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Julia Hirayama História Portugués 1 página

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O Governo de JK e o desenvolvimento

Juscelino Kubitschek, mineiro que ocupou a presidência da república entre janeiro de 1956 e janeiro de 1961. Foi uma época de grande euforia nacional em razão do crescimento econômico vivido pelo Brasil, incentivos ao desenvolvimento industrial e da construção de uma nova capital. O slogan usado em sua campanha presidencial resumia 'cinquenta anos em cinco'. O país obteve grandes conquistas no mundo do esporte: em 1958, a seleção brasileira de futebol finalmente se sagrou campeã mundial. No tênis, Maria Esther Bueno tornou-se a melhor do mundo. Na música, o destaque foi o surgimento da bossa nova. João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Baden Powell; Chega de saudade e Garota de Ipanema. O acelerado crescimento econômicas, as conquistas esportivas e a repercussão da bossa nova fizeram o Brasil ganhar enorme visibilidade internacional. 'Anos Dourados'.

O Plano de Metas

Determinado a promover o desenvolvimento do país, Juscelino criou o Plano de Metas. Inúmeras facilidades foram criadas visando estimular a entrada de investimentos estrangeiros: concessão de terrenos para a instalação de fábricas, redução de impostos, permissão para a remessa de lucros ao exterior e autorização para importar equipamentos industriais. Tais medidas estimularam a entrada de multinacionais, sobretudo do setor automobilístico, e também facilitaram a criação de empresas nacionais, fabricantes de bens de consumo duráveis, como eletrodomésticos. Os recursos liberados pelo governo foram direcionados prioritariamente aos setores de energia, indústria de base, transportes, alimentação e educação. Construiu as usinas hidrelétricas de Furnas e de Três Marias.

A construção de Brasília

Juscelino se comprometeu a concretizar uma ideia existente desde o século XIX: levar a administração federal para uma nova capital, que seria construída na região central do Brasil. Representava tanto a integração das diversas regiões do território brasileiro quanto a modernização em curso no pais. Projetada pelo urbanista Lúcio Costa e pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a cidade recebeu o nome de Brasília e foi inaugurada em 21 de abril de 1960. Nos arredores de Brasília, por exemplo, surgiram grandes áreas urbanas, popularmente chamadas cidades-satélites.

O breve governo de Jânio Quadros

Apesar do crescimento econômico e do clima de otimismo no Brasil, o governo JK foi muito criticado. Os gastos para sustentar o crescimento foram muito grandes e resultaram o aumento da dívida externa e da inflação no país. Várias denúncias de corrupção recaíram sobre o governo, principalmente envolvendo a construção de Brasília. Jânio Quadros, foi eleito presidente da república. Apresentou-se com o um político que governava para o povo, sem compromissos partidários. Utilizando uma vassoura como símbolo de campanha, prometeu varrer a corrupção.

Política interna: Jânio proibiu o uso dos biquínis e os desfiles em concursos de miss com maiôs cavados. Proibiu também o uso de lança-perfume.

Política externa: Visando demonstrar independência em relação aos Estados Unidos, Jânio condecorou o então ministro da Indústria e Comércio de Cuba, Ernesto 'Che' Guevara, com a Ordem do Cruzeiro do Sul, restabeleceu relações diplomáticas com a União Soviética e abriu relações comerciais com a China.

Condução da economia: Até a eleição de Jânio, o Estado brasileiro subsidiava parte das despesas com a importação de trigo e de petróleo. Os preços do pão e dos combustíveis aumentaram 100%.

A renúncia de Jânio e a crise sucessória

As atitudes e medidas adotadas por Jânio desagradaram militares e lideranças políticas que apoiavam seu governo. O presidente renunciou a seu mandato em 25 de agosto. Com a renúncia de Jânio, o vice-presidente João Goulart deveria assumir o cargo. Entretanto, Jango, como era popularmente conhecido, encontrava-se em viagem diplomática à China na ocasião. Por sua ligação com movimentos de trabalhadores, Jango era visto com desconfiança pelas elites conservadoras e pelos militares, que o identificavam com a ameaça comunista. Por isso, tentaram impedir a sua posse. A reação dos aliados de Jango foi rápida. Leonel Brizola iniciou uma campanha exigindo o cumprimento da Constituição. Campanha da Legalidade. O Congresso votou uma proposta para pôr fim à crise: Goulart assumiria a presidência, mas com poderes limitados. Instaurou-se no país um regime parlamentarista, no qual um primeiro-ministro seria o chefe de governo. Tancredo Neves.

