Flashcards
Parte 12 - Capítulo 13, 14 e 15
Cards in this deck (32)
- 1Capítulo 13Qualquer terapia não deve ser encarada como uma simples descoberta e resolução dos conflitos instintivos centrados unicamente na pessoa do paciente; antes, ela repousa no vinculo interacional no qual terapeuta e pacientes intercambiam emoções
- 2O que é a contra-resistência e a resistência provinda do próprio terapeutaA partir deste ponto de vista, impõe-se a necessidade em fazermos a diferença entre o que é contra-resistência — caso em que são as resistências do indivíduo, ou do grupo, que mobilizam o terapeuta a uma resposta análoga — e o que é a resistência provinda do próprio terapeuta, e por cujo surgimento ele é o único responsável.
- 3Indicadores de bases resistenciaisUm dos sinais indicadores de que o terapeuta e o seu grupo pode estar funcionando em bases resistenciais é quando estiver havendo sucessivas e excessivas modificações do enquadre grupal.
Outro sinalizador é o de uma estagnação no crescimento dos objetivos propostos, apesar de que aparentemente tudo esteja correndo “muito bem”.
Ainda um terceiro sinal de um conluio resistencial às mudanças é quando há uma rígida imutabilidade no desempenho dos papéis de cada um. - 4Comumente as resistências do grupoterapeuta se manifestam nos seguintes modos:— Interpretações intelectualizadas, embora belas e fascinantes.
— Atitude de procurar abafar de imediato as manifestações — cuja verbalização seria muito útil — tanto as de agressividade entre os elementos do grupo (às vezes sob a forma de verdadeiras brigas verbais), assim como as de natureza erótica. - 5Continuação— O terapeuta nunca assumir a sua responsabilidade, mesmo nos casos em que há uma amotinação do grupo todo.
— Intolerância aos silêncios (os quais, como sabemos, por vezes podem estar sendo necessários e elaborativos), bem como a outras manifestações de resistência transitória.
— Não reconhecimento de microssinais de que estão se processando significativas modificações e progressos pela razão de que estes últimos podem aparecer sob uma forma agressiva ou de actings. - 6O aspecto contra-resistencial mais importante:É o que diz respeito à formação de conluios inconscientes entre o grupoterapeuta com uma parte, ou com a totalidade, grupal.
- 7Conluio resistencial mais comumDesses conluios resistenciais é incontestante que o mais comum deles é o que se estabelece com a finalidade de impedir que surja qualquer manifestação que ameace a paz e o bem-estar aparente de todos. Nestes casos, o grupoterapeuta dá visíveis demonstrações de uma intolerância às tentativas de críticas ou de ataques a seu suposto saber e, em troca, ele também escotomiza a presença e os sentimentos inaceitáveis dentro de cada um deles, e entre eles, e assim todos ficam satisfeitos e gratificados... Pena é que todo esse sucesso não passa de uma ilusão do ponto de vista de mudanças analíticas.
- 8Resistência do terapeutaSe o grupoterapeuta tem uma determinada resistência, a tendência é de que o grupo todo vai se identificar com a mesma.
Se o terapeuta não estiver em condições de suportar e conter a livre manifestação de uma forte carga ansiogênica de agressão e/ou de erotismo, ele manifestará uma resistência propriamente sua, às vezes bem disfarçada através do uso de "interpretações” prematuras e apaziguadoras e que estão a serviço de uma ação repressora. - 9O que a reação contra-resistencial do grupoterapeuta vai impedirNestes casos, nada raros, vai ocorrer que essa reação contra-resistencial do grupoterapeuta impedirá uma importante experiência que cada um e todos do grupo deveriam ter tido: a de que eles pudessem comprovar que não são perigosos como sempre se imaginaram e nem que os outros sejam tão frágeis.
Da mesma forma, a evitação contra-resistencial do terapeuta contra a irrupção da agressão impedirá que os pacientes tenham a importante oportunidade de exercitar a também importante capacidade de fazer reparações verdadeiras. - 10Caso o bloqueio contra-resistencial do terapeuta persista, podem ocorrer 3 alternativas quanto à evolução da terapia:A primeira é a de que as mensagens verbais provindas dos pacientes — indiretas e codificadas porque sofrem a camuflagem de suas próprias resistências, contra a percepção de sentimentos difíceis — persistam enquanto não houver uma clara compreensão e interpretação por parte do terapeuta.
