GoConqr has a new look! Let us know what you think.

Mind map

Filosofia da Religião

Miguel Fernandes Portuguese

Mapa mental sobre Filosofia da Religião: conceito teísta de Deus e argumentos a favor e contra

Mapa mental: Filosofia da Religião

Map content

Filosofia da Religião

  1. O que é a filosofia da religião

    • É o exame crítico das crenças e dos conceitos religiosos fundamentais
    • Consiste em pensar filosoficamente sobre tópicos que surgem quando o assunto é a religião
    • Neste exame crítico deve-se ter como ideal uma argumentação:
      • Válida
      • Sólida
      • cogente
  2. Conceito teísta de Deus

    • Deus é:
      • Omnipotente
      • Omnisciente
      • Sumamente Bom
      • Criador
      • Pessoa
    • Diferente de:
      • Deísmo
        • Deus é criador mas não quer saber da sua criação e não interage com ela
      • Panteísmo
        • Deus não é distinto do mundo
    • Problema da consistência de Deus
      • Será que o conceito de Deus teísta é coerente ou consistente?
      • "Deus não é consistente ou coerênte"
        • Argumentos a favor:
          • Contra a coerência:
            • Paradoxo da pedra
              • Objeções
                • Deus pode fazer todas as coisas que SÃO possíveis
                  • Tomás de Aquino sugere que
                    • D2 - Um ser S é omnipotente <=> S pode fazer qualquer acção que seja metafisicamente possível
                      • Se adotarmos (D2) em vez de (D1) temos uma base para criticar o paradoxo da pedra&nbsp;
                      • Se Deus não pode criar um pedra que ninguém consiga levantar, então ele não é omnipotente (uma vez que não pode criar a pedra em questão). Podemos dizer que a premissa (3) é falsa, uma vez que criar um pedra que ninguém consiga levantar é uma ação impossível.
                      • Isto porque se, para qualquer mundo possível, Deus é capaz de levantar qualquer pedra que exista, então não há qualquer mundo possível que contenha um pedra que Deus não possa levantar.Nesse caso, criar uma tal pedra é uma ação impossível.
              • D1 - Um ser S é omnipotente <=> S pode realizar qualquer ação
                • Deus pode ou não pode criar uma pedra inamovível
                  • Se Deus criar uma pedra inamovível
                    • Não é omnipotente
                      • Pois a pedra não se moverá mesmo que ele queira
                  • Se Deus não criar uma pedra inamovível
                    • Não é omnipotente
                      • Pois não pode criar a pedra em questão
            • Fatalismo teológico
              • S é omnisciente <=> para qualquer proposição P ( P é verdadeiro →S sabe que P)
                • Se Deus sabe que S realizará X, então S deve necessariamente fazer X
                  • Se S deve necessariamente fazer X, então S não realizará X livremente
                    • Se Deus sabe que S realizará X, então S não realizará X livremente
              • Objeções
                • Contra a premissa 1
                  • Por um lado: pelo facto de Deus saber que uma proposição é verdadeira, daí não se segue que a proposição seja uma verdade necessária, tal como todos os triângulos têm três lados. Ou seja, há muitas verdades contingentes que Deus sabe; assim, Deus pode saber uma proposição sem ser necessária.
                  • Por outro lado:&nbsp;Pode-se argumentar que, dado que o futuro ainda não existe, as frases sobre o futuro não têm valor de verdade. Se tal suceder, então a incapacidade de Deus para saber as futuras ações livres das suas criaturas é perfeitamente consistente com a sua omnisciência.
                • Contra a premissa 2
                  • Os compatibilistas defendem que agimos livremente quando as nossas ações resultam do que desejamos fazer (ainda que esses desejos sejam determinados). Se escolhermos fazer algo e se nada exterior nos impede de o fazermos, então ao fazê-lo estamos a agir livremente: estamos a exercer o nosso livre-arbítrio.ou seja – mesmo que Deus saiba, desde que não haja coacção, a ação é sempre livre
          • Contra a consistência
            • Entre omnipotência e perfeição moral
              • Há um Deus que é simultaneamente omnipotente e moralmente perfeito