O governo Jango

Graças à campanha movida pelo partido de Jango e apoiado por sindicatos e movimentos populares, o plebiscito que definiria a permanência ou a revogação do parlamentarismo foi antecipado em dois anos. Em 1963, a maioria da população decidiu o retorno ao presidencialismo . Ao recuperar os poderes presidenciais, Jango manifestou sua intenção de promover um conjunto de reformas que tinham como objetivo modernizar o capitalismo brasileiro, proporcionando à população maior justiça social. As reformas de base, como ficaram conhecidas, previam estender o direito de voto aos analfabetos e aos militares de baixa patente, a ampliação do monopólio da Petrobras, a nacionalização de empresas farmacêuticas e prestadoras de serviços públicos e a limitação de remessa de lucros das empresas para o exterior, entre outras medidas.

A mobilização popular e as Ligas Camponesas

Os primeiros anos do governo Jango coincidiram com o aumento da participação popular na vida política do país. Os trabalhadores reuniam-se em sindicatos para organizar greves e reivindicar melhores condições de trabalho; os estudantes se reuniam em organizações estudantis, como a União Nacional dos Estudantes (UNE); e até os militares de baixa patente, como soldados, os cabos, os sargentos e os marinheiros, exigiam ser ouvidos por seus superiores. No campo, também houve um aumento da organização dos trabalhadores. Um dos movimentos de maior destaque foi o das Ligas Camponesas. Esse movimento procurava defender os trabalhadores rurais de abusos praticados pelos donos das terras. As Ligas representaram a principal base social de apoio às reformas de base de Jango, sobretudo à do programa de reforma agrária. Jango criou, em 1963, o Estatuto do Trabalhador Rural, que estendia aos trabalhadores rurais os mesmos direitos dos urbanos, como registro em carteira profissional, salário mínimo, férias e descanso semanal remunerados.

O golpe civil-militar

As reformas propostas por Jango buscavam diminuir as desigualdades na sociedade brasileira. A inflação anual cresceu. Ciente de que suas reformas não poderiam ser aprovadas no Congresso Nacional, Jango resolveu instituí-las por meio de decretos, anunciados em grandes comícios. No meio urbano, cresceu o número de greves. A resposta dos setores conservadores foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, manifestação realizada no dia 19 de março de 1964, em São Paulo, que mobilizou milhares de pessoas favoráveis à deposição de Jango. Na noite do dia 31 de março de 1964, tropas partiram de Minas Gerais com destino ao Rio de Janeiro, onde estava o presidente. No Rio, Jango não aceitou o golpe e foi para Brasília, no dia 1° de abril, tentar articular a resistência. Mas não teve sucesso. Na madrugada do dia 2 de abril, o Congresso Nacional declarou vaga a presidência da república, empossando o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, no lugar de Jango. Iniciava-se o regime militar no Brasil, período que ficou conhecido, posteriormente, como 'anos de chumbo'.

Os anos de chumbo

Os militares passaram a governar o país por meio de decretos, chamados de Atos Institucionais. O primeiro deles, o AI-1, foi editado em 9 de abril e permitiu ao governo cassar mandatos e suspender direitos políticos de diversas personalidades, como Leonel Brizola, Luís Carlos Prestes, Juscelino Kubistchek, Jânio Quadros e João Goulart. O AI-1 também determinou que uma nova eleição para a presidência da república aconteceria no dia onze de abril. No entanto, essa eleição seria realizada de forma indireta pelo Congresso Nacional.

O governo Castello Branco

Indicado pelos militares, o marechal Humberto de Alencar Castello Branco foi eleito presidente pelo Congresso Nacional. Conter a 'ameaça comunista', controlando as massas trabalhadoras. O governo cortou investimentos, elevou os impostos e reduziu os índices de aumento salarial para os trabalhadores. A recessão provocou o fechamento de empresas, arrocho salarial e desemprego. Em julho de 1964, uma emenda constitucional prorrogou o mandato de Castello Branco.

