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DEGLUTIÇÃO

Vanessa Da Silva Jorge FONOAUDIOLOGIA Portuguese

DEGLUTIÇÃO

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DEGLUTIÇÃO

  1. É um Processo neuromuscular dinâmico.

    • A função de deglutir é a de transportar material da cavidade oral ao estômago não permitindo a entrada de nenhuma substância na via aérea.
      • A divisão da deglutição é baseada nas características anatômicas e funcionais.
      • Primeiros sinais de movimento de deglutição na vida uterina por volta da 10° semana de gestação
    • Coordenação entre respiração e deglutição
  2. Composto por 4 Fases (intrinsecamente relacionadas)

    • VOLUNTÁRIAS (comandamos por nossa própria vontade)
      • 1- Fase Pré-oral (preparatória oral)
        • Captação e processamento do alimento. Inicia quando mordemos o alimento ou o introduzimos na boca
          • movimentação do bolo alimentar dentro da boca e inicia a MASTIGAÇÃO onde o alimento é triturado e saboreado.
            • Finalizada esta etapa, o alimento é posicionado no centro da língua, os lábios se fecham e a língua faz um movimento ondulatório para trás, pressionando o alimento contra o palato. Este também se fecha impedindo que o bolo entre na cavidade nasal. Com esta pressão o alimento se desloca para o fundo chegando até a faringe.
            • MASTIGAÇÃO
              • O processo da mastigação, auxiliado pela salivação, visa à degradação mecânica e química dos alimentos, com finalidade de obter o bolo alimentar apto para ser ENGOLIDO (DEGLUTIDO)
                • caracterizada como a ação de morder, triturar e pasteurizar o alimento
              • Dividida em 3 Fases
                • 1. incisão ou mordida
                  • fase de apreensão do alimento, a intensidade da contração muscular se eleva e nesta fase ocorre grande secreção salivar.
                • 2. trituração
                  • executada pelos dentes pré-molares reduz o alimento em partículas menores. A salivação intensa ajuda na formação do bolo alimentar.
                • 3. pulverização
                  • nesta fase os alimentos são reduzidos em partículas ainda menores, sendo esse processo realizado pelos molares. Os movimentos da mandíbula são variados e de menor amplitude.
              • músculos mastigatórios
                • Os músculos levantadores da mandíbula: temporal, masséter e pterigóideo medial
                • Os músculos depressores: pterigóideo lateral e toda a musculatura supra-hióidea
              • Funções da Mastigação
                • Fragmentação dos alimentos para digestão e deglutição
                • Ação bacteriana sobre os alimentos
                • Força e função no desenvolvimento normal dos ossos maxilares
                • Manutenção dos arcos dentais
        • O estágio preparatório compreende a mastigação com as suas três fases, incisão, trituração e pulverização.
          • fase em que o bolo alimentar é misturado com a saliva.
      • 2- Fase Oral
        • começa com a propulsão posterior do bolo pela língua e termina com a produção de uma deglutição
          • a ponta da língua apoia-se contra as bordas do alvéolo maxilar ou os incisivos superiores. A parte anterior da língua toma uma forma de xícara para conter bolos com grandes volumes. É a língua também que leva o alimento para ser mastigado em ambas as laterais. A língua portanto, exerce vários papéis importantes nestas duas fases. Levar o alimento para ser mastigado, juntar este alimento, conter o bolo formado, acomodar este bolo e propulsioná-lo para trás.
            • Quando o bolo é levado para a faringe o palato mole deve se fechar para que a comida não vá para a nasofaringe. Os músculos que participam neste momento são o elevador do véu palatino, tensor do véu e o palato faríngeo.
              • O total selamento da cavidade oral ajuda a manter as forças de propulsão necessárias para o transporte do bolo alimentar.
    • INVOLUNTÁRIAS (Não depende do nosso comando)
      • 4- Fase Esofágica
        • Inicia com a abertura da transição entre a faringe e o esôfago, em seguida se desencadeiam ondas peristálticas que transportam o alimento até o estômago.
          • termina quando a comida passa pela junção gastroesofágica.
      • 3- Fase Faríngea
        • Após o movimento ondulatório da língua, o bolo alimentar chega à faringe. Essa fase começa com a produção de uma deglutição e a elevação do palato mole para fechar a nasofaringe
          • o palato mole e a úvula fecham completamente a ligação com o nariz, impedindo que o alimento suba para região da cavidade nasal; a respiração é interrompida. Neste processo, é aberta a transição para o esôfago, próximo órgão que transportará o alimento.
            • a laringe se movimenta para cima fechando estruturas importantes que estão em seu interior (pregas vocais vestibulares e epiglote) para impedir que o alimento vá para as vias aéreas e pulmões.
          • consiste de contração peristáltica descendente dos constritores faringeais para propulsionar o bolo através da faringe
  3. Anatomia de algumas estruturas que realizam ou participam da deglutição