Nessa hipótese, haverá uma escalada crescente desse tipo de manifestações por parte dos pacientes, o que pode desembocar na desistência de alguns membros, ou até mesmo a eventualidade de uma dissolução do grupo. - 11ContinuaçãoA segunda possibilidade é a de que alguns participantes do grupo comecem a prática de actings — muitas vezes, de natureza maligna — os quais estariam expressando, nessa modalidade de linguagem não verbal, os mesmos sentimentos que não foram entendidos e decodificados quando ensaiaram a linguagem verbal.
- 12ContinuaçãoA terceira alternativa é a de que o terapeuta assuma as rédeas da situação através de uma atitude imperativa, com a “aceitação" da mesma por parte dos pacientes, dando uma falsa impressão de que tudo se acalmou e voltou aos trilhos.
Esta última possibilidade pode estar configurando um inconsciente conluio resistencial—contra-resistencial de tipo “submetedor x submetidos". - 13Capítulo 14 TransferênciaFenômeno essencial em que se baseia o processo de qualquer terapia analítica.
Freud, em um segundo momento, veio a reconhecer o valor essencial do que denominou “neurose de transferência” e a considerou como resultante de “reimpressões e novas edições” de antigas experiências traumáticas psíquicas. - 14Na atualidadeAcredita-se que, no processo terápico, há transferência em tudo, mas nem tudo deve ser entendido e trabalhado como sendo transferência.
Para alguns autores, ele não é mais do que uma mera figura transferenciai modelada pelas identificações projetivas dos respectivos pacientes.
Para outros, o terapeuta é também um objeto real, com valores e idiossincrasias próprias, e, como tal, ele virá a ser introjetado. Assim, cada vez mais, expressões como “a pessoa real do analista” e “aliança terapêutica" estão ganhando espaço nos trabalhos sobre transferência. - 15Classificação habitual das transferênciasHabitualmente, as transferências são classificadas, em função de sua qualidade, como “positivas” ou “negativas”.
A tendência atual é a de considerar o fenômeno transferenciai não tanto pelos afetos que veicula, mas muito mais pelos efeitos que produz nos outros, através do mecanismo conhecido como "contra-identificação projetiva”) quando ela se processa na pessoa do terapeuta.
Essa contra-identificação projetiva irá se constituir como a essência do fenômeno contratransferencial. - 16TRANSFERÊNCIA NOS GRUPOSEm qualquer campo grupai, quer seja terapêutico ou não, é inevitável que surjam manifestações transferenciais.
- 17Manifestações em 4 níveisNas grupoterapias, manifestam-se em quatro níveis:
1) de cada indivíduo em relação à figura central do grupoterapeuta
(transferência parental)
2) do grupo como uma totalidade em relação a essa figura central
(transferência grupal)
3) de cada indivíduo em relação com outro(s) determinado(s) indivíduo(s) (transferência fraternal)
4) de cada individuo em relação ao grupo como uma entidade abstrata (transferência de pertencência).
Na realidade, todas elas se processam simultaneamente, embora haja momentos em que alguma delas prevaleça com maior nitidez. - 18Transferências cruzadasEm grupos, esta multiplicidade de vetores transferenciais constituem o que se costuma denominar "transferências cruzadas". Foulkes denomina como "matriz” a esta rede de comunicação que é estabelecida com as várias transferências.
- 19Principal ponto de apoio na grupoterapia analíticaPodemos dizer que as diversas formas de atividades grupais se distinguem sobremaneira pela forma de como o coordenador do grupo compreende e maneja essas inevitáveis manifestações transferenciais.
Assim, elas se constituem como o principal ponto de apoio na grupoterapia analítica. - 20Manifestações transferenciais variam de acordo com o momento evolutivo do grupoAs manifestações transferenciais nas grupoterapias analíticas variam com o momento evolutivo do grupo. Dessa forma, no início de qualquer grupo surgem as transferências cruzadas que expressam as necessidades de amor e de dependência, ao mesmo tempo em que conservam uma natureza paranoide.
- 21Com a progressão do grupoÀ medida que o grupo progride, as transferências cruzadas vão se modificando tanto qualitativa como quantitativamente, porquanto ficam menos dramáticas e ruidosas e vão adquirindo uma tonalidade de ordem mais depressiva, em que prevalece uma autêntica preocupação de cada um para todos e vice-versa.
- 22Transferência grupalÉ útil destacar que a transferência grupal assume características algo diferentes do que se processa no tratamento individual.
Isso se deve a duas razões:
1) é a de que a transferência no campo grupai procede de uma combinação de várias fontes; é mais impactante
e
2) conforme enfatiza Bion, os participantes de um grupo têm mais facilidade para regredir a níveis psicóticos da personalidade. - 23Reviver transferencialDevido ao reviver transferencial, a grupoterapeuta está revestida de um papel de mãe que, ao mesmo tempo em que é admirada e necessitada, também é alvo de ataques agressivos, os quais surgem quando os pacientes (re)sentem que não estão sendo atendidos e entendidos.
