Mind map
Gregório de Matos ,"Boca do Inferno!

Map content
Gregório de Matos ,"Boca do Inferno!
Gregório de Matos e Guerra foi um dos principais escritores do período barroco, nascido em 7 de abril de 1633 na cidade de Salvador Bahia, foi inegavelmente o primeiro poeta brasileiro. Depois de vender a terra que ganhou como dote ao se casar com Maria dos Povos, dizem que ele deixou o dinheiro em casa e gastou muito. Diz-se que em algum momento de sua vida ele teria desistido de tudo para vagar como “cantor itinerante vivendo com todos os segmentos da população”. Nesse período, passou a escrever cada vez mais poesias satíricas e eróticas, o que lhe valeu o apelido de "Boca do Inferno".Além disso, escreveu vários poemas criticando a corrupção política e a nobreza local, o que resultou na sua deportação para Angola.
- O livro faz parte da era literária barroca que se desenvolveu no Brasil em 1600-1750, esse período coincide com o período da Contra-Reforma, há duas visões contraditórias, os embates religiosos, de um lado sobre a Igreja Católica teocêntrica, de outro - Renascimento que influencia o homem para uma visão antropocêntrica, a arte barroca nasce dessa tensão entre suas visões opostas, o homem barroco apresenta essa crise, essa indecisão entre religião e ciência, entre fé e razão, pecado e perdão, corpo e alma. Ele viveu no Brasil, na cidade da Bahia, no início da nossa vida colonial, e vai retratar todas as nuances que o homem barroco viveu, todos esses duelos, todos esses dualismos, todas as dúvidas estarão muito presentes em sua obra.
A obra de Gregório de Matos reúne mais de 700 textos de poesia lírica, satírica, erótica e religiosa. Inscritos no movimento barroco, eles colecionam jogos de palavras pitorescos, várias canções infantis, bem como a linguagem popular e termos do tupi e de outras línguas africanas. No entanto, Gregório não publicou seus poemas durante a vida, e houve muita controvérsia sobre a autoria de alguns textos. Inicialmente, alguns de seus poemas foram publicados pelo historiador Francisco Adolfo de Varnhagen, Visconde de Porto-Seguro, no livro "Florilégio da Poesia Brasileira" (1850) publicado em Lisboa. Agora podemos encontrar uma grande parte de sua obra.
Gregório tem uma linguagem barroca muito distinta, que é uma linguagem sofisticada, complexa, porque um homem complexo como o barroco cria uma literatura complexa, uma linguagem cheia de inversões sintáticas, hiperbólicas (a figura retórica, que é a frase, se inverte). Existem também poemas mais obscenos, por exemplo, quando diz: “o amor é torcer as pernas, confundir a boca ...” Tanto na questão política quanto na sexual, haverá esse aspecto.No aspecto lírico do amor, escreve para as suas musas, especialmente para os povos de Dom Ángel e Maria dos. Na poesia amorosa e erótica de Gregório de Matos existe também uma visão dualista da figura da mulher desejada, consistindo no facto de ela representar uma espécie de “anjo-demónio”. Na poesia erótica, o poeta usa uma linguagem mais direta e contundente do que na linguagem do amor lírico, o amor carnal aparece como uma forma de liberação do corpo e, portanto, do indivíduo.E do lado santo temos Gregório que pede perdão por ser humano e errar.
PICA FLOR Pica-Flor Se Pica-Flor me chamais, Pica-Flor aceito ser, Mas resta agora saber, Se no nome que me dais, Meteia a flor que guardais No passarinho melhor! Se me dais este favor, Sendo só de mim o Pica, E o mais vosso, claro fica, Que fico então Pica-Flor.Um moço muito safado encontrou uma moça que estava procurando um homem para se juntar. Eles começaram a conversar e este moço pediu para a senhorita desesperada para se casarem e ele poder usufruir de seu corpo. A moça carente logo aceitou a proposta e deu seu belo corpo ao moço indecente. E assim viveram o final de suas vidas, o moço se aproveitando do corpo da moça e ela sendo “cuidada” pelo moço.
AOS AFETOS E LÁGRIMAS DERRAMADAS NA AUSÊNCIA DA DAMA A QUEM QUERIA BEM: Ardor em firme coração nascido; Pranto por belos olhos derramado; Incêndio em mares de água disfarçado; Rio de neve em fogo convertidos: Tu, que em um peito abrasas escondido; Tu, que em um rosto corres desatado; Quando fogo, em cristais aprisionado; Quando cristal, em chamas derretido: Se és fogo, como passas brandamente? Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai, que andou Amor em ti prudente! Pois para temperar a tirania, Como quis que aqui fosse a neve ardente, Permitiu parecesse a chama fria.O poema consiste em antíteses, uma figura retórica que combina pares de opostos. primeiro é marcado por uma lamentação em que o self lírico vivencia o choque de "paixão" ("simbolizado por imagO ens como" fogo "e fogo") e "dor" (simbolizado por "neve" e "água", referindo-se a "lágrimas" ) Na segunda parte, o self lírico interroga-se sobre o carácter contraditório do amor, relembrando a poesia do poeta português Camões (“O
Lendo os poemas de Gregório de Matos, chegamos à conclusão que a poesia é atemporal, o que foi escrito no século XVII ainda é comovente e é um exemplo até hoje. Foi possivelmente o primeiro poeta brasileiro a usar seu talento para investir contra a incompetência, corrupção e arrogância do governo, usando palavras e ironia para mostrar problemas, Ele era um homem com uma mente brilhante e uma alma colorida, ele escreveu poemas sociais e políticos, bem como poemas românticos e eróticos.
Frases de Gregório de Matos “De que pode servir calar, quem cala nunca se há de falar, o que se sente? Sempre se há de sentir, o que se fala!”. “Se és fogo, como passas brandamente, se és neve, como queimas com porfia? Mas ai, que andou Amor em ti prudente!” “Eu sou aquele, que passados anos cantei na minha lira maldizente torpezas do Brasil, vícios, e enganos” “Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é tão formosa a Luz, por que não dura?” “O honesto é pobre, o ocioso triunfa, o incompetente manda.” “Se justificam mentindo com pretextos enganosos, e com rodeios fingidos.”
Contemplando nas cousas do mundo “Neste mundo é mais rico, o que mais rapa: Quem mais limpo se faz, tem mais carepa: Com sua língua ao nobre o vil decepa: O Velhaco maior sempre tem capa. Mostra o patife da nobreza o mapa: Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa; Quem menos falar pode, mais increpa: Quem dinheiro tiver, pode ser Papa. A flor baixa se inculca por Tulipa; Bengala hoje na mão, ontem garlopa: Mais isento se mostra, o que mais chupa. Para a tropa do trapo vazio a tripa, E mais não digo, porque a Musa topa Em apa, epa, ipa, opa, upa.”
Images and files in the map
Information
- Description
- Mind Map on Gregório de Matos ,"Boca do Inferno!, created by Ligia Bussamra on 17/08/2020.
- Created by
- Ligia Bussamra
- Views
- 0
- Rating