                • Um ser omnipotente pode fazer qualquer coisa que seja logicamente possível
                  • Ter a propriedade de ser moralmente perfeito implica ser impecável (ou ser incapaz de proceder de forma moralmente errada) e, por isso, há coisas que um ser moralmente perfeito não pode fazer, como assassinar, mentir, quebrar promessas, entre outros
                    • Há um Deus que simultaneamente pode fazer tudo o que é logicamente possível e simultaneamente não pode fazer tudo o que é logicamente possível
                      • Não há um Deus que é simultaneamente omnipotente e moralmente perfeito
              • Objeções
                • Substituir os atributos problemáticos
                  • Um cristão não deve acreditar que Deus pode fazer tudo: pois ele não pode acreditar que Deus poderia possivelmente quebrar a sua própria palavra. Nem sequer pode um cristão acreditar que Deus pode fazer tudo o que é logicamente possível; pois quebrar a sua própria palavra é certamente um feito logicamente possível”
                  • Substituição do atributo de omnipotente para todo poderoso
                    • Todo poderoso – poder de Deus sobre todas as coisas
                    • Omnipotente – significa habilidade para fazer tudo
                • Redefinir os atributos
                  • O atributo da omnipotência inclui só tanto poder quanto um ser moralmente perfeito possa ter
    • Argumentos a favor da existência de Deus teísta
      • Argumento Ontológico
        • O argumento ontológico parte do conceito de Deus e de premissas a priori (premissas que podem ser conhecidas independentemente da experiência do mundo) para concluir que Deus existe na realidade.
        • Deus é “o ser maior do que o qual nada maior pode ser pensado”
          • A partir desta definição conclui-se que Deus existe na realidade, pois se Deus não existisse na realidade ou se apenas existisse no pensamento mas não na realidade, não seria aquele ser maior do que o qual nada maior pode ser pensado.
        • Deus existe no pensamento
          • Ora, se Deus existe no pensamento e não na realidade, então um ser mais perfeito do que Deus é concebível
            • Mas, não é concebível um ser mais perfeito do que Deus
              • Deus existe na realidade
        • Justificações
          • Da premissa 1
            • A premissa (1) afirma que um ser maximamente perfeito existe, nalgum sentido, na mente daqueles que entendem o conceito de Deus; pois:&nbsp; para se afirmar ou negar a existência de um ser maximamente perfeito, deve-se compreender o que está a ser afirmado ou negado.Assim, um ser maximamente perfeito existe pelo menos como entidade mental, ou conceito, se é afirmado ou negado.
          • Da premissa 2
            • Se afirmamos que Deus existe na mente, mas não na realidade, então estamos a alegar que podemos conceber algo mais perfeito do que Deus.
          • Da premissa 3
            • Não podemos conceber um ser mais perfeito do que Deus porque Deus é o ser maximamente perfeito, o ser com todas as qualidades (como a omnipotência, a omnisciência e a suma bondade, entre outras).
        • Objeções
          • Crítica de Gaunilo
            • Seguindo a mesma estrutura argumentativa, pode-se provar coisas que não existem (como p.e. “ilhas perfeitas”).
            • Ilha perfeita existe no pensamento
              • Ora, se ilha perfeita existe no pensamento e não na realidade, então uma ilha melhor do que a ilha perfeita é concebível
                • Mas, não é concebível uma ilha melhor do que a ilha perfeita
                  • Ilha perfeita existe na realidade
          • Crítica de Kant
            • Kant critica o argumento ao defender que a existência não é um verdadeiro predicado.
            • A existência não é um predicado tal como o é uma propriedade que pode caracterizar uma coisa
              • Ou seja, “existe” não é uma propriedade como “verde”, “inteligente” ou “alto”. Isto porque a existência não acrescenta nada ao conceito de uma coisa. Pelo contrário, a existência é apenas a instanciação de uma coisa.
              • Por exemplo, quando dizemos que um cão "existe" não estamos a acrescentar nada ao conceito de cão; simplesmente estamos a afirmar que o conceito de cão é exemplificado ou instanciado. No argumento ontológico, Anselmo parece sustentar que a existência é um predicado que se acrescenta ao conceito de ser maximamente perfeito.
