Apuntes
Quincas Borba
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Quincas Borba
Quincas Borba é um romance do escritor brasileiro Machado de Assis. Publicado entre 1886 e 1891 na Revista Estação, a obra é composta de 201 capítulos curtos.
Ela faz parte da trilogia realista do escritor, ao lado de Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro
Obs: final do século XIX
Personagens da Obra
Rubião: professor, enfermeiro e protagonista da história. Ele é o herdeiro do filósofo Quincas Borba.
Cristiano Palha: esposo de Sofia e suposto amigo de Rubião, mas que afinal está somente interessado em sua fortuna.
Sofia Palha: esposa de Cristiano e que por fim, fica interessada em Carlos Maria. Ela apoia o marido em suas ações.
Carlos Maria: homem que desperta o interesse de Sofia e que por fim, casa-se com sua prima.
Maria Benedita: prima de Sofia e esposa de Carlos Maria.
Camacho: advogado, político e falso jornalista que também se aproveita da fortuna de Rubião.
Resumo da Obra
O título do livro está relacionado com o filósofo Quincas Borba, que logo no início da história falece.
Com a morte dele, Pedro Rubião de Alvarenga, discípulo do filósofo e seu enfermeiro particular, é agraciado com uma grande herança.
Resolve mudar-se para o Rio de Janeiro, num palacete no Botafogo. Antes, ele vivia numa fazenda na cidade mineira de Barbacena.
Além disso, Rubião fica encarregado de cuidar do cão de seu amigo, que também se chamava Quincas Borba.
Sendo assim, a obra narra a história de Rubião, ex-professor primário e enfermeiro, que resolve mudar sua vida provinciana passando a viver na cidade. Durante sua trajetória, ele conhece o casal Palha: Cristiano e Sofia.
A partir disso, ele começa a ter contato com diversas características que o levam a se tornar um “professor capitalista”.
Isso porque na sua ingenuidade, que estava ligada a vida simples que levava, Rubião foi visto como uma pessoa que facilmente poderia ser ludibriada. Assim, passa a conviver com seus novos “amigos”, o casal Palha.
Extasiado pela beleza e meiguice de Sofia, Rubião acaba por se interessar pela moça. Num momento, ele revela seu amor, porém é rejeitado pela personagem. Fiel a seu marido e suas ações, Sofia conta a Cristiano.
Mesmo sabendo, ele continua a relação com Rubião, uma vez que tinha interesses maiores, relacionados com sua fortuna.
Triste com a decisão de Sofia, Rubião, aos poucos, vai sendo acometido pela loucura. Ele crê ser Napoleão III e repete incessantemente a máxima de seu amigo falecido Quincas "Ao vencedor, as batatas".
Nas palavras de Quincas Borba:
"Não há morte. O encontro de ditas expansões, ou a expansão de duas formas, pode determinar a supressão de uma delas; mas, rigorosamente, não há morte, há vida, porque a supressão de uma é a condição da sobrevivência da outra, e a destruição não atinge o princípio universal e comum. Daí o carácter conservador e benéfico da guerra. Supõe tu um campo de batatas e duas tribos famintas. As batatas apenas chegam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas, se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrem de inanição. A paz, nesse caso, é a destruição; a guerra é a conservação. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí a alegria da vitória, os hinos, aclamações, recompensas públicas e todos demais efeitos das ações bélicas. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se, pelo motivo real de que o homem só comemora e ama o que lhe é aprazível ou vantajoso, e pelo motivo racional de que nenhuma pessoa canoniza uma ação que virtualmente a destrói. Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas"
Por fim, Rubião foge para Barbacena e ali morre ele e o cão. Por outro lado, o casal Palha tornam-se ricos
Vencido: Rubião
Vencedores: Casal Palha
Análise da obra
Narrado em terceira pessoa, o narrador da obra possui uma posição imparcial sobre os fatos.
O romance tem como principal característica o foco nas relações sociais da época. Machado faz fortes críticas as relações humanas, por exemplo, o casamento por interesse.
Temas como interesse, traição, poder, aparência, loucura, ironia, imoralidade e falsidade são salientadas na obra de Machado.
Vale notar que na obra Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba é citado pelo escritor. Por isso, Quincas Borba pode ser considerado (em partes) uma continuação de Brás Cubas.
“Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora, em Barbacena.” (capítulo IV)
Nas duas obras, Machado menciona sobre a teoria filosófica do Humanitismo criada por Quincas.
Segundo o filósofo, esse conceito está relacionado com a exploração das pessoas e a falta de humanismo na construção das relações sociais.
Assim, nessa luta incessante pela sobrevivência, os ingênuos são manipulados pelos espertos. Sendo assim, os fracos padecem, e os fortes permanecem vivos e manipulando outros.