Novas restrições à democracia

Ato Institucional n°2. O novo ato estabeleceu que as eleições presidenciais continuariam sendo feitas de forma indireta e conferiu ao presidente o poder de baixar decretos sobre questões de segurança nacional. Todos os partidos políticos foram extintos. Apenas dois: a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Tomou posse o novo presidente, o general Arthur da Costa e Silva.

O governo Costa e Silva

O general Arthur da Costa e Silva foi eleito presidente da república pelo Congresso Nacional. 'Linha dura' do exército, seu governo ficou marcado pelo crescimento dos movimentos de oposição e pela violência da repressão policial. O movimento estudantil, mesmo na clandestinidade, vinha se reorganizando e promovendo manifestações por melhores condições de ensino e fazendo críticas à ditadura. Em março de 1968, durante um protesto no centro do Rio de Janeiro, o estudante secundarista Edson Luís de Lima Souto foi morto pela polícia. Milhares de pessoas acompanharam seu enterro e compareceram à missa de sétimo dia. O protesto, que ficou conhecido como a Passeata dos Cem Mil, contou com a participação de artistas, estudantes, padres, intelectuais e outros setores da sociedade brasileira.

O 'golpe dentro do golpe'

Ato Institucional n° 5 (AI-5). O ato dava ao presidente o poder de fechar o Congresso Nacional, cassar mandatos parlamentares, intervir em estados e municípios e suspender direitos políticos de qualquer cidadão por dez anos. Grupos de esquerda passaram a defender a luta armada (guerrilha), como meio de derrubar a ditadura. Alguns desses grupos também desejavam substituir o governo ditatorial e o sistema capitalista por um projeto socialista de sociedade. Para combater os grupos de esquerda, o governo criou novos órgãos de repressão, como a Operação Bandeirante (Oban) e os DOI-Codi, sigla do Destacamento de Operações e Informações e do Centro de Operações de Defesa Interna. Esses órgãos agiam em vários estados e se transformaram nos principais centros de tortura do regime militar.

O governo Médici: o auge dos governos militares

Em agosto de 1969, Costa e Silva sofreu um derrame cerebral e foi afastado da presidência. A junta militar declarou vaga a presidência da república e reabriu o Congresso, que escolheria o novo presidente. Emílio Garrastazu Médici.

O 'milagre brasileiro'

O governo Médici implementou uma política econômica que garantiu altos índices de crescimento ao país. Favorecido pelo bom momento da economia internacional, o governo conseguiu empréstimos no exterior a juros baixos e realizou investimentos na indústria, na agricultura, no setor energético e na construção civil. As usinas hidrelétricas de Itaipu e Tucuruí, as usinas nucleares de Angra dos Reis, a Ponte Rio-Nitéroi e a Rodovia Transamazônica foram construídas nesse período. O resultado dessa política foi o chamado 'milagre econômico brasileiro'. A economia brasileira cresceu. Contudo, nem todos os brasileiros puderam desfrutar desse crescimento. A política de achatamento dos salários fez aumentar a desigualdade social no país. Aumento dos preços do petróleo e juros da dívida externa aumentaram. Do 'milagre' passou-se à alta da inflação, à recessão e ao aumento nos índices de desemprego.

O auge da repressão

O governo Médici ficou marcado pelo aumento da repressão aos grupos que lutavam contra a ditadura. A repressão a esses movimentos foi brutal. Até o final do governo Médici, as organizações de luta armada tinham sido eliminadas, e seus militantes estavam mortos, presos ou no exílio. O último movimento derrotado pelo regime foi a Guerrilha do Araguaia, organizada pelo Partido Comunista do Brasil na região do Rio Araguaia no atual Tocantins. O objetivo dos guerrilheiros era mobilizar os camponeses para lutar pela reforma agrária e ser o ponto de partida da revolução socialista no Brasil.

Futebol e propaganda

Para garantir o apoio da população ao regime estabelecido, o governo utilizou largamente a propaganda. Slogans que celebravam o crescimento nacional eram utilizados para convencer a população de que o Brasil, em breve, se tornaria uma potência. Músicas que exaltavam o país eram amplamente tocadas nas rádios, aumentando o clima ufanista. Em 1970, a seleção brasileira conquistou o tricampeonato na Copa do Mundo de Futebol, disputada no México.