              • Contudo, se a existência não é uma propriedade ou um predicado, então um ser maximamente perfeito não é maior se existir do que se não existir.
      • Argumento Cosmológico
        • O argumento cosmológico (também chamado argumento da causa primeira ou argumento causal), ao contrário do ontológico, baseia-se em alguma informação acerca do modo como o mundo é.Trata-se de um argumento a posteriori.
        • Tem de haver uma primeira causa
          • Neste argumento começa-se com factos simples acerca do mundo, como o facto de nele haver coisas cuja existência é causada por outras coisas, para daí concluir que tem de haver uma primeira causa, ou seja, Deus.
        • Existem coisas no mundo
          • Se existem coisas no mundo, então tais coisas foram causadas a existir por outra coisa
            • Se as coisas do mundo foram causadas a existir por outra coisa, então ou há uma cadeia causal que regride infinitamente ou há uma primeira causa que é origem da cadeia causal
              • Mas não há uma cadeia causal que regride infinitamente
                • Há uma primeira causa, que é Deus
        • Justificações
          • Da premissa 2
            • Nada é causa de si mesmo. Ou seja, tudo o que é causado a existir é causado à existência por alguma outra coisa.
          • Da premissa 4
            • Se a cadeia causal regredisse infinitamente, então não existiria uma primeira causa,o que implica que não haveria qualquer dos seus efeitos e, por conseguinte, nada existiria. Mas, como é óbvio que existem coisas, segue-se que a cadeia causal não pode regredir infinitamente.
        • Objeções
          • Contra a premissa 4
            • Tomás de Aquino argumenta que se não existe uma primeira causa, também não existe qualquer dos seus efeitos. E, assim, as cadeias causais não podem regredir infinitamente. Mas uma cadeia causal que regride infinitamente não tem, por definição, uma causa primeira.Portanto, é falso que se retirarmos a causa primeira (ou seja se esta não existir), os seus efeitos deixam de existir.
          • Contra a premissa 3 e 4
            • Parece petição de princípio. Por que não pode haver várias primeiras causas?
          • Contra a conclusão
            • Mesmo que se possa concluir que existe uma causa primeira, nada garante que essa causa seja o Deus teísta.
      • Argumento do desígnio
        • É um argumento com forte fundamento bíblico, que pressupões a ideia de um Deus criador, que construiu o mundo. David Hume apresenta uma formulação deste argumento.Há variações do argumento que datam de Cícero.
        • Sendo o mundo uma máquina perfeita, precisou de alguém que o tenha construído.
          • Deste modo, a perfeição do mundo é a consequência de uma inteligência superior, perfeita, que o criou.
        • O relógio, pela sua complexidade e pelo modo como está ordenado, é uma máquina que tem que ter um autor e construtor inteligente, com capacidades proporcionais à sua obra — o relojoeiro humano
          • O mundo, pela sua complexidade e pelo modo como está ordenado, é como um relógio
            • O mundo também tem que ter um autor e construtor inteligente, com capacidades proporcionais à sua obra — o relojoeiro divino (Deus).
        • Justificações
          • Da premissa 2
            • Argumento por analogia: o mundo é como um relógio.
          • Da premissa 3
            • Se o relógio teve um criador, assim o mundo terá um criador.
        • Objeções
          • Contra a premissa 2
            • A analogia é frágil –o relógio é uma máquina perfeita, mas o mundo está cheio de imperfeições [o mal terá também sido criado por Deus?]
            • A analogia é remota -as semelhanças relógio/mundo são distantes e só ocorrem em alguns aspectos: o mundo não é semelhante a um relógio porque o relógio foi criado segundo um fim; já o mundo (e a sua ordem), não temos a certeza de que tenha sido a) criado e b) criado segundo um fim (que seria divino) [ao invés de apenas pelo acaso natural]