    • OSSOS = hióide, esfenóide, mandíbula e vértebras cervicais.
    • MÚSCULOS E OUTROS TECIDOS : a orofaringe, músculos constritores faríngeos, palato mole, língua - genioglosso, hioglosso e estiloglosso, epiglote, esôfago, cartilagens cricóide e tireóide, e os músculos do pescoço.
    • NERVOS ENCEFÁLICOS
      • O controle neurológico da deglutição envolve 4 grandes componentes
        • 4. as fibras motoras eferentes contidas nos nervos encefálicos.
        • 1. fibras sensoriais aferentes contidas nos nervos encefálicos
        • 2. fibras cerebrais, do mesencéfalo e cerebelares que fazem sinapse com os centros da deglutição no tronco cerebral
        • 3. os pares centrais da deglutição no tronco cerebral
      • Controle Neurológico da Fase Oral
        • Controle Motor: controle motor dos lábios das bochechas e da boca é feito através do Facial - VII.movimentos da língua na fase oral, são realizados pelo Hipoglosso - XII movimentos da mandíbula são controlados pelo Trigêmio - V.
          • Músculos da mastigação – ramo mandibular V-3 · Esfíncter do lábio e os músculos da face – VII · Língua: Músculos intrínsecos – XII Músculos extrínsecos – Alça Cervical C1 - C2 Palatoglosso – X
        • Controle Sensorial: posição da mandíbula com o posicionamento das articulações têmporo mandibulares, e do comprimento e tensão dos músculos que elevam a mandíbula e Trigêmio - V. Paladar é estimulado através do Facial - VII e Glossofaríngeo - IX. A retroalimentação sensorial periférica do palato e da faringe também ajuda nos movimentos da língua na fase oral da deglutição. entrada sensorial em relação à posição da mandíbula, a qual é continuamente fornecida através do posicionamento das articulações têmporo mandibulares, e do comprimento e tensão dos músculos que elevam a mandíbula, é também alimentada pelo 6 Trigêmio - V. O paladar é estimulado através do Facial - VII e Glossofaríngeo - IX. A retroalimentação sensorial periférica do palato e da faringe também ajuda nos movimentos da língua na fase oral da deglutição.
      • Controle Neurológico da Fase Faríngea
        • Controle Motor: A inervação motora dos componentes faríngeos da deglutição ocorre através dos seguintes pares: V, VII, IX, X e XII, com algumas contribuições dos segmentos cervicais C1-3.
          • 1. Movimento da língua para trás em direção ao palato mole: V, VII e XII 2. Movimento do palato mole em direção à língua: V 3. Elevação palatal e constrição da parede posterior da faringe: V, IX e X 4. Elevação do hióide e da língua: VII, XII e segmento espinal C1-3 5. A epiglote desce e a laringe eleva: IX e X 6. Ação dos constritores faríngeos: IX e X 7. Abertura do esfíncter cricofaríngeo: X 8. Após a deglutição o palato mole retorna a posição de repouso: V 9. A língua retorna para a posição de repouso: XII e C1-3 10. A laringe reabre e desce: IX, X e C1-3
        • Controle Sensorial: A inervação sensorial da fase faríngea da deglutição é controlada primeiramente pelo V, IX e X. A maior parte da entrada sensorial da faringe e da laringe que elicia e guia a deglutição é transmitida pelos nervos, Glossofaríngeo - IX e Vago - X. Sensações iniciadas na parte posterior da língua, na úvula e no palato mole são captadas pelo IX.
      • Controle Neurológico da Fase Esofageal
        • Controle Motor: começa com a inibição simultânea de ambos os músculos estriados e lisos em toda a extensão do esôfago. Isto ocorre de cima para baixo através dos sinais excitatórios descendentes. Ambos os sinais inibitórios e excitatórios são estimulados pelo Vago - X. Os impulsos motores descendentes fazem sinapse através dos interneurônios da medula do tronco cerebral, o qual pode interagir com os núcleos corticais e subcorticais que controlam a fase faringeal da deglutição.
        • Controle Sensorial: A retroalimentação sensorial durante o peristaltismo vem através do Vago. O nervo laringeal superior inerva o esfíncter esofageal superior e o esôfago superior; o nervo laringeal recorrente inerva o esôfago inferior. Os ramos torácicos do nervo Vago, inervam o esôfago distal e o esfíncter esofageal inferior. Toque na mucosa esofageal ou pressão dos mecanoceptores profundos podem excitar os receptores e afetar o peristaltismo esofágico. A retroalimentação sensorial do bolo em si na medida em que ele passa pelo esôfago é um componente importante na iniciação do peristáltismo esofágico.
      • Aferência (gustação e sensibilidade - transmitem sensação geral)
        • V – Trigêmio VII – Facial IX – Glossofaríngeo X – Vago
      • Eferência: Fase oral e faríngea da deglutição
        • V – Trigêmio VII – Facial IX – Glossofaríngeo X – Vago XII - Hipoglosso
    • CAVIDADE ORAL, BOCA
      • Estruturas principais: maxila, mandíbula, lábios, assoalho da boca, bochechas, língua, dentes, palato duro, palato mole e arcos palatoglosso e palatofaríngeo (pilares anterior e posterior).
        • Existem também os espaços, chamados de vestíbulos. Vestíbulos anteriores, espaço entre os maxilares e os músculos do lábio. Vestíbulos laterais, espaços entre os maxilares e as bochechas.
    • FARINGE
