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Interpretação de texto

Deleted user 18 questions Updated 11 Apr 2018

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Questions in this quiz (18)

  1. 1. Leia o trecho abaixo, retirado da canção “Índios”, de Renato Russo:

    Quem me dera ao menos uma vez
    Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
    Conseguiu me convencer que era prova de amizade
    Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.
    (...)
    Quem me dera ao menos uma vez
    Que o mais simples fosse visto
    Como o mais importante
    Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente.
    Quem me dera ao menos uma vez
    Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
    E esse mesmo Deus foi morto por vocês
    É só maldade, então, deixar um Deus tão triste
    (...)
    Quem me dera ao menos uma vez
    Como a mais bela tribo
    Dos mais belos índios
    Não ser atacado por ser inocente.

    Nele, estão presentes alguns aspectos característicos da relação estabelecida entre os colonizadores europeus e as tribos indígenas que habitavam a costa do Brasil, dentre os quais podemos destacar:
    1. Aa cordialidade e a tolerância religiosa.

    2. Ba exploração abusiva dos recursos naturais e a tolerância religiosa.
    3. Ca imposição religiosa e a exploração abusiva.
    4. Da preservação dos recursos naturais e a imposição religiosa.
    5. Eo contato com o diferente e a tolerância cultural.
  2. 2Alguns textos pertencentes ao Quinhentismo – mais especificamente à chamada literatura informativa – também se ocupam em descrever o contato entre índios e portugueses. Ao comparar o modo como tal tema é abordado nesses textos com o modo como é trabalhado na canção “Índios”, de Renato Russo, podemos afirmar que:
    1. Aa canção “Índios” se distancia dos textos informativos quinhentistas, pois põe em destaque o lado negativo da colonização portuguesa.
    2. Ba canção “Índios” se aproxima dos textos informativos quinhentistas, pois expõe o ponto de vista do índio acerca da colonização portuguesa.
    3. Ca canção “Índios” se aproxima dos textos informativos quinhentistas, pois lança uma visão crítica à colonização portuguesa
    4. Da canção “Índios” se distancia dos textos informativos quinhentistas, pois se preocupa com a descrição imparcial da colonização portuguesa.
    5. Ea canção “Índios” se aproxima dos textos informativos quinhentistas, pois coloca em xeque a visão eurocêntrica existente na colonização portuguesa
  3. 3Andar com Fé
    Andá com fé eu vou
    Que a fé não costuma faiá...
    Que a fé tá na mulher
    A fé tá na cobra coral
    Ô! Ô!
    Num pedaço de pão...

    A fé tá na maré
    Na lâmina de um punhal
    Ô! Ô!
    Na luz, na escuridão...

    (...)

    A fé tá na manhã
    A fé tá no anoitecer
    Ô! Ô!
    No calor do verão...

    A fé tá viva e sã
    A fé também tá pra morrer
    Ô! Ô!
    Triste na solidão...
    Andá com fé eu vou
    Que a fé não costuma faiá
    Ô Minina!
    Andá com fé eu vou
    Que a fé não costuma faiá...

    (...)

    Certo ou errado até
    A fé vai onde quer que eu vá
    Ô! Ô!
    A pé ou de avião...

    Mesmo a quem não tem fé
    A fé costuma acompanhar
    Ô! Ô!
    Pelo sim, pelo não..

    A estética barroca foi diretamente influenciada pela religião católica. Por conta disso, uma das características mais marcantes desse estilo de época é justamente a religiosidade. Embora a música de Gilberto Gil se aproxime da arte barroca ao pôr em foco a questão da fé, há outros elementos que a distanciam da mesma, como:
    1. Aa crença de que a fé não necessariamente precisa estar vinculada à doutrina cristã.


    2. Ba fé depositada na figura feminina, que precisa de salvação.
    3. Ca crença na possibilidade de a fé ser infalível.
    4. Do fato de a fé estar sempre relacionada a elementos luminosos.
    5. Eo fato de o eu lírico ser movido pela razão, que se sobrepõe à fé.
  4. 4Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol as Inconstâncias dos bens do Mundo

    Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
    Depois da Luz se segue a noite escura,
    Em tristes sombras morre a formosura,
    Em contínuas tristezas a alegria.

    Porém. se acaba o Sol, por que nascia?
    Se formosa a Luz é, por que não dura?
    Como a beleza assim se transfigura?
    Como o gosto da pena assim se fia?

    Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
    Na formosura não se dê constância,
    E na alegria sinta-se tristeza.

    Começa o mundo enfim pela ignorância,
    E tem qualquer dos bens por natureza
    A firmeza somente na inconstância.