            • A analogia é redutora –o relógio é uma máquina com uma complexidade limitada às suas pequenas dimensões; o mundo é uma “máquina” de dimensões (logo, complexidade) não comparável ao relógio
            • Se uma analogia só pode ser estabelecida a partir de um exemplo que seja semelhante num aspecto relevante, esta analogia não é válida; logo, o argumento é inválido.
          • Este argumento não apoia o teísmo
            • Em extremo, prova que o Universo teve um projectista – não necessariamente Deus criador ou um Deus de qualquer religião
            • Mesmo que suportasse o teísmo, apontaria para um desenho incompetente do universo Um Deus todo-poderoso e benevolente não criaria organismos deficientes como vemos na natureza Ou seja, teríamos OU um Deus que não é omnipotente OU um Deus que não é benevolente – OU ambos
    • Argumentos contra a existência de Deus
      • Problema do mal
        • O problema do mal é a tensão entre a suposta existência de uma pessoa divina sumamente boa, omnisciente, omnipotente e criadora, por um lado, e a existência de mal supostamente gratuito.
        • Aparentemente, há males gratuitos, como doenças terríveis, e parece razoável pensar que uma pessoa divina sumamente boa não quer que esses males existam Mas se ela é omnisciente, sabe que existem E se é omnipotente, parece que conseguiria eliminá-los, se o quisesse, ou conseguiria ter criado o Universo de maneira a que não existissem.
        • Quer Deus impedir o mal, mas não pode? Então é impotente. Pode, mas não quer? Então é malévolo. Quer e pode? De onde vem então o mal?
        • Ou
          • Não existe uma divindade teísta
            • Modus tollens agnóstico
              • Existir uma divindade é apenas uma hipótese entre muitas Se existir, pode não ser Omnisciente, logo, não sabe que mal existe Sumamente boa, logo, não quer eliminá-lo Omnipotente, logo, não consegue eliminá-lo É muito mais evidente que há males gratuitos
              • Se existe uma divindade teísta, não há males gratuitos
                • Há males gratuitos,
                  • Não existe uma divindade teísta
              • Problema Probatório do mal
                • Se Deus existisse não havia mal gratuito
                  • Males gratuitos são a PROVA da não existência de deus teísta
          • Os males são gratuitos
            • gratuito &lt;=&gt; não serve qualquer finalidade suficientemente boa que o compense
            • Modus ponens teísta
              • É evidente que Deus existe –ou pelo menos a sua existência está muito bem comprovada Logo, não há realmente males gratuitos É uma impressão superficial
              • Se existe uma divindade teísta, não há males gratuitos
                • Existe uma divindade teísta
                  • Não há males gratuitos
              • Problema Lógico do mal
                • Como conciliar Deus teísta com existência de mal gratuito?
                  • Dificuldade em explicar como é que a existência de um Deus teísta é logicamente compatível com a existência de males aparentemente gratuitos
                • Quando duas ou mais proposições são logicamente incompatíveis, pelo menos uma delas é falsa. Ora, as seguintes cinco proposições parecem incompatíveis:
                  • Existe uma pessoa divina que é omnisciente
                    • Essa pessoa é omnipotente
                      • E é também sumamente boa
                        • Além disso, criou o Universo
                          • Existem males gratuitos
                            • Pensadores religiosos teístas Rejeitam esta premissa
                              • TESE –Não há males gratuitos, ainda que assim o pareça
                              • Ponto de partida de LEIBNIZ
        • Será que a existência de Deus é compatível com a existência do mal?
          • O Deus teísta é concebido como
            • Sumamente bom
            • Omnipotente
            • Criador
              • Tudo indica que Deus quis criar um mundo sem males
                • Contudo
                  • O mundo aparentemente está cheio de males
                    • Incompatível com um Deus teísta

Information

Description
Mind Map on Filosofia da Religião, created by Miguel Fernandes on 08/05/2020.
Views
1
Rating

Feedback

What is it about?

What do you think of the new look?

How do you like it?