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Fundamentos da Ética

Mapa mental: Fundamentos da Ética
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Fundamentos da Ética
Sócrates: o (δαίμων) Daimôn
- O ensinamento do oráculo de Delfos: Conhece-te a ti mesmo!
Platão: O anel de Giges
- O Anel de Giges— Falar a favor da justiça, como sendo superior à injustiça, ainda não o ouvi a ninguém, como é meu desejo — pois desejava ouvir elogiá-la em si e por si. Contigo, sobretudo, espero aprender esse elogio. Por isso, vou fazer todos os esforços por exaltar a vida injusta; depois mostrar-te-ei de que maneira quero, por minha vez, ouvir-te censurar a injustiça, e louvar a justiça. Mas vê se te apraz a minha proposta.— Mais do que tudo — respondi —. Pois de que outro assunto terá mais prazer em falar ou ouvir falar mais vezes uma pessoa sensata?— Falas à maravilha — disse ele —. Escuta então o que eu disse que iria tratar primeiro: qual a essência e a origem da justiça.Dizem que uma injustiça é, por natureza um bem, e sofrê-la, um mal, mas que ser vítima de injustiça é um mal maior do que o bem que há em cometê-la. De maneira que, quando as pessoas praticam ou sofrem injustiças umas das outras, e provam de ambas, lhes parece vantajoso, quando não podem evitar uma coisa ou alcançar a outra, chegar a um acordo mútuo, para não cometerem injustiças nem serem vítimas delas. Daí se originou o estabelecimento de leis e convenções entre elas e a designação de legal e justo para as prescrições da lei. Tal seria a gênese e essência da justiça, que se situa a meio caminho entre o maior bem — não pagar a pena das injustiças — e o maior mal — ser incapaz de se vingar de uma injustiça. Estando a justiça colocada entre estes dois extremos, deve, não preitear-se como um bem, mas honrar-se devido à impossibilidade de praticar a injustiça. Uma vez que o que pudesse cometê-la e fosse verdadeiramente um homem nunca aceitaria a convenção de não praticar nem sofrer injustiças, pois seria loucura. Aqui tens, ó Sócrates, qual é a natureza da justiça, e qual a sua origem, segundo é voz corrente.Sentiremos melhor como os que observam a justiça o fazem contra vontade, por impossibilidade de cometerem injustiças, se imaginarmos o caso seguinte. Demos o poder de fazer o que quiser a ambos, ao homem justo e ao injusto; depois, vamos atrás deles, para vermos onde a paixão leva cada um. Pois bem! Apanhá-lo-emos, ao justo, a caminhar para a mesma meta que o injusto, devido à ambição, coisa que toda a criatura está por natureza disposta a procurar alcançar como um bem; mas, por convenção, é forçada a respeitar a igualdade. E o poder a que me refiro seria mais ou menos como o seguinte: terem a faculdade que se diz ter sido concedida ao antepassado do Lídio [Giges]. Era ele um pastor que servia em casa do que era então soberano da Lídia. Devido a uma grande tempestade e tremor de terra, rasgou-se o solo e abriu-se uma fenda no local onde ele apascentava o rebanho. Admirado ao ver tal coisa, desceu por lá e contemplou, entre outras maravilhas que para aí fantasiam, um cavalo de bronze, oco, com umas aberturas, espreitando através das quais viu lá dentro um cadáver, aparentemente maior do que um homem, e que não tinha mais nada senão um anel de ouro na mão. Arrancou-lho e saiu. Ora, como os pastores se tivessem reunido, da maneira habitual, a fim de comunicarem ao rei, todos os meses, o que dizia respeito aos rebanhos, Giges foi lá também, com o seu anel. Estando ele, pois, sentado no meio dos outros, deu por acaso uma volta ao engaste do anel para dentro, em direção à parte interna da mão, e, ao fazer isso, tornou-se invisível para os que estavam ao lado, os quais falavam dele como se se tivesse ido embora. Admirado, passou de novo a mão pelo anel e virou para fora o engaste. Assim que o fez, tornou-se visível. Tendo observado estes fatos, experimentou, a ver se o anel tinha aquele poder, e verificou que, se voltasse o engaste para dentro, se tornava invisível; se o voltasse para fora, ficava visível. Assim senhor de si, logo tratou de ser um dos delegados que iam junto do rei. Uma vez lá chegado, seduziu a mulher do soberano, e com o auxílio dela, atacou-o e matou-o, e assim se assenhoreou do poder.Se, portanto, houvesse dois anéis como este, e o homem justo pusesse um, e o injusto outro, não haveria ninguém, ao que parece, tão inabalável que permanecesse no caminho da justiça, e que fosse capaz de se abster dos bens alheios e de não lhes tocar, sendo-lhe dado tirar à vontade o que quisesse do mercado, entrar nas casas e unir-se a quem lhe apetecesse, matar ou libertar das algemas a quem