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Flashcards

Febre

Ana Borges Imunologia 2º ano Portuguese 19 cards

Cards in this deck (19)

  1. 1Citocinas pró inflamatórias e febreAs citocinas pró-inflamatórias, especialmente IL-1, TNF e principalmente IL-6, atuam no hipotálamo induzindo a produção de PGE2, que é o principal mediador da febre; a PGE2 se liga ao centro termorregulador, elevando a temperatura corporal, o que cria um ambiente desfavorável para patógenos; além disso, essas citocinas também promovem leucocitose e resposta sistêmica, sendo importante lembrar que idosos apresentam imunossenescência e podem não fazer febre alta, sendo temperaturas discretamente elevadas já clinicamente relevantes.
  2. 2Mecanismo fisiológico da febreDurante a infecção, a PGE2 atua em neurônios que expressam o receptor EP3 no hipotálamo, ativando o sistema nervoso simpático e levando à liberação de noradrenalina, que aumenta a termogênese no tecido adiposo marrom e promove vasoconstrição periférica para reduzir perda de calor; simultaneamente, a acetilcolina induz contrações musculares (tremores), gerando calor, o que ajuda o organismo a atingir a temperatura febril e dificulta a sobrevivência de vírus e bactérias.
  3. 3Efeitos sistêmicos da febreA febre potencializa a resposta imune inata ao estimular a liberação de neutrófilos da medula óssea via G-CSF, aumentar o recrutamento dessas células para o local de infecção por mecanismos dependentes de CXCL8 e aumentar a permeabilidade endotelial; além disso, o estresse térmico intensifica a explosão respiratória dos neutrófilos, aumentando sua capacidade bactericida e também melhora a atividade das células NK. Temperaturas na faixa febril aumentam a capacidade das células apresentadoras de antígeno (APCs) de ativar a resposta imune adaptativa
  4. 4Impacto clínicoA febre está associada a melhor resolução de infecções e maior sobrevida, enquanto o uso de antipiréticos pode estar relacionado a pior prognóstico, como aumento de mortalidade em infecções por influenza e pior evolução em pacientes críticos.
  5. 5Proteínas de fase agudaNa inflamação, citocinas como IL-1, IL-6 e TNF estimulam o fígado a produzir proteínas de fase aguda, que participam de processos como opsonização, além de estimular a medula óssea (via GM-CSF) a aumentar a produção de leucócitos, contribuindo para a leucocitose e para a amplificação da resposta inflamatória sistêmica. Na ausência de infecção essas proteínas circulam de forma inativa
  6. 6Opsonizacao (R humoral inata)A opsonização consiste no revestimento de patógenos por moléculas que facilitam sua fagocitose; exemplos importantes incluem a proteína C reativa (PCR), que se liga à fosforilcolina presente em bactérias e células apoptóticas, e a proteína amiloide sérica (SAP), que se liga à fosfatidiletanolamina, ambas marcando essas estruturas para reconhecimento e eliminação pelo sistema imune.
  7. 7COVID e marcadores inflamatóriosEm condições inflamatórias intensas, como na COVID-19, observa-se aumento de marcadores como a desidrogenase láctica (DHL), liberada durante processos de morte celular como a piroptose, e da proteína C reativa (PCR), refletindo a ativação da resposta inflamatória sistêmica.
  8. 8Sistema complementoO sistema complemento é composto por mais de 30 proteínas produzidas principalmente pelo fígado, que circulam inativas e são ativadas na presença de patógenos ou imunocomplexos; independentemente da via de ativação, o objetivo final é a eliminação do patógeno por meio de opsonização e lise.
  9. 9Vias de ativação do sistema complementoO sistema complemento pode ser ativado por três vias diferentes — clássica, alternativa e da lectina — que diferem no mecanismo de início, mas todas convergem para a formação da C3 convertase e culminam na opsonização, inflamação e lise do patógeno; a via clássica é iniciada pela ligação de anticorpos (IgG ou IgM) ao antígeno, ativando o complexo C1, sendo portanto dependente da imunidade adaptativa; a via alternativa é ativada diretamente pela superfície do microrganismo, sem necessidade de anticorpos, por meio da ativação espontânea de C3, sendo importante na imunidade inata;