A luta dos estudantes e dos operários

A estratégia da luta armada, mesmo sendo a forma mais radical e corajosa de combater o regime militar.

O movimento estudantil

Em abril de 1964, o prédio da União Nacional dos Estudantes foi incendiado. Nele funcionava o Centro Popular de Cultura do qual participavam artistas e estudantes que levavam o teatro, a música, o cinema e a literatura às escolas. Com a implantação da ditadura, a UNE foi colocada na ilegalidade, e o movimento acabou se dispersando. Os estudantes continuaram se organizando na clandestinidade.

As greves de Contagem e Osasco

O militares intervieram nos sindicatos, criaram leis para impedir a organização dos trabalhadores.

Cantando a revolução

Muitos compositores e cantores fizeram de sua arte uma forma de protesto contra a opressão e a violência da ditadura. As músicas de protesto abordavam problemas sociais, econômicos e políticos e expressavam o ideal de construir uma sociedade igualitária e democrática. Vandré compôs a canção 'Pra não dizer que não falei das flores'.

O teatro

A cena teatral do período também produziu espetáculos que criticavam as injustiças sociais e exaltavam a luta contra a ditadura. Grupos teatrais, como o Teatro de Arena e o Teatro Oficina, realizaram montagens que defendiam a liberdade na política e a nos costumes. As peças estimulavam o espectador a misturar-se aos atores e a participar da ação.

O Cinema Novo

Na década de 1950, um grupo de jovens cineastas iniciou um movimento que combatia o predomínio da produção industrial de filmes inspirados no cinema norte-americano. Esse movimento, que ficou conhecido como Cinema Novo, defendia a produção, a baixo custo, de filmes que abordassem criticamente os problemas do Brasil, além de se preocupar em renovar a estética do cinema nacional.

A abertura 'lenta, gradual e segura'

Em março de 1974, o general Ernesto Geisel assumiu a presidência da república com a promessa de promover o retorno do país à democracia. Apesar da promessa de abertura política, os militares da chamada linha-dura não aceitavam a ideia do retorno à democracia. Os órgãos de repressão continuavam prendendo pessoas suspeitas de 'subversão', que eram torturadas e, em muitos casos, mortas.

O renascimento do movimento estudantil e sindical

A violenta repressão que marcou os governos Costa e Silva e Médici resultou na prisão, na morte ou no exílio das principais lideranças estudantis e sindicais. Nova fase do movimento sindical foi a região do ABC paulista, importante parque da indústria automobilística e berço do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Os metalúrgicos do ABC paulista entraram em greve por melhorias salariais e contra a ditadura, realizando a primeira greve geral de uma categoria.

A Lei da Anistia

Em março de 1979 tomou posse João Baptista de Oliveira Figueiredo, último dos presidentes militares do país. O presidente promulgou, em agosto do mesmo ano, a Lei da Anistia, que libertou todos os presos políticos do país e permitiu a volta dos exilados. A lei também anistiou os agentes do Estado que praticaram crimes de tortura e assassinato.

A campanha das diretas

Em fevereiro de 1983, o deputado federal Dante de Oliveira, do PMDB, apresentou ao Congresso uma emenda constitucional que restabelecia as eleições diretas para presidente. Inúmeras manifestações populares foram organizadas no país pela aprovação da emenda, Diretas Já. Dessa forma, o próximo presidente da república seria escolhido, mais uma vez, pelo Colégio Eleitoral. Os candidatos foram Paulo Maluf, apoiado pelos militares, e Tancredo Neves, governador de Minas Gerais. Tancredo recebeu 480 votos e foi eleito presidente. Tancredo Neves, contudo, não assumiu o governo. Na véspera da posse, o presidente eleito adoeceu e foi internado. Em seu lugar assumiu o vice-presidente eleito, José Sarney.

O governo Sarney

Sarney assumiu a presidência tomando medidas para conter o aumento dos preços e retomar a ordem democrática no país. As principais medidas foram a convocação de uma Assembleia Constituinte e a execução do Plano Cruzado. Previa o congelamento dos preços e dos aluguéis e reajustes automáticos. O congelamento dos preços promoveu a elevação do poder de compra dos salários, o que gerou um grande aumento do consumo.

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História Apunte sobre Sin título, creado por Julia Hirayama el 26/10/2017.
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