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Daniel Rezende Portuguese

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  1. mapa 1

  2. o trabalho era praticado por classes consideradas inferiores

    • Os sentidos do trabalho no mundo antigo As culturas greco-romanas, berço do mundo ocidental, viam o trabalho como uma atividade de pessoas de alma inferior. Os filósofos gregos antigos observavam, em linhas gerais, dois principais caminhos para a atividade humana do trabalho. Por um lado, o trabalho como ação, isto é, o conjunto de atitudes e esforços de sobrevivência do ser humano para alterar o ambiente, o que o aproxima dos animais. Por outro lado, o trabalho como utilidade, quando a atividade humana produz transformação, muda a natureza, altera o valor das coisas e muda a própria humanidade.
  3. Os preconceitos sociais dos gregos sobre o trabalho O filósofo grego Platão (c. 428-348 a.C.) propôs na obra A Re- pública que a cidade justa era composta de três classes sociais que correspondiam a três estados da alma: o desejo, a emoção e a razão. Segundo Platão, os reis (filósofos) e os administradores eram os que trabalhavam com a razão, e, portanto, possuíam a alma racional. Os guerreiros eram guiados pelas emoções e pelo voluntarismo e, logo, deveriam ser os guardiões da cidade, pois possuíam uma alma irascível, sempre disposta a defender a cidade. Já os trabalhadores, que eram dedicados à produção, possuíam a alma concupiscível, ou seja, trabalhavam com o corpo e por meio do esforço físico, e, assim, eram controlados pelos desejos e paixões e pela busca de prazeres imediatos. Portanto, o filósofo associava o trabalho de artesãos e produtores a um estágio de alma em desenvolvimento, inferior. Soma-se a essa concepção a perspectiva de outro filósofo grego, Aristóteles (385-323ac)

    • para quem trabalhar era atribuição dos escravos e dos produtores, não sendo ato digno da aristocracia. Esta deveria se dedicar ao ócio, à filosofia, aos assuntos políticos e aos rumos da cidade
  4. A interdependência entre senhores e escravos De acordo com o pensamento grego, o trabalho e o esforço físico eram uma condição social associada ao baixo desenvolvi- mento da alma, o que justificava a escravidão. Esse imaginário, que discriminava e inferiorizava os trabalhadores, fundamentou os sistemas de divisão de classes que se estabeleceriam nas sociedades ocidentais dali em diante. Com o fim da Antiguidade e ao longo da história ocidental, as sociedades foram se organizando em diferentes contextos, mas permaneceu uma divisão essencial entre proprietários (senhores, donos de terras, burgueses) e a classe trabalhadora que realiza a produção para sustentar a base da sociedade. O filósofo alemão Friedrich Hegel (1770-1831) também observou essa dicotomia, que ele chamou de dialética senhor-escravo. O senhor, como vencedor de uma luta, adquire o direito de escravizar os indivíduos que fracassaram e explorá-los

  5. Labor, poiesis e práxis

    • Labor é a atividade biológica e o esforço físico do ser humano para manter sua vida e sua reprodução como espécie. É o uso do corpo para sobreviver e deixar descendentes.
    • O sentido do trabalho propriamente dito foi analisado sob a forma de poiesis, palavra grega que deu origem à palavra poesia. Esse segundo sentido do trabalho para Hannah Arendt corresponde à capacidade do ser humano de criar ferramentas, artifícios e estratégias para enfrentar o desafio de modificar o ambiente.
    • O terceiro sentido do trabalho é a práxis, ou trabalho-ação, que se exerce em presença de outras pessoas. É a capacidade de organizar a atividade social do trabalho e transformar o mundo pelas ideias. O instrumento da práxis é o discurso, a palavra e a busca da liberdade e do aprimoramento do ambiente social.
  6. O trabalho antes do capitalismo Segundo o sociólogo brasileiro Ricardo Antunes (1953-), antes do capitalismo, o trabalho era considerado um sistema de mediação de primeira ordem, ou seja, a relação do ser humano com a natureza era tão forte e direta que o trabalho tinha apenas o sentido de uma conexão com a terra e com o ritmo das estações

  7. Artesanato, manufatura e maquinofatura

    • artesanato, foi uma das primeiras formas de trabalho a dignificar atividades e funções que eram associadas às classes inferiores.
      • Os artesãos passaram a se reunir em corporações de ofícios, onde foi sendo construída uma ética do trabalho e um conjunto de valores de classe. Nas corporações, os aprendizes deveriam obedecer aos mestres
        • foi o primeiro modelo de trabalho moderno trabalho manufaturado e assalariado, que derivou do modelo coletivo presente nas corporações de ofício por meio de um longo processo histórico.
          • As corporações passaram a adotar rotinas de produção mais complexas e cons- truir grandes espaços para abrigar essa estrutura produtiva, o que as fez derivar no modelo das manufaturas.
  8. Como a modernidade ressignificou o mundo do trabalho Segundo Émile Durkheim (1858-1917), as sociedades mudam com base em suas formas de organização do trabalho, pois es- tas geram processos de diferenciação social e de formação de classes. Em sistemas sociais tradicionais, os laços sociais são mecânicos, repetitivos, pois reproduzem modelos de trabalho de gerações anteriores, o que o autor denominou solidariedade mecânica.

  9. introdução da divisão social do trabalho, os laços sociais passaram a ser feitos entre indivíduos desconhecidos e diferenciados. Com origens sociais diversas, trabalhadores de contextos rurais distintos se encontraram nas insurgentes cidades do século XVIII e iniciaram uma sociabilidade baseada na diferença, na complementaridade, na especialização produtiva. Durkheim denominou tal caracterização do trabalho na sociedade solidariedade orgânica.

  10. Karl Marx

    • Ele afirmou que, por meio da luta de classes, a classe tra- balhadora poderia romper a dialética senhor-escravo que vinha se repetindo ao longo da história. Outra significativa ideia mar- xista sobre o trabalho foi o conceito de modo de produção.
    • Por isso, o autor defendia que o modo de produção capitalista poderia ser abolido por meio de um processo revolucionário que colocasse os trabalhadores no controle dos meios de produção
    • Para Marx, o sistema econômico era a base da sociedade, cuja estrutura é composta de forças produtivas (a atividade humana, ou a práxis) e de relações de produção (as relações sociais que sustentam os valores compartilhados no sistema). O autor mostrou que, ao longo da história, as forças produtivas estão sempre em conflito com as relações de produção, o que ele chamou de dialética histórica.

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Mind Map on Digite seu texto aqui, created by Daniel Rezende on 09/11/2021.
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