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Flashcards

Parte 14 - Capítulo 17

Flávia Faria Fundamentos básicos das grupoterapias Portuguese 30 cards

Cards in this deck (30)

  1. 1Capítulo 17 InterpretaçãoAinda que a interpretação não seja o único fator terapêutico, ela se constitui, sem dúvida, como o instrumento fundamental.
  2. 2Supervalorização da interpretaçãoSempre houve, notadamente nos tempos pioneiros da psicanálise, uma supervalorização, quase mágica, da arte de interpretar os significados inconscientes do conteúdo dos sonhos e da livre associação de idéias, numa tenaz busca por decifrar os enigmas escondidos nas dobras de sua simbologia.
    O papel do paciente era o de trazer “material", enquanto o da analista era unicamente o de interpretá-lo.
  3. 3AtualmenteO prefixo “inter” da palavra interpretação diz bem do caráter inter-relacional do vinculo terapêutico em que se processa um recíproco e continuo intercâmbio de sentimentos.
    Assim, a interpretação se forma no terapeuta a partir da elaboração interna de uma série de fatores: seus conhecimentos teórico-técnicos (acerca da livre associação de idéias, o jogo das identificações, as múltiplas transferenciais, os actings, etc.), suas sensações transferenciais, sua capacidade de empatia e de intuição e, em caso de grupos, a sua aptidão em captar o denominador comum da tensão grupal.
  4. 4É útil lembrar que......a interpretação também opera pelo entendimento daquilo que não é dito e não é feito.
  5. 5Finalidades da interpretação analítica✠ Promover o insight (tomar consciente aquilo que for pré-consciente ou inconsciente) e a relação do sujeito consigo mesmo.
    ✠ Romper a fantasia de fusão com um objeto imaginário e introduzir a discriminação além de, a partir daí, propiciar um acesso ao nível simbólico.
  6. 6Finalidades da interpretação analítica✠ Reconhecer e reintegrar os aspectos que estão dissociados e projetados.
    ✠ Desfazer as negações da realidade, exterior e interior.
    ✠ Dar nomes aos sentimentos mais primitivos que ainda estão inanimados.
    ✠ Fazer discriminações entre
    as diferenças.
  7. 7Finalidades da interpretação analítica✠ Propiciar ressignificações (através de um jogo dialético entre a tese inicial do paciente, a antítese apresentada pelo terapeuta, e a síntese resultante, seguida de novas teses...).
    ✠ Promover o desenvolvimento das funções do ego, principalmente as de percepção (por exemplo, as distorções resultantes do uso excessivo de identificações projetivas), de pensamento, linguagem, e ação.
    ✠ Reconhecer, e modificar, a assunção e adjudicação de papéis do campo grupal.
  8. 8Na prática...Essas diversas finalidades da função interpretativa, acima enumeradas, obedeceram a um esquema didático, sendo que, na prática, de certa forma, tudo isso se superpõe e se processa de forma evolutiva ao longo de qualquer tratamento de propósito analítico.
  9. 9Interpretação propriamente ditaÉ classicamente considerada como sendo a que, no aqui-agora da transferência, através da formulação verbal do terapeuta, descodifica o conflito inconsciente que se estabelece entre os impulsos, defesas e as relações objetais internas.
  10. 10Atividade interpretativaImplica no uso de intervenções que levem os pacientes a fazerem indagações e reflexões.
    Nesse caso, as intervenções do terapeuta incluem o uso de perguntas, de clarificações (enfoque de detalhes significativos), confrontações (confrontos entre as contradições do paciente, assim como de suas dissociações) e o eventual emprego de analogia e de metáforas.
  11. 11Patologia da interpretaçãoA interpretação consta de três aspectos: o conteúdo, a forma e o estilo. Cada um deles tanto podem ser adequados como podem incidir num desvirtuamento contraproducente.
  12. 121. Em relação ao conteúdoA patologia do conteúdo da interpretação diz respeito principalmente ao fato de que aquilo que o terapeuta interpreta não corresponde exatamente ao que de relevante lhe foi comunicado.
    Outra possibilidade é a de que o conteúdo de interpretação não considere o aspecto positivo que muitas vezes está oculto numa aparência de negatividade.
    Em grupoterapia, constitui um grave erro técnico o fato de um grupoterapeuta privilegiar o conteúdo das comunicações isoladas de um, ou de alguns membros, sem conectá-los com as dos outros.
  13. 132. Em relação à forma (pontos que devem ser assinalados)➥ A interpretação vir a servir como um instrumento de poder do grupoterapeuta, a serviço de uma doutrinação e ao preço de uma submissão dos pacientes.
    ➥ Uma forma intelectualizada de conceber e de formular a interpretação.
    ➥ Um uso de interpretações “saturadas”, que redundam e fecham ao invés de promover aberturas.
  14. 14Continuação➥ Um reducionismo sistemático ao transferencialismo do tipo "... é aqui, agora, comigo". Isso não só está longe de ser sempre verdade como ainda tem o inconveniente de reforçar os vínculos de natureza simbiótica, assim como o de dificultar o desenvolvimento do senso de crítica da realidade exterior.
  15. 15Continuação➥ A interpretação ser transmitida em um canal que não pode ser sintonizada pelo aparelho receptor dos pacientes.
    Por exemplo: será infrutífera a interpretação formulada em termos conceituais abstratos para pacientes regressivos que não tenham bem desenvolvida essa capacidade de formação de símbolos.
