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CORRIMENTO VAGINAL

BEATRIZ TSUJIMOTO SILVA Portuguese

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CORRIMENTO VAGINAL

  1. Definição

    • secreção vaginal em quantidade excessiva, com alterações das suas características fisiológicas, causando desconforto e sendo determinado por diferentes agentes etiológicos
  2. Vaginose bacteriana

    • Agente etiológico
      • + de 1 agente- é uma desbiose bacteriana
        • redução na concentração de lactobacilos produtores de peróxido de hidrogênio
          • aumento do pH vaginal e em um crescimento maciço de anaeróbios, como Gardnerella vaginalis, Prevotella sp, Porphyromonas sp, Bacteroides sp, Peptostreptococcus sp, Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum e Mobiluncus sp.
    • Transmissão
      • disbiose da flora bacteriana vaginal pode ocorrer por vários motivos
        • como
          • contato entre bactérias anais na vagina (no sexo ou ao limpar a região vaginal ao urinar por exemplo → deve ser da direção antero → posterior)
          • sabonetes comuns (não próprio para a vagina) → pH
          • dispositivo intrauterino, como DIU
          • duchas vaginais (como bidês)
    • Sinais e sintomas
      • corrimento vaginal e/ou odor vaginal fétido
        • corrimento é acinzentado, fino e homogêneo
        • odor desagradável semelhante a “peixe podre”, mais perceptível após a relação sexual.
      • Essa doença não está associada a uma resposta inflamatória e, por isso, a maioria das mulheres tende a ser assintomática.
    • Diagnostico clinico e laboritorial
      • clínico
        • Corrimento homogêneo, fino, branco-acinzentado, microbolhoso, que reveste suavemente as paredes vaginais;
      • laboratorial
        • pH vaginal > 4,5;
        • Teste de Whiff ou teste das aminas positivo
          • definido pela presença de odor de peixe podre após adição de uma gota de hidróxido de potássio (KOH) a 10% em uma amostra do corrimento vaginal;
        • Presença de clue cells em uma amostra do corrimento vaginal.
          • Clue cells são células epiteliais vaginais com cocobacilos aderidos em seu entorno. Sua presença, diagnosticada por um microscopista experiente, é o fator preditivo mais confiável de VB.
    • Tratamento
      • resolve espontaneamente em cerca de um terço das mulheres não grávidas e em metade das grávidas
      • tratamento é indicado para alívio dos sintomas em mulheres sintomáticas, além de reduzir o risco de se obter doenças sexualmente transmissíveis.
      • tratamento de mulheres assintomáticas apenas se estas forem submetidas a alguns procedimentos, como biópsia endometrial, histeroscopia, histerossalpingografia, inserção de um dispositivo intrauterino ou cirurgias vaginais e abdominais.
      • METRONIDAZOL OU clindamicina → administradas via oral ( + efeito colateral)
        • ou
          • Tinidazol
            • Tinidazol 1 g por dia via oral por cinco dias (lembrando que apresentação desde medicamento é de 500 mg, devendo-se prescrever dois compridos uma vez ao dia).
        • Metronidazol 500 mg 12/12 horas via oral por sete dias
          • lembrando que a apresentação deste medicamento no Brasil é de 250 mg, devendo-se prescrever dois comprimidos de 12 em 12 horas
        • Metronidazol creme vaginal 0,75% antes de dormir por cinco noites;
        • Clindamicina 2% creme vaginal antes de dormir por sete noites;
        • Clindamicina 300 mg 12/12 horas via oral por sete dias;
      • tratamento é muito eficaz, sendo a taxa de cura aproximadamente 80%.
    • não é considerada uma DST, ou seja, não precisa tratar seu parceiro.
  3. Candidíase vulvovaginal

    • Agente etiológico
      • Candida albicans 85-90% dos casos
    • transmissão
      • Candida albicans faz parte da microbiota normal de 10 a 25% das mulheres, mesmo que elas sejam assintomáticas.
      • C. albicans é um fungo oportunista: infecções surgem com o supercrescimento desta levedura, quando a competição da microbiota normal é suprimida pelo uso de antibióticos ou outros fatores.
    • sinais e sintomas
      • coceira intensa
      • uma descarga espessa
      • coalhada e amarela
      • com cheiro leveduriforme ou sem odor
    • diagnóstico clínico e laboratorial
      • identificação microscópica do fungo em raspados das lesões ƒe por isolamento do fungo em cultura
    • tratamento
      • aplicação tópica de fármacos antifúngicos de venda livre (como clotrimazol e miconazol) ou
      • dose única de fluconazol oral
  4. Tricomoníase

    • Agente etiológico
      • Trichomonas vaginalis
    • transmissão,
      • IST, parto (5%), água e roupas íntimas, de cama, quando molhadas ou incompletamente secas
      • é um facilitador para a transmissão de outros agentes infecciosos agressivos, como gonorreia e infecção por clamídia, e na gestação, quando não tratada, pode evoluir para rompimento prematuro da bolsa
    • sinais e sintomas
      • Corrimento amarelado, amarelo-esverdeado ou acinzentado
      • mau cheiro, geralmente lembrando peixe
      • pode ocorrer prurido
      • sangramento após relação sexual
      • dor durante relação sexual
      • dor ao urinar
      • pode ser assintomática
    • diagnóstico clínico e laboratorial
      • clínico
        • coloração e odor do corrimento, juntamente com os outros sintomas apresentados pelo paciente
      • laboratorial
        • Exame direto a fresco (sensibilidade de 51-65%)
          • secreção vaginal, cervical ou uretral
        • Meio de cultura (sensibilidade de 75-96% e especificidade de 100%)
          • a cultura apresenta, como principal desvantagem, o tempo para conclusão, de 5-7 dias
          • meio de cultura: de Diamond modificado e InPouchTV
        • PCR (elevada sensibilidade e especificidade)
          • não é utilizado na rotina clínica, considerando seu elevado custo
        • Pesquisa de Antígenos - TR
          • utilizado nos EUA: OSOM Trichomonas Rapid Test
          • tecnologia de imunocromatografia
          • reação entre os antígenos da amostra e anticorpos presentes no stick
        • Determinação do pH
          • pH > 4,5: vaginose bacteriana ou tricomoníase
          • pH < 4,5: candidíase vulvovaginal
        • Teste de Whiff (teste das aminas ou "do cheiro")
          • coloca-se uma gota de KOH a 10% sobre o conteúdo vaginal depositado numa lâmina de vidro
          • Se houver "odor de peixe", o teste é considerado positivo e sugestivo de vaginose bacteriana
    • tratamento
      • Metronidazol oral
        • 500 mg duas vezes ao dia por 5 dias
      • Tratamento dos parceiros sexuais
      • tinidazol oral
        • 2 g, por via oral, em dose única
          • cura até 95% das mulheres quando os parceiros sexuais são tratados simultaneamente
          • efetividade de esquemas de única dose em homens não é evidente
            • tratamento geralmente é feito com metronidazol ou tinidazol, 500 mg VO duas vezes ao dia durante 5 a 7 dias
  5. flora bacteriana normal

    • Lactobacillus spp., Peptococcus spp, Staphylococcus epidermidis, Corynebacterium vaginale, Candida albicans, Bacteroides spp, Eubacterium spp, Escherichia coli, Streptococcus spp, Gardnerella vaginalis, dentre outros

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Mind Map on CORRIMENTO VAGINAL, created by BEATRIZ TSUJIMOTO SILVA on 20/05/2021.
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