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Anemias microcíticas e hipocrômicas

Anelise P. Cappellaro HEMATOLOGIA introdução às anemias Portuguese

Mapa mental sobre anemias microcíticas e hipocrômicas: ferropriva, doença crônica, talassemias e sideroblástica

Mapa mental: Anemias microcíticas e hipocrômicas

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Anemias microcíticas e hipocrômicas

  1. Anemia ferropriva

    • Homeostase do ferro
      • A maior fonte de ferro para a síntese de hemoglobina deriva da destruição das hemácias senescentes (envelhecidas) pelos macrófagos do baço
        • O ferro liberadado através desse mecanismo se torna imediatamente disponível para a síntese de hemoglobina
          • o excesso é armazenado na forma de ferritina ou hemossiderina
          • ou pode ser liberado no plasma. A enzima ferroportina será responsável
            • função da ferroportina: A ferroportina é essencial para o transporte de ferro através das membranas celulares, regulando sua absorção, distribuição e armazenamento no corpo.
            • no plasma, a transferrina é a molécula responsável por transportar o ferro
              • quanto menos ferro no organismo, maior a "vontade" da transferrina de se ligar ao ferro, por isso o TIBC aumenta
          • a hepcidina produzida no fígado tem papel central na homeostase do ferro, funcionando como um termostato
      • estágios de deficiência do ferro
        • 1) balanço negativo
          • ferritina e fero na medula óssea baixos
        • 2) eritropoiese deficiente em ferro
          • ferro sérico baixo, TIBC aumentado e protoporfirinas aumentadas
        • 3) anemia ferropriva
          • aparecem poiquilócitos
      • outra parte é derivada da dieta, principalmente dos alimentos ricos em ferro, como fígado, frutos do mar, espirulina, sementes
    • Causas da deficiência do ferro
      • aumento na demanda do ferro
        • perda sanguínea
        • crescimento
        • gravidez
        • hemólise intravascular com hemoglobinúria
        • terapia com eritropoietina
      • suprimento inadequado de ferro
        • dieta inadequada
        • má absorção
      • função anormal da transferrina
        • atransferrinemia congênita
        • autoanticorpos contra receptores de transferrina
      • de acordo com a idade:
        • crianças e adolescentes
        • mulheres pré-menopausa
        • homens e mulheres pós-menopausa
    • Manifestações clínicas
      • glossite atrófica
      • queilite angular
      • unhas quebradiças e coiliníquia
      • esplenomegalia de pequena monta
      • esclera azul
      • perversão ao apetite (pica)
      • Síndrome de Plummer-Vinson
      • anorexia e irritabilidade (comuns em crianças)
      • síndrome das pernas inquietas
    • Avaliação Laboratorial
      • achados compatíveis com produção de eritrócitos com deficiência de ferro
        • VCM e HCM normais (fase inicial normo-normo)
        • VCM e HCM baixos (micro-hipo)
        • RDW aumentado
        • reticulócitos reduzidos
      • Achados de depleção do ferro
        • ferritina baixa <15-30 ng/ml
        • ferro sérico diminuído <30 mcg/dl
        • TIBC aumentado > 360 mcg/dl
        • saturação de transferrina diminuída <20%
        • protoporfirina livre aumentada, até 30 mcg/dl
        • aspirado de medula óssea é o exame padrão-ouro
    • Tratamento
      • reposição oral
        • 5 mg de sulfato ferroso = 1 mg de ferro elementar
        • em crianças, a dose é de 3-5 mg/kg de ferro elementar por dia
        • a reposição de ferro deve durar de 6 a 12 meses após a normalização do hemograma, no intuito de reabastecer os estoques corporais de ferro
        • cada 100mg de sulfato ferroso hepta-hidratado contém aprox. 20% de ferro elementar em sua composição
      • reposição parenteral
        • via intravenosa
        • indicações
          • intolerância ao ferro oral
          • incapacidade de atender às necessidade de ferro por via oral
          • síndromes de má absorção duodenojejunais
          • anemia ferropriva refratária à terapia oral, apesar da aderência terapêutica
        • administração
          • peso corporal (kg) x 2,3 x (15 - hemoglobina em g/dl) + 500
    • Prevenção
      • crianças em aleitamento materno exclusico só devem receber suplementação a partir do sexto mês de vida até completar 2 anos de idade
      • se a criança não estiver em aleitamento materno exclusivo, a suplementação poderá ser realizada a partir do quarto mês
      • to pré-maturo e recém-nascido com baixo peso, mesmo em aleitamento materno exclusivo, devem receber a partir de 30 dias após o nascimento, suplementação de ferro
  2. Anemia de Doença Crônica ("Anemia Inflamatória")