lhe aprouvesse, e fazer tudo o mais entre os homens, como se fosse igual aos deuses. Comportando-se desta maneira, os seus atos em nada difeririam dos do outro, mas ambos levariam o mesmo caminho. E disto se poderá afirmar que é uma grande prova de que ninguém é justo por sua vontade, mas constrangido, por entender que a justiça não é um bem para si, individualmente, uma vez que, quando cada um julga que lhe é possível cometer injustiças, comete-as. Efetivamente, todos os homens acreditam que lhes é muito mais vantajosa, individualmente, a injustiça do que a justiça. E pensam a verdade, como dirá o defensor desta argumentação. Uma vez que, se alguém que se assenhoreasse de tal poder não quisesse jamais cometer injustiças, nem apropriar-se dos bens alheios, pareceria aos que disso soubessem muito desgraçado e insensato. Contudo, haviam de elogiá-lo em presença uns dos outros, enganando-se reciprocamente, com receio de serem vítimas de alguma injustiça. Assim são, pois, estes fatos.Quanto à escolha, em si, entre as vidas de que estamos a falar, se considerarmos separadamente o homem mais justo e o mais injusto, seremos capazes de julgar corretamente. Caso contrário, não. Qual é então essa separação? É a seguinte: nada tiremos, nem ao injusto em injustiça, nem ao justo em justiça, mas suponhamos que cada um deles é perfeito na sua maneira de viver. Em primeiro lugar, que o injusto faça como os artistas qualificados — como um piloto de primeira ordem, ou um médico, repara no que é impossível e no que é possível fazer com a sua arte, e mete ombros a esta tarefa, mas abandona aquela. E ainda, se vacilar nalgum ponto, é capaz de corrigi-lo. Assim também o homem injusto deve meter ombros aos seus injustos empreendimentos com correção, passando despercebido, se quer ser perfeitamente injusto. Em pouca conta deverá ter-se quem for apanhado. Pois o suprassumo da injustiça é parecer justo sem o ser. Dêmos, portanto, ao homem perfeitamente injusto à mais completa injustiça; não lhe tiremos nada, mas deixemos que, ao cometer as maiores injustiças, granjeie para si mesmo a mais excelsa fama de justo, e, se acaso vacilar nalguma coisa, seja capaz de a reparar, por ser suficientemente hábil a falar, para persuadir; e, se for denunciado algum dos seus crimes, que exerça a violência, nos casos em que ela for precisa, por meio da sua coragem e força, ou pelos amigos e riquezas que tenha granjeado. Depois de imaginarmos uma pessoa destas, coloquemos agora mentalmente junto dele um homem justo, simples e generoso, que, segundo as palavras de Ésquilo, não quer parecer bom, mas sê-lo. Tiremos-lhe, pois, essa aparência. Porquanto, se ele parecer justo, terá honrarias e presentes, por aparentar ter essas qualidades. E assim não será evidente se é por causa da justiça, se pelas dádivas e honrarias, que ele é desse modo. Deve, pois, despojar-se de tudo, exceto a justiça, e deve imaginar-se como situado ao invés do anterior. Que, sem cometer falta alguma, tenha a reputação da máxima injustiça, a fim de ser provado com a pedra de toque em relação à justiça, pela sua recusa a vergar-se ao peso da má fama e suas consequências. Que caminhe inalterável até à morte, parecendo injusto toda a sua vida, mas sendo justo, a fim de que, depois de terem atingido ambos o extremo limite, um da justiça, outro da injustiça, se julgue qual deles foi o mais feliz.— Céus! Meu caro Gláucon! — exclamei —. Com que vigor te empenhas em limpar e avivar, como se fosse uma estátua, cada um dos dois homens, a fim de submetê-los a julgamento! Platão; Fábio Brazza: O anel de Giges: https://www.youtube.com/watch?v=JjwVRxcsQiE
Aristóteles
- [...] A virtude é portanto uma disposição adquirida voluntária, que consiste, em relação a nós, na medida, definida pela razão em conformidade com a conduta de um homem ponderado. Ela ocupa a média entre duas extremidades lastimáveis, uma por excesso, a outra por falta. Digamos ainda: enquanto, nas paixões e nas ações, o erro consiste ora em manter-se aquém, ora ir além do que é conveniente, a virtude encontra e adota uma justa medida. Por isso, embora a virtude, segundo sua essência e segundo a razão que fixa sua natureza, consista numa média, em relação ao bem e à perfeição ela se situa no ponto mais elevado [...] (Ética a Nicômaco, II, 6).
Agostinho de Hipona: a origem do mal
- [...] Estuda o sumo bem, ao qual referimos todos os atos, que procuramos por si mesmo e além do qual, se o atingirmos, nada mais procuramos que nos torne felizes. Ele é chamado também de fim, porque para ele se voltam todos os outros desejos, ao passo que ele é desejado somente por si mesmo [...]