    O texto de Gregório de Matos possui muitas antíteses, que são usadas nos textos barrocos para
    1. Atraduzir o conflito humano.
    2. Brejeitar o vocabulário popular.
    3. Cpersonificar seres inanimados.
    4. Dmarcar a presença do onírico.
    5. E detalhar a arte poética
  5. 5Quando jovem, Antônio Vieira acreditava nas palavras, especialmente nas que eram ditas com fé. No entanto, todas as palavras que ele dissera, nos púlpitos, na salas de aula, nas reuniões, nas catequeses, nos corredores, nos ouvidos dos reis, clérigos, inquisidores, duques, marqueses, ouvidores, governadores, ministros, presidentes, rainhas, príncipes, indígenas, desses milhões de palavras ditas com esforço de pensamento, poucas - ou nenhuma delas - havia surtido efeito. O mundo continuava exatamente o de sempre. O homem, igual a si mesmo.
    (Ana Miranda, Boca do Inferno.)

    “...milhões de palavras ditas com esforço de pensamento.”

    Essa passagem do texto faz referência a um traço da linguagem barroca presente na obra de Vieira. Trata-se do:
    1. Agongorismo, caracterizado pelo jogo de ideias.

    2. B cultismo, caracterizado pela exploração da sonoridade das palavras.
    3. Ccultismo, caracterizado pelo conflito entre fé e razão.
    4. D conceptismo, caracterizado pelo vocabulário preciosista e pela exploração de aliterações.
    5. Econceptismo, caracterizado pela exploração das relações lógicas, da argumentação.
  6. 6Descreve o que era realmente naquele tempo a cidade da Bahia

    A cada canto um grande conselheiro
    Que nos quer governar a cabana, e vinha,
    Não sabem governar sua cozinha,
    E podem governar o mundo inteiro.

    Em cada porta um frequentado olheiro,
    Que a vida do vizinho, e da vizinha
    Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
    Para a levar à Praça, e ao Terreiro.

    Muitos Mulatos desavergonhados,
    Trazidos pelos pés os homens nobres,
    Posta nas palmas toda a picardia.

    Estupendas usuras nos mercados,
    Todos, os que não furtam, muito pobres,E eis aqui a cidade da Bahia.
    (MATOS, Gregório de. In: BARBOSA, F. (org.)
    "Clássicos da Poesia Brasileira." RJ: Klick Editora, 1998, p.24/25.)

    A crítica à incapacidade dos portugueses de governar o Brasil e a consequente pobreza do povo
    são temas presentes nesse poema barroco de Gregório de Matos e representam uma
    característica retomada, mais tarde, pelo Romantismo.

    Essa característica é
    1. Ao sentimento nativista.
    2. B a preferência pelo soneto.
    3. Ca denúncia da escravidão.
    4. Da tendência regionalista.
    5. Ea volta ao passado histórico.
  7. 7Por volta do ano de 700 a.C., ocorreu um importante invento na Grécia: o alfabeto. Com isso, tornou-se possível o preenchimento da lacuna entre o discurso oral e o escrito. Esse momento histórico foi preparado ao longo de aproximadamente três mil anos de evolução e da comunicação não alfabética até a sociedade grega alcançar o que Havelock chama de um novo estado de espírito, “o espírito alfabético”, que originou uma transformação qualitativa da comunicação humana.
    As tecnologias da informação com base na eletrônica (inclusive a imprensa eletrônica) apresentam uma capacidade de armazenamento. Hoje, os textos eletrônicos permitem
    flexibilidade e feedback, interação e reconfiguração de texto muito maiores e, dessa forma, também alteram o próprio processo de comunicação.
    CASTELLS, M. A. Era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999 (adaptado).

