda para os “reis do Rossio”.

-

A sua morte, servirá de lição a todos

aqueles que ousem afrontar o poder político e também, de certa forma,

económico, representado pela tença que Beresford recebe.

-

O martírio de Gomes Freire, a sua lição de coragem, bem como a sua determinação

em não abandonar o sonho de ver Portugal livre, constituem os principais

elementos da construção do caracter épico e trágico desta personagem.

Matilde de Melo

-“Companheira

de todas as horas” de Gomes Freire é ela quem dá voz á injustiça sofrida pelo

seu homem.

-

As suas falas, imbuídas de dor e revolta, constituem também uma denúncia da

falsidade e da hipocrisia do Estado e da Igreja, identificando-se com a

ideologia progressiva dos anos 60.

-

Os monólogos desta personagem revelam tratar-se de uma mulher que foge ao

paradigma das mulheres da sua época. Ex: Não estava casada com Gomes Freire,

sendo, por isso, apelidada de “a amante de Gomes Freire”.

-Quando

dialoga com os representantes da Igreja, revela um profundo conhecimento dos

seus princípios e insurge-se contra a leviandade de um Igreja que desconhece o

verdadeiro significado da caridade da justiça e da igualdade entre os homens.

-

Quando dialoga com o povo mostra-se insatisfeita com a sua falta de

solidariedade e apoio.

-

Matilde é uma personagem modelada, uma vez que se apresenta inicialmente como

uma mulher que apenas quer salvar o seu homem mas ao tomar consciência da trama

maquiavélica que envolve o general, acaba de assumir a luta de Gomes Freire,

revelando-se firme e corajosa.

-Acreditando

num reencontro pós-morte, Matilde

reafirma a crença numa outra vida para além da vida terrena,

revelando-se, assim, como uma cristã autêntica.

-

No entanto, a consciência da inevitabilidade do martírio do seu homem arrasta-a

para um delírio final em que envergando a saia verde que o general lhe

oferecera em Paris, Matilde dialoga a uma só voz , com Gomes Freire vivendo

momentos de

alucinação

intensa e dramática. Estes momentos finais pelo seu carácter surreal, denunciam

o absurdo a que a intolerância e a violência dos homens conduzem.

Frei Diogo de Melo e Meneses

-Esta

personagem é o símbolo do anti-poder dentro da Igreja – “ se há santos, Gomes

Freire é um deles…”.

-

Surge por oposição ao principal Sousa, representante de uma igreja que em tudo

se distância dos princípios mais autênticos da Igreja de Cristo e que, por

isso, desvirtua a interpretação dos textos sagrados.

-

Frei Diogo é o representante de uma igreja autêntica.

-

É ele que fortalece Matilde quando esta parece deixar de ter fé e afirma que “A

misericórdia de Deus é infinita”.

Acrescentando que “Haja o que houver, não julgue a

Deus pelos homens que falam em seu nome”. Este

apelo de Frei Diogo denuncia a atuação contraditória dos homens da Igreja.

Caracterização das personagens- O povo

O Povo

-

Encontra-se representado pela presença de “vários populares” e não tem uma

intervenção direta no conflito dramático .

-

É um grupo de infelizes , de desanimados, que ninguém respeita, que não vive,

mas apenas sobrevive, e cuja condição contraria os princípios da dignidade

humana.

Manuel

e Rita

- São símbolos de um povo oprimido e esmagado,

sem vitalidade.

- Têm consciência da injustiça em que vivem,

sabem que são simples joguetes nas mãos dos poderosos, mas sentem-se impotentes

para alterar a situação.

- Veem em Gomes Freire uma espécie de messias

e, desta forma, a sua prisão é uma espécie de traição à esperança que o povo

nele depositava.

-A

fala de Manuel, no início do ato II, evidencia um tom irónico que acompanha o

desdobramento de personalidades que a personagem ensaia: o oprimido que suplica miseravelmente uma

esmola e o opressor que humilha de forma arrogante.

Reforça

o panorama de injustiça social, de falta de liberdade e dignidade humana que

toda a peça claramente denuncia.

Manuel

e Rita acabam também por simbolizar a desesperança, a desilusão, a

frustração de toda uma legião de miseráveis face á quase impossibilidade de

mudança da situação opressiva em que vivem.

Informationen

Beschreibung
símbolos e personagens de Felizmente Há Luar!
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inescouto12
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  • Erstellt von miminoma · 6 Mär 2015
  • Kopiert von inescouto12 · 6 Jun 2016
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