      • No recém nascido, a faringe faz uma discreta curva desde a nasofaringe até a hipofaringe. A medida que o crescimento e desenvolvimento ocorrem, esta curva aproxima-se dos 90º. A faringe se estende desde a base do crânio até a o nível da sexta vértebra cervical. Seu tamanho é de cerca de 12cm.
      • Paredes da faringe - três músculos envolvidos no ato da deglutição. Os constritores da faringe superior, médio e inferior.
        • Estas fibras musculares estriadas originam-se na rafe mediana no meio da parede posterior da faringe. Estas fibras se estendem lateralmente e se inserem ao osso e às estruturas do tecido mole localizadas anteriormente.
      • três áreas anatômicas: 1- nasofaringe, 2- orofaringe e 3 -hipofaringe
        • 1-Nasofaringe - é uma estrutura como uma caixa localizada na base do crânio. Tem um papel limitado no ato de deglutir e fica fechada em relação ao resto da faringe durante a deglutição.
          • Conecta a cavidade nasal com a orofaringe servindo como um conduto de ar, área de drenagem para o nariz, para os seios paranasais e para a tuba auditiva e por último como um ressonador para a produção da voz.
          • Contém a abertura da tuba auditiva e, lateralmente, o recesso faríngeo; e na parede posterior a tonsila faríngea.
          • A nasofaringe comunica-se com a cavidade nasal através das aberturas nasais posteriores (coanas). Anteriormente é limitada pela coana nasal posterior, antero-inferiormente pelo palato mole, posteriormente pela base do crânio e inferiormente pela orofaringe.
          • A adenóide fica no teto da nasofaringe. Embora a adenóide não tenha relação direta com a deglutição, quando hipertrofia pode obstruir parcial ou totalmente, o fluxo aéreo e interferir na deglutição
        • 2- Orofaringe- extensão da cavidade oral posteriormente, vai desde os pilares anteriores (arcos palatoglosso) até a parede da faringe.
          • A tonsila palatina repousa entre os pilares anteriores e posteriores. A valécula é um espaço em forma de cunha entre a base da língua e a epiglote.
          • As paredes lateral e posterior da orofaringe são formados pela parte mediana e inferiordos músculos constritores da faringe.
          • A maior parte do osso hióide está contida na parede lateral da faringe ; o corpo do osso hióide está inserido na base da língua.
          • A base da língua e a laringe descem durante os 4 primeiros anos de vida. A partir dos 4 anos a base da língua forma parte da parede anterior da orofaringe (Caruso & Sauerland, 1990).
          • Algumas das fibras mais superiores do constritor superior e do palato faríngeo formam uma faixa muscular que, durante a deglutição, elevam uma crista transversa (crista de Passavant) na parede posterior da faringe que, junto com a elevação do palato mole, separa a parte nasal da faringe da parte oral.
        • 3 hipofaringe - vai da ponta da epiglote ao nível do osso hióide até o músculo cricofaríngeo ( parte do constritor faríngeo inferior). Termina sobre a laringe.
          • O músculo cricofaríngeo na entrada do esôfago não possui rafe mediana, em contraste com os constritores, e em estado de contração tônica, funciona como o esfíncter faringoesofageal
          • A parte laríngea da faringe (laringofaringe ou hipofaringe) estende-se da borda superior da epiglote à borda inferior da cartilagem cricóide, e se continua abaixo com o esôfago. A laringe projeta-se na hipofaringe dorsalmente, contendo as fossas piriformes, em ambos os lados da abertura laríngea
          • As fibras obliquas do músculo constritor inferior terminam onde as fibras horizontais do músculo cricofaríngeo começam. As paredes lateral e posterior da hipofaringe são sustentadas pelos constritores médio e inferior. A parede anterior é formada pela laringe e estruturas relacionadas.
    • LARINGE
      • a constituída de cartilagens, músculos e ligamentos
        • cartilagens incluem a tireóide, cricóide, aritenóides, cuneiformes, corniculadas e epiglote.
        • Os músculos intrínsecos da laringe controlam os movimentos de abertura e fechamento das pregas durante a respiração, a fonação e deglutição. Controlam ainda a tensão para produção de sons agudos e graves. O músculo que corresponde ao corpo da prega vocal é chamado músculo vocal, que também é o músculo das pregas ventriculares (falsas cordas).
        • Os ligamentos tíreohióideo e cricotireóideo ajudam na suspensão e estabilidade da laringe.
      • 3 FUNÇÕES : protetora, respiratória e fonatória.
    • ESÔFAGO
      • tubo muscular envolto com uma mucosa que propulsiona o alimento da hipofaringe ao estômago.
      • O músculo cricofaríngeo ou esfíncter esofageal superior, forma a junção entre a hipofaringe e o esôfago.
      • O esfíncter gastroesofágico ou esfíncter esofágico inferior, forma a junção entre o esôfago e o estômago.
        • Estes dois esfíncteres conservam o esôfago vazio entre as deglutições
        • O terço superior do esôfago é composto de músculo estriado similar ao da faringe, e os dois terços inferiores são compostos pelas fibras musculares lisas.
      • As fibras, simpática e parassimpáticas, inervam o esôfago.
    • Existem significativas diferenças entre crianças e adultos.
  4. DISTURBIOS DE DEGLUTIÇÃO