    Com o advento do alfabeto, ocorreram, ao longo da história, várias implicações socioculturais. Com a Internet, as transformações na comunicação humana resultam
    1. Ada descoberta da mídia impressa, por meio da produção de livros, revistas, jornais.
    2. Bdo esvaziamento da cultura alfabetizada, que, na era da informação, está centrada no mundo dos sons e das imagens.
    3. Cda quebra das fronteiras do tempo e do espaço na integração das modalidades escrita, oral e audiovisual.
    4. Dda audiência da informação difundida por meio da TV e do rádio, cuja dinâmica favorece o crescimento da eletrônica
    5. Eda penetrabilidade da informação visual, predominante na mídia impressa, meio de comunicação de massa.
  8. 8Para literatos e memorialistas do século XIX, um dos grandes desafios era, então, construir uma nação tendo que levar em conta as antigas tradições, quase sempre católicas e repletas de “atrasadas” manifestações populares e negras. As discussões sobre as perspectivas da nacionalidade brasileira ganharam novo impulso nas últimas décadas do século passado, após a abolição da escravidão, quando definitivamente teriam que ser incorporados os libertos e descendentes de africanos ao mercado de trabalho livre e à “nação brasileira”. Festas, músicas e danças despontariam, entre setores intelectuais, como um importante campo de estudos para se avaliar e, principalmente, projetar a versão musical da nação brasileira. Afinal, estas manifestações passaram a representar valiosos indicativos de uma nação formada por uma “raça mestiça”, de inegável influência portuguesa, católica e africana. Escritores e músicos de diferentes partes do Brasil, no fim do século XIX e início do XX, iriam identificar e construir, a partir de variadas e híbridas doses de etnia e cultura, uma original identidade nacional, musical e festiva.
    Assinale a passagem que exemplifica ser a mestiçagem uma construção intelectual, mas que está presente no sentimento do povo de forma ambígua.
    1. AAmálgama é miscigenação e mistura mas é muito mais do que isso: é a diversidade em combinação permanente causando esta flutuação de constante capacidade de adaptações e criatividade. (Jorge Mautner)
    2. BQual a minha cor, não é? Para escrever aí no questionário. Deixa eu pensar.O que o senhor acha que eu sou? Olhando para minha cara. Bem para minha cara. O que eu sou? Assim, no espelho? Coloque aí, escreva: mestiça. Isso: doméstica mestiça. Pode anotar. Só não vai contar para ninguém, tá? (Marcelino Freire)
    3. CO Estatuto da Igualdade Racial, que está para ser votado na Câmara em meio a discussões acirradas, reserva cotas para afro-brasileiros, mas não menciona caboclos, cafuzos, mamelucos ou mulatos. É uma ficção bicolor, dizem seus críticos. É o reconhecimento de uma divisão social, retrucam seus defensores. (Miguel Conde)
    4. DMulatas e negras, empregadas nas casas ricas, amontoavam-se ante as malas abertas: Compra, freguesa, compra. É baratinho... – a pronúncia cômica, a voz sedutora. Longas negociações. Os colares sobre os peitos negros, as pulseiras nos braços mulatos, uma tentação! (Jorge Amado)
    5. ECom a proibição do tráfico de escravos em 1850, e o aumento da imigração europeia na segunda metade do século XX, a cor dos comerciantes de rua do Rio de Janeiro começou a ficar mais variada. Como mostra o retrato de Augusto Malta e Marc Ferrez, se tornou mais frequente a presença de mestiços e brancos entre os ambulantes. (O Globo, Logo)
  9. 9Assinale a opção que corresponde ao fragmento “Escritores e músicos de diferentes partes do Brasil, no fim do século XIX e início do XX, iriam identificar e construir, a partir de variadas e híbridas doses de etnia e cultura, uma original identidade nacional, musical e festiva.” (ref. 1)
    1. AEm cada porta um frequentado olheiro, / Que a vida do vizinho, e da vizinha / Pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha, / Para a levar à Praça, e ao Terreiro. (Gregório de Matos)
    2. BÚltima flor do Lácio, inculta e bela, / És, a um tempo, esplendor e sepultura: / Ouro nativo, que na ganga impura / A bruta mina entre os cascalhos vela... (Olavo Bilac)
    3. CAssim eu quereria meu último poema / Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais / Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas / Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume (Manuel Bandeira)
    4. DQuem, Marília, despreza uma beleza, / A luz da razão precisa; / E se tem discurso, pisa / A lei, que lhe ditou a Natureza. (Tomás Antônio Gonzaga)
    5. EMisturo tudo num saco, / Mas gaúcho maranhense / Que para no Mato Grosso, / Bate este angu de caroço (Mário de Andrade)
  10. 10O CANTO DO GUERREIRO

    Aqui na floresta
    Dos ventos batida,
    Façanhas de bravos
    Não geram escravos,
    Que estimem a vida
    Sem guerra e lidar.
    - Ouvi-me, Guerreiros,
    - Ouvi meu cantar.

    Valente na guerra,
    Quem há, como eu sou?
    Quem vibra o tacape
    Com mais valentia?
    Quem golpes daria
    Fatais, como eu dou?
    - Guerreiros, ouvi-me;
    - Quem há, como eu sou?

    Gonçalves Dias.

    MACUNAÍMA
    (Epílogo)

    Acabou-se a história e morreu a vitória.
    Não havia mais ninguém lá. Dera tangolomângolo na tribo Tapanhumas e os filhos dela se acabaram de um em um. Não havia mais ninguém lá. Aqueles lugares, aqueles campos, furos puxadouros arrastadouros meios-barrancos, aqueles matos misteriosos, tudo era solidão do deserto... Um silêncio imenso dormia à beira do rio Uraricoera. Nenhum conhecido sobre a terra não sabia nem falar da tribo nem contar aqueles casos tão pançudos. Quem podia saber do Herói?

    Mário de Andrade

    Considerando-se a linguagem desses dois textos, verifica-se que
    1. Aa função da linguagem centrada no receptor está ausente tanto no primeiro quanto no segundo texto.
    2. Ba linguagem utilizada no primeiro texto é coloquial, enquanto, no segundo, predomina a linguagem formal.
    3. Chá, em cada um dos textos, a utilização de pelo menos uma palavra de origem indígena.
    4. Da função da linguagem, no primeiro texto, centra-se na forma de organização da linguagem e, no segundo, no relato de informações reais
    5. Ea função da linguagem centrada na primeira pessoa, predominante no segundo texto, está ausente no primeiro.

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User has deleted their subject information Quiz on Interpretação de texto, created by Deleted user on 09/04/2018.
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Created on 9 Apr 2018 · updated on 11 Apr 2018
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