    • Definição
      • é uma anemia secundária á ativação imune aguda ou crônica ("anemia inflamatória")
        • é a principal causa de anemia em pacientes hospitalizados ou com doença inflamatória crônica em período agudo
          • infecções, doenças oncológicas, traumas, doenças autoimunes, sepse, etc
    • Fisiopatologia
      • ocorre a liberação de citocinas inflamatórias
        • as principais são: IL-6, TNF, IL-1 e os lipossacarídeos bacterianos (LPS)
          • as citocinas inflamatórias também agem na produção de eritropoietina e seus receptores, e diretamente nos precursores eritroides
        • estimula a produção de HEPCIDINA no fígado
          • A síntese de hepcidina é mediada por processos fisiológicos e patológicos.Fisiologicamente, é regulada pela concentração plasmática de ferro, onde na condição de suficiência, o ferro se liga ao receptor de transferrina-1, deslocando a proteína da hemocromatose. Este complexo se liga ao receptor de transferrina-2, aumentando a transcrição de hepcidina
          • A presença de infecção, inflamação e atividade física induzem o aumento da síntese hepática de hepcidina mediada pela interleucina
            • com isso, ela diminui a absorção intestinal de ferro. Menos ferro na circulação leva a hipoferremia
            • aumenta a captação e retenção do ferro no sistema retículo-endotelial (macrófagos). Com isso, diminui a liberação de ferro para a circulação, também causando a hipoferremia
      • na anemia inflamatória, o organismo possui ferro, as hemácias senescentes continuam sendo degradadas para reciclar o ferro, mas ele não está disponível para a síntese de hemoglobina
        • não está sendo liberado para circulação nem para os precursos eritroides, porque está "aprisionado" dentro dos macrófagos do sistema reticulo endotelial
        • o organismo tem seu estoque de ferro presevado, mas a capacidade de ligação ao ferro e a quantidade de recptor de transferrina solúvel estão diminuídas
    • Etiologia
      • qualquer "inflamação" pode levar a este tipo de anemia
      • condições que originam
        • infecções subagudas ou crônicas
        • doenças inflamatórias não infecciosas
        • neoplasias
    • Avaliação laboratorial
      • é, em geral, anemia leve a moderada
      • contagem de reticulócitos baixa
      • normocítica-normocrômica na maioria dos casos
      • proteínas de fase aguda elevadas
      • cinética do ferro
        • ferro sérico baixo ou normal
        • índice de saturação de transferrina baixo
        • ferritina alta
        • TIBC reduzido ou normal
        • receptor da transferrina solúvel baixo ou normal
      • RDW é tipicamente normal
    • Tratamento
      • o melhor tratamento se dá sobre a doença de base
      • Eritropoietina
        • doses iniciais: 100-150 UI/kg (10.000 UI) sub-cutânea 3x na semana
        • doses únicas semanais de 30.000-60.000 UI
  3. Talassemias