Tomás de Aquino
- [...] é o princípio das próprias ações, por força do livre-arbítrio e do domínio que tem sobre elas [...]. Summa Theologiae I (ética) Três leis: Lex aeterna [...] Plano ou ordenação da divina sabedoria, pelo qual se dirigem todas as ações e movimentos das criaturas em vista do bem comum do universo [...]. (S.T I,a.2, q. 93,a.1); Lex naturalis: participação passiva (S.T I, a. 2, q. 91, a. 2) Lex humana: o conjunto de leis positivas.
Kant: imperativos
- [...] Duas coisas enchem a alma de admiração e respeito sempre renovados e crescentes quanto mais reflito sobre elas: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim [...] (CRPu (1781), Filosofia, 2009, p. 141) [...] A moral propriamente dita, não é uma doutrina que nos ensina como sermos felizes, mas como devemos tornar-nos dignos da felicidade [...]; [...] Age o mais perfeitamente que puderes, eis o fundamento primário de toda obrigação de agir [...]; [...] Podes, posto que deves [...]; Ação Moral - 3 formulações: 1. Princípio do Universalismo [...] age só segundo máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal [...]; (FMC (1785), Filosofia, 2009, p. 141) 2. Princípio do Antropocentrismo [...] age de tal modo que faças da humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa do outro, sempre ao mesmo tempo um fim e nunca simplesmente um meio[...] (FMC (1785), Filosofia, 2009, p. 141); 3. Princípio do Racionalismo [...] age como se a máxima de tua ação devesse servir de lei universal para todos os seres racionais [...]; (FMC (1785), Filosofia, 2009, p. 141).
J. S. Mill: utilitarismo
- [...] A doutrina utilitarista ensina que a felicidade é desejável e a única coisa desejável como fim; todas as outras coisas são desejáveis apenas como meio para chegar a esse fim [...] (Utillitarismo (1861), Filosofia, 2009, p. 139). Existem [...] certas classes de regras morais que dizem respeito mais de perto ao bem-estar humano, e portanto são de obrigatoriedade absoluta [...] (pp. 139-140). [...] Sem ideias comuns sobre política, moral e ética, nenhuma sociedade pode existir [...] (Sobre a liberdade (1859), Filosofia, 2009, p. 140)
Nietzsche: o primeiro imoralista (Ecce Homo)
- [...] o imperativo categórico cheira a crueldade [...] (Obras incompletas, 1983); [...] “A “virtude”, o “dever”, o “bem em si”, a bondade fundamentada na impessoalidade ou na noção de validade universal – são todas quimeras, e nelas apenas encontra-se a expressão da decadência, o ultimo colapso vital, o espírito chinês de Konigsberg. Exatamente o contrário é exigido pelas mais profundas leis da autopreservação e do crescimento: que cada homem crie sua própria virtude, seu próprio imperativo categórico. Uma nação se reduz a ruínas quando confunde seu dever com o conceito universal de dever. Nada conduz a um desastre mais cabal e pungente que todo dever “impessoal”, todo sacrifício ao Moloch” [...] (NIETZSCHE: AC XI).[...] O que é bom? (...) Tudo o que fortalece no homem o sentimento de poder, o desejo de poder, o próprio poder. O que é mau? Tudo que nasce da fraqueza [...] (AC. (1888), Filosofia, 2009, p. 153).[...] Com ajuda da moralidade do costume e da camisa-de-forças social, o homem foi realmente tornado confiável [...] (GM)[...] O juízo bom não provém daqueles aos quais se fez o bem. Foram os bons mesmos, isto é, os nobre, poderosos, superiores em posição e pensamento, que sentiram e estabeleceram a si e a seus atos como bons, ou seja, de primeira ordem, em oposição a tudo que era baixo, de pensamento baixo, vulgar e plebeu [...] (GM, 1.a Dissertação, #2);[...] O modo de valoração nobre-sacerdotal tem outros pressupostos: para ele a guerra é um mau negócio! Os sacerdotes são, como sabemos, os mais terríveis inimigos – por quê? Porque são os mais impotentes. Na sua impotência, o ódio torna-se a coisa mais espiritual e venenosa [...] (GM, 1.a Dissertação, § 7); [...] Exigir da força que não se expresse como força, que não seja um querer-dominar, um querer-vencer, um querer-subjugar, uma sede de inimigos, resistências e triunfos, é tão absurdo quanto exigir da fraqueza que se expresse como força [...](GM, 1.a Dissertação, § 13).
J. Habermas: TAC
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- Mind Map on Fundamentos da Ética, created by Macarrão Filosófico on 05/07/2019.
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- Macarrão Filosófico
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