- 24Capítulo 15 ContratransferênciaCoube a Freud descrever, pela primeira vez, em 1910, a ocorrência do fenômeno contratransferencial na pessoa do analista.
A partir da década de 40, a contratransferência foi estudada como um fenômeno de surgimento inevitável e que pode ser útil ao analista desde que bem compreendido e manejado. - 25Cargas de identificações projetivasPara estes autores, a contratransferência se origina das cargas de identificações projetivas que o paciente deposita no terapeuta e que, por isso mesmo, podem se constituir para este como uma excelente bússola para a empatia e para a interpretação.
- 26Contra-parteAssim, o prefixo “contra” ganhou um claro significado de contra-parte, ou seja, aquilo que o terapeuta sente é o que o paciente o fez sentir, porquanto constituem os sentimentos do mundo interior deste último.
Baseados nesta concepção, muitos exageros e abusos têm sido cometidos, porque tudo o que o analista sentisse seria sempre da responsabilidade do paciente. - 27Importante fazer a distinção entre...o que é contratransferência propriamente dita, e o que é simplesmente a transferência própria da pessoa do terapeuta.
Uma vez que o terapeuta tenha condições de fazer essa necessária discriminação, então, sim, ele pode utilizar os seus sentimentos contratransferenciais como um meio de entender que esses correspondem a uma forma de comunicação primitiva de sentimentos que o paciente não consegue reconhecer e, muito menos, verbalizar. - 28CONTRATRANSFERÊNCIA NOS GRUPOSDa mesma forma como ocorre com a transferência, também a contratransferência se processa no campo grupal, em quatro níveis:
1) os sentimentos do grupoterapeuta em relação, separadamente, a cada um dos integrantes.
2) os sentimentos em relação ao grupo como uma totalidade gestáltica.
3) os sentimentos que determinados pacientes do grupo desenvolvem, e agem, em relação a cada um de seus pares.
4) os sentimentos de cada indivíduo em relação ao que o grupo, como uma totalidade abstrata, lhe desperta.
São as contratransferências cruzadas, especificas do campo das grupoterapias. - 29No processo grupalÉ importante que todos os componentes da grupoterapia desenvolvam a capacidade de reconhecimento dos próprios sentimentos contratransferenciais que os outros lhe despertam, assim como os que ele despertou nos outros.
Isso tem uma dupla finalidade: uma, a de auxiliar a importante função do ego de cada indivíduo em discriminar entre o que é seu e o que é do outro; a segunda razão é a da necessidade para o crescimento de cada pessoa, de que ela deve reconhecer, por mais penoso que isso seja, aquilo que ela desperta e “passa” para os outros. - 30Terapeuta como Instrumento de empatia ou Reforço da patologia do pacienteA contratransferência resulta, essencialmente, das contra-identificações projetivas, razão pela qual ela tanto pode servir como um instrumento de empatia, ou, ao contrário, para um reforço da patologia do paciente.
Essa última situação ocorre quando o terapeuta, ao invés de representar um novo modelo de identificação que possibilite uma abertura para as mudanças, se identifica com os antigos e rígidos valores parentais que foram projetados dentro dele. Assim, o terapeuta assume, complementa e age da mesma forma como os pais do paciente procederam com ele. - 31A contratransferência complementarQuando o terapeuta, por ter se identificado com os objetos primitivos do paciente, acaba por complementar, isto é, reforçar os mesmos padrões de conduta daqueles últimos.
É importante consignarmos que a persistência desse tipo de contratransferência impossibilitará que os pacientes possam encontrar saídas novas para os seus velhos problemas. - 32Transformando a contratransferência de tipo complementar em uma contratransferência de tipo "concordante”Com o auxílio da supervisão, o grupoterapeuta reconhece os seus sentimentos contratransferenciais patogênicos, e isso propicia que ele transforme a contratransferência de tipo complementar em uma contratransferência de tipo "concordante” (corresponde ao que os mesmos autores norte-americanos conceituam
como "empatia”).
Em outras palavras, o fato de perder o medo dos sentimentos que foram projetados para dentro dele possibilita que o terapeuta possa utilizá-lo como um instrumento de comunicação empática.
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- Fundamentos básicos das grupoterapias Flashcards on Parte 12 - Capítulo 13, 14 e 15, created by Flávia Faria on 03/08/2018.
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