    • Características principais:
      • representam os defeitos hereditários da hemoglobina mais comuns
      • causam alterações QUANTITATIVAS. Ou seja, a produção de cadeias da hemoglobina alfa ou beta da hemoglobina estão reduzidas ou ausentes
      • a molécula de hemoglobina é formada por 4 cadeias de globinas, cada uma combinada a uma porção heme
        • No adulto normal, em torno de 97% de Hb circulante possui 2 cadeias alfa e 2 cadeias beta (HEMOGLOBINA A1)
        • Cerca de 2% da Hb circulante possui 2 cadeias alfa e 2 cadeias delta (HEMOGLOBIBA A2)
        • O restante, 1%, possui 2 cadeias alfa e 2 cadeias gama (HEMOGLOBINA FETAL)
    • Fisiopatologia
      • Diminuição da síntese de Hb
      • acúmulo da cadeia de globina que está sendo produzida normalmente e acaba ficando em excesso
        • resulta em eritropoiese ineficaz
          • leva ao aumento da absorção intestinal do ferro
      • como há defeito na produção de hemoglobina, se formam corpúsculos
        • essas hemácias apresentam corpúsculos e são retiradas da circulação pelo baço, o que gera uma hemólise crônica extravascular
    • Classificação
      • Beta-talassemia
        • é uma alteração genética no gene da cadeia beta, por consequência, leva à diminuição da quantidade de cadeia beta produzida
          • com isso, o indivíduo não produz nada ou produz muito pouca cadeia beta
        • Classificação
          • beta/beta: pessoa normal
          • beta0/beta0 e beta+/beta0: beta-talassemia major
            • não produz ou produz muito pouco cadeia beta
              • sintomas evidentes após os primeiros 6 meses de vida, quando a HF começa a declinar
              • anemia grave: Hb entre 3-5
              • anemia hemolítica, com icterícia acentuada
              • deformidades ósseas, com proeminência dos maxilares, aumento da arcada superior, "fácies de esquilo"
              • baixa estatura, retardo no crescimento, disfunção endócrina
              • litíase biliar e úlcera maleolares
              • hemocromatose por transfusão e aumento da absorção de ferro
          • beta+/beta+: beta-talassemia intermedia
            • produz pouco a cadeia beta
              • quadro mais brando
                • a maioria tem esplenomegalia e expansão óssea proeminente
                • Hb na faixa de 8-10
                • crescimento, desenvolvimento e fertilidade preservados
          • beta0/beta e beta+/beta: beta-talassemia minor
            • produz um pouco abaixo do normal
              • assintomáticos
              • anemia microcítica leve (Hb entre 9-11)
              • microcíticas, hipocrômicas, com hemácias em alvo no sangue periférico
            • traço talassêmico
        • Fisiopatologia
          • a diminuição da cadeia beta leva à falha da produção do tetrâmero alfa2 beta2 da hemoglobina A, o que resulta em micro/hipo e hemácias em alvo
          • os agregados de cadeia alfa que ficam sobrando se precipitam e formam corpos de inclusão
          • pode haver um estado de hipercoagulabilidade
        • Manifestações clínicas
          • a intensidade dos sintomas dependerá do gau de produção da cadeia beta, assim como de coexistência de outras anormalidades
        • Laboratório
          • anemia microcítica e hipocrômica com RDW NORMAL
          • hiperbilirrubinemia indireta, aumento do LDH, redução da haptoglobina
          • ferro sérico normal a alto, TIBC normal, saturação de transferrina normal a alta, ferritina normal a alta
          • esfregaço de sangue periférico com anisopoiquilocitose, hemácias em alvo, hipocromia, pontilhado basofílico
        • Diagnóstico
          • eletroforese de Hb é o padrão-ouro
          • como há menos cadeias beta, as hemoglobinas formadas por outras cadeia se sobressaem, como a A2 e a F
        • Tratamento
          • hipertransfusão crônica, com objetico de Ht 27 a 30%
          • quelação de ferro com desferoxamina
          • esplenectomia é indicada quando as necessidades transfusionais aumentam>50% em 1 ano
      • Alfa-talassemia
  4. Anemia Sideroblástica

    • Fisiopatologia
      • é uma anemia ligada à diminuição da síntese de hemoglobina em decorrência da síntese do heme
      • o heme é produzido no interior da mitocôndria dos eritroblastos e defeitos mitocondriais ou deficiências enzimáticas podem levar à falha da incorporação do ferro ao anel de protoporfirinas
        • heme = protoporfirina IX + Fe 2+
        • esse processo de eritropoiese ineficaz pode estimular a absorção de ferro, o que leva a sobrecarga, a hemocromatose
      • o ferro acumulado dentro e ao redor da mitocôndria leva à formação do achado que proporciona o diagnóstico
        • o sideroblasto em anel (eritroblasto com depósitos de ferro em volta do núcleo)
          • o sideroblasto em anel é visto apenas na medula óssea
          • no sangue periférico podemos encontrar os corpúsculos de Pappenheimer
    • Etiologia
      • hereditárias (as mais comuns são ligadas ao cromossomo X)
      • adquiridas idiopáticas
      • adquiridas secundárias (reversíveis)
    • Manifestações clínicas
      • a anemia tende a ser moderada a grave (Hb 4-10)
      • os sintomas são os referentes à anemia
        • mas também podem ser pelo acúmulo de ferro no organismo
      • pode ser por causas adquiridas, como induzidas por drogas ou agentes tóxicos
      • achado hemolítico
    • Diagnóstico
      • sangue periférico com microcitose e hipocromia
      • hemácias dismórficas - RDW elevado
      • pontilhado basofílico no mielograma
      • ferro sérico e ferritina elevadas
      • o aspirado de medula óssea é o padrão-ouro para o diagnóstico
    • Tratamento
      • excluir problemas reversíveis
      • teste terapêutico com piridoxina 50-200 mg/dia
      • suporte transfusional é o principal tratamento
      • terapia de queleção de ferro com desferoxamina

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introdução às anemias HEMATOLOGIA Mind Map on Anemias microcíticas e hipocrômicas, created by Anelise P. Cappellaro on 15/06/2024.
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