Publicação: 1891
Escola lterária - Realismo
O realismo revela o que há de mais de negativo na sociedade
Características da escrita machadiana; critica social bem humorada; ironia; sarcasmo; narradores que dialogam c/ leitor;
Spinops
Foco narrativo em 3ª pessoa. Narrador onisciente (intruso)
Sociedade de interesses. Típica Critica realista
Principio do Humanitismo: A guerraa é para a evoluçao humana, pois é elemento essencial para a seleção natural
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Machado de Assis
Machado de Assis (1839-1908) é um dos maiores representantes da literatura brasileira.
O grande escritor foi o responsável por inaugurar o Realismo, que teve como marco inicial a obra "Memórias Póstumas de Brás Cubas", publicada em 1881.
Machado deixou um conjunto vasto de obras. Foi contista, cronista, jornalista, poeta e teatrólogo, além do que é o fundador da cadeira n.º 23 da Academia Brasileira de Letras.
Biografia de Machado de Assis
Machado de Assis, cujo nome completo é Joaquim Maria Machado de Assis, nasceu no morro do Livramento, Rio de Janeiro, no dia 21 de junho de 1839.
Filho de pais humildes, seu pai, Francisco José de Assis, era pintor de paredes e sua mãe, a açoriana Maria Leopoldina Machado de Assis, era lavadeira. Machado ficou órfão de mãe muito cedo e, por isso foi criado com sua madrasta.
Sem recursos para estudar, era autodidata, e com apenas 14 anos publicou o soneto "À Ilma. Sra. D.P.J.A.", no Periódico dos Pobres, de 3 de outubro de 1854. Em 1855 seu poema "Ela" é publicado na revista Marmota Fluminenses.
Fascinado por livraria e tipografia, em 1856 tornou-se aprendiz de tipógrafo na tipografia Nacional. Dois anos depois, em 1858, já era revisor no Correio Mercantil e, em 1860, redator do Diário do Rio de Janeiro, cargo que aceitou a convite de Quintino Bocaiuva.
Machado escrevia para a revista O Espelho, a Semana Ilustrada e o Jornal das Famílias. O primeiro livro que publicou foi a tradução de Queda que as mulheres têm para os tolos. Em 1864, com 25 anos, publicou o seu primeiro livro de poesias, Crisálidas.
Foi censor teatral, em 1862, e em 1867, foi promovido a ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.
Em 1869, casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais, senhora portuguesa que lhe ajudou na revisão dos livros e com quem esteve casado durante 35 anos.
Em 1872, publicou Ressurreição, o seu primeiro romance. Em 1873, torna-se primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas.
Continuou escrevendo em jornais e revistas. Seus escritos eram publicados em folhetins, de seguida, tornando-se livros. Foi o que aconteceu com uma de suas obras-primas, Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicado em livro 1881.
Entre 1881 e 1897, publicou crônicas na Gazeta de Notícias.
Com outros intelectuais, fundou, em 1896, a Academia Brasileira de Letras, tendo sido presidente no ano seguinte.
Carolina foi a mulher ideal para Machado de Assis. Esgotado pelo intenso trabalho de escritor e funcionário público, Machado sofria de epilepsia e a esposa ajudou-lhe não só nas revisões como cuidando dele.
Sempre doente e para aumentar seu sofrimento, em outubro de 1904, morre sua mulher, auxiliar e companheira. Em sua homenagem, Machado escreve o poema "A Carolina".
Em 1908, licenciado das funções públicas, mesmo debilitado, escreveu seu último romance “Memorial de Aires”.
Participou do projeto de criação da Academia Brasileira de Letras, sendo eleito seu presidente em 28 de janeiro de 1897, cargo ocupado por mais de dez anos.
No dia 29 de setembro de 1908, Machado de Assis faleceu na casa 18 da rua Cosme Velho, no Rio de Janeiro, vítima de câncer.
Principais Obras de Machado de Assis
Obras e Anos de publicação
>>>Peças de teatro
Desencanto (1861)
Queda que as mulheres têm pelos Tolos (1861)
Quase Ministro (1864)
Os Deuses de Casaca (1866)
Tu, Só Tu, Puro Amor (1881)
>>>Poesias
Crisálidas (1864)
Falenas (1870)
Americanas (1875)
Poesias Completas (1901)
>>>Contos
Contos Fluminenses (1870)
Histórias da Meia-Noite (1873)
Papéis Avulsos (1882)
O Alienista (1882)
Histórias sem Data (1884)
Páginas Recolhidas (1889)
Várias Histórias (1896)
Relíquias da Casa Velha (1906)
>>>Romances
Ressurreição (1872)
A Mão e a Luva (1874)
Helena (1876)
Iaiá Garcia (1878)
Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881)
Quincas Borba (1891)
Dom Casmurro (1899)
Esaú e Jacó (1904)
Memorial de Aires (1908)
Información
- Descripción
- Vestibular Literatura Apunte sobre Quincas Borba, creado por Heloisa Barbosa de Souza el 27/02/2024.
- Creado por
- Heloisa Barbosa de Souza
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