  16. 16Continuação➥ A interpretação ser dirigida unicamente aos indivíduos separadamente (a chamada “análise em grupo”), ou, no extremo oposto, ser sistematicamente enfocada no “todo grupai” (análise do grupo). No primeiro caso, a patologia consiste em que ela não só impede a formação da passagem da condição de serialidade para a de grupo propriamente dito, como ainda gera um foco de inveja e rivalidades nos outros — e de culpas no privilegiado.
  17. 173. Em relação ao estiloO estilo de como o grupoterapeuta intervém e interpreta exerce uma inequívoca influência no campo grupai. Estilo e técnica costumam se confundidos, mas náo são a mesma coisa, estando o primeiro a serviço do segundo.
  18. 18Estilo e técnicaO estilo é variável de um terapeuta para outro e diz respeito a uma forma de ser de cada um de nós, enquanto uma determinada técnica obedece a postulados bem definidos e invariáveis.
    O estilo pessoal diz muito de como é, na realidade, a pessoa do grupoterapeuta e, por isso mesmo, essa sua autenticidade, de modo geral, deve ser respeitada e preservada.
  19. 19Algumas das dpculiaridades estilísticasEstilo retórico
    Estilo "os pacientes nunca tem razão"
    Estilo cauteloso
    Estilo cobrador-acusador
    Estilo reducionista
    Estilo rococó
    Estilo pedagógico
  20. 20Interpretação ineficaz em sua metaMuitas vezes a interpretação pode estar exata do ponto de vista do conteúdo, mas, apesar disso, devido a um problema de forma e de estilo, ser ineficaz em relação à meta de conseguir plantar um insight afetivo que seja efetivo na promoção de mudanças.
  21. 21Técnica da interpretação grupalA interpretação resulta de uma elaboração interna do grupoterapeuta, a partir de múltiplos fatores de natureza complexa, o que faz com que ela mais se aproxime de uma criação artística do que de uma ciência de regras explícitas.
    São inúmeras e variadas as táticas e técnicas, assim como os critérios interpretativos.
  22. 22Mudanças técnicas quanto às atividades interpretativas1. Discriminar as individualidades, ainda que sempre em conexão com o denominador comum do contexto grupal.
    2. Valorizar muito mais os aspectos extratransferenciais.
  23. 23Mudanças técnicas (continuação)3. Utilizar menos sistematicamente as interpretações transferenciais no aqui-agora-conosco (a menos que as ansiedades emergentes estejam direta ou indiretamente ligadas a nós, é claro), e mais a atividade interpretativa constante de clareamentos. confrontos e perguntas que induzam a indagações reflexivas.
    4. Dar importância prioritária ao assinalamento das funções do ego, notadamente as de Percepção, Pensamento, Linguagem,
    Comunicação e Conduta.
  24. 24Mudanças técnicas (continuação)5. Valorizar os aspectos positivos da personalidade, como, por exemplo, os que estão nas entrelinhas de muitas resistências e actings.
    6. Enfatizar, sobretudo, o desempenho de papéis fixos e estereotipados no grupo, bem como na vida lã fora.
  25. 25Mudanças técnicas (continuação)7. Valorização especial dos problemas da comunicação, os quais costumam expressar-se sob distintas formas, especialmente de falsos acordos e aparentes desacordos, assim como por meio de mensagens ambíguas e pelos mal-entendidos.
    8. Permitir e, de certa forma, estimular que os próprios pacientes exerçam uma função interpretativa.
  26. 26Mudanças técnicas (continuação)9. Maior valorização aos aspectos contratransferenciais (especialmente como sendo um veículo de comunicação dos pacientes, em nível primitivo) e dos possíveis conluios contra-resistenciais.
    10. Fazer, ao final de cada sessão, uma síntese das principais experiências afetivas ocorridas ao longo dela, sempre visando à integração grupai.
  27. 27Como avaliar a eficácia das interpretaçõesDe um modo geral, quando elas são adequadas, costumam promover no clima da sessão um sentimento de alívio — que se deve fundamentalmente ao fato de se sentirem compreendidos — logo seguido do aporte de novas associações e sentimentos.
    Por outro lado, as interpretações devem propiciar um insight que permita novas aberturas para os velhos problemas.
  28. 28O que possibilita o reconhecimento dos outrosNão basta a presença real de outras pessoas em um grupo para que se estabeleça o reconhecimento dos outros: a atividade interpretativa é que vai possibilitar a saída do nível narcisista imaginário e o reconhecimento das diferenças de cada um com os demais.
  29. 29Tendência à repetiçãoA tendência dos indivíduos e dos grupos é a de repetirem, compulsiva e estereotipadamente, na vida exterior, o drama das relações objetais que se desenvolve na vida interior de cada um, sendo que, em um grupo terapêutico, as interpretações podem representar uma porta de libertação.
  30. 30Critério de eficácia das interpretaçõesUm critério de eficácia das interpretações é quando, ao longo do tratamento, vão se processando mudanças nas pessoas.
    Também é importante assinalar que as interpretações das configurações básicas nos grupos promovem um novo código comunicacional.

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Fundamentos básicos das grupoterapias Flashcards on Parte 14 - Capítulo 17, created by Flávia Faria on 04/08/2018.
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Flávia Faria
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