    • Podem se apresentar em qualquer fase da deglutição
      • DISFAGIA
        • se caracteriza por qualquer alteração no trânsito do alimento da boca até o estômago, colocando o indivíduo em risco de aspiração pulmonar, desnutrição e/ou desidratação.
        • causas mais comuns
          • AVE Acidente Vascular Encefálico derrames; Traumatismos cranianos; Ferimentos por arma de fogo na cabeça e do pescoço; Parkinson; Alzheimer e outras demências; Tumores do sistema nervoso, da cabeça e pescoço e do sistema digestório; Esclerose lateral amiotrófica; Esclerose múltipla; Distrofias musculares; Miastenias graves; Polineuropatia do doente crítico; Osteófito (bico de papagaio) e cirurgia cervical; Intubação; Traqueostomia; Rebaixamento do nível de consciência; Delirium; Efeitos colaterais de alguns tratamentos, como medicamentos ou radioterapia; Envelhecimento: seus efeitos isoladamente não causam disfagia, mas deixam o mecanismo da deglutição mais vulnerável.
          • Podem ocorrer nos bebês prematuros,com distúrbios Neurológicos, e/ou respiratórios
    • Mecanismos protetivos: Apneia preventiva, pressão respiratória subglótica, mobilização hiolaríngea e o fechamento glótico.
    • VIAS ALTERNATIVAS DE ALIMENTAÇÃO
      • DIETA ENTERAL
        • ingere alimentos por meio de uma sonda que pode ser um tubo ou uma sonda flexível. Ela é introduzida no paciente pelo nariz, onde fará a passagem pela via naso ou orogástrica até ser posicionada no estômago, intestino delgado ou acoplada diretamente no abdômen do indivíduo.
      • DIETA PARENTERAL
        • inserida na pessoa por via endovenosa
  5. RECÉM-NASCIDOS

    • O recém-nascido normal apresenta uma série de reflexos (reflexos Primitivos) que lhe permitem lucalizar o alimento e, ao mesmo tempo, proteger a via aérea durante o ato de deglutir
      • REFLEXO DE VÔMITO (GAG)
      • REFLEXO DE MORDIDA
      • REFLEXO TRANSVERSO DA LINGUA
      • REFLEXO PERIORAL OU DE PROCURA
      • REFLEXO DE SUCÇÃO

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FONOAUDIOLOGIA Mind Map on DEGLUTIÇÃO, created by Vanessa Da Silva Jorge on 30/03/2021.
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