  10. 10Parte doisJá a via da lectina é iniciada quando a lectina ligadora de manose (MBL) reconhece carboidratos presentes na superfície de patógenos, ativando proteínas semelhantes ao C1; todas essas vias levam à formação de C3 convertase, que cliva C3 em C3a (inflamação) e C3b (opsonização), evoluindo para C5 convertase e formação do complexo de ataque à membrana (C5b-C9 ou MAC) responsável pela lise celular.
  11. 11Como o complemento induz inflamação?Os fragmentos C3a e C5a do complemento atuam como anafilatoxinas, promovendo aumento da permeabilidade vascular, degranulação de mastócitos com liberação de histamina e recrutamento de células inflamatórias, intensificando a resposta inflamatória local.
  12. 12Qual a sua importância na remoção de imunocomplexos?O sistema complemento também é essencial na remoção de imunocomplexos da circulação, prevenindo doenças como lúpus e glomerulonefrite; o C3b se liga aos complexos antígeno-anticorpo e permite sua ligação ao receptor CR1 em hemácias, que transportam esses complexos até fígado e baço, onde são removidos por fagócitos.
  13. 13Efeitos sistêmicos das citocinas principaisAs citocinas pró-inflamatórias exercem efeitos locais (ativação endotelial e recrutamento celular) e sistêmicos, como febre (cérebro), produção de proteínas de fase aguda (fígado) e leucocitose (medula óssea); porém, em excesso, podem causar efeitos patológicos como trombose, aumento da permeabilidade vascular, resistência à insulina e disfunção orgânica.
  14. 14TNF e choque sépticoO TNF é central na fisiopatologia do choque séptico, pois reduz a contratilidade cardíaca e o tônus vascular, levando à hipotensão grave; também induz estado pró-coagulante ao aumentar fator tecidual e reduzir trombomodulina (que inibe a coagulação), favorecendo trombose (junta isso a netose aumentando muito a formação de trombos) e em produção prolongada leva à caquexia por supressão do apetite e degradação de tecidos, além de causar resistência à insulina.
  15. 15Hiperglicemia e a consequência para a imunidade inataA hiperglicemia prejudica a resposta imune inata ao ativar a PKC, interferindo na polimerização da actina (trava esqueleto da célula) e dificultando a migração dos neutrófilos, além de reduzir suas funções efetoras como explosão respiratória e formação de NETs; também causa glicação de proteínas do complemento (afeta a estrutura terciária dessas proteínas) e anticorpos, diminuindo a opsonização e a fagocitose.
  16. 16Reparo tecidualO reparo tecidual ocorre em três fases: fase inflamatória, com recrutamento de neutrófilos e ação de macrófagos; fase proliferativa, com angiogênese, produção de matriz extracelular por fibroblastos e epitelização por queratinócitos; e fase de remodelamento, em que fibroblastos se diferenciam em miofibroblastos e a matriz extracelular se reorganiza e se torna mais resistente.
  17. 17Memória da imunidade inataA imunidade inata tradicionalmente possui memória limitada, diferentemente da adaptativa, porém pode desenvolver uma “imunidade treinada”, caracterizada por um estado funcional alterado que dura semanas a meses após o estímulo inicial, permitindo respostas mais intensas a infecções subsequentes. Estudos têm mostrado que a imunidade inata pode ser influenciada por encontros anteriores com patógenos ou seus produtos, e essa
    propriedade foi denominada imunidade treinada.
  18. 18MecanismoA imunidade treinada ocorre devido a alterações metabólicas e epigenéticas nas células da imunidade inata após um primeiro estímulo (como infecção ou vacinação), facilitando o acesso de fatores de transcrição a genes pró-inflamatórios e resultando em uma resposta mais rápida e amplificada em exposições futuras, embora de forma não específica.
  19. 19Parte doisImunidade treinada, induz aumento de
    propriedades inflamatórias e antimicrobianas nas células inatas, responsável por um aumento não
    específico da resposta a infecções posteriores melhorando a sobrevivência do hospedeiro

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2º ano Imunologia Flashcards on Febre , created by Ana Borges on 02/04/2026.
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Ana Borges
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