A epilepsia rolândica benigna da infância geralmente tem início na pré-
adolescência (7 a 10 anos de idade), predomina em meninos (numa proporção de 1,5:1)
e apresenta alta prevalência (15% das epilepsias da infância). As crises caracterizam-se
por sintomas motores ou sensoriais faciais unilaterais, manifestações orofaríngeas,
paralisia da fala e hipersalivação. É uma epilepsia geneticamente determinada, com
evidências de ligação com o cromossoma 15q14. Sua herança é autossômica dominante,
com penetrância idade-dependente. Apesar de clinicamente as crianças terem aspecto
muito próximo do normal, o eletroencefalograma mostra-se desproporcional e
gravemente alterado, com atividade epileptogênica localizada em uma ou em ambas as
regiões centrais, sobretudo durante o sono. O prognóstico é excelente: o risco de
desenvolver crises generalizadas infrequentes na idade adulta é inferior a 2%. A
remissão das crises ocorre 2-4 anos após o início do quadro e sempre antes dos 16 anos
de idade. A maioria dos pacientes apresenta menos de 10 crises ao longo do
tratamento(13).
febril simples
Síndrome de west
Annotations:
A síndrome de West é uma encefalopatia epiléptica relacionada especificamente a
crianças com menos de 1 ano de idade, resultante de múltiplas causas. Ela é
caracterizada por um tipo específico de crise epiléptica, denominada “espasmos
epilépticos”, e anormalidades grosseiras ao eletrocardiograma (o chamado padrão
hipsarrítmico ou hipsarritmia). O desenvolvimento psicomotor é invariavelmente
prejudicado. Cerca de 60% das crianças desenvolvem outros tipos de crises, evoluindo
para síndrome de Lennox-Gastaut
Lenonx Gastaut
Annotations:
A síndrome de Lennox-Gastaut é uma síndrome da infância caracterizada pela
tríade: crises epilépticas polimorfas intratáveis (em geral, tônicas, atônicas ou de
ausência atípica), anormalidades cognitivas e comportamentais e EEG com paroxismos
de atividade rápida e descargas generalizadas de complexos onda aguda-onda lenta a 2,5
Hz. Manifesta-se antes dos 11 anos de idade, e as crises geralmente resultam em quedas.
A exemplo da síndrome de West, a de Lennox-Gastaut também apresenta uma vasta
lista de possíveis etiologias. O prognóstico é ruim, com 5% de mortalidade. Cerca de
80%-90% dos pacientes continuam a apresentar crises epilépticas na vida adulta
Diagnóstico
Clínico
Annotations:
Na maioria dos casos, o diagnóstico de uma crise epiléptica pode ser feito
clinicamente através da obtenção de uma história detalhada e de um exame físico geral,
com ênfase nas áreas neurológica e psiquiátrica. Muitas vezes, o auxílio de uma
testemunha ocular é importante para que a crise seja descrita em detalhes. A existência
de aura bem como as condições que possam ter precipitado a crise devem ser
registradas. Idade de início, frequência de ocorrência e intervalos mais curtos e mais
longos entre as crises devem ser caracterizados, muitas vezes com o auxílio de um
diário de crises. A história deve cobrir a existência de eventos pré e perinatais, crises no
período neonatal, crises febris, qualquer crise não provocada e história de epilepsia na
família. Trauma craniano, infecção ou intoxicações prévias também devem ser
investigados(9).
É fundamental um diagnóstico diferencial correto com outros distúrbios
paroxísticos da consciência, como síncopes e crises não epilépticas psicogênicas
Complementar
EEG
Annotations:
O EEG é capaz de responder a três
importantes questões diagnósticas nos pacientes com suspeita de epilepsia: 1) o paciente
tem epilepsia? 2) onde está localizada a zona epileptogênica? 3) o tratamento está
sendo adequado?
Ressonância magnética
Annotations:
solicitados na suspeita de causas estruturais
(lesões cerebrais, tais como tumores, malformações vasculares ou esclerose
hipocampal), que estão presentes na maioria dos pacientes com epilepsia focal